<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-23280462944009230</id><updated>2012-01-29T18:09:25.230-02:00</updated><title type='text'>Civilizações Africanas</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Valter Pitta</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TB6681d_coI/AAAAAAAAFY8/KIKFPlkCX0I/S220/C%C3%B3pia+de+hgghgd.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>172</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23280462944009230.post-8485471051245540460</id><published>2011-03-16T18:05:00.003-03:00</published><updated>2011-03-20T17:24:13.368-03:00</updated><title type='text'>Os Berberes na Antiguidade </title><content type='html'>&lt;em&gt;A pesquisa desenvolvida neste artigo foi realizada durante um trabalho de organização da documentação epigráfica e textual referente aos grupos berberes norte-africanos na Antiguidade. Oportunamente, discutimos as especificidades da documentação à disposição do pesquisador desta área: arqueológica, epigráfica e textual e apresentamos nossa contribuição para a definição do conceito teórico tribo, normalmente utilizado de maneira vaga e pouco fundamentada.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-l2oCu3FbBMk/TYEWApGg8LI/AAAAAAAAGTI/LpzZ78lJGQQ/s1600/CNAf0335NumidianCavalry3.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-l2oCu3FbBMk/TYEWApGg8LI/AAAAAAAAGTI/LpzZ78lJGQQ/s400/CNAf0335NumidianCavalry3.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5584769213205115058" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Introdução&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Norte da África, enquanto laboratório de transformações culturais impostas por mudanças históricas, constitui um campo de análise extremamente rico para o cientista humano. Esta região pode ser considerada, geograficamente, uma "ilha", pois encontra-se separada da Europa pelo mar e do resto da África pelo deserto. De fato, sua ligação física mais direta é com o Oriente, esse mesmo Oriente com o qual grande parte de sua História se mescla. No entanto, apesar das barreiras físicas, a Península Ibérica em especial, mas igualmente a região mediterrânica central, desde tempos os mais remotos, estabeleceram uma série de contatos e intercâmbios humanos, culturais e econômicos com a região norte-africana. De fato, um estudo acurado destes aspectos demonstra que, apesar de não podermos ignorar elos entre a região central norte-africana e sua área setentrional, foi com relação aos povos do continente europeu e do Oriente Próximo que a maioria dos processos ocorreu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme apontamos acima, desde o Neolítico, trocas culturais e mesmo econômicas ocorreram principalmente com a Península Ibérica e as ilhas da região do Mediterrâneo central. Por outro lado, durante a chamada Antigüidade Clássica, o Oriente, representado pelos fenícios, e através destes, pelos egípcios, estabeleceu um vínculo cultural permanente com os povos autóctones desta região. A chegada dos invasores islâmicos no século VII de nossa era representou, de uma certa maneira, uma continuidade de contato com o Oriente e não uma novidade. No entanto, gregos e, principalmente romanos, também ali aportaram. De fato, durante o Império Romano, todo o Norte da África, com exceção do Egito o qual representava uma unidade imperial a parte, foi transformado em províncias específicas: da Mauritânia (Cesariense, Tingitânia e Sitifensi), Numídia (Cirtensi e Militaria), Africa Proconsular, Tripolitânia e Bizacene. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De colonizadores em colonizadores, os povos autóctones do Norte da África depararam-se, portanto, com fenícios, romanos, vândalos, islâmicos e, já em tempos modernos, com europeus (franceses e italianos essencialmente). Sua existência, deste modo, sempre foi pautada e analisada a partir da perspectiva do outro, do estrangeiro. Entretanto, com o advento dos processos de libertação do período pós-colonial, e com a conseqüente formação de novas identidades nacionais nos países norte-africanos, houve uma identificação e um retorno ao passado islâmico. Aspectos históricos e culturais deste passado foram, então, valorizados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na esteira desta reificação de uma identidade nacional islâmica, os povos autóctones norte-africanos, os chamados berberes, também ganharam voz. De fato, a determinação da identidade étnica de um povo é uma criação político-social, ativada e estruturada através de estratégias discursivas dentro do próprio grupo (Hall 1997: 41). Entendemos que esta formação étnica é uma construção ditada pelas circunstâncias históricas e é de difícil percepção na cultura material. Entretanto, o pesquisador que lida com o Norte da África encontra-se absolutamente familiarizado com a existência de um grupo social específico, os já citados berberes, o qual é identificado (inclusive nos escritos contemporâneos), através de aspectos tanto culturais: lingüísticos e sociais, como também físicos, de maneira difusa, desde o chamado período proto-histórico, sempre em contraponto aos diversos povos que aportaram e dominaram o Norte da África ao longo de sua história, conforme mencionamos no início de nossa introdução. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A constituição de uma memória islâmica no Norte da África, a qual foi fruto da independência destes antigos países colônias frente ao europeu, gerou, pois, uma reação oposta à política praticada por esses mesmos europeus anteriormente, qual seja, a da recuperação do passado greco-romano destas regiões. Apesar de pesquisadores renomados, como o arqueólogo Gabriel Camps e mesmo Stephané Gsell, terem realizado uma série de estudos a respeito dos povos autóctones norte-africanos durante o período de ocupação fenício-cartaginês e greco-romano, estes povos não possuíam a primazia nas pesquisas historiográficas que hoje em dia possuem. De fato, à resposta política dos países libertos do jugo europeu devemos acrescentar uma guinada profunda que ocorre no mundo da pesquisa "clássica" européia. Entre os anos 50 e 60, publicações como a de Biagio Pace, &lt;em&gt;Arte&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Civiltà della Sicilia Antica&lt;/em&gt; e Luigi Bernabó Brea, "Leggenda e archeologia nella protostori siciliana" (&lt;em&gt;Kokalos&lt;/em&gt;), sobre os povos autóctones siciliotas, fizeram parte de uma grande onda, até hoje muito forte, de recuperação da história dos povos marginais ao domínio grego e ao Império Romano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nossa tese de Doutoramento, da qual este artigo é fruto, insere-se nesta contextualização. Ao propormos a análise iconográfica das cunhagens emitidas por dois grupos autóctones do Norte da África, os mouros e os númidas – os últimos divididos em masesilos e massilos –, entre o final do século III a.C. e a segunda metade do século I a.C., nossa preocupação permanente foi a de efetuar uma pesquisa resgatando a história do ponto de vista interno destes povos, e não a partir da ótica romana ou mesmo fenício-cartaginesa. Isso nos obrigou a avaliar o raio de ação dos documentos disponíveis (textuais e arqueológicos) como também nos obrigou a repensar as categorias analíticas que normalmente são utilizadas nas pesquisas de História Antiga. Apresentamos a seguir o resultado destas reflexões com relação a definição social dos povos autóctones e apresentamos nosso mapeamento dos referidos povos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tribo ou grupo indígena: estabelecendo um conceito&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A imensa maioria dos pesquisadores ao tratar da Berberia utiliza o termo tribo para designar a divisão estrutural básica dessa sociedade (Whittaker 1993; Gsell 1920-1930; Euzennat 1963; e outros). No entanto, muitos têm consciência das dificuldades que o uso específico da palavra tribo acarreta (Fentress 1982: nota 13). Além de questões restritas à esfera da Antigüidade, o termo é problemático conceitualmente em razão da carga negativa a ele agregada, vinda das concepções evolucionistas do século XIX. Por exemplo, foi abolido da antropologia brasileira, onde se passou a utilizar, ao invés, o termo grupo indígena (ou grupo social), menos carregado de significados secundários. Como já salientamos, mesmo internacionalmente existe um longo debate sobre a pertinência e as conotações da palavra tribo (Whittaker 1993: 332, notas 4 e 5), que se encontra em desuso mas não foi ainda totalmente abolida. Isto porque o uso do conceito "sociedade tribal" é preferido em relação ao de "primitivo", que traz embutido em si a mesma carga negativa que acabamos de relacionar ao termo tribo. Entretanto, uma vez que a produção acadêmica brasileira solucionou a questão passando a utilizar o neutro conceito de grupo indígena (o termo indígena é adotado, por nós, para marcar o caráter autóctone dessas pessoas), optamos por seguir essa tendência e o adotamos também, no lugar de tribo, mas não no lugar de "sociedade tribal", que é menos tendencioso do que "sociedade primitiva". Deste modo, utilizamos o termo grupo indígena para designar as diferentes nomeações gregas e latinas, que aparecem nas fontes antigas, de populações que se organizaram socialmente na Berberia proto-histórica. No entanto, visto que o termo grupo indígena é mais abrangente do que o termo tribo, apresentamos a seguir algumas considerações sobre o primeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Berberia da Antigüidade, o grupo indígena pode ser entendido como a formação social básica a habitar a região, seja como nômade, semi-nômade ou sedentária. Stéphane Gsell (1927, vol V.: 82-83) definia os nomes encontrados nos textos antigos gregos e latinos como sendo ou de tribos ou de povos. O termo povos era utilizado quando a referência, segundo ele, fosse para um conjunto de povoamentos unidos por laços mais ou menos estreitos. Recentemente, C. R. Whittaker (1993: 332-333) mencionou a divisão desses grupos em "segmentos ferozmente independentes, denominados por conveniência de pequenos clãs". Estes clãs seriam compostos por diversos grupos familiares menores. Gabriel Camps (1960), em sua obra dedicada ao rei númida Massinissa, ao discorrer sobre a proto-história da Berberia, escapa ao uso de qualquer um desses termos, preferindo referir-se a povos nômades, semi-nômades e sedentários. Camps acredita em uma unidade "étnica" (aspas nossas) dos povos berberes revelada pelos dialetos berberes, hoje em dia fracionados e separados, reduzidos a ilhas, mas todos derivados de uma antiga língua (Camps 1960: 124-125).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, essa unidade étnica não expressa unidade política, isto é, centralização do poder. Os grupos indígenas divididos em clãs, que são compostos por pequenos grupos familiares, em determinados momentos históricos, da Antigüidade até o século XX se nos lembrarmos da organização social dos touareg saarianos (Seligman, 1935: 128), admitiram relações de vassalagem com outros grupos e formaram unidades políticas maiores que constantemente variaram de tamanho. Desta maneira e em alguns momentos, um certo número de grupos indígenas e de "confederações", oriundos destes, podem ser identificados, como no caso dos "reinos" pré-romanos masesilo, massilo, númida e mouro. No entanto, o grau de coesão das facções componentes e do próprio grupo indígena variou enormemente ao longo da História, e, segundo C. R. Whittaker (1993: 333), foi essencialmente efêmero. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, a maioria dos nomes dos grupos indígenas autóctones da Berberia que a historiografia moderna conhece é oriunda das fontes textuais gregas e latinas. Estes nomes foram sempre apresentados, genericamente, como sendo referentes a um povo, uma &lt;em&gt;natio&lt;/em&gt; (no sentido de "conjunto de indivíduos nascidos no mesmo lugar"), mas que poderiam, eventualmente, estar designando algo mais específico, uma &lt;em&gt;gens&lt;/em&gt; (subentendendo-se um conjunto de pessoas que, pelos varões, se ligam a um antepassado comum, varão e livre).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma questão primordial para o estudo da sociedade norte-africana é entender quais categorias dessa organização social delineada acima estão por detrás dos nomes de grupos conhecidos, que denominamos grupos indígenas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acreditamos ser um erro considerar como referente a um agrupamento fechado e independente cada um dos nomes que a literatura e a epigrafia grega e latina, e a epigrafia púnica nos revelam. Como veremos nem sempre é possível depreender, a partir da citação, se se trata de um grupo indígena específico, um sub-grupo (clã, família, etc.), ou uma denominação maior ("confederação" ou super-grupo). Este tipo de questionamento teria que ser mediado pelo estudo da ocupação territorial, dos padrões dessa ocupação e do conjunto da cultura material a eles relacionados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa maneira, apresentamos as mais importantes citações textuais que mencionam os grupos indígenas berberes, acrescentando as informações provenientes da documentação material epigráfica, com o intuito de vislumbrar parte dessa organização. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A documentação&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história e a organização social dos habitantes autóctones do Norte da África pré período fenício-cartaginês é praticamente desconhecida. Os dados que possuímos sobre eles são, na sua imensa maioria, de ordem material e, mais especificamente, relacionados com a esfera excepcional da morte. Ou seja, possuímos um quadro razoavelmente completo dos tipos de túmulos e áreas de enterramento desses povos desde a sua proto-história. No entanto, as formas de ocupação espacial e a cultura material a elas relacionadas ainda não foram estudadas de maneira a formar um &lt;em&gt;corpus&lt;/em&gt; documental consistente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles possuíam uma língua própria, como vimos acima, que se convencionou chamar de líbica na falta de uma denominação original, mas essa língua só ganhou um formato escrito em torno do século IV a.C. após contatos mais extensos com os fenício-cartagineses e com a língua destes, o fenício, que no Ocidente ganhou traços específicos, e passou a ser denominada, atualmente pelos estudiosos, de púnico, do nome dado pelos romanos aos herdeiros desse povo semítico no ocidente mediterrânico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Possuímos, por outro lado, poucos textos líbicos da Berberia. A grande maioria deles são inscrições de caráter religioso, bilíngües com o púnico ou neo-púnico (forma cursiva do púnico desenvolvida após a destruição de Cartago no século II a.C.). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As fontes escritas mais prolixas sobre os autóctones continuam sendo os textos de autores gregos como Heródoto, Diodoro da Sicília, Ptolomeu e Políbio, e romanos como Salústio, Tito-Lívio, Plínio, o velho, Tácito e Apiano, entre outros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, a leitura dessas obras tem que ser feita com extremo cuidado, através da análise da coerência interna e da comparação com os dados fornecidos pelas fontes materiais. Além disso, as fontes originais utilizadas pelos autores antigos devem ser detectadas na medida do possível. A natureza dos temas narrados concentra-se em aspectos intimamente ligados aos acontecimentos militares que envolveram cartagineses e gregos, num primeiro momento, cartagineses e romanos, em seguida, por ocasião das Guerras Púnicas, e, por fim, as lutas entre os partidos romanos de Mário e de Silas, César e Pompeu, Otávio e Marco Antônio. Além disso temos obras como o &lt;em&gt;Bellum Jugurthinum &lt;/em&gt;de Salústio, onde ele narra a guerra do berbere Jugurta pelo poder – guerra essa que envolveu Roma e ocorreu entre os herdeiros de Massinissa; ou então, textos acerca da convivência entre as populações locais e o poder romano, como nos Anais de Tácito, onde se lê sobre a revolta de Tacfarinas, líder do grupo indígena musulâmios, no século I d.C. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As exceções são poucas, mas existem. Assim, Heródoto, em um período anterior ao acirramento das agressões entre cartagineses e gregos, que ocorre no final do século V a.C., é o primeiro a escrever sistematicamente sobre os indígenas do Norte da África. No entanto, ele trata mais detalhadamente dos grupos que habitavam a parte oriental da Tunísia e a Líbia atuais. De qualquer forma, seu relato é muito interessante porque é o primeiro relato "etnográfico" que possuímos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Geograficamente, as fontes textuais greco-romanas localizam os grupos mormente na região oriental da Berberia oriental, isto é, na costa leste da atual Tunísia. A proximidade com a colônia grega de Cirene com certeza facilitou os primeiros contatos entre gregos e autóctones. Para a profusão de nomes compilados nesta área, temos a contrapartida de uma exigüidade de outros para as áreas onde futuramente vão se formar os "reinos da Numídia e da Mauritânia", que correspondem, grosseiramente, às regiões do atual Maghreb. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais além, a visão que as fontes escritas gregas e latinas nos trazem é, antes de tudo, baseada na forma de vida que essas pessoas levavam. Apresentada de forma antinômica, isto é, ou eles são nômades ou são sedentários. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este tipo de pesquisa forçosamente é dependente das fontes textuais. No entanto, a documentação epigráfica, quando arrolada, foi utilizada como parâmetro essencial para a determinação da veracidade dos textos. Procurar entender a organização social de um povo a partir de uma visão estrangeira pode levar a erros graves, deste modo o procedimento inverso, isto é, partir-se dos dados epigráficos seria o ideal, entretanto, no estado atual das pesquisas arqueológicas na área, este método não é quantitativamente satisfatório. Por outro lado, os dados provenientes da análise das diferentes categorias materiais de uma cultura possibilita abordagens próprias e específicas. O conhecimento que esse tipo de documento permite é muito diferente daquele construído tendo como fonte a documentação textual. A fala dos objetos, das estruturas, da organização espacial de uma sociedade é uma fala intrínseca a ela, permite uma visão global de dentro para fora, e não apenas de segmentos – como ocorre, em geral, com relação às fontes textuais. A documentação material berbere e púnica possui um atrativo ainda maior: representa praticamente a totalidade da documentação produzida por eles, a qual os estudiosos modernos puderam recuperar até o momento. Afora as inscrições – na sua imensa maioria funerárias; os grafites – especialmente na cerâmica; e as legendas monetárias, não possuímos fontes textuais diretas desses povos. A documentação textual latina do Norte da África sob domínio romano, apesar de abundante, é muito posterior ao período ora abordado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os pastores e agricultores de Heródoto &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As primeiras indicações sistematicamente arroladas vêm de Heródoto. A maioria dos grupos indígenas que este autor grego elenca está localizada para além da Berberia oriental. A importância de Heródoto enquanto fonte textual vem de dois fatores: a primeira está centrada no fato de ser o relato de Heródoto a relação sistemática mais antiga que conhecemos – menções existem, de fato, em textos mais antigos, mas são esporádicas e fragmentárias; a segunda, diz respeito à categorização que Heródoto nos apresenta ao dividir os indígenas em nômades (pastores) e agricultores. Essa representa a primeira informação de ordem sócio-econômica de que temos notícia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Heródoto (IV, 181, 191) descreveu a partir do Egito os: adimarquides, giligames, asbites, ausquises, bacales, nasamões, psilos (extintos), maces, gindanos, lotófagos, maxlies e auses. Os primeiros, até os maces, habitavam a área litorânea a partir da Sirte Maior (Golfo de Sidra). Os últimos habitavam as margens do lago Tritonis. Deste modo, adotando a localização de St. Gsell (1927, vol.V: 82-83), em torno de meados do século V a.C., apreendemos que, na região anteriormente denominada Sirtes (entre a Sirte Menor e a Sirte Maior nas atuais Tunísia e Líbia), viviam, de forma nômade, todos esses grupos indígenas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os nasamões (Heródoto, II, 32) ocupavam inicialmente o litoral oriental deste grande "golfo", que corresponde ao litoral da atual Líbia até a região de Barqa, e logo em seguida avançaram em direção à costa meridional, tomando o lugar dos psilos, que, então, desapareceram. J. Desanges, seguindo a orientação geográfica que Heródoto apresenta, situa-os, ele também, nas costas orientais das Sirtes, mas afirma que, quando eles se distanciavam de sua zona de ocupação habitual, nos períodos de transumância, a direção que tomavam era sudeste, isto é, para o oásis de Augila (atual Aoudjila) (Heródoto, IV, 172) (Desanges 1980: 370). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os maces (Heródoto, IV, 175; V, 42) tomam posse da área ocidental da Sirte Maior (Golfo de Sidra), e mais a oeste, na região onde o Cinips corre. Este rio, identificado com o atual oued Oukirré ou el-Khaâne joga-se no mar a 18 km. para o sudeste de Lebda, a antiga Leptis Magna (Desanges 1980: 258). J. Desanges acredita que os maces foram os primeiros getulos (analisados mais à frente), a travarem contato com os romanos (&lt;em&gt;idem &lt;/em&gt;367, n.4). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais a oeste encontra-se o território dos gindanes (Heródoto, IV, 176). Antes deste povo, os lotófagos (Heródoto, IV, 177) possuíam a área situada entre a região do Cinips e da Sirte Menor (Gsell 1918, vol.lII: 131). Entretanto, na opinião de St.Gsell (1927, vol V: 82) este nome fora dado pelos gregos aos mesmos gindanes, pois estes, vivendo ao longo do litoral africano, alimentavam-se das frutas do lotos (jujubeira). De fato, J. Desanges assinala o uso do termo em Plínio, no genitivo: &lt;em&gt;lotophagon&lt;/em&gt;, e o liga a uma fonte grega. Além disso, este mesmo estudioso bem avalia a dimensão exata desse nome ao lembrar-nos que o termo lotófago evoca simplesmente a alimentação de alguns desses grupos, feita a partir das frutas do lotos, cujas diferentes espécies crescem selvagemente em várias partes do Norte da África oriental (Desanges 1980: 267). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retomando a distribuição espacial dos grupos indígenas apresentados por Heródoto, ao redor do grande lago Tritonis – situado na Sirte Menor – encontramos os dois últimos grupos indígenas apresentados pelo historiador grego, os maxlies (Heródoto, IV, 178) e os auses (Heródoto, IV, 180), separados pelo rio Tritão, que deságua no lago. Segundo St. Gsell (&lt;em&gt;idem&lt;/em&gt;) este lago seria aquele que vemos, hoje em dia, ao fundo do Golfo de Gabès. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Heródoto (IV, 181) escreve: "Eu acabei de indicar os líbios nômades que habitam ao longo da costa marítima. Abaixo deles, para o interior, encontra-se a Líbia das feras selvagens..." (Camps 1960: 18). Desse modo, até o momento todas as indicações apresentadas foram com relação a grupos nômades. Na verdade acreditamos que esses grupos fossem semi-nômades, pois gravitavam em uma área fixa, entre o litoral e o interior das Sirtes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentre os livros consagrados por Plínio, o velho, à geografia regional, a descrição da África representa apenas a décima-quarta parte. Ao arrolar os grupos indígenas dessa região, ele avança até as Sirtes, e assim repete alguns dos nomes mencionados por Heródoto, como os nasamões. J. Desanges compara a lista de Plínio (V, 33) com a de Estrabão (XVII, 3, 23). Os nomes dos grupos indígenas mencionados por Estrabão são: marmáridas, psilos, nasamões, getulos, asbites, garamantes. A lista de Plínio inclui seis grupos: marmáridas, acrauceles (substituindo os psilos), nasamões, asbites, maces e garamantes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A conclusão principal de J. Desanges, acerca dessa lista, é que o escritor latino reuniu essas informações de uma tabela etnográfica muito antiga, que poderia ser relacionada ao próprio trabalho de Estrabão, mas que também poderia pertencer às anotações de Posidônio (Desanges 1980: 368). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os maces, pois, representariam os primeiros getulos conhecidos dos romanos e habitariam a região do rio Cinips. Os nasamões, que estavam localizados para o leste do território dos maces, mantinham contatos com estes no século IV a.C. (&lt;em&gt;idem&lt;/em&gt;: 367-368, nota 4 e 370). Os marmáridas são os situados mais para o oriente de todos, vizinhos do Egito (Estrabão, II, 5, 33 e Plínio, V, 33). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os garamantes são mencionados por Heródoto (IV, 183) como guerreiros que se utilizavam de carros: "Os garamantes caçam os etíopes trogloditas com carros puxados por quatro cavalos". É exatamente esta a imagem que vem das numerosas pinturas e gravuras de carros do Fezzan e do Tassil des Ajjer, do Grande Atlas marroquino, da Mauritânia atual e de inúmeras regiões saarianas (Camps 1960: 21). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas imagens recuperadas pela Arqueologia são tão numerosas e estão localizadas tão regularmente que verdadeiras rotas saarianas foram demarcadas tendo-as como base. Uma dessas rotas atravessava o Fezzan, a antiga região dos garamantes, garantindo as relações entre o Mediterrâneo e a região de Niger. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma, Heródoto (II, 32) situa os garamantes no que seria uma terceira zona, ao sul das Sirtes e a leste da Líbia dos agricultores, ou seja, nas proximidades do deserto. Os garamantes eram poderosos, Plínio (V, 34) menciona sua hostilidade para com a expedição de L. Cornélio Balbo em 21 a.C., e Tácito (&lt;em&gt;Anais&lt;/em&gt;, III, 74, 3 e IV, 50) reporta seu auxílio a Tacfarinas, no século I d.C. Afora a imagem de guerreiros que nos chegam a partir dos relatos textuais e das imagens rupestres, os trabalhos de Charles Daniels, que durante 19 anos escavou sistematicamente a área garamante, revelaram importantes dados acerca da evolução interna desse grupo e, principalmente, demonstraram que eles não eram nômades, pois possuíam cidades importantes como Zinchecra, Germa ou Garama (atual Djerma) e um entreposto em Saniat Gebril. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acreditamos ser mais plausível a idéia que os garamantes fossem uma "confederação", dada a extensão territorial de sua ocupação e a importância de sua cultura material revelada pelas escavações arqueológicas. O próprio nome "garamantes" fornece indícios para crermos na segunda hipótese. A palavra garamantes (=ag german) significaria pessoas dos vilarejos (ou dos Ksours – "mercados"). Garama e garamantes ligam-se à raiz GRM, "agerem", que pode ser traduzida por aglomeração, burgo ou vilarejo (Camps 1960: 154). As ligações entre esses grupos que apenas vislumbramos, nos traz indícios de uma rede de contatos organizada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A oeste da área dos auses, isto é, já na Berberia oriental, Heródoto (IV, 187 e 191) menciona outros grupos indígenas, dedicados à agricultura e que moram em casas. Ele afirma: "Mas no poente do lago Tritonis os líbios não são mais nômades e não possuem os mesmos costumes... são os líbios cultivadores... eles possuem casas e são chamados de maxies". Muito provavelmente estes indígenas, os maxies, devam ser localizados na mesma área dos grupos semi-nômades relacionados acima. Isto é, habitavam a Tunísia ao longo do lado oriental. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Junto com os maxies temos também citados os zauéces e os gizantes. Heródoto (IV, 194) diz que, de maneira análoga aos primeiros, os outros dois também dedicam-se à agricultura e moram em casas. No território dos gizantes estava situada uma montanha, que St. Gsell identifica com a cadeia da Zeugitânia, acima da planície de Enfida. Desta maneira, alcançamos a região que fará parte do território cartaginês primeiramente; e, após 146 a.C., da província romana Africa Vetus (Heródoto IV, 191, 193 e 194, respectivamente) (Gsell 1927, vol.V: 83). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os maces, os maxies e os nasamões, dos povos citados por Heródoto, reaparecem nas fontes relativas a períodos mais recentes. Todos continuam a habitar as costas orientais e meridionais das Sirtes, ao menos até o fim do século I d.C. (Diodoro, III, 40, 1 e 49, 1; Ptolomeu, IV, 3, 6 p.642 e IV, 6, 6 p.746; Estrabão, XVII, 3, 20; Plínio, o velho, V, 33 e 34). Com relação aos maces temos o relato do Pseudo-Cílax (&lt;em&gt;Périplo&lt;/em&gt;, 109) sobre seu modo de vida, que acreditamos ser mais condizente com o semi-nomadismo: no verão eles retiravam-se da zona litorânea da Sirte Maior e dirigiam-se para o interior, onde encontravam fontes de água para seu rebanho (Desanges 1980: 376). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outros nomes de grupos indígenas chegaram até nós através de citações posteriores a Heródoto e anteriores a Plínio, o velho, e Pompônio Mela: os erébidas, os mimaces e os mindones (Gsell 1927, vol. V: 84-85). Eles são citados por Filistos, o siracusano, que escreveu em torno da primeira metade do século IV a.C., e por Éforo, contemporâneo de Filistos. A região ocupada pelos erébidas é situada, de maneira análoga à dos grupos anteriormente citados, entre as duas Sirtes (Gsell 1918, vo.III: 85), isto é, na área nômade de Heródoto. Quanto aos outros dois grupos, os mimaces e os mindones, não possuímos mais nenhuma informação sobre eles. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A Berberia dividida entre mouros e númidas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retomando, em sua obra Heródoto divide os grupos indígenas que apresenta a partir do seu modo de vida. Assim, primeiramente ele relaciona os grupos nômades da Líbia oriental, cujas principais denominações procuramos apresentar aqui. A esta região o historiador grego opõe a Libia habitada pelos cultivadores, que é montanhosa, arborizada, etc. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma região arborizada e montanhosa aplica-se a todo o Norte da África, e não apenas aos territórios cartagineses do Sahel ("litoral"), que são áreas planas. O lago Tritonis é, portanto, para Heródoto, um limite geográfico importante, e marca a separação entre os nômades e os cultivadores, habitantes de moradas fixas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O relato que Diodoro da Sicília (XIII, 80 e XX, 38-39 e 55-57) faz da expedição do tirano de Siracusa, Agátocles, a África, no final do século IV a.C., menciona diversas vezes os nômades, povos indígenas vizinhos do território cartaginês, que os latinos passaram a chamar de &lt;em&gt;numidae&lt;/em&gt;. Os fatos que ele relata dizem respeito a combates de Cartago contra esses povos, em razão desses terem se aproveitado do enfraquecimento do controle cartaginês causado pelos ataques dos gregos siciliotas na Berberia oriental. Neste relato aparecem dois nomes específicos: os zufônes (XX, 38, 2) e os asfodélodes (XX, 57, 5). Os primeiros habitavam a Dorsal tunisiana, isto é, o centro da Berberia oriental (Camps 1960: 36). Já os asfodélodes Gsell situa no nordeste da Argélia, parte ocidental da Berberia oriental (Gsell 1918, vol. III: 50-51 e 1913, vol. I: 303-304). Diodoro (XX, 57) refere-se a eles mencionando que se pareciam com os etíopes, pela cor de suas peles. De fato, pesquisas arqueológicas têm revelado que, desde o período Capsiense (7.000 a 4.500 a.C.), elementos com afinitudes negróides participaram do povoamento da África. Somente com o estudo mais preciso dos esqueletos encontrados em sepulturas megalíticas, púnicas e romanas, no Norte da África, será possível afirmar com mais certeza acerca da proporção de elementos humanos do tipo negróide nesta região, na Antigüidade, como o texto de Diodoro dá a entender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na tradução grega, copiada por Políbio (III, 33, 15), de uma inscrição bilíngüe, grega/púnica, que o general cartaginês Aníbal teria dedicado no templo de Hera Lacínia, situado a poucos quilômetros de Crotona, na costa meridional da Itália, os cartagineses apresentam os povos africanos, isto é, os grupos indígenas, que faziam parte de sua cavalaria em 219-218 a.C., por ocasião da IIª Guerra Púnica: os lergétes e, entre os númidas, os massilos, os macões, os masesilos e os maurúsios. Dois outros grupos númidas, os areácidas e os micatanos, nos são apresentados por Diodoro da Sicília (XXVI, 23) quando este autor trata da Guerra dos Mercenários, ocorrida após a Iª Guerra Púnica. Os estudiosos modernos ainda não encontraram os territórios de todos esses grupos (Gsell 1927, vol.V: 85; Jodin 1987: 214). Os micatanos, no entanto, são mencionados por Diodoro como participantes da rebelião contra o poder cartaginês na Berberia, e os areácidas teriam colocado um dos seus chefes à disposição de Aníbal, enquanto o general cartaginês se encontrava em Hadrumeto, em 203 a.C. (Apiano, &lt;em&gt;Lib.&lt;/em&gt;, 33; Gsell 1918, vol.III: 251). A partir desse momento, nos encontramos nas regiões onde se formarão os "reinos" indígenas dos númidas e dos mouros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como explicitado desde o início, já em Heródoto (IV, 181, 186-188, 190-192) temos a divisão dos indígenas entre pastores: &lt;em&gt;nomades&lt;/em&gt;, e cultivadores: &lt;em&gt;agroteres&lt;/em&gt;. Apesar de ter sido empregado com este mesmo sentido, isto é, o de pastores, por outros autores como Hecateu e Píndaro, o termo nômade tornou-se também um nome próprio: &lt;em&gt;numidae&lt;/em&gt;. Políbio (I, 19. 3; I, 31. 2; I, 65. 3; III, 15) usa a palavra &lt;em&gt;nomades&lt;/em&gt;, como também autores gregos posteriores (Diodoro da Sicília, XIII, 80, 3; XX, 38 - 39; etc.). Os autores latinos utilizam o termo &lt;em&gt;numidae&lt;/em&gt; (Salústio, &lt;em&gt;Jugurthinum&lt;/em&gt;, V, 1 e 4; VI, 3; Tito Lívio, XXI, 22, 3; XXI, 29, 1; etc.). Deste modo, com exceção dos habitantes do território cartaginês, depois província Africa, que eram denominados &lt;em&gt;libyes&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;afri&lt;/em&gt;, todos os outros indígenas do Norte da África foram chamados de &lt;em&gt;nomades&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;numidae&lt;/em&gt; (Diodoro da Sicília XX, 55, 4; Salústio, &lt;em&gt;Jugurthinum&lt;/em&gt;, XCI, 4 e 6) (Gsell 1927, vol.V: 118), mas sem o sentido cabal de nômades, dessa maneira se diferenciando dos grupos indígenas apresentados por Heródoto, com exceção dos zauéces, maxies e gizantes, pois estes últimos habitariam igualmente a área de atuação cartaginesa e seriam cultivadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, o nome "númida" acabou tendo um sentido ainda mais restrito. Os getulos, habitantes do interior, nas franjas do deserto, e os mouros, do norte da Berberia ocidental, foram diferenciados dos númidas nos textos do próprio Salústio (&lt;em&gt;Jugurthinum&lt;/em&gt;, XIX, 4-5, 7; LXXX, 1 e 6) e de Diodoro da Sicília (XIII, 80, 3), mas também em outros autores (Justino, XIX, 2, 4; Estrabão, II, 5, 33). Os númidas, então, são os habitantes da costa situada entre o reino mouro e a província cartaginesa, ou seja, entre a Berberia ocidental e a Berberia oriental, e a Numídia (&lt;em&gt;Numidia&lt;/em&gt;) corresponde, de acordo com as oscilações das fronteiras, a essa região. Pompônio Mela (I, 30) estendia a Numídia do Moulouia até o el-Kebir, isto é do Molochath até o Ampsaga. Sendo que em uma segunda passagem (I, 33) o limite oriental deixa de ser o rio Ampsaga para ser o promontório Metagônita (atual Cabo Bougaroun, na Argélia). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, acabamos de mencionar rapidamente os três grandes grupos indígenas que serão tanto os mais citados quanto os mais conhecidos desde a Antigüidade. Já nesse período eles foram reconhecidos como super-grupos ou "confederações" maiores, que incluíam diversos grupos indígenas menores na sua composição. São os númidas, situados ao longo da Berberia central e da oriental; os mouros, localizados na Berberia ocidental; e os getulos. Estes últimos, tratados mais adiante, ocupavam a região meridional da Berberia ocidental e central. Um quarto povo, menos citado, os garamantes, já mencionados, são um caso à parte, visto que sua área de atuação está situada para além dos limites meridionais e orientais da Berberia, pois habitavam a região estépica ao sul, em sua porção oriental, isto é, na continuação latitudinal dos getulos, mais especificamente do Fezzan tunisiano, na Berberia central, até as Sirtes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabamos de ver que, ao longo dos séculos, estes nomes de povos tiveram acepções diferentes. Os gregos por muito tempo chamaram de númidas todos os africanos não súditos de Cartago, reservando o nome líbios para os indígenas que habitavam o território submetido. No entanto, com respeito às populações líbicas mais ocidentais, atualmente, nós as chamamos de mouros, mais do que de númidas. Essa distinção só se tornou definitiva quando os romanos descobriram a existência de um "reino" indígena no atual Marrocos, isto é, na Berberia ocidental, o que ocorreu na época de César (&lt;em&gt;Bellum Africum&lt;/em&gt;, III, 1; VI, 3; VII, 5; LXXXIII, 3). Artemidoro, no século II a.C., considerava ainda como númidas os líbios que habitavam as imediações das Colunas de Héracles (atual Estreito de Gibraltar) (Estrabão, III, V, 5). Entretanto, talvez seja possível perceber que a distinção entre númidas e mouros fosse mais antiga e local se admitirmos, como se faz geralmente, que o nome mouro não fosse nada além do que uma simples designação geográfica de origem fenícia. De fato, nos tempos de Aníbal, o uso desse nome era corrente; pois, como acabamos de ver, ele figurou na inscrição bilíngüe que o general cartaginês gravou na Itália, em Crotona, sob a forma grega de maurúsio (Políbio, III, 33, 15). A partir do século XVII, passou-se a explicar a origem do nome mouro por uma contração de um termo semítico: mahaurim, que traduziria "os ocidentais" (Camps 1960: 148). Os fenícios teriam dessa maneira qualificado as populações da Berberia ocidental (Gsell 1913, vol.I: 335). No entanto, G. Camps (1960: 149) acredita que esta teoria não explica, linguisticamente, a existência de uma sibilante no nome grego maurúsio, mais antigo do que a forma latina mauri (mouros). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, St. Gsell (1927, vol.V: 89) afirma não haver razão contumaz o suficiente para podermos rejeitar a asserção de Estrabão (XVII, 3, 2), que atribuiu uma origem indígena para o nome mauri. Plínio, o velho, (V, 17) escreve que, entre os grupos indígenas da Mauritânia Tingitânia (oeste da Berberia ocidental), o principal era o dos &lt;em&gt;mauri&lt;/em&gt;, isto é, a &lt;em&gt;gens mauri&lt;/em&gt;. No entanto, de acordo com este autor (V, 17) guerras haviam reduzido esse grupo a poucos clãs, e o nome da província romana de Mauritânia derivaria desse grupo. Para tentar apoiar esses textos, alguns autores passaram, então, a procurar uma origem berbere para o nome dos mouros. No entanto, as explicações até hoje levantadas não foram admitidas pela crítica acadêmica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma, podemos afirmar com segurança que os mouros ou maurúsios originais, os que foram citados por Plínio, o velho, enquanto grupo indígena, habitavam a região da Berberia ocidental. Deste modo, a leste dos mouros, e até a vizinhança de Cartago, viviam os númidas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mencionamos acima que, na época romana, o nome númida foi usado para designar somente alguns grupos indígenas da Argélia e da Tunísia. Pois, com o tempo, os mouros haviam dado o seu nome para todas as populações da Argélia até o oued el-Kebir (Ampsaga), em seguida à cessão da Numídia ocidental (atual Argélia), antiga região da Masesília, a Boco, "rei" dos mouros, no final do século II a.C. (Camps 1960: 148). A Masesília (&lt;em&gt;Masaesylie&lt;/em&gt;) é designada como a região do grupo indígena masesilo, considerado númida por Políbio. Permanece corrente durante um certo período enquanto designação geográfica (Estrabão, XVII, 3, 6, 9, 12, 20; Plínio, o velho, X, 22) (Gsell 1927, vol.V: 86), mas à época romana cai em desuso. Plínio, o velho, (V, 17) assinala que o grupo indígena dos masesilos havia desaparecido em meio às guerras travadas contra os mouros, seus vizinhos na Tingitânia e que seu território havia sido ocupado pelos getulos. Para Gsell significa que os masesilos saíram do Marrocos para conquistar a Argélia. Ali criaram o "reino" do masesilos (Gsell 1927, vol.V: 86).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, o nome dos mouros não cessa de se estender por toda a Berberia até o final dos tempos antigos, terminando por adquirir um sentido particular: o de berberes não romanizados. Na Idade Média, a mesma palavra vai servir para designar todos os muçulmanos do Ocidente (Raven, 1993: xxvi-xxvii). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, admitindo a localização original na Berberia ocidental para os mouros, os númidas foram aqueles que ocuparam, entre o território desses e o de Cartago, a parte oriental da Berberia ocidental, a Berberia central e uma pequena porção, a oeste, da Berberia oriental. No final do século II a.C., com o avanço do super-grupo mouro até o Ampsaga (el-Kebir), podemos visualizar duas hipóteses: estes tomaram o lugar dos númidas, empurrando-os em direção oriental, ou co-existiram ambos os super-grupos; pois, mesmo estando correta a afirmação da existência original de um pequeno grupo indígena denominado númida, este termo passa a denominar di-versos grupos distintos de uma mesma vasta região desde um período muito recuado (século V a.C., se pensarmos nos &lt;em&gt;nomades&lt;/em&gt; de Heródoto e século III-II a.C., se pensarmos em Políbio e sua fontes).  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A relação dos grupos indígenas atuando nos exércitos de Cartago, já mencionada, que Políbio copiou de uma inscrição bilíngüe cartaginesa, qualifica uma série de grupos indígenas como númidas – Diodoro da Sicília faz o mesmo ao relatar a Guerra dos Mercenários. Retomando, são eles: os já citados masesilos, os massilos, os maurúsios – ou seja, os mouros –, os macões, os areácidas, e os micatanos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Destes povos, foram os três primeiros que formaram os grupos maiores dos númidas e dos mouros. No século III a.C., os outros númidas, de maneira geral, eram "súditos" dos masesilos e dos massilos – com exceção dos maurúsios/mouros (Gsell 1927, vol.V: 110). De fato, os masesilos e os massilos são denominados "reis" (rex, basileus) dos númidas nas fontes escritas (Tito Lívio, XXIV, 48, 2; Políbio, XXXVI, 16, 1; Salústio, &lt;em&gt;Jugurthinum&lt;/em&gt;, V, 4; Justino, XXXIII, 1; etc.). Isto é, são denominados "reis" dos outros grupos indígenas da região. Alguns dos nomes desses grupos já foram apresentados aqui: zufônes, asfodélodes, macões, areácidas e micatanos. Após a queda do "reino" masesilo frente aos massilos, estes últimos estendem seu poder de Thabraca (atual Tabarqa) – na Argélia – até o Soumam ou Moulouia – no Marrocos. Esta região é, então, a já mencionada Numídia (Gsell 1927, vol.V: 108). Como vimos acima os massilos primeiro perdem a parte ocidental dessa Numídia – do Moulouia (antigo Molochath) ou do oued Soumam até o el-Kebir (antigo Ampsaga) –, anexada ao "reino" mouro de Boco, no final do século II a.C., e, posteriormente, perdem o restante, a parte oriental, na segunda metade do século I a.C., com a criação da província romana Africa Nova. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vimos que Plínio, o velho, (V, 17) assinala a presença do grupo indígena masesilo (&lt;em&gt;masaesyli&lt;/em&gt;) perto dos mouros, na Berberia ocidental, região do Estreito de Gibraltar. Essa localização tão para o oeste não é aceita por todos. No entanto, St. Gsell (1927, vol.V: 86) e J. Desanges (1980: 145-146) acreditam ser possível confiar na informação do autor latino, pois foi encontrada na região de Anjra (interior de Tétouan, no Estreito de Gibraltar), mais precisamente em Jarda, uma inscrição do final do século II – começo do século III d.C., na qual consta uma menção aos &lt;em&gt;masaisuli&lt;/em&gt;. Esta inscrição, redigida em nome de um morto, Tacneidis, por seus herdeiros, apresenta-o como sendo um masesilo: &lt;em&gt;d&lt;/em&gt;(&lt;em&gt;is&lt;/em&gt;) &lt;em&gt;m(anibus) s(acrum) / Tacneidis / Securi (filius) / ex Masaiculis vixit / annos xxxv&lt;/em&gt;. Acreditamos ser possível que os masesilos tivessem por habitat original a região mais ocidental da Berberia e que, com as movimentações costumeiras dos semi-nômades, acabaram por se fixar na parte ocidental da região que podemos generalizar como sendo dos númidas: entre o Moulouia ou Soumam e o Cabo Bougaroun/ Ampsaga. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com relação aos massilos, Isidoro de Sevilha (Etym., IX, 2, 123) menciona, na região da Berberia ocidental, entre o maciço do Atlas e o mítico Jardim das Hespérides (no Estreito de Gibraltar), uma cidade denominada Massília, de onde os mas-silos haviam tirado seu nome (Carcopino 1943: 286). Há uma fonte (Hegesianax 11, &lt;em&gt;Fragm. hist. Graec.&lt;/em&gt;, III: 70) que assinala tanto a existência do grupo indígena massilo quanto de seu "rei", já na Iª Guerra Púnica. Plínio, o velho, (V, 30) também os identifica primeiramente enquanto grupo indígena. Este grupo teria crescido e englobado outros grupos, de maneira análoga aos masesilos e aos mouros. J. Carcopino (1943: 285), seguindo St. Gsell (1918, vol.III: 175-177), os situa entre o Cabo Bougaroun e os limites do território cartaginês. Isto é, na fronteira entre a Berberia central e a oriental, portanto, no extremo oposto do Estreito de Gibraltar. Massinissa foi o mais famoso representante do povo massilo. J. Desanges propõe como centro do "reino" massilo a região do djebel Fortas, ao sul da cidade argelina de Constantina, antiga Cirta (Desanges 1980: 335). O Medracen, grande mausoléu númida entre Aïn Yagout e El Mader, na região de Batna (sudoeste de Constantina), área dos númidas massilos, possui uma datação de 330 a.C.. Foram encontrados diversos documentos epigráficos que assinalam o cognome &lt;em&gt;Mas(s)ul &lt;/em&gt;nessa região. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os poetas latinos registra-se o adjetivo &lt;em&gt;massylus&lt;/em&gt; (por vezes &lt;em&gt;massylius&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;massyleus&lt;/em&gt;) para aplicá-lo, de maneira geral, aos homens e às coisas da África (Virgílio, Eneida, IV, 132 e 483; Lucano; Sílio Itálico, XVI, 258 &lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; Gsell 1927, vol.V: 87).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A palavra númida, de construção ternária, possui um aspecto semítico, devido talvez aos diferentes sistemas de transcrição. Duas inscrições bilíngües, latino-púnica e latino-líbica, nos deram dois nomes diferentes correspondentes ao &lt;em&gt;numida&lt;/em&gt;. Na primeira, descoberta em Guelaâ-bou-Sba, o texto neo-púnico traz o nome de Tisdat, filho de Metatis, filho de Gautal, o NGRY....; o texto latino diz: &lt;em&gt;Rufus, Metatis filius Num(ida&lt;/em&gt;?). Se admitirmos o desenvolvimento &lt;em&gt;Num(ida)&lt;/em&gt;, somos tentados a dar o mesmo significado para o termo púnico "NGRY". Ora, este étnico é conhecido em cerca de meia dúzia de inscrições líbicas sob a forma "NGRH". Estas inscrições estão situadas entre Duvivier e Souk-Ahras, isto é, em uma região essencialmente númida, entre os Alpes Numidicae e Thubursicu Numidarum (próxima a Collo, antiga Chullu, na Argélia). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, quando examinamos a outra inscrição bilíngüe (R.I.L., n.85 &lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; Camps 1960: 150), latina-líbica, o ceticismo quanto a correlação númida-NGRH surge. Descoberta em Dar Tabela, perto de Ouchtata, ela apresenta para a palavra latina &lt;em&gt;N(umida)&lt;/em&gt;, a correspondente líbica "NBIBH", que é bem diferente da "NGRH" vista acima. O étnico "NBIBH" é bastante conhecido a partir de outros documentos encontrados na localidade de La Cheffia (na fronteira entre a Berberia central e a oriental), onde aparece em 15 inscrições (analisadas adiante, pois o termo está ligado a um grupo indígena específico, os misiciri). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim é que não cremos ser possível estabelecer ainda qual a hipótese mais precisa. G. Camps (1960: 152) pensa que mesmo não se conhecendo nem o nome púnico nem o líbico que corresponda ao latino numida, não haveria razão para acreditarmos que este último tenha sido derivado do &lt;em&gt;nomades&lt;/em&gt; grego. Se os romanos tivessem se apossado dessa nomenclatura a partir do grego eles a teriam integrado ao sistema imparisilábico da 3ª declinação (idem: 153). Se os latinos chamaram de &lt;em&gt;numidae&lt;/em&gt; os mesmos povos que os gregos, ambos em razão de um trocadilho, que os batizava de nômades, foi pelo fato que tanto um como o outro tiveram um modelo norteafricano, que lhes pareceu mais berbere do que púnico, apesar de sua construção ternária. G. Camps lembra que são conhecidos, na onomástica líbica, nomes que começam com NM (R.I.L., pr.XX apud Camps 1960: 152).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2011/03/os-berberes-na-antiguidade-2-parte.html"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;2ª Parte --&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; &lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23280462944009230-8485471051245540460?l=civilizacoesafricanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/feeds/8485471051245540460/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2011/03/os-berberes-na-antiguidade-1-parte.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/8485471051245540460'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/8485471051245540460'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2011/03/os-berberes-na-antiguidade-1-parte.html' title='&lt;strong&gt;Os Berberes na Antiguidade &lt;/strong&gt;'/><author><name>Valter Pitta</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TB6681d_coI/AAAAAAAAFY8/KIKFPlkCX0I/S220/C%C3%B3pia+de+hgghgd.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-l2oCu3FbBMk/TYEWApGg8LI/AAAAAAAAGTI/LpzZ78lJGQQ/s72-c/CNAf0335NumidianCavalry3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23280462944009230.post-7327530458468100182</id><published>2011-03-16T16:09:00.004-03:00</published><updated>2011-03-16T18:11:51.922-03:00</updated><title type='text'>Os Berberes na Antiguidade</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Outros Númidas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois são os autores que mais nos informam acerca dos povos ou grupos habitando a Berberia: Plínio, o velho, e Ptolomeu. Plínio, o velho, (V, 30) nos apresenta um relato específico das cidades e vilarejos existentes entre a região ocidental da Berberia oriental – mais precisamente a partir do el-Kebir – até a Cirenaica. Com relação à Berberia númida, ele diz: "...entre as comunidades restantes, a maioria não é somente de povoados, mas podem ser mencionadas, com justiça, como povos; assim há os nattabudes, os capsitani, os musulâmios, os sabarbares, os massilos, os nicives, os vamacures, os cinithi, os musuni, os marchubi e o conjunto da Getúlia, até o rio Nigris, que separa a África da Etiópia". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J. Desanges (1980: 328) comenta acerca da lista de Plínio seu aspecto aleatório, que se repete quando ele enumera as cidades e vilarejos dessa mesma região. Ela não segue uma ordem alfabética e nem parece seguir uma geográfica. Os nattabudes, seguindo Ptolomeu (IV, 3, 6: 639), são vizinhos dos musulâmios. Ambos estão localizados nas proximidades de Cirta, para o sul. J. Gascou (1982: 103) afirma que, no começo do século I d.C., essa área, formada por um relevo muito fragmentado, era ainda povoada por grupos nômades. Em Oum Krekèche, 20 Km. para o sudeste da cidade romana de Thibilis (que fazia parte da Confederação Cirtense, agrupamento de vilarejos e povos ao redor de Cirta, em época romana, reunidos sob sua jurisdição), foi encontrada, de maneira fortuita, uma inscrição de época tardia (209 d.C.), atestando a existência de uma g(&lt;em&gt;ens&lt;/em&gt;) &lt;em&gt;Nattabutum&lt;/em&gt; (C.I.L. VIII, 4826 &lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; Desanges 1980: 329). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os capsitani, se levarmos em consideração, com rigor, o significado do sufixo étnico – &lt;em&gt;itanus&lt;/em&gt;, teriam que ser entendidos enquanto habitantes da cidade de Capsa (atual Gafsa), cidade berbere datada do século II a.C., ao menos (Gsell 1918, vol.II: 98). No entanto, em seus comentários acerca do livro V de Plínio, o velho, J. Desanges (1980: 330) lembra que na documentação epigráfica os habitantes da cidade de Capsa são denominados capsenses (C.I.L. VIII, 100 e 101). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com relação aos musulâmios, possuímos dois grupos portando o mesmo nome – citados por Plínio, o velho, e por Ptolomeu. Os de Plínio correspondem a um dos grupos berberes mais mencionados nas fontes textuais – literárias e epigráficas – do século I d.C. em diante. Seu território vê-se situado na região da cidade berbere de Madauros, a meia distância entre Tébessa (antiga Theveste) e Kenchela (antiga Mascula), na fronteira entre a Berberia central e a oriental, atual Argélia. J. Desanges, seguindo St. Gsell (1928, vol.VII: 190), acredita que o eixo de seu território estivesse situado no curso superior do oued Mellègue (antigo Muthul), na Koumirie, cujo nome antigo estaria ligado ao do próprio grupo indígena dos musulâmios (&lt;em&gt;Musulami&lt;/em&gt;) (Desanges 1980: 331). Já os de Ptolomeu (IV, 3, 6: 639) são localizados para o noroeste desta mesma região. J. Desanges liga esse segundo grupo de musulâmios aos revoltosos, liderados pelo berbere Tacfarinas, que promoveram destruição nas terras de Cirta (&lt;em&gt;Cirtensium pagi&lt;/em&gt;), no início do século I d.C. História que é relatada por Tácito (&lt;em&gt;Anais&lt;/em&gt;, III, 74). O mesmo Tácito (Anais, II, 52) menciona musulâmios nômades, percorrendo os montes meridionais da Argélia, em contato com mouros. No século III d.C., J. Desanges visualiza a lembrança desse outrora grupo indígena no nome de uma &lt;em&gt;civitas&lt;/em&gt;, cuja inscrição (&lt;em&gt;Musula&lt;/em&gt;(&lt;em&gt;mios ciu&lt;/em&gt;)&lt;em&gt;itatesque ali&lt;/em&gt;(&lt;em&gt;as....&lt;/em&gt;) (&lt;em&gt;C.I.L.&lt;/em&gt; VIII, 20863=9288 &lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; Desanges 1980: 332) foi encontrada a oeste e a muita distância de seu local de origem, na cidade de Tipasa, no litoral argelino (Desanges 1980: 332). A questão que nos interessa aqui é apreender se temos, de fato, dois grupos com esse mesmo nome ou se temos a comprovação de locomoções ou migrações. Pela sua localização original, os musulâmios são considerados númidas. Além disso, em seu relato da Revolta de Tacfarinas, Tácito (&lt;em&gt;Annales&lt;/em&gt;, II, 52; III, 20, 21, 32, 73, 74; IV, 22, 24, 25) refere-se aos musulâmios como númidas. Não podemos, ao menos, argumentar que Tácito utilize esse termo de maneira generalizada, pois ele distingue cuidadosamente os númidas (musulâmios), sob o comando de Tacfarinas; os mouros, sob as ordens de Mazippa; e, por fim, os garamantes. (Camps 1960: 156). O grupo dos sabarbares é mencionado, com esta grafia, exclusivamente por Plínio, o velho. No entanto, um grande número de documentos epigráficos do Alto Império, do século I ao III d.C., atestam a existência de um grande grupo indígena denominado suburbures. A documentação epigráfica, apesar de tardia, é muito interessante. Ela mostra uma ligação entre esse grupo e o dos nicibes (nicives na grafia de Plínio). Marcos de percurso do século I d.C., os chamados marcos miliários (&lt;em&gt;millaria&lt;/em&gt;), trazem inscrições onde lemos que os dois grupos dividiam uma mesma região, dentro da área maior de Cirta e seus arredores. Além dessa associação, as inscrições assinalam também que os suburbures eram qualificados de &lt;em&gt;Regiani&lt;/em&gt;. Por outro lado, textos epigráficos do final do século II e do século III d.C. são testemunhos da permanência dos suburbures (não mais qualificados como &lt;em&gt;Regiani&lt;/em&gt;). No entanto, esse segundo conjunto de documentos (&lt;em&gt;C.I.L.&lt;/em&gt; VIII, 8270 (ano 199); &lt;em&gt;C.I.L.&lt;/em&gt; VIII, 10335 (ano 215) foi encontrado mais para oeste, em direção à Argélia central, mas ainda dentro dos domínios de Cirta. Em especial, dois marcos miliários demonstram que, na época de Trajano, os suburbures tiveram seu território delimitado (Desanges 1980: 333). Duas interpretações foram formuladas: a primeira considera que houve uma divisão do grupo, os &lt;em&gt;Regiani&lt;/em&gt; seriam do leste, e os não &lt;em&gt;Regiani&lt;/em&gt; seriam do oeste (Camps 1960: 179); a segunda entende que estamos lidando com um grupo semi-nômade, que praticava a transumância (Desanges 1980: 333). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A informação que os nicives, no Baixo Império, já cristianizados, tiveram seu território fixado ao norte do monte Batna, nas proximidades da Bacia do Hodna (Argélia), sendo que sua área de domínio parece ter alcançado a região, 30 Km. para o nordeste, da atual cidade de N'gaous (Niciuibus na Antigüidade), é um dado a mais a favor da interpretação por um modo de vida semi-nômade desse grupo. Ptolomeu (IV, 3, 6: 639) os localiza ao lado dos nattabutes (os nattabudes de Plínio, o velho,), para o leste da região de Cirta em torno do século II d.C. Ou seja, na direção oposta de sua implantação em época cristã. Lembramos, no entanto, que a inscrição que localiza os nicives na Berberia central é muito posterior às informações apresentadas por Ptolomeu e Plínio, o velho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa maneira, de maneira análoga aos musulâmios e aos suburbures, podemos entender tanto locomoções, típicas do semi-nomadismo, dentro de uma região circunscrita, como a existência de facções ou clãs diferentes habitando a área de Cirta e a área de Batna, ambas na Berberia central mas distantes c. 200 Km. uma da outra, ou ainda, visualizar uma mudança territorial, para a qual as razões nos escapam. No entanto, só podemos afirmar essa divisão, no caso dos nicives, para um período muito posterior ao estudado aqui. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguindo as indicações de Plínio, o velho, para os massilos, que os situa entre esses dois grupos, comprovamos o território desse grupo indígena – região de Cirta e do djebel Fortas – e percebemos que este fazia fronteira com as terras dos suburbures e dos nicives. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um rio Vamaccura aparece representado em um mosaico de Thamugadi (atual Timgad, Argélia), cidade militar romana, na Berberia central (na face norte dos montes Aurès). Afora esse dado, sabemos apenas que, no século V d.C., existia uma cadeira episcopal na localidade de Bamaccora ou Vamaccorensis (&lt;em&gt;Année épigraphique &lt;/em&gt;(&lt;em&gt;AE&lt;/em&gt;), 1917-1918, 31, &lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; Desanges 1980: 338), situada na Numídia. Em vista do pouco que esses documentos, ademais tardios, podem nos oferecer em termos de informação, a única hipótese que se apresenta é a de ligar o território original do grupo indígena dos vamacures à região do rio, próximo à própria Thamugadi. Mas não possuímos qualquer prova material de que tenham existido enquanto tal, isto é, enquanto grupo indígena, nem na época de Plínio, o velho, ou de sua fontes para a África, nem no Baixo Império. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tácito (Anais II, 52) menciona os cinithi como um "povo de pouca importância" mas, contraditoriamente, dentro da coalisão formada pelos musulâmios de Tacfarinas contra Roma. Já uma inscrição posterior, do final do século II d.C., qualifica-os como &lt;em&gt;natio&lt;/em&gt; (C.I.L. VIII, 22729 apud Desanges 1980: 338). O étnico é diversas vezes encontrado, em época romana, enquanto cognome. Os locais de achado das inscrições cobrem a Berberia oriental latitudinalmente, em sua porção meridional: vão de Gightis (atual Bou Ghara, na costa leste da Tunísia), na Sirte Menor, até Theveste (atual Tèbessa, no interior da Argélia). Ptolomeu (IV, 3, 6: 639) os localiza justamente na Sirte Menor, nas proximidades de Thaenae (atual Henchir Thyna), cidade ao norte de Gightis. J. Desanges pretende que esse grupo indígena seja o mesmo mencionado no &lt;em&gt;Bellum Africum&lt;/em&gt; (LXII, 1) que assinala a presença de um povo habitando à beira do mar, ao sul da província de Africa Vetus. Os cinithi teriam fornecido, no começo de 46 a.C., remadores e soldados da marinha getulos às tropas do chefe pompeiano P. Attius Varus (1980: 338). No entanto, como vimos pela documentação de época tardia membros desse grupo locomoveram-se para o oeste e para o interior, no que outrora fora o pleno coração númida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os musuni são localizados por Plínio, o velho, na parte oriental da província romana da África, isto é, na Berberia oriental. Ptolomeu (IV, 3, 6: 639) situa-os ao sul do território de um outro grupo indígena, os mididi. Temos notícia de uma cidade Mididi (atual Henchir Medded), a sudoeste de Mactar, na Tunísia. Ou seja, em plena área de dominação cartaginesa, na Berberia oriental. Conhecemos, igualmente, uma &lt;em&gt;familia&lt;/em&gt; (clã) Medid, cuja inscrição que a menciona foi encontrada na Tunísia, entre Cillium (atual Kasserine) e Thelepte (atual Feriana), na região meridional da Berberia oriental (Cagnat, R.; Merlin, A &amp; Chatelain, L &lt;em&gt;Inscriptions latines d'Afrique&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;I.L.Afr.&lt;/em&gt;), Paris, 1923, n.107, &lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; Desanges 1980: 341). Uma documentação tardia, do século III d.C., nos dá a comprovação da precisão de Ptolomeu. Essas inscrições comprovam, de Sétimo Severo até Gordiano III, a presença de um grupo musuni &lt;em&gt;Regiani&lt;/em&gt;, cujo território se estendia a nordeste da cidade de Thelepte (I.L.Afr. 102 e 103; C.I.L. VIII, 23195 apud idem). J. Desanges (ibidem) acredita que os musuni ganharam o qualificativo Regiani a partir de relações mantidas com os "reis" massilos. Por outro lado, a &lt;em&gt;Tábula de Peutinger &lt;/em&gt;(segm. II, 2-3) localiza os musuni para o sudeste de Sitifis (atual Sétif, na Argélia). Isto é, em plena Berberia central, muito afastados da localização de Ptolomeu e das inscrições apresentadas acima. Admitindo que tenha ocorrido um deslocamento ou uma divisão do grupo, temos que essa facção não é mais denominada &lt;em&gt;Regiani&lt;/em&gt; (Ptolomeu, IV, 2, 5: 604 – sob a denominação &lt;em&gt;moukonoi apud &lt;/em&gt;Desanges 1980: 341). J. Desanges não exclui a persistência, aí expressa, de um modo de vida semi-nômade desde um passado mais remoto. Uma possível rota para essa transumância seria o eixo leste-oeste, ao norte dos montes Aurès. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, sobre os marchubi temos apenas documentos indiretamente relacionados a eles. Ptolomeu (IV, 2, 5: 604) menciona um grupo indígena, os salassii, e assinala que estes habitavam o território que ficava entre as terras de certos montanheses chamados &lt;em&gt;malcoubioi&lt;/em&gt; (em grego), na Berberia ocidental, e o Ampsaga (oued el-Kebir), na fronteira entre a Berberia central e oriental. Associando as duas denominações: marchubi e malchoubii, temos que este grupo indígena habitava a região leste da Kabília, na Argélia. No entanto, vimos que os grupos indígenas de Plínio, entre eles os marchubi, devem ser localizados do Ampsaga para o leste. Isto é, da fronteira oriental da Berberia central até a Berberia oriental. Uma única menção aos salassii de Ptolomeu aparece em uma inscrição tardia (sem datação) encontrada na estrada que leva de Constantina (interior argelino) até El-Milia (próxima a atual Collo, no litoral oriental argelino), portanto, na Berberia central para o leste: esta menciona um prefeito dos salas(....) (&lt;em&gt;C.I.L.&lt;/em&gt; VIII, 19923 &lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; Desanges 1980: 341). A identificação dos salas(....) com os salassii de Ptolomeu não é imediata, mas concordamos com J. Desanges quando ele sugere a possibilidade dos marchubi serem os mesmos montanheses de Ptolomeu (Desanges 1980: 342). Teríamos, então, mais um caso de locomoção ou fracionamento posterior. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cláudio Ptolomeu menciona ainda outros grupos. Ptolomeu estabelece a sua descrição a partir de faixas paralelas ao litoral. Os kirtêsii, os nabathrae e os iontii são localizados na Numídia, próximos ao mar, até Thabraca (Tabarqa) (Ptolomeu IV, 3, 6: 639). Ou seja, na Berberia oriental, atual Tunísia. Logo abaixo deles, Ptolomeu menciona, em sua segunda faixa, os nattabudes e os musulâmios. Dessa maneira, as informações de Ptolomeu não contradizem os dados que apreendemos com Plínio, o velho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suma, massilos, masesilos, maurúsios, zufônes, asfodélodes, areácidas, micatanos, macões, nababes, maxies, zauéces, gizantes, macurebi, tulensii, nattabudes, capsitani, musulâmios, gubul, suburbures, nicives, vamacures, cinithi, musuni, marchubi, kirtêsii, nabathrae e iontii são declaradamente classificados como númidas (Heródoto, Políbio e Diodoro da Sicília) ou são mencionados como habitantes da região dos númidas (Plínio, o velho, e Ptolomeu). Esta classificação apresenta uma série de problemas de ordem metodológica: abrange uma linha cronológica que vai do século V a.C. até os séculos I-II d.C. e engloba áreas muito distintas e distantes umas das outras. Os comentários de Heródoto são os mais problemáticos, pois os seus númidas são localizados em uma região – fronteira leste da Berberia oriental – que mesmo tendo orbitado na esfera de controle de "reis" como Massinissa, não fez parte efetiva e permanente dos territórios dos "reinos" berberes e, especialmente, não fez parte da área que se generalizou denominar Numídia. Os outros testemunhos, apesar de afastados no tempo, ao serem confrontados com os dados fornecidos pela documentação epigráfica, mantém-se sólidos. A única exceção são os grupos apresentados por Diodoro da Sicília (zufônes, asfodélodes, micatanos e areácidas), dos quais as fontes materiais não deixaram traços. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todavia, antes de passarmos para a documentação referente aos grupos indígenas da Berberia ocidental, atual Marrocos, apresentamos uma denominação: misiciri, que é interpretada como referente a uma espécie de "confederação" ou super-grupo; isto é, não pertence a um grupo indígena isolado. Os misiciri são especiais porque só os conhecemos a partir de documentação material notadamente líbica, epigráfica. Não há qualquer menção sobre eles nas fontes textuais. Eles são mencionados em três inscrições latinas (&lt;em&gt;C.I.L.&lt;/em&gt; VIII, 5211, 5217 e 5218 &lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; Camps 1960: 248) e 62 inscrições líbicas, encontradas na região florestal de La Cheffia e de Munier, entre a Argélia e a Tunísia. A grafia latina é misiciri, já a líbica é MSKRH. Todas as 62 inscrições líbicas foram encontradas na região de La Cheffia, e, mais especialmente, nas proximidades de Munier, na fronteira com a Tunísia. Assim, a "confederação" (assim denominada em razão da quantidade de inscrições encontradas – incluindo cinco sub-títulos – e da extensão territorial que os locais de achado cobrem) ocupava as terras montanhosas e florestais argelinas limitadas pelo oued Medjerda, ao sul; pelo oued el-Kebir e pelo vale do oued Namoussa, a oeste; pela planície do Tarf, ao norte; e pela região de Fernana, já na fronteira tunisiana, a leste. O interessante desse material primário e autóctone são os sub-títulos que aparecem juntamente ao nome misiciri, os quais correspondem a menções a cinco grupos menores (clãs/famílias?), que formavam o super-grupo misiciri. Com relação a esses grupos ou clãs possuímos apenas a denominação líbica: NBIBH; ÇRMMH; NNDRMH; NSFH; NFZIH. Uma hipótese lingüística relaciona o N inicial de todos esses nomes à preposição "de". Assim, teríamos uma partícula indicadora de proveniência ou origem (Camps 1960: 250). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A seguir, apresentamos os grupos indígenas que entendemos formaram, ou estiveram em contato, com o super-grupo dos mouros. Nossas principais fontes são, novamente, Ptolomeu e Plínio, o velho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mouros&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hecateu de Mileto, no século VI a.C., mostra-nos que o mundo grego já conhecia os confins ocidentais do Mediterrâneo, já que este autor menciona alguns nomes de cidades nessa região (Roget 1924: 11). O Périplo de Hannon, situado cronologicamente a seguir – século V a.C., é, infelizmente, por demais problemático para podermos fazer uso seguro das informações que oferece. Políbio teria escrito um relato de sua viagem pelas costas ocidentais da África, relato este que se perdeu. Vimos que Plínio, o velho, usa parte dessas informações em sua descrição do ocidente africano. Cláudio Ptolomeu, por outro lado, tanto em relação a estes como a outros autores que escreveram sobre essa região em particular (Estrabão, livro XVII, 3; Pompônio Mela; Alexandre Polihistor; e outros, de época tardia), é a fonte mais antiga (c. 140 d.C.) que fornece dados concretos, em ampla quantidade, sobre as terras do atual Marrocos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cláudio Ptolomeu (IV, 1, 5: 585) apresenta uma longa lista de grupos indígenas da Berberia ocidental. É o primeiro autor a fazê-lo explicitamente. A. Jodin (1987, 215) crê que o "reino" mouro na época pré-claudiana era formado organicamente por uma dúzia de &lt;em&gt;nationes&lt;/em&gt;, uniões de &lt;em&gt;gentes&lt;/em&gt;, posteriormente localizadas por Ptolomeu nos limites precisos da província da Tingitânia. O autor alexandrino descreve os grupos indígenas seguindo uma linha noroeste/sudeste: partindo da cidade berbere de Tingis (atual Tanger), no Estreito, para então terminar seu elenco na região nordeste da Berberia ocidental: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"As regiões desta província, do lado do Estreito, são habitadas pelos metagônitas; as regiões do Mar Ibérico, pelos socossii; e, sobre eles, pelos verves; abaixo da região dos metagônitas, nós encontramos os mázaces, depois os verbicae; abaixo, os salinsae e os canni ; depois os bacuatae e, em seguida, os macanites; sob os verves, os volubiliani; em seguida, os iangaucani e, em baixo, os nectiberes; em seguida, os pirron pedion, com a posição 9º 30', 30º. Abaixo, encontramos os zegrensii, depois os baniubae e os vacuatae. O norte oriental é ocupado, por inteiro, pelos maurensii, e uma parte pelos herpeditani." (tradução de R. Roget 1924: 37-38). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os socossii e os verves são localizados na região do Mar Ibérico de Ptolomeu, que equivale ao Mediterrâneo no extremo oeste (Jodin 1987: 26). O arqueólogo A. Jodin (1987: 27), no entanto, acredita que o nome verves pode ser reencontrado na denominação do atual oued Ouerrha, na região norte do Marrocos. Ali ocupavam as terras do vale. Abaixo dos verves habitavam os volubiliani, grupo que, dessa maneira, aparece pela primeira vez nos textos, como a maior parte dos outros étnicos. Com relação aos volubiliani, há a possibilidade de esse grupo indígena do sudoeste da Berberia ocidental ter derivado o seu nome da cidade berbere, do século III a.C., de Volubilis (Jodin 1987: 28). No entanto, ainda hoje não sabemos se os volubiliani desenvolveram algum tipo de relacionamento com a cidade ou se apenas compartilharam uma mesma área, isto é, foram vizinhos de Volubilis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;em&gt;Itinerário de Antonino&lt;/em&gt; (Tingitânia, 3: "Rota de Tocolosida – 4 Km. e 1/2 ao sul de Volubilis" – Roget, 1924: 40), do século III d.C., avalia como sendo de 16 mil passos a distância separando Volubilis da cidade romana mais próxima, Aquae Dacicae, sendo que apenas 3 mil passos a separava de Tocolosida, isto é., 28 Km. A. Jodin (1987: 30) afirma, então, que esta distância correspondia, mais ou menos, à extensão do território, ou seja, do subúrbio que compunha a região de Volubilis, aos pés do maciço de Zerhoun. Assim, esse autor supõe que essa área, acrescida das colinas dos arredores, representava a região onde os volubiliani circulavam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os vizinhos mais próximos dos volubiliani seriam um grupo indígena não citado por Ptolomeu. Alexandre Polihistor diz: "Gilda, cidade da Líbia. Nome do povo: gilditas" (Roget 1924: 21). A cidade de Gilda é citada, no Itinerário de Antonino, dentro da rota de Tocolosida Gilda, capital dos gilditas, é situada perto de Sidi Slimane a menos de 50 Km. da área noroeste de Volubilis, na beira do oued Beth. O distrito de Cherarda coincidiria, atualmente, com o seu território. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguindo a descrição de Ptolomeu, após os volubiliani encontramos os iangaucani, e ainda mais para o sul, os nectiberes. Os grupos dos pirron pedion, dos zegrensii, dos baniubae e dos vacuatae habitam as terras a sudeste dos nectiberes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os zegrensii são mencionados também sob a forma zegrensi na &lt;em&gt;Tabula Banasitana&lt;/em&gt;. No entanto, A. Jodin (1987: 27) pensa que eles possam ser localizados na planície do Rharb (região centro-ocidental da Berberia ocidental, atual Marrocos), na margem direita do oued Sebou e a noroeste de Banasa (Sidi Ali bou Djenoun), cidade berbere datada do, ao menos, século III a.C. O arqueólogo de Volubilis acredita que o local de origem dos zegrensii não deva ser procurado para além das montanhas do Rif, o que significaria os colocar do lado de fora da região que forma, na época dos Flávios, a província romana da Tingitânia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já na região noroeste da Berberia ocidental, que compreende o atual Estreito de Gibraltar, Ptolomeu cita, primeiramente, os metagônitas. Após o que, o geógrafo localiza os: mázaces, os verbicae, os salinsae, os canni, os bacates e os macanites. Os herpeditani são os únicos que compartilham a região nordeste da Berberia ocidental (da Tingitânia, para Ptolomeu) com os mouros (maurensii). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre estes grupos é J. Carcopino que oferece a melhor interpretação, por isso seguimos as datações que este estudioso sugere, bem como acompanhamos seus principais argumentos. Segundo ele, os bacates e os macanites são também relatados em uma glosa do &lt;em&gt;Itinerário de Antonino&lt;/em&gt;, datada do século IV d.C. J. Carcopino a traduz da seguinte maneira: "A partir de Tingis, a Mauritânia, isto é, a região onde habitam os bárbaros, os bacates e os macanites" (1943: 260). Assim, Carcopino, fundamentandose nesse itinerário, assinala a localização desses dois grupos, não nas montanhas do norte do Marrocos (cf. Ptolomeu), e sim no centro da Berberia ocidental. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante o Império foram confeccionados catálogos dos grupos indígenas espalhados pelos territórios romanos. O mais antigo que conhecemos é a lista de Verona, datada de 297 d.C. (Carcopino 1943: 260). Ela enumera, na Mauritânia os: &lt;em&gt;mauri gensani&lt;/em&gt; (mouros quinquegentiani); &lt;em&gt;mauri mazazeces &lt;/em&gt;(mouros mázaces); &lt;em&gt;mauri bavares&lt;/em&gt; (mouros bavares) e &lt;em&gt;mauri bacautes&lt;/em&gt; (mouros bacates). Outro catálogo, posterior, acrescenta à lista os &lt;em&gt;massenas&lt;/em&gt; (macanites) e os &lt;em&gt;mazicei&lt;/em&gt; (mázeces) (Carcopino 1943: 261). Desse modo, J. Carcopino pensa que o segundo redator do &lt;em&gt;Itinerário de Antonino&lt;/em&gt; (que incluiu a glosa mencionada acima), de posse dessas informações, que ademais não trazem uma localização precisa dos grupos, limitou-se a incluílos enquanto habitantes da Mauritânia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todavia, na passagem onde Ptolomeu cita os marchubi, o geógrafo também assinala os mázeces. Assim, J. Carcopino sugere que este último deva ser localizado na região da Kabília (Argélia), mais exatamente nas proximidades do rio Chélif (antigo Cinalaph) (Ptolomeu IV, 2, 5: 604). De qualquer forma, de uma região mais a leste vem uma inscrição de época tardia atestando uma ilhota de mázeces (&lt;em&gt;C.I.L.&lt;/em&gt; 2786 &lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; Carcopino 1943: 261). No século IV d.C., eles são mencionados combatendo contra os romanos (Amiano Marcelino XXIX, 5, 25). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os macanites também são citados em uma passagem de Dião Cássio (LXXV, 13, 3) que relaciona, erroneamente e seguindo uma indicação de Juba II, a nascente do Nilo com o sopé do Grande Atlas. De qualquer forma, essa região é identificada como sendo as terras dos macanites. Relegando a segundo plano a questão do Nilo, podemos incorporar as três informações sobre os macanites que acabamos de citar (Ptolomeu – IV, 2, 5-; catálogo imperial; Dião Cássio) e concluir que, estando eles para o sudeste dos bacates, os macanites deviam, realmente, habitar as terras próximas às montanhas do Grande Atlas marroquino. Os bacates ficam localizados, pois, no Médio Atlas (Carcopino 1943: 262). De fato, possuímos seis inscrições, a mais antiga da primeira metade do século II d.C., encontradas em Volubilis (cinco) e em Cartennae (atual Ténès), que assinalam a presença dos bacates nas terras centrais da Berberia ocidental. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Plínio (V, 17) menciona alguns grupos dos getulos na Tingitânia, em constante locomoção, e depois as &lt;em&gt;gentes&lt;/em&gt; selatitos e masathos. A. Jodin acredita ser possível que a &lt;em&gt;gens&lt;/em&gt; selatitos dependesse do rio Sala (oued Bou Regreg), e a masathos do rio Massat, no sul da Berberia ocidental (Jodin 1987: 27). De fato, o próprio Plínio, o velho, menciona o &lt;em&gt;flumen Masath&lt;/em&gt; com relação aos masathi. J. Desanges relaciona esse rio com o Massa de Ptolomeu (IV, 6, 2: 731) (1980: 114). Uma inscrição encontrada em Rapidum (Sour Djouab) menciona um prefeito romano, que no século III d.C., comandava uma &lt;em&gt;gens Masat&lt;/em&gt;..... De qualquer forma, os masathi estariam situados às margens do rio Massat. Já os selatiti não são mencionados em nenhum outro documento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa maneira, nossas fontes acerca dos grupos indígenas habitando a região ocidental da Berberia se esgotam. Plínio, o velho, reporta, como mencionado, alguns grupos getulos transitando pela Tingitânia, inclusive tomando o lugar de grupos indígenas locais. No entanto, o mesmo Plínio, afora os selatiti e os masathi, assinala, enquanto habitantes originais dessa região, apenas os mouros (os maurensii de Ptolomeu). Vimos que não foi assim, apesar da maioria dos nomes apresentados por Ptolomeu permanecer obscura para nós. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Getulos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Junto aos númidas e aos mouros, os getulos formam o último dos super-grupos ou "confederações" que habitaram a Berberia na Antigüidade, a partir dos dados fornecidos pelas fontes textuais. Desse modo, o termo "getulo" faz referência a um conjunto de grupos indígenas, isto é, uma espécie de "confederação". Plínio, o velho, (XIII, 91) afirma que quando os "reis" mouros pretenderam estender sua autoridade até os getulos, as terras destes tinham por limite sul as regiões habitadas pelos etíopes, ou seja, para além do Alto Atlas. Na verdade, os getulos habitavam uma zona muito ampla: ao sul da área onde viviam os mouros, os masesilos, os massilos, os súditos de Cartago e os de Roma, e ao norte do início do Saara – ocupado, por sua vez, pelos etíopes (Estrabão, II, 5, 33; XVII, 3, 2), isto é, a área que como veremos engloba toda a região meridional da Berberia. Plínio, o velho, (V, 43) situa a existência de desertos entre a área de ocupação dos getulos e dos povos mais meridionais ainda (&lt;em&gt;libyes aegyptii &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;leucoe aethiopes&lt;/em&gt;). O nome getulos (&lt;em&gt;gaitouloi&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;gaetuli&lt;/em&gt;) começa a ser empregado a partir do final do século II a.C. para designar indígenas que se confundem com o grupo de povos chamado númida e não submetidos diretamente à Cartago (Gsell 1927, vol.V: 115). De maneira análoga ao que foi visto com relação aos dois outros super-grupos (mouros e númidas), acredita-se que o nome "getulos" pertencesse a um grupo indígena específico primeiramente, para em seguida aglutinar diversos outros (Estrabão, XVII, 3, 2). Eles nunca formaram um "estado", nas palavras de St. Gsell (idem:109), que conclui que o termo &lt;em&gt;Gaetulia&lt;/em&gt; (Getúlia) era uma denominação geográfica reunindo um grupo de planícies e outro de montanhas, bordeando o deserto. Os limites meridionais desta zona separavam os brancos dos negros. Os getulos eram, então, os povos brancos que se mantiveram ao largo dos "reinos" dos masesilos, massilos e mouros (&lt;em&gt;ibidem:&lt;/em&gt;110). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A hipótese do significado da denominação "getulos" conter a definição de seu estilo de vida, baseado no nomadismo, é abraçada por diversos autores. Assim, A. Jodin (1987: 26) afirma que o povo dos getulos se distinguia dos mouros e dos númidas por terem um modo de vida mais rústico, causado pelo seu afastamento geográfico do Mediterrâneo e por sua proximidade com as regiões desérticas. Salústio (&lt;em&gt;Jugurthinum,&lt;/em&gt; XIX) distingue dois grupos entre eles: "os getulos que vivem, uns em choças, e outros, mais bárbaros, nômades...". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A contraposição encontramos nas análises de E. W. B. Fentress, que discorda fortemente dessa concepção. Esta autora chama a atenção para o fato do relato da Guerra da África (&lt;em&gt;Bellum Africum&lt;/em&gt;) falar sobre duas praças-fortes getulas (&lt;em&gt;duo oppida Gaetulorum&lt;/em&gt;) (XXV, 2). Estrabão (17, 3, 9) também menciona as habitações espalhadas pelo território dos getulos (Fentress 1982: 330, nota 13). Apesar de não negar que o pastoralismo fizesse parte da economia dos grupos getulos, ela afirma que o mesmo ocorreu para os grupos númidas. Assim, baseando-se nos argumentos fornecidos pelas fontes textuais, E. Fentress sustenta a teoria de que os getulos formavam algum tipo de confederação na qual certos grupos indígenas, cidades e áreas estavam ligados (&lt;em&gt;idem:&lt;/em&gt; 331). De fato, essa é a interpretação que melhor se sustenta. Pompônio Mela refere-se aos getulos enquanto uma &lt;em&gt;natio frequens multiplexque&lt;/em&gt; (1, 23) e, em uma inscrição do século I d.C., encontramos um &lt;em&gt;praefectus&lt;/em&gt;...&lt;em&gt;nation&lt;/em&gt;(&lt;em&gt;um&lt;/em&gt;) &lt;em&gt;Gaetulicar&lt;/em&gt;(&lt;em&gt;um&lt;/em&gt;) &lt;em&gt;sex quae sunt in Numidia &lt;/em&gt;(&lt;em&gt;C.I.L. 5.5267 apud ibidem&lt;/em&gt;). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Plínio, o velho, (V, 17 e 10) menciona alguns dos grupos indígenas que faziam parte da denominação maior getulos. São eles: os baniurae ou baniubae, os autólolas, os darae e os nesimi. Todos esses são situados, de maneira geral, na área meridional da Berberia ocidental e central. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Discute-se ainda qual a localização geográfica precisa dos baniurae. Um grafite circular em um fragmento de cerâmica, gravado com o nome "&lt;em&gt;baniurai&lt;/em&gt;" e encontrado no sítio arqueológico de Banasa, atesta a presença deste grupo na região central da Berberia ocidental. R. Rebuffat, autor da publicação do grafite, propõe localizar os baniurae no Vale do rio Sebou, na direção de Banasa. Já M. Euzennat os localiza no Alto-Rharb, no Vale do oued Ouerrha, mais ao sul (Desanges 1980: 146). Pendemos para a suposição de locomoções próprias do semi-nomadismo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J. Desanges propõe que os autólolas fossem getulos, isto é, eram um dos povos que formavam os getulos (1980: 113). Ainda segundo Desanges, os autólolas habitariam a região localizada entre Sala (no litoral do Atlântico, abaixo da linha de Volubilis) e Essaouira (antiga Mogador) (Plínio, o velho, V, 9 e VI, 201). Na opinião de J. Carcopino essas indicações, às quais devemos acrescentar a que os leva mais ao sul ainda, em direção aos etíopes (Plínio, o velho, V, 17) demonstram que esse grupo estava se desintegrando, se fracionando. Quando Ptolomeu escreve sua &lt;em&gt;Geografia&lt;/em&gt; ele os situa no litoral atlântico, na extremidade sul da Getúlia, entre Cernè (no Rio Oro) e as ilhas Canárias (IV, 6, 6: 734). A partir de Ptolomeu em diante, os autólolas só são mencionados enquanto reminiscência de um passado extinto (Carcopino 1943: 260). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os darae são apenas brevemente mencionados por Plínio, o velho, (V, 10). Eles habitariam a região em seguida a dos autólolas: no curso médio do oued Dra (antigo Darat), localizado na região sudeste da Berberia ocidental, ou seja, distante das terras mouras mencionadas acima. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por último, temos os nesimi, que são considerados uma facção dissidente dos autólolas por J. Desanges e estão localizados ainda mais ao sul da Berberia ocidental (Desanges 1980: 147). Acreditamos que outros grupos fizessem parte dos getulos e que dados referentes a eles possam estar misturados a outras menções genéricas, como é o caso provável dos cinithi, que J. Desanges relaciona com os getulos do relato &lt;em&gt;Bellum Africum&lt;/em&gt; (LXII, 1).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Líbios&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para além dos diversos nomes individuais dos grupos indígenas, Heródoto é um dos primeiros a apresentar ao mundo grego um étnico que incluiria todas essas populações. Trata-se do termo "líbio". Há muito tempo aceita-se que este nome seja originariamente africano, e que foi empregado pela primeira vez pelos egípcios, já no IIº milênio, para designar os povos que habitavam a região a oeste do Nilo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O. Bates, autor que compilou, em seu livro &lt;em&gt;The Eastern Libians&lt;/em&gt;, todos os grupos indígenas orientais do Norte da África mencionados nas fontes escritas egípcias, criou um quadro onde relaciona os povos e grupos indígenas hamíticos, vizinhos do Egito (Camps 1960: 24). Bates inclui entre os muitos grupos que elenca, o grupo rebu/lebu (&lt;em&gt;idem&lt;/em&gt;). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os rebu (R'bw) localizavam-se no norte e agrupavam um certo número de grupos indígenas (entre elas os imukehek, os kehek e os esbet). Esta localização dos rebu no Norte da África dura até o período clássico e os gregos – com certeza os de Cirene – acabaram por estender esta denominação a todas as populações hamíticas do Norte da África (Camps 1960: 25). O nome Leptis, que se escreve em púnico LBKY, teria a mesma raiz do nome do povo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, é possível encontrar ainda uma definição mais restrita para o termo "líbio". Diodoro da Sicília, Políbio e Apiano (&lt;em&gt;idem:&lt;/em&gt; notas 5 e 6) chamam &lt;em&gt;libyes&lt;/em&gt; aqueles que para os romanos eram os &lt;em&gt;afri&lt;/em&gt;, isto é, os indígenas do território submetido à Cartago, em contraponto aos &lt;em&gt;nomades&lt;/em&gt;, que viviam para além desta área. Este território cartaginês, ou ao menos o que restou dele após as usurpações de Massinissa, foi anexado pelos romanos após 146 a.C., e a nova província, a Africa, foi denominada pelos gregos de &lt;em&gt;Libye&lt;/em&gt; (Gsell 1928, Vol. VII: 1). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todavia, para além dessa diferenciação entre nômades e líbios/&lt;em&gt;afri&lt;/em&gt; possuímos documentos que mencionam categorias específicas derivadas do termo líbio. Existe, no relato dos próprios autores antigos (Diodoro da Sicília XX, 55, 4) uma diferenciação entre líbios e uma nova categoria, os libifenícios. Os primeiros corresponderiam à grande massa de indígenas e se confundiriam com os númidas, habitantes da maior parte da Líbia. Já os segundos, que possuíam muitas cidades costeiras, codividiam com os cartagineses direitos de epigamia e eram assim chamados pela sua relação de parentesco com os últimos, devem ser entendidos de maneira análoga a categorias semelhantes, como as dos iberofenícios. Após o fim de Cartago, o termo libifenício ganha um sentido geográfico-étnico, passando a identificar as pessoas de origem semítica que viviam no território que, anteriormente, havia sido controlado por Cartago (Gsell, 1918, vol.II: 94, notas 4 a 7). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É comum encontrarmos, entre os pesquisadores, uma outra interpretação que relaciona os libifenícios às pessoas de sangue misto: indígena e fenício (Bondì 1972: 654). Ou então, há quem identifique as cidades onde habitavam os libifenícios como recebendo privilégios jurídicos – em relação às cidades indígenas – e não um grupo determinado de pessoas (&lt;em&gt;idem:&lt;/em&gt; 655). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto S. Bondì (1972: 656) foi buscar nas palavras do próprio Diodoro da Sicília as pistas para o entendimento do termo. Libifenício é usado pelo historiador grego duas vezes, na passagem citada acima (XX, 55, 4) e quando ele descreve a delegação enviada por Cartago a Alexandre, o Grande, composta por cartagineses e libifenícios (XVII, 113, 2). Em ambos os casos Diodoro deixa claro dois pontos: eles habitavam a costa e gozavam de direitos semelhantes aos cartagineses. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazendo uma análise crítica dessas passagens, S. Bondì afirma que a documentação epigráfica que possuímos, e que nos informa acerca da existência, nas cidades da Berberia, de instituições jurídicas análogas às de Cartago, não nos permite estabelecer fronteiras espaciais entre litoral e interior. Assim, não fica evidente que apenas os centros da costa gozassem de privilégios particulares, como poderíamos ser tentados a depreender pelo fato de Diodoro situar libifenícios apenas na costa. Dessa argumentação o arqueólogo retira a seguinte conclusão: os libifenícios não se diferenciavam dos outros líbios por possuírem uma situação jurídica especial ligada ao seu território. A distinção não era feita em razão de uma distribuição geográfica (Bondì, 1972: 658). Contudo, Diodoro sabia que alguns habitantes da Berberia, fora de Cartago, possuíam direitos particulares, talvez análogos aos dos habitantes da capital africana. Dessa maneira, S. Bondì, seguindo a hipótese inicial de St. Gsell, propõe que essa distinção jurídica diga respeito a certos indivíduos e não ao espaço geográfico por eles ocupado. Quando Diodoro (XIII, 80, 3) menciona os povos que lutaram na Guerra dos Mercenários por Cartago ele cita númidas, líbios, etc., mas não libifenícios. Assim, esses últimos não seriam um terceiro &lt;em&gt;ethnos&lt;/em&gt;, um terceiro povo, e sim uma categoria de pessoas, uma ordem: os libifenícios são os fenícios que habitavam fora de Cartago. Eles possuíam plenos direitos, que se contrapunham aos dos líbios, autóctones. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Uma denominação própria? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Antigüidade, o nome amazigh (tamazight, no feminino, e imazighen, no plural), o qual é, aparentemente, utilizado pelos próprios berberes como designação étnica de seus grupos indígenas, surge, em inscrições líbicas, na forma MSK; em inscrições romanas nas formas &lt;em&gt;mazic&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;masik&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;mazix&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;mazica&lt;/em&gt; (feminino com uma desinência latina) (Gsell 1927, vol.V: 116; Camps 1960: 27). Este nome foi usado também no começo da era cristã para denomina diversos grupos indígenas. É um étnico largamente difundido por todos os países berberes e é usado no topônimo. Trata-se da raiz MZG ou MZK que aparece também nos nomes mázaces (de época romana), maxies (em Heródoto), mazyces (em Hecateu), maxitani (em Justino), meshwesh (nas inscrições egípcias). Os imusagh, do oeste do Fezzan, os imagighen, do Aïr, os imazighen, do Aurés, do Rif e do Alto Atlas, entre outros, conservam este nome. O tamaseght (=tamachek) é a língua dos touareg, que chamam a si mesmos de imouchar. O uso indiscriminado, nos textos antigos, do nome mazices para povos diferentes, nômades, montanheses, etc, em períodos diversos e habitando regiões distantes umas das outras, parece mostrar que este seria o único nome indígena de aceitação geral. Durante o Baixo-Império as menções aos mázaces continuam e são razoavelmente abundantes. Justino (XVIII, 6, 1), ao narrar a lenda da fundação de Cartago por Dido/Elissa, assinala que o rei da região onde a princesa iria fundar sua cidade tinha por súditos maxitani. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os próprios habitantes autóctones se autodenominavam madic ou mazic. O termo tem sido traduzido pelos estudiosos como "nobre" ou "livre". Quinze séculos mais tarde, Ibn Khaldoun escreve que uma parte dos berberes, os Botr, tinham como ancestrais os madghis, enquanto, outros, os Beranès, descendiam dos mazigh, filhos de Cannaã (Camps 1960: 29). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Conclusão&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grupo indígena é entendido como a formação social básica a compor o tecido humano autóctone da Berberia. A partir das informações contidas nos textos de autores gregos e latinos, e dos dados fornecidos pela documentação epigráfica, percebemos que esses grupos podem ser caracterizados também quanto a sua forma de vida: nômade, semi-nômade e sedentária. O que ficou claro, no entanto, é a justaposição desses modos de vida dentro de uma mesma área, e a sobreposição dos grupos, sub-grupos, clãs, etc. dentro de um mesmo conjunto que a historiografia moderna tem denominado de "confederações" ou super-grupos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É interessante notar que o primeiro grupo indígena apresentado por Heródoto como sedentário é o dos maxies. Vimos que essa construção, que se confunde com os próprios maxlies semi-nômades, aparece nas fontes líbicas sob a forma MZG ou MZK. A provável denominação própria berbere estaria presente no nome amazigh, imagighen e imazighen (atuais) e em diversas transcrições gregas, latinas e também egípcias (meshwesh). A raiz MZK/MZG é, com certeza, muito forte culturalmente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, percebemos que pensar nesses nomes todos em termos de grupos indígenas autônomos é precipitado. Das dezenas de inscrições líbicas que mencionam cinco grupos isolados ou clãs pertencentes ao super-grupo misiciri, apenas uma é bilíngüe (latina-líbica). Pois esta, justamente, utiliza uma mesma transliteração latina, no caso misiciri, para traduzir os dois líbicos (o da "confederação" ou super-grupo dos misiciri: MSKRH, e o do clã/família ou grupo ÇRMMH). Ficamos, então, cautelosos quanto a considerar todos os outros nomes apresentados pelas fontes latinas e gregas enquanto grupos indígenas por inteiro. Acreditamos ser possível que parte destes representassem, dentro da estrutura social interna, uma outra categoria hierárquica, talvez um clã ou família. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desse modo, temos um grande conjunto de denominações gregas, líbicas, latinas, egípcias e cartaginesas. Algumas sobrepondo-se; outras sendo exemplos únicos. Estas denominações referem-se tanto a aglomerados de grupos indígenas ("confederações"), como a grupos individuais e suas possíveis divisões hierárquicas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As bases informativas de qualquer estudo sobre o Norte da África na Antigüidade foram aqui apresentadas. Ainda resta por debater as relações sociais e econômicas destes grupos entre si e frente aos estrangeiros. As fontes textuais permanecem enquanto documentos pertinentes, mas acreditamos que somente com o avanço das pesquisas arqueológicas e etno-arqueológicas poderemos efetivamente formular hipóteses de trabalho mais conclusivas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href=" http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2011/03/os-berberes-na-antiguidade-1-parte.html "&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;--1ª Parte&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;.:: Maria Cristina N. Kormikiari&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.revistasusp.sibi.usp.br/scielo.php?pid=S0034-83092001000200001&amp;script=sci_arttext"&gt;www.revistasusp.sibi.usp.br&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23280462944009230-7327530458468100182?l=civilizacoesafricanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/feeds/7327530458468100182/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2011/03/os-berberes-na-antiguidade-2-parte.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/7327530458468100182'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/7327530458468100182'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2011/03/os-berberes-na-antiguidade-2-parte.html' title='&lt;strong&gt;Os Berberes na Antiguidade&lt;/strong&gt;'/><author><name>Valter Pitta</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TB6681d_coI/AAAAAAAAFY8/KIKFPlkCX0I/S220/C%C3%B3pia+de+hgghgd.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23280462944009230.post-6595097502660828952</id><published>2011-03-09T16:03:00.004-03:00</published><updated>2011-04-03T16:27:06.212-03:00</updated><title type='text'>Angola é nossa!</title><content type='html'>&lt;em&gt;Recém-independente, o Brasil tramou tomar de Portugal o controle da colônia africana. Brasileiros faziam fama e fortuna em Luanda e Benguela&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-I54SIcGccpQ/TXfPVmTNOMI/AAAAAAAAGSo/2KbfdnjdnYk/s1600/mapa%2Bantigo%2Bde%2Bangola.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 340px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-I54SIcGccpQ/TXfPVmTNOMI/AAAAAAAAGSo/2KbfdnjdnYk/s400/mapa%2Bantigo%2Bde%2Bangola.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5582158233114327234" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a independência do Brasil, Portugal correu o risco de perder, por tabela, outra colônia: Angola. Temia-se que a possessão africana fosse anexada pelos brasileiros. E havia bons motivos para essa preocupação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante mais de 300 anos, ambas as regiões estiveram nas duas pontas do tráfico de escravos. Quase 70% dos cerca de cinco milhões de africanos que desembarcaram no Brasil vinham do Congo e de Angola. E as relações iam muito além do comércio negreiro: pelo menos desde o século XVII, africanos da costa centro-ocidental e brasileiros estavam unidos por laços mercantis, familiares e culturais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, logo depois da independência, Portugal chegou a enviar centenas de soldados para assegurar o controle de Angola e adiou o retorno a Lisboa de um navio de guerra fundeado em Luanda. E não eram só os portugueses que estavam alertas para manter a colônia africana. Em 1826, no tratado de reconhecimento da independência por Portugal, foi incluída uma cláusula proibindo o Brasil de incorporar qualquer colônia ou território luso no continente – Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé, Guiné Bissau e o Forte de Ajudá, no Golfo do Benim. A medida foi uma imposição da Inglaterra, já então envolvida na campanha para abolir o tráfico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ano seguinte, o governo brasileiro mostrou que tinha, de fato, interesses especiais em Angola: enviou para lá três navios de guerra. O objetivo oficial da missão era proteger navios negreiros que operavam na área. A medida era inédita: nenhuma nação independente das Américas tinha ido tão longe na defesa do comércio de escravos. Quase ao mesmo tempo, foi inaugurado um consulado brasileiro em Luanda, sob o comando de Rui Germack Possolo. Numa espécie de governo paralelo, o cônsul ameaçou emitir licenças de partida para navios, atribuição que não lhe cabia, e assumiu o papel de defensor de traficantes brasileiros presos por conta de disputas com comerciantes locais. Não demorou a entrar em choque com o governador de Angola, Nicolau de Abreu Castelo Branco, representante máximo do poder português na colônia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que os brasileiros já se encontravam alojados no coração do poder angolano havia muito tempo, ocupando cargos da administração civil e militar. Muitos deles tinham sido enviados à África como degredados. Aos poucos eles se estabeleceram, ganharam poder e prestígio. Era o caso do baiano Joaquim José da Silva Menezes, que aportou como degredado em Benguela no final do século XVIII e chegou a ficar preso durante quatro meses por um motivo aparentemente fútil: solicitar um cargo ao governador de Angola, sediado em Luanda. O pedido foi considerado uma afronta ao governador de Benguela, que na época travava uma disputa de poder com a autoridade da capital. Menezes foi chamado ao palácio do governo, onde o ajudante-de-ordens disse que ele "só podia servir para carniceiro, ou tambor, chamando-lhe também negro, filho-da-puta e outros mais convícios".Passado o malfadado episódio, Menezes prosperou: de escriba virou alferes das forças locais, depois foi administrador do contrato de sal e não demorou a se tornar negociante de escravos e dono de navio negreiro. Uma trajetória singular, ainda mais pelo fato de que, na Bahia, ele próprio fora um escravo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maioria dos brasileiros em Angola tinha ligações com o tráfico de cativos. Degredados, agentes de casas comerciais sediadas no Brasil e marinheiros não vacilavam em se aventurar pelos sertões angolanos em busca de bons negócios. O caso de Francisco Roque Souto é exemplar. Natural de Salvador, ele era um ex-capitão de navios negreiros que foi tentar a sorte em Luanda, mas acabou morando na vizinha Kisama, que estava fora do controle português. Ali, casou-se com a mucama de um dos chefes locais (sobas). Com o comércio interno de escravos monopolizado pelos reinos de Kasanje e Matamba, Souto intermediou os primeiros contatos diretos entre Luanda e outro reino local, Holo. A manobra de gênio rendeu-lhe grandes lucros e beneficiou negociantes daquela cidade, mas, obviamente, enfureceu os outros dois reinos. O resultado foi uma guerra entre Matamba e os portugueses, em 1744, na qual Souto foi um dos comandantes do exército luso. O conflito resultou na destruição da capital do reino africano (Mbanza da Rainha) e no envio de centenas de nativos como escravos para o Brasil. Mesmo vencedor, Souto sofreu uma devassa que o levou a tentar fugir, mas terminou preso em Luanda por alguns meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre tantas idas e vindas transatlânticas, não surpreende que um carioca tenha se tornado governador de Benguela, em 1835. Justiniano José dos Reis havia sido membro da junta do governo provisório da cidade durante o período turbulento que se seguiu à independência do Brasil – quando Benguela foi chacoalhada por rumores de um movimento golpista cujo alvo era sua anexação à ex-colônia tropical.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos suspeitos de participar da conspiração foi o carioca Francisco Ferreira Gomes, que vivia em Benguela desde 1800. Também ele um degredado, fora soldado no Batalhão de Henriques, força militar formada só por negros, inspirada no lendário grupo homônimo que existira no Brasil, batizado em homenagem a Henrique Dias, herói negro das guerras contra os holandeses em Pernambuco no século XVII. Promovido a tenente e depois a tenente-coronel, Gomes conquistou rapidamente vários escalões da burocracia de Benguela, tornando-se almoxarife e escrivão da Fazenda Real, proprietário de pelo menos dois navios negreiros e numerosas fazendas. Assim como Francisco Souto, também se casara com a filha do soba de uma região vizinha, o Dombe Grande. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1822, após a independência brasileira, foi citado como conspirador, ao lado de outros negociantes locais que planejavam prender o governador e “depois de tal sucesso, içarem a bandeira do império do Brasil”. Circulavam rumores de que Gomes usaria uma de suas embarcações para bombardear Benguela. Por precaução, o governador Joaquim Bento da Fonseca ordenou que ele fosse trancafiado num dos seus próprios navios, e para se proteger de um possível ataque, transferiu seu quartel-general para uma embarcação ancorada na cidade. Dali, comandou uma verdadeira ofensiva contra os chamados revoltosos, deportando pelo menos um para o Rio de Janeiro e manifestando a intenção de matar outros três. Fez várias visitas a Francisco Gomes e seus “cúmplices” presos. Numa delas, chamou-os de “ladrões, bodes e negros”, palavras ofensivas que demonstravam que as tensões eram não só políticas, mas raciais. De Benguela, sob ameaça de morte se trocassem palavras entre si, os revoltosos foram enviados de navio para Luanda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Francisco Gomes foi rapidamente reabilitado. De volta ao comércio de escravos, enriqueceu ainda mais, ampliando seu prestígio por meio de benfeitorias em Benguela, incluindo o apoio para reformas na igreja local e auxílio ao hospital da cidade. Seu “império” pode ser avaliado pelo número de cativos que remeteu ao Brasil: sete mil (entre 1809 e 1831). Como vários outros negociantes de escravos, ele enviou seu filho, José Ferreira Gomes, para ser educado no Rio de Janeiro e depois retornar a Benguela para assumir os negócios da família. Depois de mais de três décadas vivendo na África, Francisco mudou-se com a esposa para o Rio de Janeiro, de onde fazia visitas esporádicas a Benguela. Quanto ao filho José, depois de retornar a Benguela, não só assumiu a liderança dos negócios do pai como também se tornou juiz de fora da cidade. Em 1835, seria um dos líderes de uma revolta contra os brancos que foi em parte motivada por rumores de que Portugal tentaria abolir o tráfico de escravos. Mais tarde, ele se valeria de um soba da Catumbela – seu parente por parte de mãe – para fugir das autoridades que combatiam o tráfico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As trajetórias de Joaquim Menezes, Francisco Souto, Francisco Gomes e seu filho José Gomes revelam a intensidade das relações existentes entre angolanos e brasileiros. Pelo menos enquanto perdurou o tráfico negreiro. Em meados do século XIX, quando Portugal enfim decidiu abolir essa prática, adotou uma medida sintomática: a administração de Luanda passou a registrar todos os brasileiros que chegavam à cidade, além cadastrar os que já moravam lá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fim da escravidão mudou o tipo de relação entre aqueles povos com histórias tão entrelaçadas. E que por pouco não se uniram sob um só país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;.:: Revista de História da Biblioteca Nacional&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.revistadehistoria.com.br"&gt;www.revistadehistoria.com.br&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23280462944009230-6595097502660828952?l=civilizacoesafricanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/feeds/6595097502660828952/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2011/03/angola-e-nossa.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/6595097502660828952'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/6595097502660828952'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2011/03/angola-e-nossa.html' title='&lt;strong&gt;Angola é nossa!&lt;/strong&gt;'/><author><name>Valter Pitta</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TB6681d_coI/AAAAAAAAFY8/KIKFPlkCX0I/S220/C%C3%B3pia+de+hgghgd.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-I54SIcGccpQ/TXfPVmTNOMI/AAAAAAAAGSo/2KbfdnjdnYk/s72-c/mapa%2Bantigo%2Bde%2Bangola.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23280462944009230.post-7822948679349411179</id><published>2010-11-19T10:02:00.011-02:00</published><updated>2011-03-03T16:32:17.421-03:00</updated><title type='text'>São Jorge da Mina: Mina de ouro e escravos</title><content type='html'>&lt;em&gt;A fortaleza de São Jorge da Mina foi construída com o objetivo de escoar e defender o ouro que das ricas regiões auríferas do interior era enviado para o litoral. Posteriormente, torna-se o primeiro entreposto de escravos da era moderna &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TOZoJNJwRjI/AAAAAAAAGKw/wygp15XR694/s1600/Castelo%2Bda%2BMina%252C%2BGana..jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5541230898884658738" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 303px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TOZoJNJwRjI/AAAAAAAAGKw/wygp15XR694/s400/Castelo%2Bda%2BMina%252C%2BGana..jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Castelo de São Jorge da Mina, Gana.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Castelo de São Jorge da Mina, também designado por Castelo da Mina, Feitoria da Mina, e posteriormente por Fortaleza de São Jorge da Mina, Fortaleza da Mina, ou simplesmente "Mina", localiza-se na atual cidade de Elmina, no Gana, no litoral da África Ocidental. Após a sua ocupação pelos Holandeses em 1637, o seu nome passou a figurar na cartografia apenas como Elmina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Erguida em 1482, foi a primeira grande construção européia na África tropical. Para várias tribos e numerosos reinos, Elmina simboliza o holocausto provocado pelo tráfico negreiro. Para as nações européias que exploraram a costa africana, como Portugal, Holanda, Inglaterra, Dinamarca, Suécia e Alemanha, o lugar foi fonte de riquezas durante 400 anos. De lá saiu o ouro que financiou as navegações portuguesas no século XVI. E os escravos que fizeram prosperar as usinas de açúcar do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A Costa do Ouro&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de desconhecida pelos europeus até o século XV, a Costa do Ouro figura em textos árabes desde o século VII. A descrição mais detalhada do local foi feita em 1068, por um geógrafo cordobês chamado Abu Ubaid Abdala ibn Abd el-Aziz ibn Mohammed ibn Ayyub al-Bakri. Os árabes negociavam com os africanos muito antes dos portugueses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por volta de 1460, a exploração da costa africana principiou a render frutos. Nas décadas seguintes, a Coroa portuguesa empreendeu a construção de feitorias, entrepostos comerciais fortificados, de modo a intensificar o comércio de produtos europeus por gêneros como o ouro, especiarias e escravos. Adicionalmente, estas estruturas proporcionavam segurança e apoio às atividades de navegação e descobrimentos na costa ocidental africana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1469, Afonso V de Portugal (1438-1481), arrendou a exploração da costa da Guiné, na forma de monopólio comercial, por cinco anos (mais um ao fim do contrato). O primeiro arrematante foi um comerciante de Lisboa, Fernão Gomes, que, além da renda, ficava obrigado à descoberta anual de 100 léguas da costa, a partir da Serra Leoa. Foi durante a vigência desse contrato, que se alcançou a região da Mina. Por essa razão, aquele trecho do litoral passou a ser designado como Costa do Ouro nos mapas da época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Um negócio lucrativo e arriscado&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagine o oeste da África no final do século XV: um grande ajuntamento de tribos primitivas numerosas, que agregavam nativos facilmente aprisionáveis por inimigos tecnologicamente muito superiores. O sonho de um escravagista europeu. Pois é. Só que os portugueses não encontraram nada disso na Costa do Ouro. O que havia ali eram reinos organizados, com grandes populações e agricultura desenvolvida, acostumados ao comércio, pois negociavam sal e ouro com árabes desde o século VII.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TOZpg5IPkwI/AAAAAAAAGK4/ajNOOqKR4rk/s1600/carta%2Bn%25C3%25A1utica%2Bde%2BFern%25C3%25A3o%2BVaz%2BDourado.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5541232405338100482" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 307px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TOZpg5IPkwI/AAAAAAAAGK4/ajNOOqKR4rk/s400/carta%2Bn%25C3%25A1utica%2Bde%2BFern%25C3%25A3o%2BVaz%2BDourado.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Carta náutica de Fernão Vaz Dourado, da África &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;ocidental &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;extraída do atlas náutico de 1571, pertencente &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;ao &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Comprar barato e vender caro. Essa era a cartada dos europeus para obter ouro, a única mercadoria que lhes interessava na África até o século XVI. Um negócio da China — quer dizer, da África. Cientes dos gostos dos nativos, os portugueses levavam ouro e davam escravos, roupas árabes e artigos de cobre e latão, como colares, panelas e "bacias de urinar". Os penicos eram um sucesso absoluto no escambo. Só em Elmina mais de 270 000 foram trocados por ouro entre 1504 e 1582.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses povos, como os ashantis, os fantis e os akans, viviam em pé de guerra uns com os outros. É que, para eles, a riqueza se media principalmente pelo número de súditos do reino. A maneira mais prática de conseguir gente era atacar uma outra tribo e escravizar seus habitantes. Da noite para o dia, viajantes, nômades e populações inteiras de aldeias próximas às fronteiras de reinos e tribos viravam escravos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os lusos não tinham concorrentes europeus, mas, em compensação, dependiam de humores políticos instáveis para poder negociar o ouro com sossego — além de abastecer seus fortes. Diplomáticos, em 1480 conseguiram aliar-se a um desses reinos, o dos akans, da bacia do Rio Volta, que lhes cedeu o terreno para a construção de Elmina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a população recebeu-os com um pé atrás. Era a primeira vez que estrangeiros se instalavam na terra. Os akans temiam que os forasteiros se intrometessem em seus assuntos internos. Por isso deixaram bem claro que a cabeça-de-praia era alugada, não vendida. Nos anos seguintes, muitas vezes os europeus foram ameaçados e tiveram que pagar tributos extras quando um reino do interior conquistava um da costa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A perda da confiança dos reis poderia representar o fim de um forte e quilos de ouro a menos para a Coroa. A necessidade de preservar a política de boa vizinhança era tanta que fazia parte do regulamento de Elmina "manter a paz com os negros". O que, é claro, incluía distribuir presentes. Em 1520, por exemplo, o monarca do reino de Wassa recebeu dos portugueses uma túnica árabe, um gorro vermelho e um penico. Apesar do esforço, motins e ataques aconteceram várias vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Castelo de São Jorge da Mina&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a subida ao trono de João II de Portugal (1481-1495), este soberano determinou a construção de um novo entreposto, visando proteger o comércio do ouro naquele litoral. Para esse fim, nos primeiros meses de 1482 uma expedição de onze navios partiu de Lisboa, sob o comando de Diogo de Azambuja, transportando uma tropa de 600 homens - apoiados por uma centena de pedreiros e carpinteiros - e material de construção como lastro nos navios - pedra lavrada e numerada, gesso e cal. Outras fontes apontam a data de partida como 12 de Dezembro de 1481, com a chegada um mês depois. A sua missão era erguer uma fortificação com funções de feitoria, o chamado Castelo de São Jorge da Mina, posteriormente denominado como Castelo Velho da Mina, na foz do Rio Benya.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TOZquLAn0JI/AAAAAAAAGLA/lhuft1FKXf0/s1600/Vista%2Bdo%2BCastelo%2Bda%2BMina%2Bpelo%2Blado%2Bnoroeste%2Ba%2Bpartir%2Bdo%2Brio%2B%2528Atlas%2BBlaeu%2Bvan%2Bder%2BHem%252C%2Bs%25C3%25A9c.%2BXVII%2529..jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5541233732987900050" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 302px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TOZquLAn0JI/AAAAAAAAGLA/lhuft1FKXf0/s400/Vista%2Bdo%2BCastelo%2Bda%2BMina%2Bpelo%2Blado%2Bnoroeste%2Ba%2Bpartir%2Bdo%2Brio%2B%2528Atlas%2BBlaeu%2Bvan%2Bder%2BHem%252C%2Bs%25C3%25A9c.%2BXVII%2529..jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Vista do Castelo da Mina pelo lado noroeste &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;a &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;partir do rio (Atlas Blaeu van der Hem, séc. XVII).&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Ali passaram a ser trocados trigo, tecidos, cavalos e conchas ("zimbo"), por ouro (até 400 kg/ano) e escravos, estes com intensidade crescente a partir do século XVI. Em cerca de vinte dias foram erguidas as paredes da torre, uma cerca e algumas casas. Ao abrigo da fortificação-feitoria desenvolveu-se um núcleo urbano geminado, informalmente denominado como "Duas Partes", um habitado por europeus, outro por nativos. A povoação de São Jorge da Mina recebeu Carta de Foral em 1486.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro comandante do forte-feitoria foi o próprio Diogo de Azambuja, entre 1482 e 1484. Entre os seus comandados, na ocasião, encontrava-se o marinheiro genovês Cristóvão Colombo. Posteriormente o comando foi ocupado por elementos ilustres no reino, nomeados por períodos de três anos. Estes oficiais tinham vastos poderes outorgados pela Coroa, ainda que sujeitos a um rígido regimento, de forma a coibir o contrabando do ouro ou a prática de outras atividades ilícitas. A sua autoridade estendia-se a outros entrepostos fundados posteriormente naquela costa, como os de Axim (Axém), Osu, Shema (Shamá), Waddan, Cantor e Benim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por volta de 1550, calcula-se que os portugueses tirassem de lá 310 quilos de ouro por ano. Na época, o tráfico de escravos funcionava ao contrário: os lusos levavam quinquilharias e escravos negros de outras regiões, como a costa do Benin, para os reis locais em troca do metal. Em 1500, 10% das reservas mundiais de ouro provinham da região.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo do século XVI, ataques de corsários franceses às embarcações portuguesas no regresso da Índia, da Mina e do Brasil tornaram-se freqüentes. O mesmo se registrou com relação à Inglaterra, com quem foi assinado um tratado em 1570.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O castelo vira uma senzala&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tranqüilidade dos portugueses na Costa do Ouro acabou no final do século XVI. De olho nos lucros fabulosos com o ouro africano, holandeses, ingleses e dinamarqueses começaram a construir seus próprios fortes. Para piorar, a descoberta do metal precioso pelos espanhóis no México e no Peru fez seu preço despencar na Europa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, por volta de 1620, a Mina portuguesa começou a secar. Sem ouro, os europeus mudaram o rumo do negócio. Em vez de levar escravos negros do Benin para trocar por metal com os chefes locais, passam a exportá-los para as cada vez mais lucrativas plantações de cana-de-açúcar, algodão e tabaco das colônias americanas, como o Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O monopólio lusitano da Costa do Ouro foi quebrado em 29 de Agosto de 1637, quando uma frota holandesa tomou a Fortaleza de São Jorge da Mina, após cinco dias de resistência. As tropas holandesas eram formadas por mercenários europeus e tapuias, índios brasileiros de língua jê que haviam se aliado ao conde Maurício de Nassau durante a invasão holandesa de Pernambuco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TOZsJm2pIvI/AAAAAAAAGLI/CV7HEu43UgA/s1600/Fortaleza%2Bde%2BS%25C3%25A3o%2BJorge%2Bda%2BMina%2Be%2BCastelo%2Bno%2Bmonte%2Bde%2BS.%2BTiago%2B%25281750%2529..jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5541235303830332146" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 278px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TOZsJm2pIvI/AAAAAAAAGLI/CV7HEu43UgA/s400/Fortaleza%2Bde%2BS%25C3%25A3o%2BJorge%2Bda%2BMina%2Be%2BCastelo%2Bno%2Bmonte%2Bde%2BS.%2BTiago%2B%25281750%2529..jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Fortaleza de São Jorge da Mina e Castelo no monte de S. Tiago (1750).&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Os Holandeses fizeram de São Jorge da Mina a capital da Costa do Ouro Holandesa, e rebatizando o forte como Fort de Veer, Fort Java, Fort Scomarus e Fort Naglas, procedendo-lhe obras de reforço e de ampliação. A partir de então, o castelo tornou-se um pólo exportador de mão-de-obra escrava para o continente americano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para garantir o controle do tráfico de escravos, os holandeses também tomaram o forte português de Shama, em 1638, e outros entrepostos portugueses na África, São Tomé, Benguela e Luanda, em 1641. Era o fim de 160 anos de dominação portuguesa. Para negociar escravos em Elmina, traficantes brasileiros e lusos passaram a pagar imposto aos holandeses. Entre os séculos XVII e XVIII, o comércio de escravos atingiu o pico: a média anual de escravos embarcados na Costa do Ouro variava entre 10 000 e 35 000 indivíduos, segundo o historiador ganês Kwesi Anquandah. Só no século XVIII, a região exportou cerca de 677 000 negros para as Américas, boa parte por Elmina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os escravos vindos da Costa do Ouro chegaram ao Brasil em maior número entre 1700 e 1775. Apesar de pertencerem a diversas etnias, receberam todos o nome genérico de "negros da mina" ou "minas", por terem sido embarcados no porto de Elmina. Eram prisioneiros de guerra, bem pouco dispostos a suportar calados a escravidão. Os minas participaram de todas as revoltas de escravos do século XVIII e da formação de inúmeros quilombos. Eram destemidos e pouco obedientes. Também tinham aversão a trabalhos pouco higiênicos. Um povo mina, os akans — em cujo território foi construído o castelo de Elmina —, protagonizou um caso raro de final feliz. Desembarcados no Suriname, fugiram para o interior da selva, onde reconstruíram sua antiga sociedade. Hoje são chamados de maroons e ainda vivem na Amazônia surinamesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Do século XIX aos nossos dias&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tráfico rendeu à Europa e suas colônias lucros gordos e mão-de-obra farta até 1850, quando a Inglaterra passou a adotar medidas duras para reprimi-lo — entre elas, capturar navios negreiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TOZtKMwV8eI/AAAAAAAAGLQ/ZkTKqhn2coI/s1600/Bombardeamento%2Bbrit%25C3%25A2nico%2Bde%2BElmina%2B%25281873%2529..jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5541236413516083682" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 214px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TOZtKMwV8eI/AAAAAAAAGLQ/ZkTKqhn2coI/s400/Bombardeamento%2Bbrit%25C3%25A2nico%2Bde%2BElmina%2B%25281873%2529..jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ataque britânico a Elmina (1873).&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Em 1873 o forte foi conquistado pelos britânicos. Em 1957, quando a República de Gana tornou-se independente, seu controle passou para os africanos. A estrutura da fortificação foi reconhecida pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade em 1979.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O monumento sofreu uma ampla intervenção de restauração e conservação a cargo do governo de Gana na década de 1990 e, atualmente encontra-se aberto à visitação turística. Em vez de escravos, o velho castelo hoje recebe estudantes barulhentos e meia dúzia de turistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fontes:&lt;/strong&gt; Revista Super Interessante / Wikipédia / Revista Além Mar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;u&gt;&lt;strong&gt;Leia também!&lt;/u&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/08/o-ouro-da-africa-oriental.html"&gt;► O Ouro da África Oriental &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/05/africa-portuguesa.html"&gt;► A África Portuguesa &lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23280462944009230-7822948679349411179?l=civilizacoesafricanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/feeds/7822948679349411179/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/11/sao-jorge-da-mina-mina-de-ouro-e.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/7822948679349411179'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/7822948679349411179'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/11/sao-jorge-da-mina-mina-de-ouro-e.html' title='&lt;strong&gt;São Jorge da Mina: Mina de ouro e escravos&lt;/strong&gt;'/><author><name>Valter Pitta</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TB6681d_coI/AAAAAAAAFY8/KIKFPlkCX0I/S220/C%C3%B3pia+de+hgghgd.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TOZoJNJwRjI/AAAAAAAAGKw/wygp15XR694/s72-c/Castelo%2Bda%2BMina%252C%2BGana..jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23280462944009230.post-1430672445822736958</id><published>2010-10-29T17:44:00.008-02:00</published><updated>2010-11-19T15:32:19.563-02:00</updated><title type='text'>Os Manuscritos de Timbuktu</title><content type='html'>&lt;em&gt;Timbuktu acumulou uma extensa e eclética coleção de manuscritos trazidos pelos diversos viajantes que passaram pela cidade&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TMskWIUxOgI/AAAAAAAAGI4/lj9185taOXs/s1600/Manuscrito+de+Timbuktu.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 234px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TMskWIUxOgI/AAAAAAAAGI4/lj9185taOXs/s400/Manuscrito+de+Timbuktu.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5533556529765104130" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Preciosos Manuscritos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Escritos preciosos estão ameaçados de decomposição e de pilhagem por traficantes&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Timbuktu, a descoberta progressiva de antigos manuscritos, dentre os quais alguns datados do século XIII, está em vias de se tornar uma referência histórica importante para toda a África. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante o período colonial, as famílias de Timbuktu, que tinham o hábito de colecionar bibliotecas particulares constituídas por manuscritos em pergaminho, decidiram esconder seus livros, para evitar a pilhagem. Por isso, as obras passaram os últimos séculos escondidas. Os manuscritos foram enterrados, escondidos no fundo de poços ou levados para longe, em grutas ou no deserto do Saara. Desde 1964, a Unesco lançou um apelo para recuperar e reunir esse precioso acervo. A partir dos anos 90, parte dele começou a aparecer (cerca de 200 bibliotecas particulares), e vem sendo alvo de projetos de preservação e conservação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais de 15 mil documentos já foram exumados e catalogados sob orientação da Unesco. Outros 80 mil jazem ainda em algum lugar, em baús ou no fundo de celeiros da cidade mítica. Esses escritos preciosos, que fizeram a glória do vale do rio Níger entre os séculos XIII e XIX , estão ameaçados de decomposição e de pilhagem por traficantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obras raríssimas, escritas em língua árabe, por vezes no dialeto fula (peul), por eruditos originários do antigo império do Mali , circulam pela Suíça, onde são alteradas e depois oferecidas a colecionadores que disputam sua posse. Chefe da missão cultural de Timbuktu, Ali Uld Sidi não esconde sua preocupação: “Os manuscritos cujos depositários são os habitantes devem ser identificados, protegidos e restaurados, caso contrário Timbuktu será privada de sua memória escrita. É uma memória que quem guarda nem imagina o valor”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Época de ouro&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A cidade foi um centro de comércio importante entre o antigo Sudão e o Magreb&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Timbuktu, a “cidade santa”, a “misteriosa”, a “inacessível”, que fascinou tantos exploradores – do escocês Mongo Park ao francês René Caillié e o alemão Heinrich Barth – é uma fabulosa cidade de areia situada no nordeste do atual Mali, nos confins do sul do imenso deserto do Saara e um pouco afastada da margem esquerda do rio Níger. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fundada por volta do século XI pelos tuaregues, a cidade se impôs, a partir do século XIV, como um centro de comércio importante entre o antigo Sudão e o Magreb. O sal de Taudenni (Mali), o ouro das minas de Buré (Etiópia) e os escravos de Gana transitavam por ali. Mercadores árabes e persas conviviam com viajantes e filósofos muçulmanos, levados pelo desejo ardente de arregimentar para a fé de Alá as populações locais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi a época em que a África saheliana se dividiu entre os impérios que se converteram ao Islã e os outros. Se o dos mossis (atual Burkina Faso) resistiu em se entregar à religião de Maomé, o império songai – sucessor do império do Mali no final do século XIV – aderiu a ela. Assim, a expansão dos manuscritos confunde-se com a islamização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As três grandes cidades da região (Timbuktu, Gao e Djanné) tornaram-se os pólos de uma efervescente civilização islamo-sudanesa cuja memória permaneceu viva. No século XV, Timbuktu contava com não menos de 100 mil habitantes (30 mil atualmente), dentre os quais 25 mil “estudantes” que freqüentavam a universidade de Sankoré, atualmente transformada em mesquita. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As conferências dos ulemás, sábios muçulmanos, eram transcritas por copistas sobre a casca de árvores, omoplatas de camelos, peles de carneiro, ou papel proveniente do Oriente e depois da Itália. Dessa forma, ao longo dos séculos, foi se constituindo um precioso corpus filosófico, jurídico e religioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Comércio e conhecimento&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Considerados como um maná científico inédito, os manuscritos contradizem o mito da oralidade africana&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, todo um saber didático – consignando desordenadamente o curso dos planetas, a tonalidade das cordas de um instrumento musical, a cotação dos tecidos e da noz-de-cola – foi conservado nos mínimos recônditos das páginas desses manuscritos nômades. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As caravanas que se deslocavam entre Agadez (Níger) e Tichit (Mauritânia), passando por Sokoto (ao norte da Nigéria), transportavam uma multiplicidade de informações destinadas a mercadores esclarecidos. Durante cerca de três séculos, o comércio e o conhecimento enriqueceram-se mutuamente, no dorso dos camelos, entre barras de sal e sacos de tabaco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Considerados como um maná científico inédito, esses manuscritos contradizem o mito da oralidade africana sustentado por intelectuais, como o falecido Hamadou Hampâté Bâ. Mas que valor científico pode ser dado a documentos que se tornaram objetos de especulação em vez de instrumentos de compreensão do passado? Como apossar-se desse acervo de conhecimentos escritos que os estragos do tempo ameaçam fazer desaparecer? São tantas questões que alimentam especulações de professores norte-americanos e de historiadores locais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, em pleno coração de Timbuktu, no Centro de Documentação e Pesquisas Ahmed Baba (Cedrab), criado pelo governo por iniciativa da Unesco em 1970, joga-se uma grande partida da consciência histórica da África. Ao escolher o nome de Ahmed Baba, erudito nascido em 1556 que ensinou direito islâmico (fatwa), as autoridades homenageiam um resistente ao invasor marroquino. Elas honram, dessa forma, um sábio que exerceu uma influência considerável sobre seus concidadãos e cuja ortodoxia dos ensinamentos continua a influenciar as mentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Frágil tesouro&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Para conhecer o conteúdo dos manuscritos, basta se aproximar de famílias que os guardam&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Cedrab recebeu como missão catalogar, proteger e restaurar os manuscritos encontrados. O papel é um suporte frágil: sofre com a umidade e o fogo; seca, quebra, rasga-se e acaba em poeira. Os cupins o adoram. O ministro da cultura, xeque Omar Sissolo, especifica: “Por não poder recuperar a totalidade desses manuscritos, procuramos estimular a criação de fundações particulares que permitam reconstituir rapidamente acervos de origens familiares; é o melhor meio de responsabilizar os cidadãos e ao mesmo tempo proteger esse tesouro”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois a maioria desses misteriosos manuscritos pertencem a particulares. Para conhecer o conteúdo deles, basta se aproximar de famílias que nos acolhem de braços abertos. Por exemplo, Ismael Diadé Haidara, que encontramos diante de seu computador com o qual escreve livros de filosofia e de história, como Les Juifs à Tombouctou. Os judeus desempenharam um papel importante no transporte do ouro do Sudão para a Espanha cristã. Foi por meio deles que um dos pais da cartografia, Abraham Cresques (1325-1387), judeu das ilhas Baleares, cuja família emigrou do norte da África no início do século XII, teve conhecimento de Timbuktu, que era ligada ao norte da África por caminhos cujos portos eram habitados por judeus. Leon, o Africano, desde a primeira metade do século XV, menciona a presença de judeus no reino de Gao.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Saber medieval&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Graças a alguns tradutores contemporâneos, todo um afresco africano remonta à superfície da história&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descendente da dinastia Kati, Haidara tem um cuidado meticuloso em explicar a história de sua fundação, instalada nas proximidades da mesquita Jingereber, numa antiga residência restaurada de Timbuktu: “Todo esse acervo começou a ser formado com o exílio de um antepassado meu, o visigodo islamizado Ali B. Ziyad al-Kuti, que saiu de Toledo em 1468 para vir instalar-se em Gambu, na região soninquê. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde então, a biblioteca não deixou de se enriquecer através de várias gerações de Kati, meus ancestrais. Em 1999, decidimos exumá-los”. Um resumo do saber medieval está representado nessa biblioteca: tratados de boa governança, textos sobre os malefícios do tabaco, compêndios de farmacopéia... Obras de direito, de teologia, de gramática e de matemática são comentadas por sábios de Córdoba, de Bagdá ou de Djenné. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre as prateleiras gradeadas, protegidas das destruidoras poeiras de areia, atas jurídicas referem-se à vida dos judeus e de renegados cristãos em Timbuktu, e demonstram a intensa atividade comercial da época. A venda e a alforria dos escravos, as cotações do sal, das especiarias, do ouro e de plumas são objeto de pergaminhos colocados junto da correspondência entre soberanos das duas margens do Saara, ilustrada com iluminuras em ouro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conjunto é sublinhado, explicado, anotado na margem ou no colofão, essa última página de um livro ou de um final de rolo de papiro na qual o copista anota seu nome e a data em que terminou seu trabalho. Fica-se sabendo aí, pelo subterfúgio de uma encantadora manipulação, a ocorrência de tremores de terra ou de uma violenta rixa que perturbou as escritas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Graças a alguns tradutores contemporâneos, todo um afresco africano remonta à superfície da história. Não existe nenhuma homogeneidade nesses textos, e com razão: se a esmagadora maioria desses manuscritos é redigida em árabe, cada copista expressava-se em função de suas origens (tamashek, haussa, peul, mas também sonrai, diúla, soninquê ou wolof), segundo uma base caligráfica comum inspirada no maghribi, espécie de escrita árabe cursiva que, por sua forma, permitia economizar papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Substrato histórico&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O pensamento africano cultivava o amor de um islã aberto para o universal&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O valor de determinados documentos é evidente, em especial o do famoso Tarikh el-Sudan (História do Sudão), de Mahmoud Kati (século XV), que traça a sucessão dos chefes de Timbuktu. Da mesma forma, Tarikh el-Fetash (História do pesquisador), de Abderahmane es-Saad (século XVII), crônica do Sudão medieval. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A descoberta desses manuscritos dá à África subsaariana o substrato histórico que lhe foi negado durante muito tempo e do qual se começa a perceber a importância. Como uma resposta aos trabalhos de um grande historiador senegalês, o xeque Anta Diop, ela destaca a profundidade espiritual da África pré-colonial. Mostra também que a riqueza dessa região foi construída ao redor de uma dinâmica comercial “trans-tribal” da qual o Islã foi o desencadeador, e os ulemás, por sua aptidão para o ensino de “massa”, os realizadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí resultou uma espécie de continuum cultural a partir do qual a dimensão mística se consolidou sobre heranças mais ou menos estruturadas, até a chegada dos portugueses no século XV. O xeque Dan Fodio (1754-1817), por ter se inspirado em seus predecessores, em particular Ahmed Baba, confirma em suas memórias que, até a chegada dos europeus, “o pensamento africano cultivava o amor de um islã aberto para o universal que se distinguia muito nitidamente daquele observado no mundo arabo-muçulmano”. Constatação confirmada no início do século XX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Do deserto para a internet&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Os importantes manuscritos do Timbuktu, datados dos séculos XV a XIX e descobertos nos últimos anos, estão sendo digitalizados e colocados na internet&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De Timbuktu até aqui, revertendo a famosa expressão, as palavras escritas do lendário oásis africano estão sendo entregues via caravana eletrônica. Um carregamento de livros e manuscritos, alguns apenas recentemente resgatados da decadência, foi digitalizado para a internet e distribuído para acadêmicos por todo o planeta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São trabalhos sobre leis e história, ciência e medicina, poesia e teologia, relíquias da era dourada de Timbuktu como uma encruzilhada em Mali para troca por ouro, sal e escravos ao longo do limite meridional do Sahara. Se o nome é agora sinônimo para uma distância misteriosa, a literatura declara que seu papel anterior era o de um vibrante centro intelectual. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos anos recentes, milhares destes livros amarrados em couro e frágeis manuscritos foram recuperados de arquivos de família, bibliotecas particulares e depósitos. Os primeiros cinco dos raros manuscritos de bibliotecas particulares foram digitalizados e disponibilizados na internet para acadêmicos e estudantes no site &lt;a href="http://www.aluka.org"&gt;www.aluka.org&lt;/a&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O projeto para colecionar os manuscritos digitais foi organizado pela Aluka, uma companhia internacional sem fins lucrativos dedicada a trazer conhecimento da e sobre a África para o mundo acadêmico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em parceria com um consórcio de bibliotecas privadas em Timbuktu e com o financiamento da Fundação Andrew W. Mellon (Andrew W. Mellon Foundation), a Aluka alistou técnicos em mídia da Northwestern University para projetar e montar um estúdio de fotografia de alta resolução em Timbuktu. Uma equipe local foi treinada para operar o estúdio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos documentos na graciosa caligrafia Arábica são um deleite visual. Embora a escrita seja em sua maioria em Arábico, alguns manuscritos trazem vernáculos adaptados para a escrita Arábica, o que com certeza representará um desafio para os acadêmicos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Os manuscritos de Timbuktu agregam grande profundidade ao entendimento da diversidade de história e civilizações da África,” diz Rahim S. Rajam, gerente de desenvolvimento de coleção da Aluka. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pesquisadores têm sido atingidos pela gama de assuntos que atraíram os acadêmicos de Timbuktu por muitos séculos e adentrando o século XIX. A maior parte dos primeiros manuscritos digitalizados é do século XV ao XIX. Os tópicos incluem as ciências da astronomia, matemática e botânica; artes literárias; práticas e pensamentos da religião Islâmica; provérbios; opiniões legais; e explicações históricas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“É um rico arquivo de literatura histórica e intelectual que está apenas começando a tornar-se mais amplamente entendida e acessível a um largo grupo de acadêmicos e pesquisadores,” comenta Rajan, que é especialista em estudos do Oriente Médio. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Enquanto não há substituto para consultar os manuscritos reais, diz Wallach, é melhor lê-los em sua forma digital. Muitas das páginas dos originais são tão frágeis que não podem ser manuseadas. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mesmo que a Timbuktu contemporânea seja uma sombra opaca e poeirenta de seu renomado passado, vivendo principalmente dos poucos turistas ainda atraídos por seu nome e lenda, as páginas de sua história estão emergindo da obscuridade e, em alguns casos, sendo disseminadas à velocidade da luz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fontes:&lt;/strong&gt; Biblioteca Diplo / Revista História Viva / Pesquisa Mundi&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23280462944009230-1430672445822736958?l=civilizacoesafricanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/feeds/1430672445822736958/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/10/os-manuscritos-de-timbuktu.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/1430672445822736958'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/1430672445822736958'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/10/os-manuscritos-de-timbuktu.html' title='&lt;strong&gt;Os Manuscritos de Timbuktu&lt;/strong&gt;'/><author><name>Valter Pitta</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TB6681d_coI/AAAAAAAAFY8/KIKFPlkCX0I/S220/C%C3%B3pia+de+hgghgd.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TMskWIUxOgI/AAAAAAAAGI4/lj9185taOXs/s72-c/Manuscrito+de+Timbuktu.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23280462944009230.post-1211743807260847573</id><published>2010-09-26T21:40:00.010-03:00</published><updated>2010-09-28T17:56:36.479-03:00</updated><title type='text'>A África Medieval</title><content type='html'>&lt;em&gt;A história da África Medieval tem-se revelado rica e variada desde que os investigadores multiplicaram as fontes de investigação&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TJ_obUlBwdI/AAAAAAAAGEY/BcuN9w9ha1Y/s1600/Atlas+da+%C3%81frica+Medieval.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5521387224257642962" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 332px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TJ_obUlBwdI/AAAAAAAAGEY/BcuN9w9ha1Y/s400/Atlas+da+%C3%81frica+Medieval.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;O comércio e o surgimento das cidades&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O desenvolvimento do comércio&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A necessidade das cidades litorâneas de se abastecerem de matérias-primas, junto ao interesse das regiões do interior em adquirirem certos bens suntuários, fez com que surgisse entre elas importante intercâmbio comercial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O comércio na África Ocidental&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ritmo dos contatos transaarianos incrementou-se no século VIII d.C. quando os mercadores muçulmanos vindos do litoral do norte da África começaram a penetrar nas regiões do Subsaara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do século XI ao XVI, as relações comerciais estabelecem-se entre o Sudão e o Norte de África. A estreita ligação da Península Ibérica com a África e através do Islão garantiu um fluxo de ouro quase ininterruptamente durante boa parte do período medieval. O ouro era principalmente extraído de jazidas situadas na África ocidental. Em torno de 1350, pelo menos dois terços da produção mundial de ouro vinham da África Ocidental. Ele era encaminhado através do Saara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;As rotas transaarianas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os mercadores muçulmanos, o deserto do Saara era como um oceano, com “portos comerciais” nos limites sul e norte, onde estabeleceram colônias e quartéis. Transportaavam objetos de valor, como lâmpadas de óleo, vidro, cerâmica fina, conchas de cauri e sal para os territórios da África negra ao sul do Saara. Em troca obtinham peles, escravos, produtos da selva e da savana, como marfim, ébano e ouro.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escassez de água e os contínuos ataques às caravanas não impediram que os comerciantes muçulmanos desenvolvessem um intenso comércio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O comércio na África Oriental&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os mercadores árabes começaram a comercializar e a estabelecer-se ao longo do litoral da África Oriental no século IX, criando prósperas cidades comerciais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O comércio árabe exerceu um grande estímulo sobre o desenvolvimento econômico e social do interior. Como na África Ocidental, os primeiros assentamentos comerciais islâmicos foram logo seguidos pelo desenvolvimento de Estados centralizados nas regiões florestais de onde se obtinham valiosas matérias-primas, como ouro, marfim, chifres, couros e escravos. O comércio no interior da África Oriental ficou nas mãos de uma poderosa elite que controlava a exportação de matérias-primas para o litoral e utilizava as importações e os artigos de metal produzidos na região para mostrar seu prestígio e nível social.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Surgimento de cidades e estados &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O comércio foi fator decisivo e o contato com os mercadores islâmicos foi fundamental para o aparecimento das cidades situadas ao longo das rotas das caravanas, no interior e na  costa tanto ocidental como oriental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um estado pode emergir quando um grupo determinado, normalmente da aristocracia, resolve controlar algumas minas de ouro, o comércio do sal, marfim e as rotas comerciais. Esta aristocracia, rodeada de uma clientela numerosa, assegura o domínio sobre os outros grupos sociais, camponeses livres ou servos, artesãos, e às vezes comerciantes. Cada aldeia tinha que pagar tributo, símbolo da sua dependência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Império de Gana&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na região entre os rios Senegal e Níger, os soninquês (povos de origem mandê), fundaram pequenas cidades, que desde o século 4 foram se unificando, muito provavelmente para resistir às guerras com povos nômades. Pouco se conhece sobre tal processo, mas, no século 8, a região já era conhecida como Império de Gana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os soninquês chamavam sua região de Wagadu, mas os berberes (povos do Magreb), que chegaram ali no século 8, a chamavam de Ghana, pois era esse o título do rei da região (ghana: "rei guerreiro").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por muito tempo, o deserto do Saara dificultou o acesso dos povos do norte da África ao interior desse continente. Uma viagem do Magreb (região africana banhada pelo mar Mediterrâneo, exceto o Egito) até a bacia do rio Níger poderia durar até 4 meses em pleno deserto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa forma, enquanto o norte da África estava inserido no comércio entre diversos povos desde a Antiguidade (gregos, romanos, fenícios, cartagineses, líbios, persas, egípcios, árabes), o reino de Gana, na África Subsaariana (ou África Negra), pôde se desenvolver isoladamente. Somente quando os árabes conquistaram o Magreb e introduziram o camelo como animal de transporte foi possível a viagem através do deserto. A partir de então, os reinos e as grandes riquezas da África Negra passaram a fazer parte do comércio internacional do Mediterrâneo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gana já era um reino rico antes da chegada dos comerciantes do norte, e são os documentos deixados por esses comerciantes (árabes e berberes) que nos informam o que foi Gana, e relatam um império extraordinário, também chamado de Terra do Ouro. Segundo Al-Bakri, comerciante árabe de Córdoba (século 11), o rei de Gana usava túnicas bordadas a ouro, colares e pulseiras de ouro - e os arreios dos cavalos e as coleiras dos cachorros do rei eram de ouro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O império de Gana tinha como capital Kumbi-Saleh. Dessa cidade, o rei e seus nobres controlavam povos vizinhos, obrigando-os a pagar impostos em troca de proteção. Além disso, Gana controlava o comércio tanto das mercadorias que eram trazidas do norte (como sal e tecidos), quanto das que saíam do interior da África (como ouro e escravos). Na capital, o comércio era intenso: os seus 20 mil habitantes recebiam diariamente as caravanas que vinham de diversas regiões. Entre os séculos 9 e 10, Gana viveu seu apogeu, sendo um dos mais ricos reinos do mundo, segundo Ibn Haukal, viajante árabe da época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os ataques almorávidas sobre o Gana provocam a derrocada deste Império em detrimento dos pequenos reinos que procuravam assegurar a hegemonia sobre a região.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Impérios Islâmicos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Entre 1000 e 1500, o islamismo se expandiu no sul da África e em alguns impérios como religião principal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o processo de islamização dos povos africanos (os primeiros convertidos foram os berberes), o Império de Gana (que se recusava a se converter ao Islã) foi perdendo força, até que em 1076 os almorávidas (dinastia berbere) conquistaram e saquearam Kumbi-Saleh, transformando a cidade em um reino tributário. A partir daí, todo império se fragmentou, o que possibilitou as incursões de vários povos vizinhos, um deles os sossos, que passaram a controlar várias regiões do antigo império.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo as tradições, Soumangourou, rei do Sosso, acolheu os animistas. Ele assegura a proeminência sobre o pequeno reino do Mali, no qual ele mata onze dos doze jovens príncipes, deixando somente o décimo segundo com vida, chamado Soundiata. Mas este último cumpriu proezas extraordinárias. Soundiata Keita (1230-1255), verdadeiro fundador do Império Mali, converteu-se ao Islão, revoltando-se contra Sosso e depois o Gana (1240), dominando outros pequenos reinos. Estas conquistas permitem-lhe aceder a terras auríferas que tinham feito a riqueza de Kaya Magan, o rei do Gana, de ter peso na rota transaariana, e, conseqüentemente, sobre a economia do mundo muçulmano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Império de Mali&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Reino de Mali era, a princípio, uma região do Império de Gana habitada pelos mandingas. Era composto por 12 reinos menores ligados entre si, e tinha como capital Kangaba. Os mandingas chamavam seu território de Manden (= terra dos mandingas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após anos de guerras entre os soninquês de Gana e os almorávidas (século 11), e depois das guerras com os sossos (século 12), Mali conseguiu sua independência e adotou o islamismo. E, apesar de passar por um período de crise política e econômica, conseguiu se restabelecer e, em 1235, os mandingas de Mali conquistaram o território do antigo Império de Gana, sob a liderança de Soundiata Keita, que recebeu o título de Mansa, que na língua mandinga significa "imperador".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nome que os mandingas davam ao seu império era Manden Kurufa; o nome Mali era usado por seus vizinhos, os fulas, para se referir ao grande império. Manden Kurufa significa Confederação de Manden. A capital era Niani (atualmente uma aldeia na República da Guiné).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário do Império de Gana, que somente se preocupava em manter os povos dominados, a fim de controlar o comércio regional, o Império de Mali se impôs de forma centralista, estabelecendo fronteiras bem definidas e formulando leis por meio de uma assembléia chamada Gbara, composta por diversos povos do império. A aplicação da justiça era implacável, tanto que vários viajantes se referiam aos povos negros como "os que mais odeiam as injustiças - e seu imperador não perdoa ninguém que seja acusado de injusto". Acredita-se que o Império de Mali tivesse a extensão da Europa Ocidental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soundiata adicionou ao comércio do ouro e do sal o controle da navegação do Níger, que liga a zona de floresta aos arredores do deserto a este e a Gâmbia a oeste em direção ao oceano Atlântico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Império de Mali se tornou herdeiro do Império de Gana, pois passou a controlar todo o comércio local. O ouro extraído por Mali sustentava grande parte do comércio no Mediterrâneo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soundiata cria cinco clãs destinados a manter um rigor religioso, os clãs dos artesãos para o trabalho de ferro, do ouro, do marfim e do couro, e quatro clãs de feiticeiros para cantar as suas explorações e transmiti-las às gerações futuras. As crônicas muçulmanas mencionam que, entre 1324 e 1325, Mansa Mussa, em peregrinação a Meca, parou para uma visita ao Cairo e teria presenteado tantas pessoas com ouro, que o valor desse metal se desvalorizou por mais de 10 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O soberano favorece a instalação de mercadores arabo-berberes, que controlavam o comércio através do Saara. As cidades sudanesas atraem os sábios marroquinos e egípcios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também sob o reinado de Mussa, a cidade de Timbuktu (ou Tombuctu) se tornou uma das mais ricas e importantes da região. Sua universidade era um dos maiores centros de cultura muçulmana da época, e produziu várias traduções de textos gregos que ainda circulavam nos séculos 14 e 15. A grandiosidade de Timbuktu atravessou os tempos e, no século 19, exploradores europeus se embrenharam pelos caminhos africanos, seguindo o rio Níger, em busca da lendária cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Império de Mali entrou em decadência a partir do final do século 14, em função das disputas políticas internas e das incursões dos tuaregues (povo berbere), que desestabilizam o comércio e enfraquecem o Império, reduzido ao alto Níger no século XV. No século 15, o império é conquistado pelos Songhais (povo africano até então dominado por Mali). Foi nesse mesmo século que os portugueses, em pleno processo de expansão marítima, conheceram o já decadente Mali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Império Almorávida&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os almorávidas eram tribos berberes convertidas ao Islão provenientes do sul do Saara. Nas terras correspondentes aos atuais estados da Mauritânia e Mali, do rio Senegal até o rio Níger, após ter conseguido deter o avanço dos povos "negros" do sul, graças a alianças intertribais, a "confederação" foi forjada, com o fim de consolidar como capital a cidade de Audagost a sul de Mauritânia e de dispor uma ampla zona de pastoreio e controlar as principais rotas de caravanas que cruzavam a região de norte a sul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dinastia almorávida abraçou uma interpretação rigorista do Islão e unificou sob o seu domínio grandes extensões no ocidente do mundo muçulmano com as quais formaram um império, entre os séculos XI e XII, que chegou a se estender nomeadamente pelas atuais Mauritânia, Saara Ocidental, Marrocos e a metade sul da península Ibérica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A missão dos almorávidas era impor a verdadeira fé pela força aos não-crentes. A partir de 1042, eles se lançaram em uma furiosa jihad a partir das regiões do Adrar e do Tagant, ambas hoje no coração do Saara Espanhol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os almorávidas unificaram a moeda, generalizando o dinar de ouro de 4,20 gr como moeda de referência, e criando moeda fracionária, que escasseava no Al-Andalus. Estimularam o comércio e reformaram a administração, outorgando amplos poderes às austeras autoridades religiosas, que promulgaram diversas fatwas, algumas das quais prejudicavam gravemente os judeus e, sobretudo, os moçárabes, que foram perseguidos neste período e pressionados para a sua conversão ao Islão. Sabe-se que a importante comunidade hebraica de Lucena teve de desembolsar importantes quantidades de dinheiro para evitar a sua conversão forçosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poder almorávida, que uniu um só domínio importantes regiões da Europa e da África, com o decorrer dos anos tornou-se tão opressor como os antigos senhores do deserto ou dos emirados. Por volta de 1125 um novo poder estava surgindo no Magreb, o dos Almóadas, surgidos da tribo dos Zanatas, que conseguiram com um novo espírito de aplicação rigorosa da lei islâmica, já relaxados os costumes dos Almorávidas, impor-se ao poderio almorávida após a queda da sua capital Marraquexe em 1147.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a queda da capital Marraquexe às mãos dos almóadas em 1147, o Império almorávida cedeu o seu lugar ao novo poder rigorista, que imporá a sua hegemonia no Magreb e no Al-Andalus até a derrota das Navas de Tolosa em 1212.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Império de Kanem&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos mais duradouros impérios da história. Teve início na margem nordeste do lago Chade, na África, no decorrer do séc. VIII, e durou até fins do séc. XIX. No apogeu, o Império abrangia parte dos atuais Chade, Níger, Sudão, Líbia, Nigéria e República dos Camarões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A prosperidade de Kanem dependia do comércio. Cobre, cavalos, artigos de metal e sal provenientes do norte da África, da Europa e da Ásia eram trocados nos mercados de Kanem por marfim e noz-de-cola vindos do sul. Os soberanos de Kanem mantinham um poderoso exército que policiava as rotas comerciais e recolhia um imposto dos negociantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os soberanos trocaram as crenças tribais pelo Islamismo, a religião muçulmana, em 1086. Nessa mesma época começaram a expandir seu território. Depois que Bornu, situado na margem sudoeste do lago Chade, tornou-se uma província de Kanem, o Império passou a ser chamado de Kanem-Bornu. Em fins do séc. XIV, os bulalas conquistaram a parte de Kanem situada na margem nordeste do lago Chade e o imperador fugiu para Bornu. Mai Idris Alooma, que governou Kanem de 1580 a 1617, reconquistou o território perdido e estendeu as fronteiras do Império.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história do império a partir do século XIV é relatada principalmente pela Crônica Real ou Girgam, descoberta em 1851 pelo viajante alemão Heinrich Barth.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Cidades-Estado&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cidades Hauças&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A civilização hauça começou a ser construída por volta do século XI. Os hauçás estabeleceram uma série de fortes estados e que é agora do Norte e Centro da Nigéria e Leste do Níger. Intimamente ligados com o povo kanuri do Kanem-Bornu, a aristocracia hauçá adotou o Islão no século XI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Habituados ao comércio, os hauças aceitavam conviver com outros povos. A tradição oral refere-se a uma cidade-mãe, Daúra, que teria dado origem às “sete cidades históricas”: Kano, Zaira, Gobir, Katsena, Rano, Biran e Daúra, teriam surgido no século XI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início era apenas uma simples cheferia. Com os anos, os hauças teriam ocupado parcelas da região, dando origem à expansão que levou às diversas cidades-estado independentes registradas pela história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta radiação cultural atingiu os próprios reinos iorubas, muito influenciados pela civilização hauça. A organização social de hauça era profundamente urbanizada e particular, nela morava a nobreza, o letrados islamizados, os artesãos e alcançou grande importância econômica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em contato com o Sudão ocidental as pequenas cheferias hauças evoluíram até a situação de cidades-estado. Kano já praticava o escambo da cola guineense com o sal dos mercadores do deserto, foram os próprios mercadores e missionários mandingas que introduziram na hauçalândia o islamismo, se bem que ele ficasse restrito à aristocracia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Apogeu da civilização hauça ocorreu nos tempos do império Songai e, sobretudo, com sua decadência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As relações entre o Sudão ocidental e a Central nem sempre foram pacíficas. As cidades-estado da Hauçalândia eram presas cobiçadas. O Áskia Mohammed, por exemplo, combateu diversas cidades-estado visando impor-lhe tributos. Os refinados produtos da civilização hauçá eram muito apreciados, somente a definitiva partilha da África entre as potências colônias pois a fim à atividade comercial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cidades Iorubas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir do século 9 formaram-se as cidades da civilização iorubá, na região da atual Nigéria: Oyo, Ifé, Ijexá, Ketu, Ijebu. A região já era habitada por esse povo desde o século 4.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os iorubás nunca unificaram suas cidades, mas mantiveram a mesma cultura (língua, religião etc.). A cidade iorubá mais importante era Ifé, considerada sagrada, por ser o berço dos iorubás, segundo a crença local. Ifé foi uma cidade de intensos intercâmbios comerciais, um grande centro artesanal e artístico, e era governada por um rei sacerdote que tinha o título de Oni, enquanto nas outras cidades os governantes recebiam o título de Oba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra cidade importante foi Oyo, um centro militar que, no final do século 17, tinha se expandido até Daomé (atual Benin). A cidade histórica de Oyo teria sido fundada nos inícios do século XIII. Até o século XV, Oyo foi apenas uma cidade-estado ioruba entre muitas outras. Chegou até mesmo ser dominada, por algum tempo pelos Nupes. Tornou-se um império por volta do século XV e cresceu para se tornar um dos maiores estados do Oeste africano encontradas pelos exploradores coloniais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar do cristianismo e do islamismo terem chegado até os iorubás, a maioria desse povo sempre se manteve fiel às antigas tradições politeístas locais, sendo os orixás os seus deuses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário do que se acredita, a crença nos orixás não se expandiu pela África, mantendo-se exclusivamente iorubá. Mas como muitos iorubás (chamados de nagôs ou anagôs pelos portugueses) foram transformados em escravos e trazidos à força para a América, o culto aos orixás se misturou ao cristianismo imposto por portugueses e espanhóis, criando vários sincretismos religiosos que fazem parte da cultura americana, como, por exemplo, o Candomblé e a Umbanda, no Brasil, e o Vodu no Haiti (apesar de o Vodu também receber influências de outras culturas africanas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir do século 15, as cidades iorubás iniciaram seu processo de declínio (apesar de Oyo ter se mantido até o século 19). Muitos pesquisadores acreditam que a falta de unidade política foi uma das causas desse declínio, já que os iorubás não tiveram condições de se fortalecer para enfrentar o processo de escravização que lhes foi imposto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cidades Swahilis&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No século IX, os Swahili fundaram cidades pela costa oeste da África. O período compreendido entre os séculos XII e XV da era cristã é particularmente interessante na história das ilhas e da costa oriental da África.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As cidades como Quíloa, Kilwa, Melinde e Mombaça eram principalmente centros comerciais para onde afluíam mercadorias e onde aportavam navios estrangeiros. A posição geográfica vantajosa - praticamente todo o litoral da África oriental faz parte da zona das monções - favorecia a navegação no oceano Indico e possibilitava a existência do comércio naquela parte do mundo. O comércio era extremamente lucrativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi a época em que se formou na região uma comunidade étnica cuja melhor denominação seria população "swahili". Foi também a época em que atestou-se plenamente a existência de alguns Estados, cujos primeiros registros datam do século X da era cristã. Outro fato importante é que, nesse período, o desenvolvimento histórico e cultural da África oriental não sofreu qualquer influência externa perturbadora, enquanto o surgimento de conquistadores portugueses no começo do século XVI interrompeu o processo de desenvolvimento, modificando sensivelmente suas condições e características. Como o período também se caracteriza por grande desenvolvimento cultural, é razoável considerarmos que a civilização swahili estava então em seu apogeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No século XII, os Swahili não constituíam uma comunidade homogênea no plano étnico ou social. No plano étnico, sobre um fundo formado por um população de língua bantu, acrescentavam-se elementos do interior do continente e do exterior, tais como árabes, persas e indianos, provenientes da costa setentrional do mar da Arábia e do oceano Indico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No plano social, havia disparidades, na medida em que existia uma classe dirigente isolada e distinta da massa de homens livres. A estrutura formal da sociedade continuava fundamentada em clãs ou grupos étnicos, mas continha elementos de diferenciação por classes. Pois, embora considerados iguais aos outros, os membros da classe dirigente sobressaíam por serem ricos e porque suas funções tradicionais lhes conferiam influência especial. Ao lado da classe dirigente, encontravam-se outros indivíduos que eram ricos, mas não tinham acesso ao poder e à influência atribuída pela tradição, pois sua riqueza se originava do comércio. Gente comum formava a massa da população swahili. Além disso a sociedade swahili, no início do século XII, também incluía escravos, cuja existência é possível supor pela leitura dos autores árabes que descrevem sua exportação. Mas seu papel dentro da sociedade não é claro; pode ser que fossem exclusivamente objeto de um comércio inter-regional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim do século XV, os escravos parecem ter tido função econômica, segundo o relato de um anônimo português que os descreve em atividades agrícolas em Kilwa. A civilização swahili reflete esse processo de diferenciação social; uma cultura tradicional, a do povo, distinguia-se de outra, a da classe dirigente. Mas, devido à falta de fontes, nossos conhecimentos sobre essa civilização são falhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Do Zimbábue ao Egito&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Zimbábue&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sul de Zambeze, sobre o planalto delimitado por este rio e o Limpopo, viviam desde muito cedo populações de caçadores-recoletores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem provas de que entre 500 e 1000 a região produzia ferro e marfim. Os investigadores põem a hipótese de se ter iniciado um comércio embrionário desde o século VII, comércio fundado sobre a exportação de marfim, eventualmente de ouro em pó, trocas por pérolas e tecidos originários do oceano Índico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em compensação, no século IX, a extração de ouro em pó para a exportação está comprovada. A exploração é bastante organizada nos séculos X e XI; é estreitamente controlada pelos chefes de Mapungubwe. Esta evolução permite a transformação dos espaços urbanos no Zimbábue e mais a sul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Reino de Mapungubwe foi o primeiro reino do sul da África, o qual conquistou poder através do controle do comércio entre a costa leste e o Oceano Índico. Existiu entre 1075 e 1220 no Vale do Rio Limpopo, próximo a confluência do rio Shashi. O reino cobria parte de Botswana, Zimbabwe e África do Sul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A capital do reino era chamada de Mapungubwe. Este reino foi o precursor da civilização que formou o Império do Grande Zimbábue, no século 13.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os artefatos encontrados no vale do rio Limpopo ilustram o florescimento do comércio e de sistemas avançados sociais no século XIII.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No século XV, um estado fortemente centralizado mostra o seu poderio pelas muralhas monumentais de pedra, que não tinham utilidade militar mas eram símbolos de prestígio. O Império do Grande Zimbábue perderia o seu prestígio no século XVI, sucedendo-lhe o Império "Monomotapa".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Etiópia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O reino de Axum, no Norte da Etiópia, havia-se convertido ao cristianismo no início do século IV, mantendo relações políticas com os últimos imperadores romanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha a sua capital na cidade de Aksum, na atual Etiópia, embora as cidades mais prósperas fossem os portos do Mar Vermelho de Adulis e Matara, na atual Eritreia. Até ao século VI, Aksum, foi um entreposto geral do comércio de marfim, desempenhou papel importante no relacionamento com Bizâncio, apesar de algumas divergências religiosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os axumitas controlavam uma das mais importantes rotas comerciais do mundo e ocupavam uma das mais férteis regiões no Mundo. Aksum encontrava-se diretamente no caminho das crescentes rotas comerciais entre a África, a Arábia e a Índia e, como resultado, tornou-se fabulosamente rica e as suas maiores cidades tornaram-se centros cosmopolitas, com populações de judeus, núbios, cristãos e até budistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Império axumita entrou em declínio por volta do séc. X. Um novo império, governado pela dinastia Zagwe, surgiu cerca de 200 anos depois, a aproximadamente 240 km ao sul de Axum. A dinastia Zagwe governou até o século XIII.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante o séc. XIII, o rei Lalibela, o mais famoso governante da dinastia, mandou construir na rocha uma série de igrejas. Segundo as tradições, no regresso de seu exílio, tendo se consagrado rei, Lalibela fez com que sua "Nova Jerusalém" fosse construída abaixo do nível do solo por pura estratégia. Assim, quando os mercadores muçulmanos aparecessem pela região à procura de novos escravos, os cristãos etíopes e seus templos tinham maior chance de passar desapercebidos - só quem caísse literalmente na armadilha, e com sorte se recuperasse do tombo, poderia encontrar o caminho para o esconderijo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1270, Yekuno Amlak, um príncipe que se dizia descendente do rei Salomão e da rainha de Sabá, derrubou a dinastia. O Império dividiu-se em pequenos reinos no séc. XVII, depois de uma série de guerras contra os invasores muçulmanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Núbia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No século VI da era cristã missionários cristãos entraram na Núbia e converteram três importantes reinos da região: Nobadia, ao norte, Macuria, no centro e Alodia no sul. Esses reinos cristãos negros coexistiram por vários séculos com seus vizinhos muçulmanos no Egito, constituíndo-se bastiões contra o avanço do islamismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 640, um exército árabe, comandado por Amru Ibn al-As, toma Alexandria, a capital egípcia. Num ano, os árabes chegaram a Assuão, na fronteira da Núbia. Depois de um período de incursões recíprocas, Amru enviou, em 641, uma grande expedição militar de conquista. Mas a operação não se ficou por um mero passeio, porque os archeiros núbios acertavam em cheio nos invasores. Depois de mais uma tentativa falhada, Saad Ibn Abi Sahr, que sucedera a Amru em 646, assinou, junto às muralhas da capital, Dôngola, um pacto (baqt) com o rei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Núbia e os árabes empenharam-se, desta forma, a respeitar as fronteiras e estabeleceram trocas comerciais oficiais: todos os anos, 360 escravos saudáveis teriam de ser enviados para o Egito, em troca de tecidos, cereais e outras mercadorias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Núbia Cristã perdeu as suas ligações com a sua base monofisita alexandrina. Instalava-se o fenômeno ”isolamento” numa altura em que o proselitismo islâmico tornava-se mais indiscreto e descarado sob a égide – agora - de um príncipe muçulmano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de 1315 o comércio e a penetração islâmica se consolidaram no Vale do Nilo numa relação de matéria e forma - meio e objetivo - foi uma nova frente de história que se abria na Núbia para dizer que o fim da dinastia cristã significou o fim do cristianismo como religião do estado monofisita núbio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nobadia, ao norte, tornara-se islâmica; Macuria, no centro, seguia o exemplo. Apenas Alodia (ou Alwa) mais para o sul manteve-se num estado de um cristianismo vegetativo, até o seu desaparecimento lento nos meados do século dezesseis derrubado, finalmente, por uma tribo árabe beduína que vai pelo nome de Fundj que podiam ser também os Shillukes dos Grandes Lagos, fundadores do Sennar, o estado sucessor da Núbia no século dezesseis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Egito&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ano 640, o Egito foi conquistado pelos árabes. O período árabe caracterizou-se por lutas internas e constante troca de emires. A difusão do árabe e do islamismo transformou a invasão muçulmana na mais importante de todas as que o Egito sofreu. De sua história restou o copta, designação apenas religiosa. A princípio o Egito foi transformado em uma província do califado dos omíadas, de Damasco, que transferiram a capital para al-Fustat, construída nas imediações da fortaleza da Babilônia, erguida pelos romanos, no lugar hoje ocupado pela cidade velha do Cairo. Os omíadas conservaram o sistema administrativo egípcio e seus funcionários, mas o governo era exercido por um emir, auxiliado por um amil, ou diretor de finanças. O processo de islamização reacelerou com os abássidas, de Bagdá, cujo poder, no entanto, enfraqueceu ao longo do século IX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre 868 e 1517, o Egito foi governado por cinco dinastias: os tulúnidas, os ikhchiditas, os fatimidas, os aiúbidas e os mamelucos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dinastia dos tulúnidas dominou de 868 a 905 e foi fundada pelo oficial turco Ahmad ibn Tulun, que proclamou a independência do país em relação a Bagdá. Os ikhchiditas governaram independentemente entre 939 e 968, depois de um breve retorno a Bagdá. Entretanto, um novo poder militar agressivo, oriundo da Tunísia, se apoderou do Egito, sob a família dos fatímidas, que se consideravam descendentes do califa Ali e de Fátima, filha de Maomé. Adeptos da doutrina xiita, governaram entre 969 e 1171. Uma nova capital foi fundada, al-Qahira (Cairo) em 988, e o Egito, organizado como califado, passou a usufruir de notável desenvolvimento econômico e cultural. Foi fundada a mesquita e a universidade de al-Azhar, em 970, e o tesouro dos califas passou a incluir a mais valiosa biblioteca do mundo muçulmano da época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As disputas internas possibilitaram a intervenção do sultão de Damasco, Nur-al-Din, por intermédio do general Shirgu e de seu sobrinho Saladino (Sala al-Din Yusuf ibn Ayyub). Este, feito vizir em 1169, proclamou-se sultão do Egito logo após a morte do califa, dando início à dinastia dos aiúbidas, que reinaram de 1171 a 1250, e destacaram-se como grandes administradores. Reconstituíram um grande estado, da Tripolitânia à Mesopotâmia, dedicaram-se à agricultura de irrigação, ao comércio, às obras militares, à construção de escolas, hospitais e mesquitas. Lutaram contra os cruzados na Palestina, porém lutas internas minaram o poder. A crescente influência de oficiais mamelucos (conjunto de diferentes etnias, tais como turcos, mongóis, curdos etc.), tornou-se preponderante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma milícia de mamelucos bahri, isto é, "do rio", tomou o poder em 1250 sob o comando de Izz al-Din Ayback. Os sultões mamelucos imperaram no Egito até 1517.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fontes:&lt;/strong&gt; Infopédia / Historia do Mundo / Wikipédia / Girafa Mania / Libanoshow / Sem Fronteiras / Centro de Línguas FFLCH – USP / &lt;br /&gt;Uol Educação / Portal São Francisco / Revista Além-Mar / Scielo / Revista Viagem / Centro Cultural Banco do Brasil / Klick Educação&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23280462944009230-1211743807260847573?l=civilizacoesafricanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/feeds/1211743807260847573/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/09/africa-medieval.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/1211743807260847573'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/1211743807260847573'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/09/africa-medieval.html' title='&lt;strong&gt;A África Medieval&lt;/strong&gt;'/><author><name>Valter Pitta</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TB6681d_coI/AAAAAAAAFY8/KIKFPlkCX0I/S220/C%C3%B3pia+de+hgghgd.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TJ_obUlBwdI/AAAAAAAAGEY/BcuN9w9ha1Y/s72-c/Atlas+da+%C3%81frica+Medieval.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23280462944009230.post-9007648954565716269</id><published>2010-09-19T00:24:00.012-03:00</published><updated>2010-09-27T11:06:28.376-03:00</updated><title type='text'>Idas e vindas</title><content type='html'>&lt;em&gt;Ex-escravos queriam voltar à África para combater o tráfico. Enquanto isso, famílias de Cabinda educavam seus filhos no Rio para o comércio negreiro&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TJWCoINs9qI/AAAAAAAAGBI/JkzoF1rkdzY/s1600/Casal+de+Cabinda,+s%C3%A9culo+XIX..jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5518460544323745442" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 144px; CURSOR: hand; HEIGHT: 220px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TJWCoINs9qI/AAAAAAAAGBI/JkzoF1rkdzY/s400/Casal+de+Cabinda,+s%C3%A9culo+XIX..jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Casal de Cabinda, século XIX.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;“O melhor lugar para os libertos africanos e seus descendentes livres, residentes no Império do Brasil, irem e fundarem uma cidade é o lugar chamado Cabinda, no Sudoeste da África, porque os nativos daquele lugar tiveram, ao longo dos anos, o desejo de adquirir civilização européia”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trecho acima não é obra de algum governante branco europeu planejando o destino dos negros alforriados. Trata-se de uma carta escrita em 1851 por um ex-escravo e endereçada às autoridades britânicas. Joaquim Nicolau de Brito pleiteava, para si e para uma centena de outros libertos, a oportunidade de viajar de volta à África e lá empreender uma nova colonização, inspirada em formas “civilizadas” de governo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grupo queria instalar-se em Cabinda, no litoral da atual Angola, e dedicar-se ao cultivo de produtos agrícolas para consumo e exportação. Com os lucros do trabalho, seus integrantes pagariam o investimento feito em sua viagem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para convencer os ingleses a patrociná-los, usaram argumentos afinados com a política antiescravista promovida pela Grã-Bretanha. Prometiam combater o tráfico negreiro na região, por meio do exemplo bem-sucedido do trabalho livre, e propunham até a libertação de escravos – que seriam comprados dos traficantes e teriam dois anos para pagar com seu trabalho o preço do resgate. O grupo liderado por Joaquim Nicolau de Brito deixava bem claro que esse pagamento de dívida não caracterizaria trabalho escravo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era este o grande compromisso que assumiam na petição: não se envolverem no comércio negreiro, nem utilizarem trabalho escravo, nem permitirem que seus descendentes o fizessem. Tomaram o cuidado de “jurar sobre a Bíblia” que jamais haviam sido proprietários de escravos no Brasil. Declaravam-se cristãos, e, por isso, conscientes de que o direito de propriedade era exclusivo sobre coisas, não se estendendo às pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idéia era reunir o maior número de “pessoas de cor civilizadas” para auxiliar a população local a se organizar. O termo “civilização” é usado diversas vezes no texto. Com ele, os migrantes vindos do Brasil se afastavam dos chamados selvagens do interior da África – a quem, apesar dessa ressalva, tratam de “irmãos”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda essa argumentação surtiu efeito: Lord Palmerston, ministro de Negócios Estrangeiros da Inglaterra, autorizou o apoio ao grupo e ordenou que seus funcionários tomassem as providências necessárias. O problema é que, pouco depois do despacho favorável, ele perdeu seu cargo e, por algum tempo, seu poder. Não há menção a um embarque com essas características nos documentos dos portos nem nos jornais da época. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A carta de Joaquim Nicolau é o único registro conhecido em que os próprios alforriados explicam suas razões para retornar à terra natal. Muitos historiadores afirmam que a maioria dos escravos, depois que obtinha a liberdade, sequer desejava voltar. Ou, se o fazia, normalmente era no fim da vida, para passar seus últimos dias na África. O documento mostra que havia outras motivações para o retorno. Os argumentos de Joaquim Nicolau se parecem muito com o discurso de outros retornados voluntários, libertos africanos e seus descendentes, que partiram do Caribe e dos Estados Unidos rumo à África.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Relatos de viajantes do século XIX descrevem a existência de comunidades de “retornados” libertos na África Ocidental. Mais tarde, estes grupos se tornariam os agudás no Benim, amarôs em Togo e na Nigéria, tá-bom em Gana. Povos que ainda hoje se identificam como descendentes de brasileiros. No litoral de Angola, estreitas conexões motivadas pelo tráfico de escravos aproximaram aquela região do Rio de Janeiro. Há registros de comunidades em Cabinda formadas por libertos vindos do Brasil e do Caribe. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras transações também ocorriam entre os portos dos dois lados do Atlântico Sul. Em 1784, um poderoso chefe de Cabinda, o Manfuca Franque Kokelo, entregou seu filho de oito anos a um capitão de navio negreiro para que ele fosse educado no Rio de Janeiro. Quinze anos depois, o jovem Francisco Franque voltava para casa levando na bagagem contatos pessoais e comerciais com a capital do Brasil. Quando a família real se transferiu para cá, em 1808, muito provavelmente Francisco Franque retornou ao Rio de Janeiro com uma delegação que veio firmar acordos de intensificação do tráfico de escravos. O filho do chefe cabinda tornava-se um importante fornecedor de cativos da costa africana. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A prática de enviar os filhos para serem educados no Rio de Janeiro – e para aprenderem os meandros do mercado negreiro – era comum entre as famílias tradicionais dessa região. Mas nem sempre as coisas saíam como o planejado. Em 1810, o príncipe Puna delegou a criação de dois de seus filhos a um capitão. Mas o oficial os transformou em escravos domésticos, e eles precisaram ser resgatados pelo traficante Francisco Franque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Décadas mais tarde, o traficante Manoel Pinto da Fonseca receberia a mesma incumbência em relação a outro jovem de uma influente linhagem de Cabinda. No entanto, como deixou de receber recursos para essa missão, simplesmente abandonou seu educando. O jovem foi acolhido por um escravo liberto, e aqui surge uma coincidência admirável: este ex-escravo fazia parte do grupo liderado por Joaquim Nicolau, o mesmo que pedia auxílio aos ingleses para migrar. A presença do jovem entre eles poderia ser uma garantia de boa recepção na chegada, dada a importância de sua família em Cabinda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Considerando o ramo de negócios em que as famílias mais poderosas de Cabinda estavam envolvidas, pode-se questionar se aqueles libertos conseguiriam pôr em prática seu discurso antiescravista. De qualquer forma, o caso é exemplar para destacar a intensidade e as contradições das conexões Angola-Brasil daquela época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;.:: &lt;a href="http://www.revistadehistoria.com.br"&gt;Revista de História da Biblioteca Nacional&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;u&gt;&lt;strong&gt;Leia também!&lt;/u&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/09/estreita-ponte-entre-brasil-e-gana.html"&gt;► A estreita ponte entre Brasil e Gana&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/08/agudas-um-pedaco-do-brasil-no-benin.html"&gt;► Agudás, um pedaço do Brasil no Benin&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/04/liberia-um-sonho-americano.html"&gt;► Libéria: um sonho americano&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23280462944009230-9007648954565716269?l=civilizacoesafricanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/feeds/9007648954565716269/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/09/idas-e-vindas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/9007648954565716269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/9007648954565716269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/09/idas-e-vindas.html' title='&lt;strong&gt;Idas e vindas&lt;/strong&gt;'/><author><name>Valter Pitta</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TB6681d_coI/AAAAAAAAFY8/KIKFPlkCX0I/S220/C%C3%B3pia+de+hgghgd.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TJWCoINs9qI/AAAAAAAAGBI/JkzoF1rkdzY/s72-c/Casal+de+Cabinda,+s%C3%A9culo+XIX..jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23280462944009230.post-4003208934195627344</id><published>2010-09-10T15:32:00.010-03:00</published><updated>2010-09-19T19:34:55.118-03:00</updated><title type='text'>A estreita ponte entre Brasil e Gana</title><content type='html'>Nossa história com Gana remonta a um período doloroso para muitos de nós. Digo isso, porque há pouco mais de quatro séculos milhares de africanos de várias regiões do continente foram tirados de suas terras e levados forçadamente para as Américas na condição de escravos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TIp6cDaW7DI/AAAAAAAAF_I/klI6yC6vMJA/s1600/Comunidade+de+pescadores+de+James+Town,+em+Acra,+capital+de+Gana..jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5515355316039380018" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 266px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TIp6cDaW7DI/AAAAAAAAF_I/klI6yC6vMJA/s400/Comunidade+de+pescadores+de+James+Town,+em+Acra,+capital+de+Gana..jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Comunidade de pescadores de James Town, em Acra, capital de Gana.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Milhares desses homens, mulheres e crianças que resistiram tornaram-se nossos ancestrais e formaram o Brasil que temos hoje. Milhares desses homens e mulheres saíram em navios ancorados na margem do que hoje é o território ganense do Atlântico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ponte sobre o oceano Atlântico entre Brasil e Gana não se rompeu, mesmo com o fim do tráfico de cativos. Engana-se quem imagina um ganense rancoroso desse passado. Os laços que uniram nosso país a Gana está no nosso sangue, na nossa cultura e no imaginário dos que hoje vivem na outra margem do Atlântico e têm uma história incrível para contar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A comunidade TABOM, formada por afro-brasileiros que retornaram ao território ganense desde as primeiras décadas do século XIX, luta para fortalecer os laços entre brasileiros e ganenses. Como a maior parte da história recente africana, essa também tem poucos registros, não despertou interesse à minoria que manteve um regime imperialista na África. Mas os afro-brasileiros retornados à Gana a partir do século XIX não deixaram esta história ser esquecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TIp9gXkRTsI/AAAAAAAAF_Q/Clf8VOgrvXM/s1600/Rua+Brazil+Lane,+onde+fica+a+Casa+do+Brasil,+em+Acra,+capital+de+Gana..jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5515358688704024258" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 266px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TIp9gXkRTsI/AAAAAAAAF_Q/Clf8VOgrvXM/s400/Rua+Brazil+Lane,+onde+fica+a+Casa+do+Brasil,+em+Acra,+capital+de+Gana..jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Rua Brazil Lane, onde fica a Casa do Brasil, em Acra, capital de Gana.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O nome TABOM é curioso. Segundo a tradição dos retornados quando os afro-brasileiros voltaram ao atual território ganense, antiga Costa do Ouro, eles não dominavam as línguas locais e apenas respondiam, ao ser inquiridos: “Tá bom!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, o nosso “tá bom”, ‘está tudo certo’, serviu para denominar o grupo de brasileiros de origem africana retornados ao território ganense. Na memória dos retornados ficou também o carinho e a curiosidade sobre uma terra distante, o Brasil, mas ainda muito perto dos corações. Ser ‘Tabom’ em Gana é ser feliz. Nós, brasileiros, somos bem recebidos pelos Tabom, como se encontrássemos parentes que há muito não tínhamos notícias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Casa do Brasil, localizada na capital Acra, são ministradas aulas de português duas vezes por semana. Pelo vilarejo de James Town representantes da sexta e sétima geração de retornados falam de um Brasil que sonharam ou sonham em conhecer. A diplomacia brasileira tem suportado iniciativas de troca cultural entre as duas nações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No século XXI, brasileiros cruzam o Atlântico de olho no potencial de Gana. O país foi um dos primeiros a conquistar a independênia em 1957. Saiu na frente com estabilidade política e econômica, mas ainda batalha para crescer por meio de sua própria riqueza. Potencial não falta. As condições climáticas fazem de Gana um país bastante adequado para a produção de arroz. De olho nisso, gaúchos estão colhendo este ano, com sucesso, a primeira safra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TIqA-UYWgUI/AAAAAAAAF_Y/qzamsvjZnKw/s1600/Pequenos+produtores+de+arroz+em+final+de+colheita,+interior+de+Gana..jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5515362501779685698" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 266px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TIqA-UYWgUI/AAAAAAAAF_Y/qzamsvjZnKw/s400/Pequenos+produtores+de+arroz+em+final+de+colheita,+interior+de+Gana..jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Pequenos produtores de arroz em final de colheita, interior de Gana.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O Brasil, através de iniciativas como a Embrapa África, sediada em Gana, tenta inaugurar uma nova forma de cooperação com o continente. A cooperação que consiste, de fato, em troca de conhecimento, visando o crescimento mútuo, digno de duas regiões do mundo em desenvolvimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os produtores locais de arroz ainda saem em desvantagem, precisam de assistência técnica e financeira para competir com os brasileiros, com os estrangeiros que estão de olho na África. Os ganenses precisam de suporte para gerar a renda necessária a uma vida digna. O governo ganense ainda precisa fazer muito por eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brasileiros partindo para Gana e ganenses chegando ao Brasil em busca de aprendizado. Eles vêm enxergando no país-irmão o exemplo e a possibilidade de se superarem. E nós, devemos dar as boas-vindas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;.:: &lt;a href="http://tvbrasil.ebc.com.br/novaafrica"&gt;TV Brasil&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23280462944009230-4003208934195627344?l=civilizacoesafricanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/feeds/4003208934195627344/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/09/estreita-ponte-entre-brasil-e-gana.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/4003208934195627344'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/4003208934195627344'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/09/estreita-ponte-entre-brasil-e-gana.html' title='&lt;strong&gt;A estreita ponte entre Brasil e Gana&lt;/strong&gt;'/><author><name>Valter Pitta</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TB6681d_coI/AAAAAAAAFY8/KIKFPlkCX0I/S220/C%C3%B3pia+de+hgghgd.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TIp6cDaW7DI/AAAAAAAAF_I/klI6yC6vMJA/s72-c/Comunidade+de+pescadores+de+James+Town,+em+Acra,+capital+de+Gana..jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23280462944009230.post-7832616384786363129</id><published>2010-09-05T12:19:00.009-03:00</published><updated>2010-09-10T18:06:45.941-03:00</updated><title type='text'>Circuncisão entre Zulus e Xhosas</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Em tempos idos, a circuncisão era uma prática generalizada entre as tribos da África do Sul. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TIO5HiN2NkI/AAAAAAAAF74/0FWtt6D7UPA/s1600/Adolescentes+participam+de+ritual+de+circuncis%C3%A3o+na+tribo+Xhosa,+na+%C3%81frica+do+Sul.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 284px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TIO5HiN2NkI/AAAAAAAAF74/0FWtt6D7UPA/s400/Adolescentes+participam+de+ritual+de+circuncis%C3%A3o+na+tribo+Xhosa,+na+%C3%81frica+do+Sul.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5513453907926726210" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;center&gt;Adolescentes participam de ritual de circuncisão na tribo Xhosa.&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Obrigatório nos ritos de iniciação dos jovens, a circuncisão era o elemento mais característico e marcava a passagem da adolescência para a idade adulta. Após a iniciação, o jovem podia iniciar os preparativos para constituir família. Retirados das suas famílias, os candidatos eram conduzidos a um lugar isolado. Aí eram submetidos a várias provas físicas para testar a sua força física e mental. No momento oportuno, o responsável pela iniciação procedia à circuncisão, usando uma faca de casa e pouco mais. Os jovens permaneciam incapacitados durante três semanas e eram frequentes as complicações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Cultura adapta-se&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta espera obrigatória forçou Shaka Zulu a proceder à abolição desta prática. Há 100 anos, o guerreiro Shaka tinha pretensões expansionistas. Ambicionando alargar o seu império, sub-alternizou tudo à sua política. Três semanas de convalescença eram demasiado longas face às campanhas de guerra, que não podiam esperar, especialmente durante o Inverno, a época seca naquelas paragens. Não tardou a resistência de alguns anciãos que temiam pelo abandono das tradições e da cultura. A abolição da circuncisão era vista como uma afronta à identidade da tribo. Porém, o carisma de Shaka era enorme e a adequada execução sumária de alguns oponentes, bem ao seu estilo, fizeram esquecer esta prática ancestral. Shaka não subverteu a “cultura”; “adaptou-­a” às novas exigências sociais. Como homem carismático que era, a sua visão expansionista não tolerava empecilhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Xhosas mantêm-se fiéis&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje em dia, entre as grandes tribos sul ­africanas só os Xhosas praticam a circuncisão. E não é por acaso. Ocupam o Cabo Oriental, a zona mais remota e abandonada da África do Sul. Pacíficos como são, os Xhosa procuram manter as suas tradições para garantir a coesão tribal e a paz social. O seu território continua imutável no tempo, com praias invejáveis embelezadas pela floresta virgem e luxuriante ao longo da costa. As suas tradições continuam vivas, inclusive a circuncisão. Em 2008, mais de 90 jovens tiveram de ser internados, mas as complicações também persistem em hospitais. Alguns deles sofreram amputações genitais e, pelo menos, 22 morreram. As autoridades sanitárias da província ameaçam os operadores ilegais e os pais dos jovens podem ser condenados a seis meses de prisão ou a pagar uma multa pesada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Controvérsia e indiferença&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não falta quem sugira que a prática seja realizada nos hospitais ou pelo menos em lugares limpos, sob o controle médico. Além disso, praticado em geral durante o Inverno, o ritual impede que os alunos façam os exames invernais, causando graves prejuízos. Curiosamente é do Cabo Oriental que têm vindo grandes líderes, no passado e no presente. Homens como Walter Sisulu, Stephen Biko, Nelson Mandela, Govan Mbeki, Thabo Mbeki e outros. Contudo a sua presença nas altas esferas do governo não tem trazido benefícios tangíveis para a população, nem para uma abordagem séria da situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;.:: &lt;a href="http://www.fatimamissionaria.pt"&gt;Fátima Missionária&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23280462944009230-7832616384786363129?l=civilizacoesafricanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/feeds/7832616384786363129/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/09/circuncisao-entre-zulus-e-xhosas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/7832616384786363129'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/7832616384786363129'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/09/circuncisao-entre-zulus-e-xhosas.html' title='&lt;strong&gt;Circuncisão entre Zulus e Xhosas&lt;/strong&gt;'/><author><name>Valter Pitta</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TB6681d_coI/AAAAAAAAFY8/KIKFPlkCX0I/S220/C%C3%B3pia+de+hgghgd.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TIO5HiN2NkI/AAAAAAAAF74/0FWtt6D7UPA/s72-c/Adolescentes+participam+de+ritual+de+circuncis%C3%A3o+na+tribo+Xhosa,+na+%C3%81frica+do+Sul.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23280462944009230.post-1424969389336010679</id><published>2010-09-02T15:55:00.005-03:00</published><updated>2010-09-06T16:51:35.400-03:00</updated><title type='text'>A Tradição Ioruba</title><content type='html'>A tradição ioruba é, entre as culturas africanas importadas durante o tráfico negreiro, a que os brasileiros melhor compreendem ou, em muitos casos, a única que parecem considerar relevante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TH_zWE9QPZI/AAAAAAAAF7o/ENtt9LH76eI/s1600/Yoruba.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 279px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TH_zWE9QPZI/AAAAAAAAF7o/ENtt9LH76eI/s400/Yoruba.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5512392029538106770" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pierre Verger explica que tal predominância deve-se provavelmente ao fato de que este fora o último povo africano a chegar em massa no Brasil a partir do final do século XVII, mas principalmente após 1830, quando a cidade-estado de Oyo fora destruída pelos exércitos muçulmanos dos fulanis. Trouxeram consigo uma elite de nobres sacerdotes, príncipes e chefes de Estado dispersos em meio à multidão de gente do povo. Na visão de Gisele Cossard, os iorubas ter-se-iam organizado para escapar à escravidão, promovendo assim a expansão de uma casta de negros livres que já existiria anteriormente em menor escala. Apesar de ignorada pelos livros escolares e anais da história oficial, essa classe média de negros e mestiços foi muito atuante. Desenvolveu-se sobretudo em Salvador e, por ocasião dos fluxos migratórios em direção ao sudeste do País (principalmente após a abolição), veio a exercer poderosa influência sobre numerosas populações afro-brasileiras que viviam em situação sócio-econômica muito inferior, em outras cidades brasileiras. Um bom exemplo disso é a força da colônia baiana que se instalou no centro do Rio de Janeiro no final do século passado, onde viveu a legendária Tia Ciata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Informações históricas sobre as antigas cidades-estado de Ifé e Oyo, que mais tarde seriam consideradas como partes do reino ioruba, estão sendo processadas a partir de escavações. Leo Frobenius encontrou na atual cidade iorubana de Ile-Ifé, entre os anos de 1910 e 1911, esculturas em metal e terracota que teriam sido construídas durante os séculos X e XI. Essas esculturas, conhecidas como “cabeças de Ifé”, trouxeram novos dados sobre a vida e a arte iorubas; contrariando tudo que era até então concebido como arte tipicamente africana, as esculturas possuíam dimensões naturalistas, sendo confeccionadas com uma liga metálica que combina bronze, chumbo e cobre. Talvez por considerá-las elaboradas demais para serem totalmente africanas, Frobenius supôs terem elas alguma conexão com a arte grega, hipótese hoje descartada. Submetendo-se essas vinte cabeças esculpidas à análise de carbono 14, foi possível determinar o apogeu da civilização que floresceu em Ifé entre os séculos XII e XIV, muito embora haja indícios de que, desde o final do primeiro milênio, os iorubas já trocassem manufaturas com os árabes ao norte de seu país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já Oyo vivera seu período de expansão a partir do século XIV, chegando a subjugar os povos vizinhos do antigo reino do Daomé, tendo-se mantido livre da presença européia até o começo do século XIX, quando esta foi arrasada e a autonomia ioruba desmantelada. Só então os negros dessa etnia foram maciçamente incluídos entre os escravos de guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando os europeus entraram pela primeira vez nas principais cidades iorubas admiraram-se não só com o seu nível de urbanização, mas com a beleza de sua arquitetura e estatuária sagrada. Cada cidade era organizada em torno do culto a uma divindade específica, a qual muitas vezes relacionava-se intimamente com algum poder ou força da natureza, bem como com o passado mítico das dinastias reais, como no caso de Xangô, Oranian e Ogum. No momento da invasão européia, constatou-se que aquele povo já há muito desenvolvia a metalurgia e produzia sofisticadas manufaturas.&lt;br /&gt;A sobrevivência da tradição ioruba no Brasil também exigiu de seus líderes e seguidores a elaboração de estratégias sincréticas de convivência com a religião oficial. Só que, neste caso, o sincretismo não foi tão aprofundado quanto o fora pelos kongoleses, funcionando mais como um disfarce que lhes permitia uma relativa liberdade de ação, no tocante à realização de seus rituais. Esse mecanismo de disfarce fora anteriormente empregado pelos negros gêges, procedente do antigo Daomé (atual Benin) os quais, segundo alguns estudiosos, além de antecederem a presença ioruba no Brasil, também teriam sido pioneiros em diversos atos de grande importância histórica para a diáspora africana em nosso país, incluindo a fundação de casas de candomblé na Bahia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confrarias e irmandades de pretos foram instituições sob cuja “proteção” teriam sido organizados os primeiros candomblés baianos. Mas nos terreiros gêge-nagô, enquanto imagens de santos católicos aparecem em partes mais externas do templo, todos os fiéis sabem que o assentamento da energia está mesmo é nas pedras sagradas, que se encontram veladas sob os panos e plantas dos altares, escondidos da curiosidade e do preconceito de olhares alheios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que os povos do Kongo e do Daomé tenham chegado ao Brasil antes dos iorubas, a enorme influência desse último grupo em nosso dia-a-dia cultural demonstra que, de um modo ou de outro, a liderança ioruba foi aceita e reforçada pelas demais etnias afro-brasileiras. Ao nosso ver, um dos fatores que contribuíram bastante para isso foi a conservação do idioma ioruba - pois é na língua que se encontra codificada grande parte das informações que constituem a identidade cultural e religiosa de um povo, e os demais idiomas africanos presentes no Brasil já se teriam fragmentado com o tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O domínio dos iorubas no contexto afro-brasileiro deveu-se também ao emprego de uma sábia diplomacia que pode ser observada na organização multicultural dos terreiros. Além de agruparem num único templo divindades antes cultuadas separadamente em diferentes regiões da atual Nigéria, os iorubas incorporaram ao seu panteão Nanã-Obaluaiê-Oxumarê, a tríade de deuses adorados pelos seus ex-arquiinimigos daomeanos, reservando também um discreto espaço para entidades de ascendência kongo-ameríndia; caboclos, pretos-velhos e exus, no mais das vezes agrupados sob o nome genérico de "eguns" (espíritos dos mortos). Entretanto, o idioma africano ensinado e praticado nos terreiros de filiação mais tradicional é o ioruba arcaico, que impressiona pela “pureza” até mesmo os nigerianos de hoje. A hierarquia interna das casas de candomblé e a linha de sucessão por consangüinidade são bastante rígidas, mas, ao mesmo tempo, observamos que entre sacerdotes, fiéis e freqüentadores do candomblé há pessoas de todas as etnias e classes sociais brasileiras. Isso nos leva a crer que, na verdade, a grande diplomacia ioruba foi a de saber combinar uma estrutura altamente tradicionalista e conservadora a uma base social verdadeiramente inter-étnica e multicultural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com êxito inegável, os iorubas conseguiram fazer de seus orixás as divindades africanas mais conhecidas no Brasil. Sete deles (Xangô, Iemanjá, Oxóssi, Oxum, Ogum, Iansã e Ibejí) foram incorporados pela umbanda como líderes das sete categorias básicas (falanges) de espíritos concebidas por esta religião. Oxalá, sincretizado com Jesus, é adorado como a entidade mais elevada, numa escala ascendente de evolução espiritual; Nanã e Omulu, de origem gêge, estão presentes em um degrau hierárquico inferior, pois não chefiam nenhuma falange, ligando-se (na maioria das vezes) aos grupos chefiados por Iemanjá e Iansã, respectivamente. No candomblé, os orixás não costumam falar, comunicando-se sobretudo através dos búzios; na umbanda, os orixás comumente não se incorporam nos médiuns, existindo apenas como uma referência arquetípica que indica simbolícamente o tipo de energia (ou vibração) que caracteriza cada falange, ou grupo de espíritos que se harmonizam entre si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cosmogonia ioruba compreende uma divisão básica entre céu (Orum/sol/mundo divino) e terra (Aye/mundo dos vivos). Seu deus supremo, Olorum (o senhor do céu) está no mundo de cima; os heróis/deuses civilizadores são quase todos masculinos, embora o patriarcado ioruba seja mitologicamente ameaçado pela fúria de poderosas matriarcas como Nanã e Olokun (que é masculina em Benin e feminina em Ifé). Sua concepção de energia/força sagrada se define pela constituição do Axé, que é relacionado ao número três e às cores vermelho, preto e branco. Conforme a crença ioruba, Olorum, o Ser Supremo, serve-se de auxiliares para criar, manter e transformar o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com efeito, a altivez e o orgulho próprio dos iorubas, bem como seu talento para a promoção social de seus valores culturais e religiosos, fizeram deste grupo um exemplo positivo a ser seguido por toda uma multidão de descendentes de africanos, combatendo a depressão causada pelos séculos de opressão escravagista. Todavia, o exagero dessas mesmas qualidades também facilita a manutenção de injustiças históricas contra outras tradições africanas no Brasil. E assim que todas as coisas belas e importantes feitas por negros neste país são sistematicamente atribuídas aos iorubas, que, então, recebem as honras por façanhas cujo crédito, na realidade, não lhes pertence. Nossa intenção ao destacar esse fato é contribuir para que o legado positivo da liderança ioruba seja priorizado, em detrimento de enganos desta natureza que, conquanto velados, continuarão a existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fonte:&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://www.opasquim.com"&gt;www.opasquim.com&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23280462944009230-1424969389336010679?l=civilizacoesafricanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/feeds/1424969389336010679/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/09/tradicao-ioruba.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/1424969389336010679'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/1424969389336010679'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/09/tradicao-ioruba.html' title='&lt;strong&gt;A Tradição Ioruba&lt;/strong&gt;'/><author><name>Valter Pitta</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TB6681d_coI/AAAAAAAAFY8/KIKFPlkCX0I/S220/C%C3%B3pia+de+hgghgd.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TH_zWE9QPZI/AAAAAAAAF7o/ENtt9LH76eI/s72-c/Yoruba.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23280462944009230.post-4621462863590262986</id><published>2010-08-29T20:48:00.013-03:00</published><updated>2010-09-02T16:38:34.754-03:00</updated><title type='text'>O Ouro da África Oriental</title><content type='html'>&lt;em&gt;Tal como sucedeu na África Ocidental, também na África Oriental &lt;br /&gt;o ouro foi um motor decisivo no desenrolar da vida econômica &lt;br /&gt;das velhas comunidades mercantis, como representará uma das principais motivações do estabelecimento português&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/THryUaLo93I/AAAAAAAAF6I/z0U1HLAx-JY/s1600/Cruzado+de+1755+para+a+%C3%81frica+Oriental.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5510983526480672626" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 360px; CURSOR: hand; HEIGHT: 350px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/THryUaLo93I/AAAAAAAAF6I/z0U1HLAx-JY/s400/Cruzado+de+1755+para+a+%C3%81frica+Oriental.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Cruzado Português de 1755; Foi cunhado para remediar a falta &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;de numerário que havia na África Oriental, principalmente &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;para pagar aos empregados e tropas que a guarneciam.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;No final do século XV (1490), Pêro da Covilhã mandava notícias sobre Sofala para a corte de D. João II, referindo-a como um dos centros de comercialização do metal amarelo, do "ouro do Monomotapa" e como um dos pontos de escala obrigatórios dos portugueses na sua jornada para a Índia das especiarias. O ouro, no entanto, também chamará a atenção dos nossos exploradores de Quinhentos. Ao litoral moçambicano chegava o ouro do Monomotapa, ou seja, das regiões de Butua, Mokaranga e Manica (entre a Rodésia do Sul, Manica e o Transvaal).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ouro apresenta-se em quatro formas: em fino pó, em grãos mais ou menos pequenos, em lascas mais ou menos espessas (o mais valioso), ou em pedras (o mais vil).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/THrzCeMTRfI/AAAAAAAAF6Q/MHpI3-9oTNU/s1600/Rinoceronte+de+ouro..jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5510984317831169522" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 238px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/THrzCeMTRfI/AAAAAAAAF6Q/MHpI3-9oTNU/s400/Rinoceronte+de+ouro..jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Rinoceronte de ouro de Mapungubwe; Tem 22&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;centímetros &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;de comprimento, foi feito em madeira &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;maciça,&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; recoberta com folhas flexíveis de ouro.&lt;/span&gt; &lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O comércio e a exploração do ouro estava nas mãos do rei - o Monomotapa; ninguém o podia extrair sem a sua autorização, sob pena de morte. No entanto, não havia grandes imposições (embora, de uma maneira geral, o rei e os poderosos se assenhoreassem das minas, com os seus acostados e escravos, quando elas mostravam dar bom rendimento) e, quando o soberano pretendia algum ouro, distribuía algumas dádivas pelos régulos cafres em troca do metal. Por outro lado, a exploração era difícil, quer pelas condições do terreno e das minas, quer pela falta de mão-de-obra (população dizimada pelas fortes mortalidades infantis, pestes, pragas... e sobretudo pela caça ao homem para alimentar os mercados de escravos que despovoava largas regiões), quer pelo pouco interesse pelo ouro em si por parte dos nativos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao abrir o século XVI, o grosso da produção escoava-se através dos portos marítimos e toda a exportação por mar estava nas mãos dos muçulmanos. Os mercadores mouros viajavam também pelo sertão, mas nunca com intenções de exercer qualquer domínio sobre o processo produtivo. Apenas vendiam "de antemão" aos nativos os artigos que os incitariam a ir trabalhar. A exploração das jazidas auríferas é estruturada num período desconhecido, certamente anterior ao século VI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/THr0NLZA-zI/AAAAAAAAF6g/ztJNnoiao-Y/s1600/Fortaleza+portuguesa+de+Kilwa+(Qu%C3%ADloa),+Tanz%C3%A2nia.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5510985601274411826" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 319px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/THr0NLZA-zI/AAAAAAAAF6g/ztJNnoiao-Y/s320/Fortaleza+portuguesa+de+Kilwa+(Qu%C3%ADloa),+Tanz%C3%A2nia.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Fortaleza portuguesa de Kilwa (Quíloa), Tanzânia.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Vários centros costeiros do Índico estariam envolvidos na comercialização deste metal precioso e, quando os portugueses aí se estabelecerem, o trato vai continuar. Foram os mercadores do mar Vermelho que abriram e traçaram esta grande rota marítima do ouro, e ao longo de todo o seu percurso, nos lugares de escala de navegação dos ligeiros zambucos ou de naus mais grossas, ou de realização de feiras, edificaram-se grandes cidades marítimas, cujas construções de pedra e taipa com janelas e açoteias à maneira ibérica se alinham em ruas regulares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim nasceram e se desenvolveram Mogadíscio, Melinde, Mombaça, Quíloa, Angoxa, Sofala, etc. Neste circuito participarão persas (presença atestada por louças e vidros do Levante), chineses (encontrou-se também louça e porcelana chinesa dos séculos XIII e XV), árabes e portugueses. Nestes lugares, onde se realizavam outras tantas feiras prósperas, as naus e zambucos dos mercadores do Índico (árabes, na sua grande parte) traziam nos seus porões os panos de algodão de Cambaia, as contas de vidro e as louças do mar Vermelho, Guzerate ou China, levando, em troca, o ouro, os dentes de elefante ou os escravos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;.:: Infopédia&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23280462944009230-4621462863590262986?l=civilizacoesafricanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/feeds/4621462863590262986/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/08/o-ouro-da-africa-oriental.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/4621462863590262986'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/4621462863590262986'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/08/o-ouro-da-africa-oriental.html' title='&lt;strong&gt;O Ouro da África Oriental&lt;/strong&gt;'/><author><name>Valter Pitta</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TB6681d_coI/AAAAAAAAFY8/KIKFPlkCX0I/S220/C%C3%B3pia+de+hgghgd.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/THryUaLo93I/AAAAAAAAF6I/z0U1HLAx-JY/s72-c/Cruzado+de+1755+para+a+%C3%81frica+Oriental.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23280462944009230.post-2940574909407261357</id><published>2010-08-26T23:06:00.008-03:00</published><updated>2010-08-29T21:28:22.088-03:00</updated><title type='text'>Luanda é nossa</title><content type='html'>&lt;em&gt;Os soldados brasileiros foram os primeiros da América a cruzar o Atlântico para guerrear no Velho Mundo. A missão era expulsar &lt;br /&gt;os holandeses de Angola e restabelecer o tráfico de escravos&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/THceN78NYJI/AAAAAAAAF54/UIBRx4Z5VIg/s1600/Salvador+Correia+de+S%C3%A1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5509905893888450706" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 304px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/THceN78NYJI/AAAAAAAAF54/UIBRx4Z5VIg/s400/Salvador+Correia+de+S%C3%A1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Salvador de Sá, foi o principal &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;responsável &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;pela retomada de Luanda, em 1648.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Já fazia quase cinco anos que os senhores de terra olhavam pelas janelas de seus casarões esperando por dias melhores. O problema era, de fato, preocupante: faltavam braços negros para tocar os engenhos de cana-de-açúcar, o motor da economia da colônia nos idos de 1600. A penúria arrastava-se desde 25 de agosto de 1641, quando os holandeses invadiram Luanda, capital da Angola, e passaram a controlar o tráfico de escravos para o Brasil. A única capitania que não sofria com a escassez de mão-de-obra era Pernambuco, então governada pelo holandês Maurício de Nassau. Com a situação cada vez pior, os governantes locais, apoiados pela coroa portuguesa, decidiram tomar uma atitude. Foi então que pela primeira vez na história do Novo Mundo soldados cruzaram o Oceano Atlântico para guerrear no Velho Mundo. “O rei D. João IV autorizou as expedições, mas não forneceu tropas ou munição, já que o combalido reino estava em guerra com a Espanha”, diz o professor de História do Brasil na Universidade de Sorbonne, na França, Luiz Felipe de Alencastro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A soldadesca tupiniquim zarpou do Rio de Janeiro no dia 8 de maio de 1645. No comando da expedição, estava o governador fluminense Francisco de Souto Maior, destituído do cargo pela coroa para encabeçar a briga na Angola. A tropa de Souto Maior, formada por algumas dezenas de índios e 300 soldados, viajou em cinco navios. Ao mesmo tempo, da Bahia, saíram mais três navios, com uma tripulação de 200 soldados, que incluíam 32 mosqueteiros. “Os baianos foram treinados pelo líder negro pernambucano Henrique Dias, um grande guerreiro”, diz Alencastro. A idéia do ex-governador do Rio era reunir todos os combatentes brasileiros na costa africana e partir para a guerra da reconquista de Luanda, uma bela cidade com 5 mil casas de alvenaria e um excepcional mercado de escravos. Souto maior só não sabia quem esperava sua turma do outro lado do Atlântico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tropa baiana, liderada pelo sargento-mor Domingos Lopes Siqueira, foi a primeira a encarar a recepção africana. Ao desembarcar na enseada de Quicombo, a coluna caiu nas mãos dos jagas, tribo canibal aliada dos holandeses. Só sobraram quatro soldados. Armados de machadinhas, os jagas esquartejaram os invasores e fizeram um banquete, devorando quase duas centenas de brasileiros. Souto Maior não teve melhor sorte. Assim que pisou em solo angolano, ele organizou uma ofensiva, mas acabou morto em maio de 1646. Foi envenenado pelos jagas. Mesmo com o fiasco dessa primeira campanha, os brasileiros conseguiram trazer para o Rio dois mil escravos, o que deu novo alento para os donos de engenho, que se entusiasmaram com uma nova expedição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois anos depois, os brasileiros já estavam de novo no mar, rumo a Luanda. A expedição, capitaneada pelo novo governador do Rio, Salvador de Sá, deixou a Baía de Guanabara no dia 12 de maio de 1648. Para conseguir recrutar soldados, Salvador de Sá apelou para o apoio divino. Os jesuítas pregaram colônia afora a expulsão dos “hereges calvinistas”. A força-tarefa reuniu oficialmente 1200 homens a bordo de onze naus e quatro pequenas embarcações. “O padre Antônio Vieira, contrário ao conflito, dava conta que o número de soldados passava de dois mil, acusando o governante de deixar o Rio de Janeiro sem defesas”, diz Alencastro. Já o historiador Charles Ralph Boxer documentou entre 1400 e 1500 homens em seu livro Salvador de Sá e a Luta pelo Brasil e Angola . Ou seja, ninguém sabe quantos homens participaram da segunda expedição. Só se tem certeza que não havia índios e que a tropa contava com combatentes de capitanias do nordeste, além de fluminenses, angolanos refugiados e portugueses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A travessia não foi um passeio. Pairava no ar a ameaça de ataque da armada holandesa, comandada pelo almirante Witte de With. E o tempo também não ajudou. Duas naus, a Gamela e a Canoa, tiveram de retornar ao Rio de Janeiro devido a avarias causadas por tempestades, e duas outras embarcações e o galeão São Luis diversas vezes se distanciaram da frota. Quando avistou a costa da África, Salvador de Sá contava com 11 dos 15 navios de sua esquadra. Seu primeiro plano era atacar Benguela, mas ancorou em Quicombo no dia 27 de julho. Enquanto a tripulação preparava-se para o desembarque, uma tragédia anunciou os tempos difíceis que viriam pela frente: uma onda gigante afundou o São Luís. De acordo com cartas náuticas da época, o navio “se fez pedaços pouco depois da meia-noite, levando consigo mais de duzentos soldados, entre os melhores da expedição”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem tempo para choro ou velas, Salvador de Sá rumou para Luanda. Na foz do rio Maçangano, uma pequena comitiva desembarcou para avisar os portugueses refugiados no interior do país da chegada de reforços. Mais um contratempo, no entanto, atravessou o caminho dos brasileiros. Nativos aliados dos inimigos aprisionaram os soldados e os levaram para um posto holandês no Forte Mols, na foz do rio Cuanza. O trunfo de Salvador de Sá, o elemento surpresa, foi enterrado aí. Ele, no entanto, continuou a empreitada. A esquadra do Brasil aproximou-se da capital angolana no dia 12 de agosto. Ao contrário do esperado, apenas dois navios guardavam o porto, o Noort-Holland e o Ouden Eendracht, que fugiram para alto-mar. Dois pescadores negros capturados no porto contaram que uma tropa comandada pelo holandês Symon Pieterszoon estava com os jagas combatendo os portugueses em Maçangano. Melhor para Salvador de Sá, que entrou em uma Luanda desguarnecida, com apenas 250 holandeses vigiando o Forte do Morro e o Forte da Guia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confiante, Salvador de Sá chegou botando banca. Enviou três emissários para negociar a rendição. Como os holandeses não hastearam a bandeira branca, o governador colocou seus 800 soldados – e mais 200 marinheiros para fazer número – em fila na praia. Os inimigos chamaram os brasileiros para a briga, disparando tiros de canhão. Salvador de Sá e sua tropa, então, se refugiaram na entrada da cidade. E fizeram uma missa campal. No alvorecer do dia 16, Salvador de Sá ordenou um avanço contra o Forte do Morro. Os canhões usados eram de pequeno calibre e não causaram grandes danos, apesar do forte do Morro ser de terra batida. Os holandeses ofereceram fraca resistência, aguardando os reforços de Pieterszoon.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na madrugada do dia 17, Salvador de Sá iniciou mais uma batalha. Enquanto os navios faziam manobras para fingir um ataque por mar, três colunas de soldados subiram em direção aos fortes do Morro e da Guia. Segundo relatos dos padres Antônio do Couto e Simão de Vasconcellos, o avanço das colunas era para ser simultâneo, o que não ocorreu. Uma coluna, por percorrer um caminho menor, chegou primeiro. Já os holandeses concentraram-se em ataques independentes e sucessivos. Espertos, eles lançavam primeiro foguetes e tochas para visualizar os invasores e, depois, investiam com mosquete e canhões. Quando o sol raiou, 150 dos 400 brasileiros que participaram da empreitada estavam mortos. Do lado holandês, apenas três mortos e oito feridos. Os holandeses, no entanto, tiveram um grave prejuízo. Perderam canhões, destruídos pela artilharia brasileira, e carretas que possibilitavam o transporte das pesadas armas de um lado para o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para espanto dos brasileiros, não houve batalha final. Abalados com a perda das armas, os capitães holandeses Cornelis Ouman e Adriaen Lens pediram paz. Na negociação, exigiram só uma rendição digna. Ficou acertado que deixariam Luanda e os postos avançados de Cuanza e Benguela levando na bagagem os escravos de propriedade da Companhia Holandesa. Quando Pieterszoon retornou à capital, não gostou do que viu. Mas fingiu aceitar os termos dos brasileiros. Foi embora deixando os jagas armados até os dentes para oferecer resistência aos colonizadores. Consolidada a vitória em Luanda, a tropa partiu para a conquista dos rincões angolanos. Os líderes eram três jesuítas: Antônio do Couto, Gonçalo João e Felipe Franco. Os religiosos convenceram alguns sobas (chefes) a ajudarem na travessia do país em direção a Maçangano, onde espantaram os jagas e os nativos do rei do Congo, que sitiavam os portugueses. Daí para frente, os brasileiros venceram todas as resistências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vitória foi comemorada em grande estilo. Salvador de Sá assumiu o governo da Angola e rebatizou o Forte do Morro de Forte de São Miguel, em homenagem ao patrono da expedição brasileira. Já a cidade de São Paulo de Luanda virou São Paulo da Assunção, em honra a Nossa Senhora da Assunção. E os tumbeiros (navios negreiros) embarcaram em direção ao Brasil com sete mil escravos apinhados nos porões. Estava restabelecido assim o tráfico de escravos. O reinado africano de Salvador de Sá acabou em 1652. Depois dele, o Brasil voltou a enviar tropas a Luanda pelo menos em seis ocasiões, principalmente nos governos de João Fernandes Vieira e André Vidal Negreiros, que atuaram ferozmente na captura de mão- de-obra. A última expedição brasileira à Angola foi em 1671 – 200 mulatos nordestinos participaram da batalha conhecida como Pungo Adungo. Quando saiu de vez do território angolano, o Brasil deixou muito bem estabelecido por lá um forte comércio de fumo e cachaça, que conquistou os traficantes de escravos até a sua proibição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Protagonistas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Em terras angolanas, eles lideraram a briga pela posse dos negros&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Perna-de-Pau&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Cornelis Pieter Jols, conhecido como Perna-de-Pau, comandou a frota de 19 navios de guerra da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, que invadiu Luanda em 1641. Além de dois mil soldados e 900 marinheiros, ele contou com 200 índios potiguares, embarcados em Recife. Para afugentar o governador angolano Pedro César de Menezes, Perna-de-Pau teve sorte. No caminho, aprisionou um capitão espanhol inimigo dos portugueses que indicou uma passagem no porto, livre do alcance dos canhões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Rainha Jinga&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Soberana do reino de Matamba, no leste de Angola, Jinga comandava uma horda de guerreiros canibais, chamados jagas, habilidosos na luta com machadinhas. Teve vida longa, de 1581 a 1663. A rainha era conhecida pela luxúria e perversidade. Possuía um harém de homens, dispostos a morrer por ela. Seus súditos, os jagas, viviam do roubo, vitimando diversas tribos. Quase no fim de sua vida, Jinga acabou convertida ao catolicismo pelo frei napolitano Antônio da Gaeta, capuchinho de São Salvador do Congo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Salvador de Sá&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Governador do Rio de Janeiro em diferentes períodos, Salvador Correia de Sá e Benevides foi o principal responsável pela retomada de Luanda, em 1648. Ele conseguiu apoio do rei D. João IV para dar o troco nas escaramuças produzidas pelos holandeses nas colônias do Atlântico Sul. Na África ganhou o nome de Nfumu-Etú-Lálânâ – Nosso Senhor Salvador – e foi o pior inimigo da rainha Jinga. Tomou dela muitos escravos sem nunca devolver a princesa dos jagas, Cambo, mantida como refém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Kimpako&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;D. Garcia Afonso II – ou Kimpako na língua bacongo – foi o rei do Congo do ano de 1641 a 1663. Até 1648, ele manteve forte aliança com os holandeses, que colaboravam na sua luta contra um de seus vassalos e pior inimigo, o Conde de Soyo. Convertido ao cristianismo, o soberano congolês era católico fervoroso e abrigava em sua capital, São Salvador do Congo, frades capuchinhos contrários à escravidão. Kimpako negociou a paz com o novo governador de Angola, Salvador de Sá, após a expulsão dos holandeses de Luanda, mas só foi perdoado pelo rei de Portugal, D. João IV, depois de apelar para a intervenção do papa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;João Fernandes Vieira&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Grande proprietário de engenhos de cana-de-açúcar na Paraíba e comandante da resistência aos holandeses na Insurreição Pernambucana, ele governou Angola entre 1651 e 1658. Vieira iniciou a série de expedições de mulatos nordestinos que espalharam o terror na África Central, queimando plantações dos nativos e escravizando angolanos e congoleses, inclusive de tribos aliadas dos portugueses. Acabou excomungado pelos jesuítas por denunciar a imensa quantidade de escravos que a Igreja mantinha em cativeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;André Vidal de Negreiros&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Herói da Insurreição Pernambucana, a guerra contra a ocupação holandesa no Brasil, ele ganhou como prêmio o governo de Angola. Ficou no poder entre 1661 e 1666 e comprou briga com o novo rei do Congo, D. Antônio Afonso, chamado na língua bacongo de Mani Mulaza. A rixa entre os dois aconteceu na Batalha de Ambuíla (1665), quando os mulatos de Negreiros resistiram com espingardas e debaixo de chuva a milhares de arqueiros de Mani Mulaza. Mesmo com muitas glórias, Negreiros foi afastado do governo de Angola justamente por romper a paz com o Congo, conquistada logo após a retomada de Luanda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tempos bárbaros&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Negros eram trocados por fumo e cachaça&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para conseguir escravos, os exploradores luso-brasileiros não mediam esforços. Valia tudo, desde a guerra de captura até o pagamento de tributos. Um dos jeitos mais comuns para amealhar a valiosa mão-de-obra era trocar mercadorias de origem portuguesa (vinho, pólvora e sal-gema) ou brasileira (fumo, cachaça e farinha de mandioca) por negros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos tempos de paz, os agenciadores de escravos, os pumbeiros, vasculhavam o sertão angolano comprando os prisioneiros de tribos rivais. Nas idas e vindas ao interior, levavam 150 escravos para carregar as mercadorias usadas como pagamento. Demoravam cerca de um ou dois anos nas jornadas e voltavam com filas de 500 a 600 “peças”. Já nas guerras de captura, os capitães partiam acompanhados por centenas de soldados europeus, mulatos brasileiros ou mesmo angolanos. Enfrentavam as tribos e escravizavam os homens capturados. Em Luanda, os cativos ficavam em grandes barracões, esperando o embarque. Quando os navios demoravam para transportar a “carga”, os escravos acabavam aproveitados na plantação e cultivo da mandioca local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os jesuítas, que possuíam numerosos escravos em Luanda, tinham um importante papel durante essa estadia, catequizando as almas. Antes de embarcar, todos os escravos eram batizados com nomes bíblicos, recebendo a nova alcunha por escrito em um papel. Eram orientados a esquecer os costumes de sua terra e a serem felizes na nova fé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;.:: Aventuras na História&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;u&gt;&lt;strong&gt;Leia também!&lt;/u&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/05/africa-portuguesa.html"&gt;► A África Portuguesa&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/08/o-ouro-da-africa-oriental.html"&gt;► O Ouro da África Oriental&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/06/o-reino-do-congo-em-finais-do-seculo-xv.html"&gt;► O Reino do Congo em &lt;br /&gt;finais do século XV&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23280462944009230-2940574909407261357?l=civilizacoesafricanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/feeds/2940574909407261357/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/08/luanda-e-nossa.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/2940574909407261357'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/2940574909407261357'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/08/luanda-e-nossa.html' title='&lt;strong&gt;Luanda é nossa&lt;/strong&gt;'/><author><name>Valter Pitta</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TB6681d_coI/AAAAAAAAFY8/KIKFPlkCX0I/S220/C%C3%B3pia+de+hgghgd.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/THceN78NYJI/AAAAAAAAF54/UIBRx4Z5VIg/s72-c/Salvador+Correia+de+S%C3%A1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23280462944009230.post-1811153368477611753</id><published>2010-08-24T20:17:00.011-03:00</published><updated>2010-08-26T23:31:55.048-03:00</updated><title type='text'>As belezas da Ilha do Sal</title><content type='html'>&lt;em&gt;Pouca gente já escutou falar da ilha do Sal, uma porção árida de terra em Cabo Verde. Pertencente à África, mas com ares europeus, o destino tem uma vantagem para brasileiros: a língua oficial é o português. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/THRTbnGaxZI/AAAAAAAAF5A/uIDjG6Mm65U/s1600/Ilha+do+Sal.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5509119977998435730" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/THRTbnGaxZI/AAAAAAAAF5A/uIDjG6Mm65U/s400/Ilha+do+Sal.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;História&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ilha deve seu nome à descoberta de uma mina de sal mineral na localidade de Pedra de Lume, em 1833. O seu povoamento iniciou-se no século XIX, tendo pertencido ao concelho da Boavista até 1935. A ilha, praticamente deserta, só começou a ter atividade econômica expressiva com a exploração das suas salinas, tornando-se exportadora de sal até meados de 1980.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o objetivo de constituir um ponto de escala para os vôos com destino à América do Sul, em 1939 surgiu na ilha plana, por iniciativa italiana, o "Aeródromo Internacional da Ilha do Sal", projetado pelo Engenheiro Raul Pires Ferreira Chaves. O desenvolvimento da ilha, possibilitado a partir dos anos 30 por um engenhoso incremento na captação de água doce, da responsabilidade do mesmo engenheiro, determinou a migração interna, sobretudo de S. Nicolau para a ilha do Sal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/THRT_iPASMI/AAAAAAAAF5I/d3TcMdv_CH4/s1600/ilha_sal.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5509120595167561922" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 259px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/THRT_iPASMI/AAAAAAAAF5I/d3TcMdv_CH4/s400/ilha_sal.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ilha do Sal, Cabo Verde.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Considerada a ilha mais "jovem" do país, a sua população tem uma média etária muito baixa e encontra-se na fase de formação da própria identidade. O seu desenvolvimento iniciou-se com a grande procura de mão-de-obra para as salinas mas o seu apogeu só viria a ter lugar nos nossos dias com a construção do Aeroporto Internacional, a maior porta de entrada e saída de Cabo Verde por via aérea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Aeroporto Internacional Amílcar Cabral possibilita a exploração de modernos complexos turísticos, que nos últimos 20 anos se vêm instalando principalmente na vila de Santa Maria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Turismo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilha de uma beleza rara onde o mar turquesa e as areias douradas se sobrepõem a uma natureza árida e estéril, é na ponta sul que encontramos a sua maior dádiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/THRUfTQKutI/AAAAAAAAF5Q/nRiR2nulhik/s1600/Praia+de+Santa+Maria.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5509121140901722834" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 316px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/THRUfTQKutI/AAAAAAAAF5Q/nRiR2nulhik/s400/Praia+de+Santa+Maria.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Praia de Santa Maria.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Na vila de Santa Maria, a praia do mesmo nome é a mais conhecida e explorada turisticamente no arquipélago. Com 8 Kms de extensão, com as suas areias douradas e águas de temperaturas quentes todo o ano, alberga as maiores e melhores unidades hoteleiras do país. O vento, as águas azuis e o sorriso da população são constantes. Ao longo dos anos tem vindo a transformar-se cada vez mais num destino turístico bastante apreciado no mundo inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é só a praia de areais brancas com quase oito quilômetros que a cidade exibe como cartão-postal o grande chamariz. A produção de sal é hoje uma atração para estrangeiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/THRVHTrutqI/AAAAAAAAF5Y/jSMFsOTtTqk/s1600/Salinas+de+Pedra+de+Lume..jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5509121828212094626" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 275px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/THRVHTrutqI/AAAAAAAAF5Y/jSMFsOTtTqk/s400/Salinas+de+Pedra+de+Lume..jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Salinas de Pedra de Lume.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Encravadas na cratera de um vulcão extinto, as salinas de Pedra de Lume são um lugar único. Lá é possível entrar em águas quase vinte vezes mais salgadas que a do mar. A sensação é a mesma do mar Morto, no Oriente Médio: é impossível afundar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Absolutamente divinais e recomendáveis são também os jantares nos restaurantes assentes em plena praia onde o ambiente caboverdiano é exaltado pelos conjuntos musicais que nos embalam no saborear da gastronomia típica, ao mesmo tempo que sentimos os leves sussurros das ondas do mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma prática corrente no Sal são as expedições todo-terreno para as quais o relevo desta ilha oferece aventuras constantes. Uma delas é a visita, na costa norte da ilha, a um misterioso buraco que se afunda rocha adentro e que somente numa determinada hora do dia, e por causa do grau de incidência dos raios solares, deixa ver o fundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/THRVr2aRfFI/AAAAAAAAF5g/pQWGY-1qCy8/s1600/Uma+das+piscinas+naturais+da+Ilha+do+Sal..jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5509122456009407570" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/THRVr2aRfFI/AAAAAAAAF5g/pQWGY-1qCy8/s400/Uma+das+piscinas+naturais+da+Ilha+do+Sal..jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Uma das piscinas naturais da Ilha do Sal.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;De seu nome Buracona, constitui um bom exemplo de como as águas que banham todo o arquipélago são isentas de qualquer poluição pois o que se avista lá em baixo é água pura devolvendo a luz do sol. Mesmo ao seu lado encontram-se piscinas naturais formadas por algumas concavidades maiores nas rochas e pela rebentação das ondas que as vão enchendo. Não oferecendo perigo algum para quem lá queira mergulhar, é um ótimo local para se passarem momentos diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre este local e a Praia de Santa Maria, a 2 km do aeroporto, situa-se a vila de Espargos, o principal centro urbano da ilha, que tem como guardião o Morro do Coral, do qual se pode admirar o morro de Pedra de Lume, escondendo a salina, e Palmeira, pequena vila piscatória onde se encontra o porto marítimo do Sal e um emblemático viveiro de lagostas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem gosta do mundo submerso também tem sua vez no Sal. Próximo a Santa Maria, a apenas alguns minutos da costa, estão navios naufragados que guardam muitos peixes, moréias e arraias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/THRWSUkDG7I/AAAAAAAAF5o/aRW5fj7QJfc/s1600/Competi%C3%A7%C3%A3o+de+Windsurf+na+praia+de+Ponta+Preta..jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5509123116938501042" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 375px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/THRWSUkDG7I/AAAAAAAAF5o/aRW5fj7QJfc/s400/Competi%C3%A7%C3%A3o+de+Windsurf+na+praia+de+Ponta+Preta..jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Competição de Windsurf na praia de Ponta Preta.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A prática dos mais diversos desportos náuticos é incentivada pelos hotéis que proporcionam aos turistas o necessário para o desfrute de tão boas condições. Os praticantes de windsurf, mergulho e pesca encontram aqui um autêntico paraíso onde é possível promover a organização de campeonatos, alguns de nível internacional, como é o caso do windsurf.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você vai perceber que muitas coisas no Sal trazem lembranças do Brasil. A discussão sobre futebol é corriqueira, assim como a cervejinha no final do dia. Já os sabores são um pouco diferentes. Não perca os mariscos, a lagosta, as caldeiras de peixe e a catchupa, uma tradicional mistura de carnes, milho, feijão, couve e batata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fontes:&lt;/strong&gt; UOL Viagem / Wikipédia / Morabitur Viagens e Turismo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;u&gt;&lt;strong&gt;Leia também!&lt;/u&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/07/as-fortalezas-marroquinas-de-ouarzazate.html"&gt;► As fortalezas marroquinas de Ouarzazate&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/07/galeria-de-arte-no-coracao-do-saara.html"&gt;► Galeria de arte no coração do Saara&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/07/antiguidade-greco-romana-deixou-marcas.html"&gt;► Antigüidade greco-romana deixou marcas na Líbia &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/05/belezas-da-africa-das-cataratas-aos.html"&gt;► Belezas da África: das cataratas aos safáris &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/06/dobrando-o-cabo-da-boa-esperanca.html"&gt;► Dobrando o Cabo da Boa Esperança&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23280462944009230-1811153368477611753?l=civilizacoesafricanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/feeds/1811153368477611753/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/08/as-belezas-da-ilha-do-sal.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/1811153368477611753'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/1811153368477611753'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/08/as-belezas-da-ilha-do-sal.html' title='&lt;strong&gt;As belezas da Ilha do Sal&lt;/strong&gt;'/><author><name>Valter Pitta</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TB6681d_coI/AAAAAAAAFY8/KIKFPlkCX0I/S220/C%C3%B3pia+de+hgghgd.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/THRTbnGaxZI/AAAAAAAAF5A/uIDjG6Mm65U/s72-c/Ilha+do+Sal.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23280462944009230.post-5585606538496966260</id><published>2010-08-15T21:57:00.008-03:00</published><updated>2010-08-24T20:44:51.744-03:00</updated><title type='text'>Agudás, um pedaço do Brasil no Benin</title><content type='html'>Eles não falam português, mas quando estão juntos trocam o bonjour  (francês é a língua oficial do Benin) por bom dia. Nos dias de festa, cantam músicas em português. Ao receberem convidados em casa, preparam o que chamam de feijoadá ou kousido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TGiNHkIqmGI/AAAAAAAAF00/G05nu2CxI9M/s1600/030220_novaagudas300.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 300px; height: 180px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TGiNHkIqmGI/AAAAAAAAF00/G05nu2CxI9M/s400/030220_novaagudas300.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5505805705559054434" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Representando entre 5% e 10% da população do Benin, um minúsculo país da costa ocidental africana, os agudás, descendentes de escravos ou comerciantes baianos que emigraram para o Golfo do Benin no século 18, guardam ainda, com muito orgulho, traços que os ligam ao Brasil, terra de seus ancestrais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Nós somos muito orgulhosos por termos a cultura brasileira no Benin. O que guardamos dos nossos antepassados, nós mostramos todos os dias. Nós mantemos os costumes nas roupas, na comida e também no samba, através da burrinha", explica o jornalista agudá Christian de Souza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os traços, no entanto, estão ligados ao Brasil colonial. Na dança e na música, tocam burrinha, uma forma arcaica de bumba-meu-boi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Escrava Isaura&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TGiNqwEbG6I/AAAAAAAAF08/3WlGNV-kU3Y/s1600/Agud%C3%A1s+usam+trajes+especiais+nos+dias+de+festa.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 150px; height: 180px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TGiNqwEbG6I/AAAAAAAAF08/3WlGNV-kU3Y/s400/Agud%C3%A1s+usam+trajes+especiais+nos+dias+de+festa.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5505806310057909154" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;center&gt;Agudás usam trajes especiais nos dias de festa.&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;As roupas usadas nas festas parecem tiradas de uma novela ambientada no século 18. Aliás, a novela "Escrava Isaura", transmitida no país, serviu como fonte de atualização do figurino agudá usado em ocasiões especiais, como na missa anual da Irmandade Brasileira de Nosso Senhor do Bonfim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que, até então, os descendentes de brasileiros só tinham na memória as roupas usadas por seus avós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os agudás mais conhecidos no Benin, estão os integrantes da família Souza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo começou quando Francisco Félix de Souza, um comerciante de escravos de Salvador, se transferiu para o Benin, levando com ele um grupo de escravos libertos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Souza, que recebeu o título de Chachá, conseguiu grande destaque no comércio de envio de escravos para o Brasil e, devido às suas ligações com o rei da região de Abomé (reino), da qual a cidade de Uidá faz parte, acabou recebendo o título de vice-rei da Uidá, dinastia que os Souza mantêm até hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Chachá VIII&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O último descendente do primeiro vice-rei de Uidá foi empossado em 1995, após a morte de Jérôme Anastácio de Souza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mitô Honorê Feliciano de Souza, o Chachá 8º, diz que, desde que chegou ao trono, vem tentando aumentar as ligações entre o Brasil e o Benin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chachá diz que os agudás torcem pelo Brasil na Copa do Mundo. E, como prova disso, fez questão de vestir sua camisa 11 da seleção e de se enrolar na bandeira brasileira, ritual que cumpre à risca em dias de jogos do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com levantamento feito pelo antropólogo e fotógrafo brasileiro Milton Guran, autor do livro Agudás, os brasileiros do Benin, há cerca de 400 sobrenomes luso-brasileiros hoje em dia no país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São Silvas, Souzas, Freitas, Domingos, entre outros, vivendo em sua grande maioria no sul do país, em cidades como Porto Novo, Uidá e Cotonou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, segundo Milton, esse número de descendentes pode ser ainda maior, já que muitas mulheres perdem o sobrenome quando se casam, e os filhos recebem o sobrenome do pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;.:: &lt;a href="http://www.bbc.co.uk"&gt;BBC Brasil.com&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;u&gt;&lt;strong&gt;Leia também!&lt;/u&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/04/liberia-um-sonho-americano.html"&gt;► Libéria: um sonho americano&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/01/os-retornados.html"&gt;► Os Retornados&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23280462944009230-5585606538496966260?l=civilizacoesafricanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/feeds/5585606538496966260/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/08/agudas-um-pedaco-do-brasil-no-benin.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/5585606538496966260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/5585606538496966260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/08/agudas-um-pedaco-do-brasil-no-benin.html' title='&lt;strong&gt;Agudás, um pedaço do Brasil no Benin&lt;/strong&gt;'/><author><name>Valter Pitta</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TB6681d_coI/AAAAAAAAFY8/KIKFPlkCX0I/S220/C%C3%B3pia+de+hgghgd.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TGiNHkIqmGI/AAAAAAAAF00/G05nu2CxI9M/s72-c/030220_novaagudas300.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23280462944009230.post-7965912034857969040</id><published>2010-07-30T14:43:00.018-03:00</published><updated>2010-08-16T13:49:17.754-03:00</updated><title type='text'>Galeria de arte no coração do Saara</title><content type='html'>&lt;em&gt;No sudeste do Deserto do Saara encontra-se um dos maiores acervos mundiais de arte rupestre. Desenvolvido pelas populações locais ao longo de sete milênios, essa arte testemunha a grande mudança climática ocorrida na região&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TFMPxP--2dI/AAAAAAAAFsU/fneJYaGLi_o/s1600/Imagem+1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5499756908728211922" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 275px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TFMPxP--2dI/AAAAAAAAFsU/fneJYaGLi_o/s400/Imagem+1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teremos descoberto a Atlântida enterrada?”, escreveu cheio de entusiasmo Henri Lhote em seu caderno de notas, em 1933. Ao tomar conhecimento do conteúdo do relatório de uma patrulha do exército francês na bacia do “oued” (curso d’água) Djerat, esse explorador e etnólogo francês correu para o sudeste do Saara argelino. O que deveria ser uma simples visita científica se converteu logo numa longa exploração arqueológica que durou 18 meses. O que Lhote descobriu nas montanhas de Tassili-n-Ajjer superou todas as suas expectativas: as paredes rochosas desse desfiladeiro de 30 quilômetros de extensão estavam literalmente cobertas de inscrições e, sobretudo, de pinturas rupestres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TFMQVa-UXDI/AAAAAAAAFsc/z_M93rrH5GU/s1600/Imagem+2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5499757530153507890" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 278px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TFMQVa-UXDI/AAAAAAAAFsc/z_M93rrH5GU/s400/Imagem+2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas pinturas dão testemunho de um mundo único. Nelas, girafas, elefantes, antílopes, leões, bovídeos e cavalos narram a vida dos caçadores e dos pastores de outrora. Tais imagens documentam um Saara verdejante, cheio de vida animal e humana, antes que uma mudança radical do clima na região pusesse fim a um período de abundância sobre esse planalto de 700 quilômetros de extensão por 100 quilômetros de largura. É simplesmente impressionante o contraste entre o que se observa nessas pinturas e a paisagem de deserto árido na qual a região se tornou desde então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TFMQ-XpdSLI/AAAAAAAAFsk/Ee-U7vTzOko/s1600/Imagem+3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5499758233635342514" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 266px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TFMQ-XpdSLI/AAAAAAAAFsk/Ee-U7vTzOko/s400/Imagem+3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Pintura rupestre do período das “cabeças redondas” &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;e &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;pintura pertencente ao período “dos bovídeos”.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Lhote identificou quatro estilos sucessivos na execução dessas pinturas e inscrições, cujas datações e características foram depois aperfeiçoadas por outros especialistas. O primeiro período é o das “cabeças redondas”, caracterizado por desenhos inteiramente cor violeta de seres humanos nus, sem diferenciação de sexo. Após a descoberta de tons ocres, as pinturas se tornam mais detalhadas: já é possível distinguir-se a musculatura das pernas e dos braços. Pinturas e inscrições de animais como o búfalo gigante, já extinto, também se encontram entre esses primeiros trabalhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TFMRzidVJjI/AAAAAAAAFss/Erh7ucTIT7c/s1600/Imagem+4.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5499759147070334514" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 264px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TFMRzidVJjI/AAAAAAAAFss/Erh7ucTIT7c/s400/Imagem+4.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;As formações geológicas do Parque Nacional &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Tassili-n-Ajjer&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;são &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;de &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;uma beleza impressionante,&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; com suas &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;imponentes&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;montanhas &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;de arenito &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;compondo verdadeiras “florestas” rochosas.&lt;/span&gt; &lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TFMS02JPbbI/AAAAAAAAFs0/NsfKrGmXVKY/s1600/Imagem+5.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5499760269046279602" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 314px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TFMS02JPbbI/AAAAAAAAFs0/NsfKrGmXVKY/s400/Imagem+5.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Beduínos contemporâneos e seus &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;dromedários&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; descansam &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;em&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; pleno &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;deserto&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; esculpido por rochas do Tassili.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;As primeiras populações de pastores sedentários do Tassili descobriram então novas cores. A mistura do vermelho e do branco com o ocre, já conhecido, possibilitou uma vasta paleta de nuances, do amarelo claro ao chocolate. Já as pinturas do “período dos bovídeos” correspondem à chegada de bovinos à África do Norte, ao redor de 4500 a.C., e que durou até meados do terceiro milênio antes de Cristo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa fase, as proporções da pessoa representada são bem exageradas: parece que o importante era o tamanho, e não a beleza. Ao mesmo tempo, homens e animais ganham em termos de realismo. Rebanhos e pastores parecem correr com a velocidade do vento. Perto dessas imagens, nas mesmas paredes de pedra, outras pinturas mostram homens que se banham nas águas de um rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O apaixonado Lhote&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante os 16 meses em que durou sua expedição ao Tassili, Henri Lhote não limitou seu trabalho a simples levantamentos do material encontrado na área. Indo muito mais além, ele classificou as pinturas, estabeleceu grupos e conjuntos com características bem definidas, procurou atribuir a eles um lugar no tempo. Nasceu assim a primeira classificação das pinturas do Saara central, da qual as linhas principais se ajustam perfeitamente às classificações de arte rupestre estabelecidas por outros estudiosos como Flamand e Monod.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os primeiros croquis das pinturas e inscrições rupestres do Tassili foram feitos, no fim da década de 1930, pelo tenente Brenans, eminente especialista em pré-história que acompanhou Lhote na região de Djanet. O sonho de ambos era tornar conhecidos no mundo os misteriosos desenhos do Tassili. Eles foram finalmente apresentados ao mundo científico no congresso de pré-história, realizado em Argel, em 1952.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1956, o Museu do Homem, de Paris, na França, chamou Lhote para dirigir uma grande campanha destinada a inventariar o acervo rupestre do Tassili. A descoberta desses desenhos constitui o acontecimento mais importante no setor das pesquisas sobre pré-história naquela época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A seguir, representações de cavalos mostram um progressivo desenvolvimento cultural dos habitantes do Tassili. É o “período dos cavalos”, que corresponde à introdução desses animais no norte da África, segundo atestam descobertas arqueológicas, em cerca de 2000 a.C.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, ao redor dos anos em que Jesus Cristo viveu, tem início no Tassili um “período dos camelos”, também correspondendo aos tempos em que esses animais (na verdade dromedários) surgiram na África do Norte. Pouco a pouco, os dromedários se tornam os animais de carga por excelência na região, ao mesmo tempo que, curiosamente, a pintura rupestre perde sua importância na vida das comunidades humanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TFMUF08NxSI/AAAAAAAAFs8/MrbU8yCS5kY/s1600/Imagem+6.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 204px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TFMUF08NxSI/AAAAAAAAFs8/MrbU8yCS5kY/s400/Imagem+6.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5499761660292613410" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Tassili, o período dos camelos assinala o retorno ao desenho rudimentar. As descrições de cenas do cotidiano tornam-se cada vez menos realistas. Ao mesmo tempo, as pinturas começam a apresentar outros elementos, tais como carruagens e escudos, além dos já citados dromedários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora próxima da Península Ibérica – onde também há abundância de arte rupestre primitiva –, acredita-se que essa arte na Argélia e sobretudo no Tassili se desenvolveu de forma independente dos estilos da Europa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto às pinturas do período das “cabeças redondas”, Lhote observou um importante paralelo estilístico com os desenhos da antigüidade egípcia. Ele descobriu inclusive seis desenhos de barcos de um modelo de uso corrente no Nilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Os pastores do Tassili mantinham uma relação com a civilização egípcia. Eles provavelmente vieram do leste e se fixaram aqui”, conclui o arqueólogo. Ao mesmo tempo, vários elementos de outros desenhos sugerem que parte dos habitantes do Tassili não era originária do Egito, e sim da África Negra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não descobrimos a Atlântida”, admitiu Lhote ao final de sua viagem, “mas aprendemos algo muito mais importante. Podemos provar que o Saara central é, desde o Neolítico, um dos mais importantes sítios de colonização da pré-história. Há muito tempo, o deserto estava recoberto por gigantescos prados verdejantes e povoado por numerosas civilizações que nos deixaram o testemunho de sua existência.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;.:: &lt;a href="http://www.terra.com.br/revistaplaneta"&gt;Revista Planeta&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23280462944009230-7965912034857969040?l=civilizacoesafricanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/feeds/7965912034857969040/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/07/galeria-de-arte-no-coracao-do-saara.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/7965912034857969040'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/7965912034857969040'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/07/galeria-de-arte-no-coracao-do-saara.html' title='&lt;strong&gt;Galeria de arte no coração do Saara&lt;/strong&gt;'/><author><name>Valter Pitta</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TB6681d_coI/AAAAAAAAFY8/KIKFPlkCX0I/S220/C%C3%B3pia+de+hgghgd.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TFMPxP--2dI/AAAAAAAAFsU/fneJYaGLi_o/s72-c/Imagem+1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23280462944009230.post-827890862454388479</id><published>2010-07-16T16:31:00.009-03:00</published><updated>2010-09-06T16:47:55.401-03:00</updated><title type='text'>A fé que corta montanhas</title><content type='html'>&lt;em&gt;Na desolada cidade de Lalibela, na Etiópia, 11 igrejas cristãs foram esculpidas na rocha há 800 anos. Fomos ao coração da África para contar esse verdadeiro mistério da fé, intacto até hoje&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TECz9cJtTLI/AAAAAAAAFoU/0RqAWzeiwco/s1600/A+entrada+de+uma+das+igrejas+de+Lalibela+que+ajudam+a+manter+o+cristianismo+na+Eti%C3%B3pia+j%C3%A1+h%C3%A1+oito+s%C3%A9culos.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5494589413502307506" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 390px; CURSOR: hand; HEIGHT: 270px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TECz9cJtTLI/AAAAAAAAFoU/0RqAWzeiwco/s400/A+entrada+de+uma+das+igrejas+de+Lalibela+que+ajudam+a+manter+o+cristianismo+na+Eti%C3%B3pia+j%C3%A1+h%C3%A1+oito+s%C3%A9culos.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A entrada de uma das igrejas de Lalibela que ajudam&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; a manter o cristianismo na Etiópia já há oito séculos.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Vista da janela do hotel, ao amanhecer, a cena parece medieval. Na encosta da montanha, as igrejas de Lalibela, na Etiópia, não se deixam ver. É possível distinguir apenas os peregrinos, vestidos de branco, lentamente subindo a ladeira para, de repente, desaparecerem no interior da rocha dura e escura. Tudo sem barulho, quase em câmera lenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As igrejas de Lalibela impressionam. Invisíveis ao viajante desatento, foram escavadas num maciço rochoso há 800 anos. Bem perto umas das outras, são interligadas por valas e túneis cortados fundo na montanha. Dedicado ao culto cristão ortodoxo, por séculos a religião oficial do país, o santuário reúne 11 templos, alguns com mais de uma nave e abóbadas de 10 metros de altura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A despeito de seu raríssimo conjunto arquitetônico, reconhecido pela Unesco como Patrimônio Histórico da Humanidade, Lalibela é um daqueles lugares de que poucos ouviram falar e menos ainda o conhecem. Por muito tempo permaneceu inacessível, a não ser aos peregrinos mais decididos. A cidade está numa área montanhosa, a 2 630 metros de altitude. Até recentemente, as estradas que levavam a Lalibela eram intransitáveis, a luz elétrica era desconhecida e ainda hoje não existe banco nem farmácia. O mundo, ali, anda em outro compasso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O calendário é o juliano, criado por Júlio César em 45 a.C. para unificar as datas na vastidão do Império Romano. A adoção do calendário gregoriano, em 1582, não chegou ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raro país da África nunca colonizado por metrópoles européias (a ocupação italiana durante a Segunda Guerra Mundial durou menos de dez anos), até a década de 70 a Etiópia era governada por reis e imperadores. Foi no século 12, durante o reinado do cristão copta Lalibela, de quem a cidade herdou o nome, que se ergueram suas igrejas. Diz a lenda, e diz também o guia que inevitavelmente acompanha o visitante morro acima e escada abaixo, que, antes de ser consagrado rei, Lalibela esteve exilado em Jerusalém, onde teria se deslumbrado com a beleza dos templos locais. E, assim segue a lenda, os anjos o ajudariam, anos depois, a esculpir sua adoração na rocha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pouco de história. A conexão entre o povo da Etiópia e o de Jerusalém é antiga. A dinastia dos imperadores etíopes, encerrada com Haile Selassie (1892-1975), era conhecida como salomônica. Eles acreditavam descender diretamente do rei Salomão. Existem mais de 30 referências à Etiópia no Velho Testamento. A bela rainha de Sabá, etíope, seduziu o rei Salomão em Jerusalém e de lá voltou grávida do futuro rei Menelik, um dos mais poderosos governantes da história do país africano. O mesmo Menelik que, em uma de suas visitas ao pai, o rei Salomão, decidiu levar a Arca da Aliança para... a Etiópia. Diz-se que ainda hoje a arca original está escondida em algum lugar por ali. Onde exatamente? Uma pegadinha clássica a turistas mediante o pagamento de pequena soma - que pode aumentar de acordo com a cara de palerma do aventureiro. Não diga que não avisamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando às igrejas submersas. No regresso de seu exílio, tendo se consagrado rei, Lalibela fez com que sua "Nova Jerusalém" fosse construída abaixo do nível do solo por pura estratégia. Assim, quando os mercadores muçulmanos aparecessem pela região à procura de novos escravos, os cristãos etíopes e seus templos tinham maior chance de passar desapercebidos - só quem caísse literalmente na armadilha, e com sorte se recuperasse do tombo, poderia encontrar o caminho para o esconderijo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As construções são peculiares. No começo eram trincheiras de 3 metros de largura por 10 metros de profundidade, escavadas em torno de um maciço de pedra. Numa das faces do bloco que surgia, uma porta era aberta e, a partir dela, as naves cresciam no interior da rocha. Grande volume de matéria vulcânica foi retirado, dando lugar a diferentes ambientes. Tudo é de pedra, claro, as paredes, o chão, as colunas e o teto sem emenda. É como se um daqueles castelos de areia feitos na Praia de Copacabana fosse levantado em tamanho natural para que um homem pudesse passear por dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao entrar no recinto, o visitante é convidado a tirar o sapato. Seja por causa da umidade, seja pelo excesso de tapetes que recobrem o chão ou pela falta de cuidado, o lugar é dominado por pulgas - se sua presença de espírito o tiver levado a guardar aquelas meias descartáveis distribuídas pela companhia aérea no vôo intercontinental, elas poderão ser usadas como proteção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada uma das 11 igrejas tem um monge encarregado dos serviços religiosos - Lalibela é ainda hoje um centro de peregrinação. Na parte oposta à entrada, sempre protegida por uma cortina desgastada pelo tempo, está a arca onde é guardada a cruz. Se o dia não é de movimento e o monge tiver boa vontade, ele poderá mostrá-la a você. Ela é de ouro, bem, talvez, e foi carregada pelo rei Lalibela durante as batalhas e celebrações que marcaram seu reinado de glória. Se a história do monge é verdadeira? Ninguém&lt;br /&gt;sabe ao certo, assim como até hoje nenhum arqueólogo desvendou o mistério da construção de suas igrejas - engenheiros estimam que pelos menos 40 mil homens teriam trabalhado freneticamente, dia e noite, durante anos a fio, para escavar os templos na rocha vulcânica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Lalibela, enquanto os fiéis entoam seus cânticos e os peregrinos perseguem sua história, o passado ainda não encontrou o presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fonte:&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://viajeaqui.abril.com.br"&gt;Revista Viagem&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23280462944009230-827890862454388479?l=civilizacoesafricanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/feeds/827890862454388479/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/07/fe-que-corta-montanhas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/827890862454388479'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/827890862454388479'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/07/fe-que-corta-montanhas.html' title='&lt;strong&gt;A fé que corta montanhas&lt;/strong&gt;'/><author><name>Valter Pitta</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TB6681d_coI/AAAAAAAAFY8/KIKFPlkCX0I/S220/C%C3%B3pia+de+hgghgd.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TECz9cJtTLI/AAAAAAAAFoU/0RqAWzeiwco/s72-c/A+entrada+de+uma+das+igrejas+de+Lalibela+que+ajudam+a+manter+o+cristianismo+na+Eti%C3%B3pia+j%C3%A1+h%C3%A1+oito+s%C3%A9culos.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23280462944009230.post-6074311888468664114</id><published>2010-07-14T16:49:00.011-03:00</published><updated>2010-07-16T17:36:07.718-03:00</updated><title type='text'>Antigüidade greco-romana deixou marcas na Líbia</title><content type='html'>&lt;em&gt;As cidades litorâneas do país norte-africano guardam ruínas milenares e impressionantes&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TD4Vs5OQI8I/AAAAAAAAFnM/rq2xXFHMsq8/s1600/Sabratha.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5493852456457610178" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TD4Vs5OQI8I/AAAAAAAAFnM/rq2xXFHMsq8/s400/Sabratha.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O litoral da Líbia é um dos maiores tesouros arqueológicos do mundo. Suas cidades costeiras ainda guardam as ruínas de impérios erguidos por fenícios, gregos e romanos milênios atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A posição estratégica do lugar foi decisiva para que ele fosse tão cobiçado: a África mediterrânea foi alvo do expansionismo de várias civilizações da Antigüidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cultura que fincou raízes na Líbia, entretanto, foi a árabe, durante o período de conquistas territoriais que esse povo viveu por volta do século 8. Como era de se esperar, a expansão também deixou atrações arqueológicas para trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TD4YlCGQVXI/AAAAAAAAFnU/kxWDRLb6yqs/s1600/Cidade+de+Leptis+Magna,+provavelmente+fundada+por+colonos+Fenicios+em+1100+a.C..jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5493855619935917426" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 278px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TD4YlCGQVXI/AAAAAAAAFnU/kxWDRLb6yqs/s400/Cidade+de+Leptis+Magna,+provavelmente+fundada+por+colonos+Fenicios+em+1100+a.C..jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Cidade de Leptis Magna, provavelmente &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;fundada&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; por colonos Fenícios em 1100 a.C.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Na parte oeste do litoral, as cidade de Sabratha, Leptis e Oea (ou Trípoli, a capital) remontam ao período de domínio fenício e romano. Mais para leste, podem ser encontradas as antigas cidades gregas de Shahat (Gorina), Sussa (Apolonia), Tolmitha (Ptolemias), Tukra (Tokhira) e Elmerj (Barqa).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Oeste romano &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TD4ZgnZtvLI/AAAAAAAAFnc/axRUFUhAyGk/s1600/Assai+al-Hamra.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5493856643561929906" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 318px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TD4ZgnZtvLI/AAAAAAAAFnc/axRUFUhAyGk/s400/Assai+al-Hamra.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Assai al-Hamra.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Uma vez na capital, o "castelo vermelho", ou Assai al-Hamra vale uma visita. Perto dali fica o museu Jamahiriya, que guarda peças arqueológicas encontradas no país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TD4Z9DmfkzI/AAAAAAAAFnk/5Ep4Y6Q3c9s/s1600/Sabratha+2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5493857132168057650" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TD4Z9DmfkzI/AAAAAAAAFnk/5Ep4Y6Q3c9s/s400/Sabratha+2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A cidade de Sabratha, localizada a cerca de 80 quilômetros&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; a &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;oeste de Trípoli, foi um grande entreposto comercial no passado.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Sabratha fica a oeste de Trípoli, a cerca de uma hora de viagem. A cidade foi fundada por fenícios um milênio antes do nascimento de Cristo. Suas ruínas incluem colunas de templos romanos, que se enfileiram e margeiam o mar azul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TD4a6ST3k8I/AAAAAAAAFns/mNDtFoyUZ-U/s1600/Hoje+menos+famosa+que+Cartago,+Leptis+Magna+tamb%C3%A9m.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5493858184088490946" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TD4a6ST3k8I/AAAAAAAAFns/mNDtFoyUZ-U/s400/Hoje+menos+famosa+que+Cartago,+Leptis+Magna+tamb%C3%A9m.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Hoje menos famosa que Cartago, Leptis Magna &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;também&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;detinha poder no Mediterraneo do século 4 a.C.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Junto de Sabratha, Leptis Magna é um dos principais destinos turísticos da Líbia, que está começando a ser descoberta pelos viajantes, depois de séculos fechada por motivos políticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os anos de relativo isolamento refletem a estrutura turística das cidades menos procuradas: as placas e sinalizações são quase todas escritas em árabe, a língua local. O ocidental desenrolado, entretanto, não vai passar aperto se pedir informações aos líbios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Leste grego &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TD4cy52WzxI/AAAAAAAAFn0/liN20kM5sHM/s1600/Shahat.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5493860256286428946" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 266px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TD4cy52WzxI/AAAAAAAAFn0/liN20kM5sHM/s400/Shahat.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ruínas de Shahat.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Shahat foi declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco e é considerada um dos mais belos vestígios da civilização helênica. A cidade possui templos dedicados a Zeus, Baco e Apolo, um maravilhoso teatro grego e exemplares dos banheiros públicos criados pelos romanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TD4dXtHtj6I/AAAAAAAAFn8/yazQPEUZBMM/s1600/Sussa.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5493860888524722082" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 267px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TD4dXtHtj6I/AAAAAAAAFn8/yazQPEUZBMM/s400/Sussa.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ruínas de Sussa (cidade também conhecida como Apolônia).&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;As ruínas de Sussa surpreendem os visitantes: uma parte delas está submersa pelo mediterrâneo. Há companhias de turismo que fazem passeios de barco pelo lugar e também acompanham mergulhadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fonte:&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://grupoviagem.uol.com.br"&gt;Grupo Viagem&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;u&gt;&lt;strong&gt;Leia também!&lt;/u&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=" http://imperioroma.blogspot.com/2010/05/leptis-magna-um-pedaco-de-roma-na.html"&gt;► Leptis Magna – um pedaço de Roma na África &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/07/as-fortalezas-marroquinas-de-ouarzazate.html"&gt;► As fortalezas marroquinas de Ouarzazate &lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23280462944009230-6074311888468664114?l=civilizacoesafricanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/feeds/6074311888468664114/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/07/antiguidade-greco-romana-deixou-marcas.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/6074311888468664114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/6074311888468664114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/07/antiguidade-greco-romana-deixou-marcas.html' title='&lt;strong&gt;Antigüidade greco-romana deixou marcas na Líbia&lt;/strong&gt;'/><author><name>Valter Pitta</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TB6681d_coI/AAAAAAAAFY8/KIKFPlkCX0I/S220/C%C3%B3pia+de+hgghgd.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TD4Vs5OQI8I/AAAAAAAAFnM/rq2xXFHMsq8/s72-c/Sabratha.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23280462944009230.post-8139401030826191143</id><published>2010-07-14T16:44:00.002-03:00</published><updated>2010-07-14T16:49:47.212-03:00</updated><title type='text'>A Núbia cristã - O Evangelho pelos caminhos do Nilo</title><content type='html'>&lt;em&gt;O eunuco de Candace, rainha de Meroé, indica-nos o caminho: desde os primeiros testemunhos de fé no reino dos faraós, chegamos às vicissitudes históricas de um cristianismo nascente e «abençoado» pelo imperador e que se reforça aliando-se aos árabes.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ano 36 da nossa era – apenas cinco anos após o Pentecostes –, o cristianismo já havia penetrado no coração da África, na pessoa do eunuco de Candace, rainha de Meroé (Sudão). A notícia que lemos no Actos dos Apóstolos (8.26-39) é muito sóbria, mas apresenta elementos que nos permitem reconstruir com razoabilidade o cenário histórico da conversão do primeiro negro ao cristianismo. &lt;br /&gt;Etiópia – palavra grega que significa «rosto negro» – era o nome que, genericamente, se dava a toda a África a sul do Egipto. Candace era o título da rainha de Meroé. No século VIII antes de Cristo, surgira, ao longo do rio Nilo a sul do Egipto – portanto na África negra – um império cujos imperadores, entre 750 e 650, ocuparam o trono dos faraós. Empurrados ou retirando-se para o Egipto, transferiram a sua capital de Napata – na grande enseada do Nilo – para 250 quilómetros mais a sul, onde surgiu a cidade que os historiadores gregos chamaram Meroé. Daí, os reis de Meroé dominaram, servindo-se de um sistema feudal, quase todo o território do actual Sudão, passando por períodos alternados de expansão e de recessão.&lt;br /&gt;A rainha de Meroé tinha um ministro – eunuco, conforme o uso da época – que superintendia os seus tesouros (em especial o ouro que se extraía nas montanhas do deserto oriental) e, por conta disso, fazia viagens ao Egipto, onde fazia negócio com os numerosos comerciantes hebreus aí estabelecidos. Por eles, conheceu a religião monoteísta e a ela aderiu, de tal forma que foi a Jerusalém adorar o Deus de Israel. Como em todos os locais de peregrinação, também em Jerusalém havia bancas de venda de livros, onde o eunuco comprou um rolo de papiro ou pergaminho com os 66 capítulos de Isaías, em língua grega.&lt;br /&gt;No regresso, o ministro negro pôs-se a ler em voz alta; o diácono Filipe, ao escutá-lo, ficou maravilhado e perguntou-lhe: «Compreendes, verdadeiramente, o que estás a ler?» Ao ouvir uma resposta negativa, Filipe ofereceu-se para o ajudar e explicou-lhe que o profeta falava de Jesus de Nazaré... A narração dos Actos termina com o eunuco a receber o baptismo. Teria o ministro sido o evangelizador do seu povo? As lendas assim o pretendem – todas elas fantásticas e credíveis – escritas nos séculos seguintes; mas a história não é da mesma opinião. Se no reino de Meroé tivesse havido uma igreja, os escritores cristãos do Egipto deixar-nos-iam algum relato disso. Pelo contrário, no século V, a Núbia ainda era toda pagã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Missão de Justiniano&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É João, bispo de Éfeso mas funcionário na corte do imperador Justiniano I (527-565), em Constantinopla, quem nos conta, na sua História Eclesiástica, como foi evangelizada a Núbia «partindo do nada». Depois de ter reunido sob o seu ceptro o Império do Ocidente e o do Oriente, Justiniano procurava estabelecer alianças com os reis de além-fronteiras, para proteger os seus confins das incursões dos bárbaros. A sul do Egipto havia três reinos no vale do Nilo, conhecidos pelo nome de Nobadia, com a capital em Pachoras (hoje Faras), Makoria, com a capital em Dôngola, na grande enseada do Nilo, e Alodia, com a capital em Soba, na confluência do Nilo Azul com o Nilo Branco.&lt;br /&gt;O imperador resolveu enviar ao rei de Nobadia uma missão para pregar o Evangelho, segundo a sua fé católica. Sua mulher, Teodora, egípcia e fanática monofisita (em linguagem moderna, copta-ortodoxa), contornou o marido, a fim de aumentar o prestígio do patriarca monofisita Teodósio, perseguido, devido à sua fé, pelo próprio imperador e exilado em Constantinopla. Enviou, então, secretamente, o padre Juliano – seu compatriota – com ordem para as autoridades imperiais do Alto Egipto de o encaminharem para a Núbia antes dos mensageiros do imperador. Em Pachoras, depois de ter apresentado ao rei cartas e dons da imperatriz, Juliano consegue atraí-lo, com todo o seu reino, para a sua causa, e põe-no de sobreaviso contra a pregação dos enviados do imperador. Estes, logo que chegaram, verificaram que o rei já havia abraçado a fé de Teodósio.&lt;br /&gt;As escavações da missão arqueológica polaca em Dôngola – em curso há 30 anos – levam-nos a crer, com indícios cada vez mais evidentes, que os mensageiros de Justiniano, fracassada a missão em Nobadia, prosseguiram para Dôngola, onde realizaram os seus objectivos. O reino de Makoria teria recebido, portanto, a fé católica por volta do ano 550.&lt;br /&gt;Depois de dois anos de permanência em Pachoras (543-545), Juliano regressou a Constantinopla, após ter confiado os neófitos ao seu colega de pregação, o bispo Teodoro de Filé – ilhéu da primeira catarata – e continuou, de quando em quando, a enviar alguns padres, a fim de eles visitarem os fiéis. Em 566, o patriarca Teodósio, no leito de morte, lembra-se dos cristãos de Nobadia e consagra para eles o bispo Longino. O imperador Justino I – católico mais fanático que o seu antecessor – mandou-o logo encarcerar. Mas Longino conseguiu, ao fim de três anos, evadir-se, fugindo para a Núbia, onde fundou estavelmente a Igreja (569-575). Em seguida, participou, em Alexandria, no sínodo para a eleição do novo patriarca, mas só conseguiu regressar a Pachoras em 580, devido a problemas de intrigas. Por fim, o rei de Alodia, que talvez fosse parente do de Nobadia, pediu-lhe para lhe enviar Longino, a fim de evangelizar o seu reino. Assim, entre 543 e 580, todo o vale do Nilo, entre a primeira catarata e a confluência do Nilo Azul-Nilo Branco, se tornou, pelo menos oficialmente, cristão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os archeiros núbios&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 640, um exército árabe, comandado por Amru Ibn al-As, toma Alexandria, a capital egípcia. Diz-se que o patriarca copto Benjamim, em nome dos seus fiéis, abençoou a chegada dos árabes «libertadores» dos opressores bizantinos.&lt;br /&gt;Num ano, os árabes chegaram a Assuão, na fronteira da Núbia. Depois de um período de incursões recíprocas, Amru enviou, em 641, uma grande expedição militar de conquista. Mas a operação não se ficou por um mero passeio, porque os archeiros núbios acertavam em cheio nos invasores. Depois de mais uma tentativa falhada, Saad Ibn Abi Sahr, que sucedera a Amru em 646, assinou, junto às muralhas da capital, Dôngola, um pacto (baqt) com o rei.  &lt;br /&gt;A Núbia e os árabes empenharam-se, desta forma, a respeitar as fronteiras e estabeleceram trocas comerciais oficiais: todos os anos, 360 escravos saudáveis teriam de ser enviados para o Egipto, em troca de tecidos, cereais e outras mercadorias. O baqt, embora com algumas violações, permaneceu em vigor até 1270. O envio anual de escravos não suscitava qualquer escândalo na Núbia, porque o rei era tradicionalmente dono de tudo – homens e terras – e os escravos eram, na maioria, despojos de guerra conquistados às tribos vizinhas. Mas mesmo quando era um súbdito a tornar-se escravo, ele aceitava o facto e beijava a terra gritando: «Viva o rei!»&lt;br /&gt;Não obstante o baqt, os núbios e os árabes continuavam em guerra. Mas uma consequência irrefutável do pacto – no campo sociocultural-religioso – foi que a Igreja na Núbia não só sobreviveu como se consolidou. Um documento do ano 710 fala de quatro sedes episcopais na Baixa Núbia (contígua ao Egipto) dependentes do patriarca copto de Alexandria. Mas conhecem-se outras sedes episcopais na Alta Núbia, entre as quais, muito provavelmente, havia algumas dirigidas por bispos católicos. Obviamente que o povo nada percebia das querelas dogmáticas entre coptos (monofisitas) e católicos (duofisitas). Na Núbia ainda se encontram restos de mosteiros masculinos, mas de mosteiros femininos nem sombra. &lt;br /&gt;O cristianismo difundiu-se, de certo modo, pelo estreito vale do Nilo, também nos desertos a oriente e a ocidente do rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fonte:&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://www.alem-mar.org"&gt;Revista Além-Mar&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23280462944009230-8139401030826191143?l=civilizacoesafricanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/feeds/8139401030826191143/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/07/nubia-crista-o-evangelho-pelos-caminhos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/8139401030826191143'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/8139401030826191143'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/07/nubia-crista-o-evangelho-pelos-caminhos.html' title='&lt;strong&gt;A Núbia cristã - O Evangelho pelos caminhos do Nilo&lt;/strong&gt;'/><author><name>Valter Pitta</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TB6681d_coI/AAAAAAAAFY8/KIKFPlkCX0I/S220/C%C3%B3pia+de+hgghgd.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23280462944009230.post-3166092352076937333</id><published>2010-07-07T16:27:00.007-03:00</published><updated>2010-07-14T17:45:47.512-03:00</updated><title type='text'>Notícias da África</title><content type='html'>&lt;em&gt;José Bonifácio ouvia e anotava informações sobre geografia e cultura africanas que lhe eram transmitidas por escravos&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TDTVhNt5p_I/AAAAAAAAFmE/yHaeEPc0GDo/s1600/Jos%C3%A9+Bonif%C3%A1cio+d%27Andrada+e+Silva.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5491248612266059762" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 257px; CURSOR: hand; HEIGHT: 308px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TDTVhNt5p_I/AAAAAAAAFmE/yHaeEPc0GDo/s400/Jos%C3%A9+Bonif%C3%A1cio+d%27Andrada+e+Silva.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;José Bonifácio d'Andrada e Silva&lt;br /&gt;Retrato a óleo por Dácio Rodrigues Vilares&lt;br /&gt;Museu Histórico do Rio de Janeiro, Brasil&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Numa carta de 30 de novembro de 1826, José Bonifácio de Andrada e Silva dava, de Talance, a Antônio de Menezes Vasconcellos de Drummond (1794-1865), em Paris, instruções sobre a publicação de uma “Notícia do interior da África e curso do Níger”: que fosse entregue ao Journal Géographique ou aos anais de viagens de Malte-Brun e Eyriès. Quatro meses depois voltaria ao assunto, dando ao amigo poder para reduzir o artigo, como queriam as revistas. O texto de José Bonifácio nunca foi publicado ou está esquecido nas páginas de alguma revista francesa. Tampouco se sabe onde repousa o original manuscrito. Conhecemos, contudo, parte do seu conteúdo, porque Menezes de Drummond – era assim que assinava – publicou em dezembro de 1826, no Journal des voyages, découvertes et navigations modernes, um longo trabalho em francês intitulado “Cartas sobre a África antiga e moderna”, no qual se refere a Andrada e aos comentários que este estava escrevendo sobre o périplo de Hanon (cartaginês que teria, no século V a.C., navegado ao redor do continente africano).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Drummond afirma dever a José Bonifácio noções preciosas sobre o curso do Rio Níger, obtidas em 1819, durante conversas com seis escravos hauçás. O Andrada tomara a iniciativa desses diálogos porque, tendo muito meditado sobre o assunto, estava convencido de que o Níger (nome que os europeus deram ao curso superior do rio, a única parte que precariamente conheciam) não ia desaguar num grande lago em Uângara (que não se sabe onde ficava, se é que ficava em algum lugar), onde os calores o fariam evaporar, nem formava um braço do Nilo, nem era as hipóteses então mais sustentadas na Europa. Suao alto Zaire ou Congo convicção se fortalecera com o que lhe dissera o escravo Francisco, que qualifica de homem inteligente, sábio e probo. Francisco, um ulemá, um letrado muçulmano que havia sido professor em seu país, lia e escrevia fluentemente o árabe, bem como o hauçá. E da língua hauçá ele faria para José Bonifácio um pequeno vocabulário, com 75 palavras, com o qual Drummond encerrou o artigo. Comparando-se esse vocabulário com um dicionário moderno de hauçá, não se notam mais do que ligeiros desvios. Um exemplo: pharsi, na transcrição de Bonifácio, seria farcè, e não se traduziria por “um dedo da mão”, mas por “unha”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maior parte do resumo de Drummond é formada pelas respostas que os escravos deram às perguntas de José Bonifácio. Nele mostra-se a curiosidade do brasileiro, seu respeito pelos interlocutores e o cuidado com que anotou o que lhe disseram. Os hauçás Mateus, José, Bernardo, Bento, Bonifácio e Francisco contaram ao Andrada como eram suas terras, de que montanhas e rios ficavam próximas, e o que sabiam sobre o Níger, para eles, o Gulby, que mais adiante se chamava Kwara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mateus, que fora aprisionado numa batalha pelos fukahis (fulanis ou fulas), disse ter nascido em Berni-Daurah, ou seja, no birni (cidade fortificada) de Daura, uma urbe de casas de barro com tetos planos. Suas muralhas tinham seis portas e continham seis mil habitantes. Kano e Zamfara ficavam próximas, e gastavam-se 35 dias a cavalo para ir de Daura à capital do reino de Bornu. Nessa cidade, era intenso o comércio, destacando-se o de uma seda especial, produzida por um inseto criado numa árvore chamada samiah. Não seria esse inseto aquela mesma aranha responsável pela seda que usavam os axantes nos seus panos do tipo kente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem sempre conseguimos identificar os topônimos e etnônimos registrados por José Bonifácio, ou porque os ouviu mal, ou porque não correspondem aos anotados pelos viajantes ou hoje usados, ou ainda porque se referiam a aldeias que não ganharam lugar nos mapas. Não logramos, por exemplo, saber que grande cidade, com quatro portas e muralhas de tijolos, era a Tabaran onde nasceu o hauçá José. É provável que fosse Nupe o lugar, Nofeh, onde ele estava trocando sal e conchas por escravos e panos de algodão quando foi capturado, pois nufe é a palavra que os hauçás dão para nupe ou tapa. Dali José seguiu para o Iorubo, para Katango (ou Catunda, outro nome de Oió) e para o litoral. Disse conhecer o país de Zegzeghis (ou Zazau), cuja capital, Zaila (Zaira), ficava a três dias de marcha da sua terra natal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bernardo era natural do reino de Gobir, que descreve como uma cidade grande, amuralhada, com vários fortes e defendida por soldados de cavalaria e infantaria. Tinham por armas a espada e o arco e flecha, mas os que guardavam os fortes possuíam fuzis. Os cavaleiros empunhavam a azagaia ou a lança. Bernardo contou a José Bonifácio que fora feito cativo quando comerciava sal num lugar chamado Fugah, e dali conduzido a pé, durante quase meio ano, até um porto no Atlântico, Agaey (provavelmente Ágüe), onde o embarcaram para o Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bonifácio nascera numa aldeia, Kabih, no reino de Zamfara. De sua capital, com o mesmo nome, disse que era grande e murada apenas num lado. Nela havia várias mesquitas, onde os imames explicavam o Alcorão. Os mouros traziam para Zamfara, entre outras mercadorias, o ouro de Tombuctu (na grande curva do Rio Níger). E o povo alimentava-se de arroz, milhetes, feijão, abóbora, carne de vaca, cabra, carneiro e elefante. Interrogado sobre o Níger, respondeu que na língua hauçá chamava-se Gulby, mas que, depois de percorrer o país de Zamfara e o lago de Kaduna, tomava o nome de Kwara, que era também o do país vizinho a Calabar (isto é, ao delta).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Interrogado sobre as partes da região que havia percorrido, respondeu que conhecia Katsina, Mali, Gana, Bornu, Daura e Kano, assim como Tombuctu, uma cidade onde os nobres e ricos passeavam a cavalo, vestidos de branco ou de um azul quase negro. Acrescentou que em Tombuctu trabalhavam carpinteiros, ferreiros, tecelões, alfaiates, ourives e vários outros tipos de artesãos. E que na área havia minas de ouro.&lt;br /&gt;Bonifácio fora capturado pelos fulas de Bauchi, que o levaram para Tombuctu. De lá, desceu o Níger de piroga até Yerabah (o país dos iorubás, nome que os hauçás davam aos oiós e, naquela época, só aos oiós). Seguiu depois por terra até o forte de São Jorge da Mina, onde o venderam para o Brasil. A viagem inteira durou seis meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bento não se abriu com José Bonifácio ou não tinha o que contar. Dele ficamos sabendo muito pouco: onde nasceu e que também fora capturado pelos nupes, levado em canoa Níger abaixo e passado por Borgu e pelo Iorubo antes de chegar ao mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TDTv5mPsGPI/AAAAAAAAFmU/Hh6iRhGRRS0/s1600/Arquitetura+hau%C3%A7a+de+Kano,+Nig%C3%A9ria.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TDTv5mPsGPI/AAAAAAAAFmU/Hh6iRhGRRS0/s320/Arquitetura+hau%C3%A7a+de+Kano,+Nig%C3%A9ria.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5491277618469411058" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Arquitetura hauça de Kano, Nigéria.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Em compensação, com Francisco a conversa foi a de um sábio formado na Europa com outro sábio, educado na África. Francisco nascera em Toobah, uma cidadezinha do reino de Kano, com quatro mil habitantes. Ele informou a José Bonifácio que o Gulby, ou Joliba, era o mesmo rio que tomava o nome de Kwara e ia desaguar no oceano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de ser capturado e vendido, Francisco fizera parte de uma caravana de 160 camelos, que fora a Tombuctu comerciar cavalos, roupas e escravos. O primeiro reino por que passou, na rota de Kano a Tombuctu, foi Daura. Dirigiu-se depois para Chaschena (que só pode ser Katsina), Zamfara e outras cidades e aldeias, antes de ter de atravessar, durante um mês, uma vasta planície desértica. Alojou-se em Tombuctu para vender suas mercadorias e adquirir roupas de seda, ouro, espadas e fuzis. Aprisionado na viagem de volta, foi conduzido para Sansany, sobre o Níger, e depois para Oió e Ico, onde foi comprado por um português, que o levou para Aguê e em seguida para o Brasil. O percurso da captura ao embarque durara três meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Hauçalândia  capital (a que cidade se referiria?) era muito grande, cercada de muralhas, nas quais se abriam sete portas. O palácio do rei era de taipa, com teto plano. Os soldados de infantaria estavam armados de arco e flecha e de espadas, e os cavaleiros, de azagaias. Ali se faziam tecidos de algodão que tingiam de negro, e existiam oficinas de carpinteiros, ourives, seleiros e outros artesãos. No campo, cultivavam-se trigo, milho, três espécies de milhetes, melancia, batata- doce, arroz, cebola, alho e aipim. Possuíam bois, camelos, cavalos, mulas e jumentos. Nos arredores havia elefantes, dos quais comiam a carne, hipopótamos, antílopes, porcos selvagens, leões, panteras e zebras. E na cidade havia várias mesquitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Francisco descreveu Tombuctu como uma cidade enorme, envolta por muralhas de pedra e barro e guarnecida de peças de artilharia. Seus soldados usavam mantos com capuz, ou seja, albornozes. Explicou que o rei tinha três mulheres e seus vassalos, outras tantas. Para lá acorriam mercadores de muitas nacionalidades, inclusive mouros, bem como numerosos ulemás, que não traziam nada para vender, mas esmolavam, explicavam os sonhos e prediziam o futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De suas conversas com os seis escravos, José Bonifácio concluiu que Níger, Joliba, Gulbi e Kwara eram um só e único rio, que nascia nas montanhas do Futa Jalom e ia dar ao Atlântico naquele enorme delta conhecido dos portugueses desde o fim do Quatrocentos. Soube a verdade sem ir à África, aprendendo com aqueles que mais conheciam o grande rio: os hauçás, mestres do comércio a distância, que tinham no Níger o grande eixo de onde desciam até as florestas as múltiplas rotas de suas caravanas. A maioria deles jamais percorreu toda a extensão do rio. Mas era como se o tivesse feito, pois de seu curso sobravam as notícias, nas longas conversas nos mercados, quando hauçás contavam a outros hauçás as suas peripécias de viagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A atitude de José Bonifácio difere do modo de proceder daqueles exploradores que, no fim do século XVIII e início do XIX, se aventuraram a percorrer o Níger, com o objetivo de lhe descobrir o curso e a foz. Mungo Park (1771-1806), por exemplo, jamais indagou a seus companheiros africanos onde desaguava o rio. Se o fez, não anotou a resposta, talvez por dela desconfiar, vinda de quem considerava bárbaro. Drummond destaca uma exceção: o explorador Giovanni Battista Belzoni (1778-1823), que acreditou nas informações que lhe foram dadas por africanos de que o Níger que passava por Tombuctu era o mesmo rio que desaguava num grande delta no golfo do Benim. Belzoni pensava em fazer o percurso contra corrente, delta acima. Morreu em 1823, em Gwato, Hugató ou Ughoton. Seria somente em 1830 que os irmãos Richard e John Lander, ao descerem o rio desde Bussa até o início do delta, confirmariam o que José Bonifácio, por volta de 1819, tinha por certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;.:: Alberto da Costa e Silva&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.revistadehistoria.com.br"&gt;Revista de História da Biblioteca Nacional&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23280462944009230-3166092352076937333?l=civilizacoesafricanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/feeds/3166092352076937333/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/07/noticias-da-africa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/3166092352076937333'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/3166092352076937333'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/07/noticias-da-africa.html' title='&lt;strong&gt;Notícias da África&lt;/strong&gt;'/><author><name>Valter Pitta</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TB6681d_coI/AAAAAAAAFY8/KIKFPlkCX0I/S220/C%C3%B3pia+de+hgghgd.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TDTVhNt5p_I/AAAAAAAAFmE/yHaeEPc0GDo/s72-c/Jos%C3%A9+Bonif%C3%A1cio+d%27Andrada+e+Silva.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23280462944009230.post-6180896193173145826</id><published>2010-07-03T20:29:00.015-03:00</published><updated>2010-07-07T19:10:03.382-03:00</updated><title type='text'>As fortalezas marroquinas de Ouarzazate</title><content type='html'>&lt;em&gt;O Marrocos é um país exótico por inteiro. Os kasbah, cenário de vários filmes, são alternativas de visita à conturbada Marrakech. Dentro desses imensos fortes de barro, ainda residem famílias. &lt;br /&gt;A vida parece ter parado séculos atrás.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TC_I_3EZSdI/AAAAAAAAFjU/X4_ww9oaoZ4/s1600/Imagem+1.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489827470227622354" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 265px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TC_I_3EZSdI/AAAAAAAAFjU/X4_ww9oaoZ4/s400/Imagem+1.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouarzazate é uma cidade de 60.000 habitantes, situada na confluência da Cordilheira do Atlas com os Vales do Dadés e do Draa a 200km a sul de Marraquexe. Ao longo de sua história foi um importante ponto estratégico por onde passavam as caravanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;História&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouarzazate foi construída em 1928 pelos franceses para servir como posto militar avançado da Legião Estrangeira para o deserto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TC_LRa6uqsI/AAAAAAAAFjk/oynFD18QiDo/s1600/Imagem+2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489829970931788482" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TC_LRa6uqsI/AAAAAAAAFjk/oynFD18QiDo/s400/Imagem+2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Berberes&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Os Berberes encontram-se na região há quatro mil anos e, apesar da conversão ao islamismo por volta de finais do século VII, a sua cultura e o seu espírito de independência lograram resistir às sucessivas vagas de invasores, dos romanos aos árabes, passando pelos franceses da época do protetorado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TC_L5dJQlvI/AAAAAAAAFjs/2fD5ZhoQFjY/s1600/Imagem+3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489830658724370162" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 265px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TC_L5dJQlvI/AAAAAAAAFjs/2fD5ZhoQFjY/s400/Imagem+3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Kasbah Aït Benhaddou&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TC_MWeBa15I/AAAAAAAAFj0/O81DK9f7_Yg/s1600/Imagem+4.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489831157176129426" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TC_MWeBa15I/AAAAAAAAFj0/O81DK9f7_Yg/s400/Imagem+4.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Kasbah Taourirt&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TC_MvtXHgXI/AAAAAAAAFj8/-_bbmPa0mvA/s1600/Imagem+5.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489831590790398322" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 263px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TC_MvtXHgXI/AAAAAAAAFj8/-_bbmPa0mvA/s400/Imagem+5.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Kasbah Tiffoultout&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Era dentro das aldeias fortificadas, construídas com tijolos de argila, que os berberes se protegiam dos ataques das tribos nômades e viviam o dia-a-dia, a par dos seus animais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1919, líderes berberes do Rif chegaram a ameaçar seriamente o poder colonial, lançando uma série de ataques contra fortalezas espanholas do norte do território. A resistência dos Berberes face aos Árabes recém-chegados afirmou-se logo com determinação no século VIII, quando aderiram à heresia kharédjita e tentaram expulsar os invasores dos territórios do Magreb. A cidade de Marraquexe, que viria a dar nome ao país, foi fundada, aliás, na sequência de uma rebelião berbere que alastrou rapidamente pelo sul e centro do território e que abriu as portas à primeira grande dinastia da história de Marrocos, a dos Almorávidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TC_NwLfWLnI/AAAAAAAAFkE/BZshApTbOgU/s1600/Imagem+6.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489832698389606002" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 267px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TC_NwLfWLnI/AAAAAAAAFkE/BZshApTbOgU/s400/Imagem+6.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Turistas viajando em uma caravana&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TC_OWpXYB7I/AAAAAAAAFkM/1qKqRyegqzQ/s1600/Imagem+7.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489833359244265394" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 245px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TC_OWpXYB7I/AAAAAAAAFkM/1qKqRyegqzQ/s400/Imagem+7.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Tapetes berberes&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TDT66-zljzI/AAAAAAAAFmc/vVyXrinlfWw/s1600/Imagem_8.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 270px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TDT66-zljzI/AAAAAAAAFmc/vVyXrinlfWw/s320/Imagem_8.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5491289736870203186" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Especiarias&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Hoje em dia Ouarzazate tem se convertido num importante ponto turístico. As ruelas labirínticas escondem produtos únicos e de tudo um pouco (de especiarias a roupas e tapetes). Além disso, é o centro cinematográfico do país, com seus grandes estúdios. Muitas produções foram gravadas nesta região, tais como: "Gladiador", "A Mumia", "A Última Tentação de Cristo", "Asterix", "Babel", entre outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TC_PwBQ6zUI/AAAAAAAAFkc/MJdwQWz3xUY/s1600/Imagem+9.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489834894667992386" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 293px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TC_PwBQ6zUI/AAAAAAAAFkc/MJdwQWz3xUY/s400/Imagem+9.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Kasbah Taourirt, localizado no centro de Ouarzazate&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Os Kasbah, sempre imponentes, são as atrações mais interessantes. Aït Benhaddou, Taourirt e Tiffoultout são os mais belos. Utilizadas para proteger a população das vilas contra invasões, parecem flutuar sobre a cidade. Eram sempre construídos em colinas ou próximos a portos para facilitar a fuga ou impedir as invasões.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fontes:&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://grupoviagem.uol.com.br  "&gt;Grupo Viagem&lt;/a&gt; / &lt;a href="http://robertolacaze.blogspot.com"&gt;Blog O Andarilho&lt;/a&gt; / &lt;a href="http://www.almadeviajante.com"&gt;Alma de Viajante&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23280462944009230-6180896193173145826?l=civilizacoesafricanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/feeds/6180896193173145826/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/07/as-fortalezas-marroquinas-de-ouarzazate.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/6180896193173145826'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/6180896193173145826'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/07/as-fortalezas-marroquinas-de-ouarzazate.html' title='&lt;strong&gt;As fortalezas marroquinas de Ouarzazate&lt;/strong&gt;'/><author><name>Valter Pitta</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TB6681d_coI/AAAAAAAAFY8/KIKFPlkCX0I/S220/C%C3%B3pia+de+hgghgd.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TC_I_3EZSdI/AAAAAAAAFjU/X4_ww9oaoZ4/s72-c/Imagem+1.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23280462944009230.post-6053126913802501782</id><published>2010-06-28T21:32:00.005-03:00</published><updated>2010-07-03T20:14:45.324-03:00</updated><title type='text'>Monomotapa: O Reino do Ouro</title><content type='html'>É já na primeira viagem de Vasco da Gama (1497-99), que os portugueses têm conhecimento, mais precisamente em Sofala, que no sertão da costa oriental se esconderiam muitas riquezas, mormente muitas jazidas minéricas. Nesta mesma povoação da costa oriental africana situada no litoral desembocava a rota do ouro vinda do interior. A partir de 1501- 1502, os portugueses iriam entrar no comércio local e Sofala tornar-se-ia o mais importante mercado aurífero da rota oriental. Em 1505 é aqui instalada uma feitoria real e prepara-se a construção de uma fortaleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCk_jufH5YI/AAAAAAAAFjM/zDsiyeWHuiI/s1600/Rinoceronte+de+ouro+feito+pela+civiliza%C3%A7%C3%A3o.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5487987503934203266" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 238px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCk_jufH5YI/AAAAAAAAFjM/zDsiyeWHuiI/s320/Rinoceronte+de+ouro+feito+pela+civiliza%C3%A7%C3%A3o.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Rinoceronte de ouro.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A descoberta do caminho marítimo para a Índia e a fabulosa riqueza da costa oriental africana seriam então propagadas, na Europa, primamente através dos relatos dos mercadores italianos. E seria já na segunda viagem de Vasco da Gama (1502) que se iriam verificar profundas e decisivas alterações no comércio internacional europeu, visto que as casas comerciais, entre elas as alemãs, vão reagir de imediato a estas novas promissoras. Com efeito, as notícias sobre a cidade de Sofala constituem, para os mercadores alemães, um verdadeiro íman de interesse; para além das tão procuradas especiarias, os nautas tinham trazido, nas suas naus, ouro de Sofala, que tornava o caminho marítimo para Índia um negócio ainda mais rentável. As fabulosas riquezas da África oriental chegariam assim ao conhecimento de Konrad Peutinger, o secretário do Imperador Maximiliano que logo verte para o alemão uma carta de um dos viajantes italianos, testemunho claro do seu grande interesse por esta empresa marítima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As notícias sobre Sofala não foram, todavia, exclusivamente divulgadas por comerciantes italianos. Assim um mareante flamengo viria a escrever um diário de bordo que, impresso na Antuérpia, constitui uma das publicações mais antigas concernentes às viagens marítimas. Embora não se saiba quem foi o seu autor e, se este terá participado diretamente na viagem, ou se até terá copiado um outro diário de bordo, o certo é que se trata de uma fonte documental da maior importância no que tange às viagens marítimas para a Índia.&lt;br /&gt;Do mesmo teor é ainda uma relação anônima em língua alemã, que atualmente se encontra em Viena. Sobre a segunda viagem de Vasco da Gama conhece-se ainda um outro escrito em língua alemã conhecida pelo nome de relação de Bratislava. Por último poder-se-á ainda referenciar um outro escrito que nos informa sobre o Monomotapa, nomeadamente, o diário de Tomé Pires, texto este, que publicado por Ramusio na sua coletânea, também deve ter sido conhecido, na Alemanha. A constantemente referenciada riqueza de Sofala constitui um dos assuntos primordiais nas relações da Carreira da Índia. Que se contam coisas maravilhosas sobre a mina de Sofala é o que se pode ler, por exemplo, na relação da viagem de Pedro Álvares Cabral vinda a lume, na Alemanha, na célebre coleção Newe unbekanthe landte... em 1508.&lt;br /&gt;Ao interesse por esta cidade e os seus arredores associa-se a necessidade de conhecer o seu hinterland no intuito de recolher informações mais concretas sobre a localização das jazidas de ouro. Já no ano de 1501 se realiza uma primeira expedição de reconhecimento que traria importantes notícias referentes ao comércio aurífero. Estas informações prometedoras, que atuam como um estímulo para a exploração do sertão, aumentam ao mesmo tempo as esperanças de se encontrar o caminho, desta vez, por mar, até ao reino do Preste João das Índias. Vasco da Gama e os seus navegadores souberam, em Moçambique, que este reino cristão já não estaria muito distante e que bastaria procurar no interior da costa oriental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas os portugueses nas suas buscas do mítico rei cristão, encontrariam não o reino do Preste João, mas um outro reino que se dizia ser muito antigo e sobre o qual existiam muitas lendas que falavam em fabulosas riquezas e em grandes montanhas de ouro: o Monomotapa. Contava-se que esta terra era a Ofir da Sagrada Bíblia, pois teria sido aqui, neste reino, que Salomão teria vindo buscar os quatrocentos e cinqüenta talentos de ouro necessários para construir o seu templo - fato que largamente se reflete nos textos portugueses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vontade de conhecer este reino lendário levaria à organização de várias expedições, cujo objetivo seria estabelecer relações comerciais diretas com o Monomotapa e a sua terra. Alguns portugueses a quem caberia levar a bom termo esta missão diplomática, viriam a relatar sobre as suas experiências e impressões, como é o caso de Duarte Barbosa. Em 1518, o autor do Livro das Coisas da Índia recolheria as primeiras informações capazes de transmitir uma imagem mais pormenorizada sobre a situação geográfica, bem como as cidades e os habitantes do Monomotapa - Zimbabwe. Este texto que viria a público também através da iniciativa de Giovanni Battista Ramusio, em 1563, teria, graças a este humanista italiano, uma grande divulgação na Europa. Nesta sua sistemática geografia econômica e humana conta que &lt;em&gt;"Entrando in questa terra di Cefala adentro vi è il regno di Benamataxa, che è molto grande e di Gentili, che i Mori gli chiamano Caferes. Sono uomini negri, vanno ignudi, e dalla cintura in giú vanno cpoerti di panni varii colori e di pelli dibesti salvatiche;"&lt;/em&gt; e um pouco mais à frente"[...] &lt;em&gt;Benamataxa, dove è molto popolo, il re è solito per lo piú dimorare, e quivi i mercatanti Che vanno a Cefala si forniscono del tanto oro il quale danno ai Mori senza peso per panni dipinti e per paternostri di Cambaia, che fra questi Gentili sono molto usati e apprezzati. E quei della città di Benamataxa dicono Che ancora l' oro viene di luogo molto piú lontano, all' incontro del capo di Buona Speranza, d`un altro regno suggetto a questo re di Banamataxa, il quale è molto gran signore e tiene moltri altri re per suoi sudditi, e molti altri paesi che sono molo adentro fra terra, cosí per mezzo il capo di Buona Speranza come verso Mozambique e piú oltra".&lt;/em&gt; Barbosa fala assim de um reino de grandes dimensões, onde o seu chefe poderoso e rodeado de acólitos, o Monomotapa, era dono de largos recursos econômicos.&lt;br /&gt;Estas informações só viriam a ser ajustadas por João de Barros, em 1552, que teve à sua disposição informações, tanto escritas como orais, de autores e viajantes portugueses. Na verdade, com as viagens de reconhecimento os portugueses tinham recolhido amplos dados geográficos e culturais referentes quer à localização concreta deste país quer ao seu sistema de organização e de viver.&lt;br /&gt;João de Barros, para além do importante contributo dado à delimitação geográfica do Monomotapa, aprofunda ainda as origens das antigas minas de ouro e da arquitetura monumental do Zimbabwe, cuja construção totalmente desconhecida e invulgar, suscitava misteriosas explicações sobre os seus construtores, bem como sobre a época em que teria sido construida. Este clima de fascínio, e até de mistério, refletir-se-ia nas descrições dos portugueses, onde se delineia a imagem de um reino cheio de tradições, rico em ouro e passado.&lt;br /&gt;Além disso, um outro elemento contribuiria de uma forma decisiva para o interesse e a atração por este reino: a sua rigorosa estrutura social. Uma autocracia central forte e poderosa, definida pelos autores portugueses como uma sociedade, cuja profunda consciência de justiça determinava a sua maneira de viver. Segundo João de Barros era lícito frisar, em relação ao Monomotapa, que já conheciam uma "certa religião", que se manifestava na veneração dos mortos, no festejo de determinados dias e no reconhecimento de um só deus, a que chamavam "Mozino" (muzimo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas estas particularidades fomentavam o respeito dos autores portugueses por este reino e pelos seus habitantes, significando os contactos estabelecidos com o Monomotapa algo de inovador, dado que aí se encontravam uma região onde se conhecia só um deus superior, uma lei bem definida, bem como uma só ordem social. Assim, e embora tivessem outros costumes bem diferentes dos portugueses, na verdade, como afirma João de Barros: "[...] em alguma maneira parecem que seguem razão de boa polícia, segundo a barbaria dêles". Também Duarte Lopes, na sua relação sobre o Congo, faz referência ao vasto poderio e grandeza do Monomotapa. Assim, quando menciona os reinos vizinhos do Congo alude ao Monomotapa nos seguintes moldes: "O Império do Monomotapa è grande e de gente infinita, gentia e pagã, de cor negra, muito animosa na guerra, de estatura meã, e veloz; e há muitos Reis vassalos de Monomotapa; [...] Tem este Imperador muitos exércitos, e separados nas províncias, divididos em legiões, à usança dos Romanos; porque, sendo grande Senhor, tem necessidade de batalhar continuamente para manter o estado seu. Entre as gentes de guerra, que apontamos, as mais valorosas em nome são as legiões de mulheres, muito estimadas de El-Rei, e o nervo das suas forças militares. Elas queimam com o fogo as tetas esquerdas, por que lhes não sirvam de embaraço ao dispararem as setas, segundo o uso das Antiquíssimas Amazonas, tão celebradas dos Historiógrafos das primeiras memórias profanas". Lopes faz assim menção às legiões de mulheres guerreiras que, já tão exaltadas pelos autores clássicos, se encontrariam também no Monomotapa. E descreve com admiração a desenvoltura destas amazonas na guerra: "Por armas empregam arcos e setas; e são mui desenvoltas e rápidas e robustas e corajosas e mestras no assetear e, sobretudo, seguras e fortes no combater.&lt;br /&gt;Nas pugnas usam de grande astúcia guerreira, porquanto têm por costume de se irem retirando, como em fugida, e mostrando estarem derrotadas; mas voltando-se, todavia, muitas vezes, a investir aos inimigos com os tiros das setas; e, quando vêem que aqueloutros, lisonjeados pela vitória, estão já dispersos, volvendo de repente sobre eles, com grande ardimentos os matam; e por via da sua ligeireza, com emboscadas e outros ardis de guerra, são temidas, grandemente naquelas partes. Têm de El-Rei, emusufruto, certos territórios, onde vivem sozinhas; e, por algum tempo, ajuntam-se com homens, escolhidos por elas, a seu prazer, para a geração; e se parem machos, mandam-nos para as casas deles; e se fêmeas, guardam-nas consigo para as exercitar na guerra".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tais relatos contribuíam não só para um maior conhecimento deste império, como também para um prolongar de arreigados fascínios. O holandês Jan Huygen van Linschoten alude, de igual modo, entusiasticamente às montanhas do Monomotapa, onde existiriam jazidas de ouro, a que os portugueses dariam o nome de ouro de areia, uma vez que os seus grãos eram tão pequenos como os de areia, mas de famosa qualidade, como não haveria melhor no Oriente.&lt;br /&gt;Os contactos com o Monomotapa, estabelecidos a partir de Moçambique, intensificavam-se de acordo com as crescentes relações comerciais. Mas a presença portuguesa não agradava aos árabes que, durante anos, tinham exercido o controlo e monopólio do comércio local. Em 1560 chegariam os primeiros missionários a esta região, entre eles, o padre Gonçalo da Silveira. O religioso da ordem jesuíta viria a converter o Monomotapa ao cristianismo, bem como a batizar muitos dos seus nobres e vassalos. Mas os arábes não iriam ceder a mais esta influência portuguesa. Estes aconselham o Monomotapa a matar o padre Gonçalo Silveira; com ele iriam encontrar a morte os cinqüenta cristãos que nesse dia tinham acabado de receber das suas mãos o batismo. Os jesuítas não iriam, contudo, deixar de enviar missionários para o Monomotapa e continuar a relatar sobre este tão requestado reino. Assim, o Império do Monomotapa seria conhecido, também na Alemanha, não só como um reino repleto de tradição e de ouro, mas ainda como um dos mais persistentes e intrincados campos de ação apostólica, na África.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fonte:&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://clientes.netvisao.pt"&gt;www.clientes.netvisao.pt&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23280462944009230-6053126913802501782?l=civilizacoesafricanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/feeds/6053126913802501782/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/06/monomotapa-o-reino-do-ouro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/6053126913802501782'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/6053126913802501782'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/06/monomotapa-o-reino-do-ouro.html' title='&lt;strong&gt;Monomotapa: O Reino do Ouro&lt;/strong&gt;'/><author><name>Valter Pitta</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TB6681d_coI/AAAAAAAAFY8/KIKFPlkCX0I/S220/C%C3%B3pia+de+hgghgd.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCk_jufH5YI/AAAAAAAAFjM/zDsiyeWHuiI/s72-c/Rinoceronte+de+ouro+feito+pela+civiliza%C3%A7%C3%A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23280462944009230.post-8939146985164787360</id><published>2010-06-24T20:32:00.034-03:00</published><updated>2010-06-25T14:53:15.652-03:00</updated><title type='text'>A expansão árabe na África</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPrmMC3wBI/AAAAAAAAFf8/2AogTHUuQmY/s1600/A+civiliza%C3%A7%C3%A3o+%C3%A1rabe+esteve+marcada+pelo+processo+de+expans%C3%A3o+da+religi%C3%A3o+isl%C3%A2mica..jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5486487812368220178" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 373px; CURSOR: hand; HEIGHT: 274px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPrmMC3wBI/AAAAAAAAFf8/2AogTHUuQmY/s400/A+civiliza%C3%A7%C3%A3o+%C3%A1rabe+esteve+marcada+pelo+processo+de+expans%C3%A3o+da+religi%C3%A3o+isl%C3%A2mica..jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem muitos fatores que contribuíram para a incrível expansão árabe do século VII que partiu da Península Arábica em direção ao Magreb. A baixa produtividade do solo da Península e o desejo de ter uma terra cultivável, somado a uma população em crescimento; o enfraquecimentos dos reinos de Bizâncio e da Pérsia, que se encontravam devastados pelas guerras e tinham suas províncias em franco processo de declínio (o imperador bizantino Heráclio [610-641] assistiu impotente à perda das províncias que havia recentemente conquistado) (ANGOLD, 2002: 50); possíveis afinidades inter-étnicas (a Síria e a Mesopotâmia tinham tribos árabes), e até o uso de camelos nas batalhas em campo aberto por parte dos exércitos muçulmanos. (HOURANI, 1994: 40)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A expansão militar&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso pode ter contribuído para as sucessivas, rápidas e espantosas vitórias da espada do Islã, mas definitivamente o motivo maior e mais poderoso nas mentes de então foi a unidade política e principalmente espiritual promovida e realizada por Maomé (570-632).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo após a morte do Profeta, em 634 a Península arábica foi definitivamente unificada e os primeiros exércitos islâmicos foram enviados para o exterior. Seus sucessores, os primeiros califas rashidun (os “califas corretamente orientados”) (HOURANI, 1994: 459) – a palavra califa significa “representante” – foram os líderes militares que organizaram as bases pelas quais o império pôde crescer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPsnSDLYNI/AAAAAAAAFgE/r1Hdetj9mp4/s1600/Imagem+1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5486488930671616210" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 274px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPsnSDLYNI/AAAAAAAAFgE/r1Hdetj9mp4/s400/Imagem+1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A Expansão do Islã; Atlas Histórico. Barcelona: Editorial Marin, 1992, p. 44.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;As tropas árabes que realizaram essa expansão tanto para o leste quanto para o oeste eram disciplinadas e coesas. Definitivamente não eram bárbaras. Conta a tradição que Abu Bakr (623-624), o primeiro califa, sogro de Maomé, teria dito às suas tropas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sede justos, sede valentes; morrei antes de render-vos; sede piedosos; não mateis nem velhos, nem mulheres, nem crianças; não destruais árvores frutíferas, cereais ou gado. Mantende vossa palavra, mesmo aos vossos inimigos; não molesteis as pessoas religiosas que vivem retiradas do mundo, mas compeli o resto do mundo a se tornar muçulmano ou nos pagar tributo. Se eles recusarem estes termos, matai-os. (citado em DURANT, s/d: 171).&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, enquanto Khalid ibn al-Walid, general supremo de Abu Bakr, conquistava o Iraque e Damasco ao norte, o comandante Amr ibn al-As, outro recém-convertido e veterano das guerras sírias, partiu de Gaza, tomou Pelúsio, Mênfis e, finalmente, Alexandria, após um sítio de vinte e três meses, em 641. O trigo do Egito era muito necessário para Medina, e o porto de Alexandria oferecia um ponto seguro para a expansão marítima islâmica. (PREVITÉ-ORTON, 1976: 337)&lt;br /&gt;Os cristãos monofisistas do Egito (que acreditavam em uma só natureza do Cristo), cansados das perseguições religiosas de Bizâncio, receberam os muçulmanos de braços abertos – de maneira semelhante como as comunidades judaicas na Península Ibérica fariam em 711. A propósito, a história que Amr ibn al-As teria ordenado a destruição da Biblioteca de Alexandria é considerada hoje uma versão completamente destituída de fundamento. (LEWIS, 1990: 63)&lt;br /&gt;Amr administrou muito bem o Egito. Apesar de ter governado com base em duros tributos cobrados da população local, ele reparou canais e, a partir de seu acampamento, construiu em 642 uma nova capital, de nome al-Fustat (que significa “a tenda”): mais tarde ela se chamaria Cairo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPtZnm8QYI/AAAAAAAAFgM/mCxbaDs06Kc/s1600/Imagem+2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5486489795452223874" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 120px; CURSOR: hand; HEIGHT: 175px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPtZnm8QYI/AAAAAAAAFgM/mCxbaDs06Kc/s400/Imagem+2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Representação de Abu Bakr.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;De posse desse novo potentado, e preocupados com um possível ataque bizantino vindo do ocidente, a partir de 647 os muçulmanos decidiram prosseguir em seu assalto ao norte da África. Seguindo a costa africana, partiram então para o oeste, liderados por Ibn Sad, emir do Egito. Um poderoso e organizado exército marchou através do deserto até a cidade de Barka (Barca, atualmente na Líbia), tomando-a de assalto em 643-644. Dali avançou praticamente sem nenhuma resistência até as proximidades de Cartago, já na Tripolitânia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao sul da Túnis moderna (na Tunísia), o comandante Okba ibn Nafi construiu um acampamento na areia, em 670, fundando assim uma das maiores cidades do Islã bem no coração da África romana, Kairuan (Karouan ou Cairuão) – o “lugar do descanso”, para sustar as contra-ofensivas dos bizantinos (observe a característica do surgimento da cidade islâmica nessa expansão militar: ela, via de regra, teve origem em um acampamento militar). Esse avanço até a Tripolitânia e a fundação de Kairuan foram muito importantes para a expansão do Islã. Dali, Okba fez incursões e massacres contra as tribos berberes, que se refugiaram nas montanhas do Atlas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os berberes eram tribos nativas que viviam espalhadas por toda a África do Norte. Segundo o cronista muçulmano Ibn Khaldun (c. 1332-1395), os berberes eram quase totalmente nômades:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;...gentes que vivem em tendas e que viajam no lombo do camelo, e se instalam nas alturas das montanhas (...) No deserto, a maioria da população mantém suas genealogias, porque, de todos os laços que servem para vincular um povo, o de sangue é o mais próximo e de maior força (...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os povos que experimentam a influência desse sentimento preferem sempre a vida do deserto à das cidades... (IBN JALDÚN, 1997: 633).&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPuGxfVkGI/AAAAAAAAFgU/Ed2Gd6K5xO0/s1600/Imagem+3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5486490571198795874" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPuGxfVkGI/AAAAAAAAFgU/Ed2Gd6K5xO0/s400/Imagem+3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Berberes tunisinos.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Em 681, Okba atingiu o Atlântico, mas os berberes se esqueceram de sua hostilidade secular contra aos romanos e decidiram combater esse novo invasor. Sob as ordens do príncipe Koceila (Kossaila ou Kossayla), uma parte dos berberes derrotou Okba ibn Nafi (683), saqueou Kairuan e fez o exército árabe retroceder de volta para Barka. Contudo, outra parte dos berberes abraçou o Islamismo, fato que enfraqueceu o exército de Koceila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este, recuando para Barka em 689, foi surpreendido e massacrado por uma força bizantina (PIRENNE, 1970: 136), e o exército árabe, por sua vez, perseguido pelas forças berberes chefiadas por uma misteriosa e lendária rainha-sacerdotisa zenata de nome Kahina (ou Kahena), foi obrigado a retornar derrotado de volta ao Egito – os zenatas ou zanagas eram uma etnia berbere originária do sul do Marrocos (KI-ZERBO, s/d: 129).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hasan, governador do Egito, decidiu contra-atacar: retomou a ofensiva, reconstruiu Kairuan e apoderou-se definitivamente de Cartago, em 698. Os cartagineses fugiram e a cidade antiga foi substituída por uma nova, ao fundo do gloso: Túnis. Seu porto, Goulette, tornou-se a partir de então uma das grandes bases navais islâmicas do Mediterrâneo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, a expansão islâmica também abrangia os mares: desde o califa Moawiah (660) os muçulmanos dispunham de uma frota, e com ela também alargaram seu poder e invadiram as ilhas de Chipre, Rodes, Creta e Sicília, além de transformarem o porto de Cizico (Cyzicus), na Ásia Menor, em uma importante base naval islâmica de onde passaram a assediar Constantinopla (PIRENNE, 1970: 134-135).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPvKwb89KI/AAAAAAAAFgk/XNmSEXxmk-g/s1600/Imagem+4.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5486491739147269282" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 270px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPvKwb89KI/AAAAAAAAFgk/XNmSEXxmk-g/s400/Imagem+4.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A expansão islâmica por águas bizantinas.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Assim, além do avanço para o oeste pelo norte da África – e simultaneamente a ele – os muçulmanos se apoderam gradativamente de posições marítimas chaves no Mediterrâneo. A resistência berbere foi desfeita e a rainha-sacerdotisa Kahina teve a cabeça cortada e enviada como troféu ao califa no Egito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPv23olsKI/AAAAAAAAFgs/Bu8Uf96h0c4/s1600/Imagem+5.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5486492496993562786" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 150px; CURSOR: hand; HEIGHT: 221px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPv23olsKI/AAAAAAAAFgs/Bu8Uf96h0c4/s400/Imagem+5.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Estátua em homenagem à Rainha Zenata Kahina.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A fragmentação do Norte da África em potentados&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final do século VII, os muçulmanos concretizaram definitivamente sua expansão no norte da África. Na região mais setentrional, outro comandante árabe, Mousa ibn Noçayr submeteu o Magreb (Marrocos) e impôs definitivamente o Islamismo às tribos berberes. Com isso, a África ficou dividida em três províncias:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1)&lt;/strong&gt; O Egito, com sua capital em al-Fustat (próxima de Cairo);&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2)&lt;/strong&gt; Ifriqiya (Tunísia), com sua capital em Kairuan e&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3)&lt;/strong&gt; Magreb (Marrocos), com sua capital em Fez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante cerca de cem anos, os emires dessas três províncias reconheceram os califas do Oriente como seus soberanos. No entanto, devido às longas distâncias e as dificuldades naturais de comunicação – que só aumentaram com a transferência da capital do Império para Bagdá, essas províncias gradativamente tornaram-se reinos independentes no século IX, cada um com uma dinastia. Foram elas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1)&lt;/strong&gt; Dinastia tulunida (868-905), no Egito e na Síria;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2)&lt;/strong&gt; Dinastia aglábida (800-909), em Kairuan (dominando a Tunísia, a região oriental da Argélia e a Sicília) e&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3)&lt;/strong&gt; Dinastia idrísida (789-926) no Magreb.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Egito, a dinastia tulunida durou apenas duas gerações de monarcas. Fundada por Ahmad ibn-Tulun (868-884), filho de um escravo turco, com ela, o Egito passou por um rápido renascimento cultural, tanto nas artes quanto no saber. Ibn Tulun construiu uma nova capital (Qatai, subúrbio de al-Fustat), palácios, banhos públicos, um hospital, um aqueduto ainda de pé e a grande mesquita Ibn Tulun, hoje uma homenagem do tempo a seu governo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPxWnQJEKI/AAAAAAAAFg0/SwQ3Nr5jlGI/s1600/Imagem+6.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5486494141863497890" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 250px; CURSOR: hand; HEIGHT: 182px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPxWnQJEKI/AAAAAAAAFg0/SwQ3Nr5jlGI/s400/Imagem+6.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Mesquita Ibn Tulun, no Egito.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;No entanto, seu filho Khumarawayh (ou Khumavaraih, 884-895) transferiu a energia que herdou do pai totalmente para a luxúria: tributou pesadamente seu povo para revestir seu palácio de ouro e construir uma piscina de mercúrio, onde sua cama com almofadas (também de ouro) e sempre cheia com seu harém pudesse flutuar... Apesar disso, Khumarawayh foi reconhecido como governador do Egito, da Síria e da Mesopotâmia do Norte, casando sua filha com o califa al-Mutadid-Mutadid. O poder dos tulunidas cai com seu filho Harun (896-904); outra dinastia turca, os ikshididas (935-969) tomou-lhes o poder. (Islamic Architecture – Tulunids)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Ifriqiya (Tunísia), em 800, Ibrahim ibn al-Aghlab fundou a dinastia aglábida, que governou a região até 909. Embora fossem tecnicamente submissos aos califas abássidas, os aglábidas eram independentes. Eles foram responsáveis pela construção da grande mesquita e suas muralhas, e transformaram sua capital em um importante centro cultural, onde as ciências religiosas e a poesia puderam florescer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os aglábidas criaram também uma marinha e desenvolveram técnicas agrícolas, de irrigação e de arquitetura, além das artes. Grande foi o florescimento das atividades intelectuais. Nesse período, destacam-se Imam Suhnun, Assad ibn al-Furat (no Direito) (SOUSA, 1986), Yahia ibn Sallam (na Exegese do Alcorão) e Ibn al-Jazzar (na Medicina). (Os Aglábidas) Os aglábidas também conquistaram e dominaram a Sicília (827-878); dali, em 846, um exército aglábida conseguiu atacar e saquear Roma. Essa ilha permaneceu sob o domínio muçulmano mais de cem anos e só foi reconquistada pelos cristãos em 1091.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPyA1CGgXI/AAAAAAAAFg8/ln_xwrPBPs4/s1600/Imagem+7.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5486494867117212018" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 120px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPyA1CGgXI/AAAAAAAAFg8/ln_xwrPBPs4/s400/Imagem+7.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ribat de Susa, na Tunísia.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Trata-se de um clássico exemplo arquitetônico da fortaleza ribat. O núcleo dessa construção data do período 770-96 e seu último estágio dos anos 821-22. Sua construção é atribuída ao aglábida Ziyadat Allah. Consiste em um cerco fortificado com uma entrada e torres nos cantos e no meio das paredes. O pátio é cercado por dois níveis de muros. O lado do sul do segundo assoalho é ocupado por uma mesquita com um mihrab no centro (o mihrab em uma mesquita é o nicho decorado que indica a direção [qibla] de Meca. MIQUEL, 1971: 556). Para a questão do ribat, ver adiante nosso item VI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPy1j020nI/AAAAAAAAFhE/O_AdG1tX51c/s1600/Imagem+8.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5486495773031322226" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 250px; CURSOR: hand; HEIGHT: 165px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPy1j020nI/AAAAAAAAFhE/O_AdG1tX51c/s400/Imagem+8.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Parte interna do Ribat de Susa, na Tunísia.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;No entanto, uma força religiosa tomaria Ifriqiya de assalto: os ismaelitas. Por volta de 905, Abu Abdala surgiu naquele reino pregando uma doutrina que se propagaria por todo o mundo árabe, a Doutrina Ismaelita dos Sete Imãs. Com a adesão dos berberes, ele conseguiu depor a dinastia aglábida e saudar Obeidala ibn Muhammad como al-Mahdi (ou Madi), o “líder justo”, aquele que viria destruir a tirania e estabelecer a justiça. Contudo, assim que chegou ao poder, uma das primeiras medidas de Obeidala foi ordenar a morte de Abu Abdala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sucesso da tomada do poder pelos ismaelitas fez surgir uma nova e importante dinastia: os fatímidas (se diziam “fatímidas” porque se consideravam descendentes de Fátima, filha do Profeta). Lá mesmo na Tunísia, os exércitos fatímidas se prepararam para a conquista do Egito, primeiro passo para se chegar ao império do Oriente. (LEWIS, 2003: 43)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aglábidas e fatímidas devolveram à África do Norte um pouco da prosperidade dos tempos da Roma imperial. No século IX, os muçulmanos abriram novas rotas, desenvolveram o comércio tanto com o Islã Oriental quanto com a Espanha e as regiões transaarianas (como veremos a seguir), e trouxeram novas técnicas para a arte do couro, das tinturas e dos perfumes. Ao se expandirem até o Egito, tomando-o dos turcos ikshididas, os fatímidas unificaram todo o norte da África. Transferiram-se então para a cidade de Qahira (“A vitoriosa”, isto é, Cairo) ao nordeste de Qatai, chegando posteriormente a ter o controle sobre toda a Arábia e a Síria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPzaFJOvdI/AAAAAAAAFhM/rVLKd-XiJpQ/s1600/Imagem+9.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5486496400450436562" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 350px; CURSOR: hand; HEIGHT: 192px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPzaFJOvdI/AAAAAAAAFhM/rVLKd-XiJpQ/s400/Imagem+9.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Maior extensão do califado fatímida (909-1171).&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Os fatímidas tornaram-se rapidamente os reis mais ricos de seu tempo. No entanto, a liberdade cultural e religiosa dos primeiros tempos deixava pouco a pouco de existir: com o califa al-Haquim (996-1021), uma série de perseguições contra judeus e muçulmanos teve início – até mesmo a Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, foi destruída – fato que deu início à pregação das cruzadas. Apesar disso, a dinastia ainda floresceu culturalmente com o longo reinado de Mustansir (1036-1094), filho de uma escrava sudanesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mustansir construiu um belo pavilhão e viveu uma vida de música, vinho e conforto. Ele disse: “Isto é mais agradável que contemplar a Pedra Preta, ouvir o zumbido dos muezins (o encarregado do apelo à oração) e beber água impura”. (citado por DURANT, s/d: 258) Após sua morte, o império se fragmentou em várias facções (berberes, sudanesas e turcas). Ifriqiya e Marrocos já haviam se separado, a Palestina se rebelou e a Síria foi perdida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCP0P4ZFHoI/AAAAAAAAFhU/op1nTUfg11k/s1600/Imagem+10.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5486497324740189826" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 150px; CURSOR: hand; HEIGHT: 149px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCP0P4ZFHoI/AAAAAAAAFhU/op1nTUfg11k/s400/Imagem+10.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Moeda de ouro cunhada no reinado&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;de Mustansir (1048-1049)&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Natureza e força da civilização islâmica no Norte da África&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas aquelas três cortes dos reinos africanos – do Cairo, de Kairuan e de Fez – protegeram e desenvolveram as artes – a música, a filosofia, a poesia, a arquitetura, a pintura e as artes menores (azulejos, estampas em tecidos, vasos de cristal, etc.). Em Kairuan, em 670 foi erguida a maravilhosa mesquita de Sidi Oqba, restaurada sete vezes. Seus claustros ainda hoje são sustentados por colunas coríntias das ruínas de Cartago. A riqueza da arte de Sidi Oqba tornou Kairuan a quarta cidade santa do Islã – chamada de “um dos quatro portões do Paraíso”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCP1aixR1tI/AAAAAAAAFhc/GX4nrtq9xZA/s1600/Imagem+11.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5486498607426295506" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 316px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCP1aixR1tI/AAAAAAAAFhc/GX4nrtq9xZA/s400/Imagem+11.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Mesquita de Sidi Okba, em Kairuan.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Com um púlpito entalhado, o mais antigo minarete quadrado e maciço do mundo (o minarete é a torre da mesquita), e seus interiores rodeados de pilastras coríntias iluminadas com velas, a mesquita de Sidi Okba é um marco da força da arquitetura e da fé islâmica (DURANT, s/d: 258), e artisticamente contrasta maravilhosamente com a imensidão e o silêncio do deserto – observe que um dos pilares da contemplação estética é justamente observar a inserção da obra arquitetônica no espaço natural em que ela foi construída, e essa interação deve ser levada em conta quando da fruição artística.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCP2da3A0zI/AAAAAAAAFhk/MdcBYKMvSP0/s1600/Imagem+12.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5486499756354097970" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 250px; CURSOR: hand; HEIGHT: 351px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCP2da3A0zI/AAAAAAAAFhk/MdcBYKMvSP0/s400/Imagem+12.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;center&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Mesquita de Sidi Okba, em Kairuan. Interiores.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Ainda em relação às artes desse período na África do Norte, é importante destacar que os muçulmanos desenvolveram com intensa paixão e enorme paciência as chamadas “artes menores”. Azulejos envernizados, louças de barro, vidros, vasos de cristal, caixas ricamente decoradas com incrustações de marfim, osso ou madrepérola (tanto na madeira quanto no metal), tinteiros, tudo com motivos geométricos. Enfim, todas as manifestações da criatividade artística humana brotaram esplendorosamente na África do Norte islâmica entre os séculos VII-XI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O ensino e as letras&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É sabido que o mundo muçulmano na Idade Média estimulou muito a educação e o estudo das letras. No final do século X, a biblioteca de Cairo já era uma das maiores do mundo conhecido. O Islão patrocinava muito o saber: por exemplo, em 988 Iacub Qilis convenceu o califa egípcio Aziz a custear a educação para estudantes na mesquita de el-Azhar.&lt;br /&gt;Era o início do ensino público – logo seguido pelas universidades européias (embora ali os estudantes custeassem os gastos). O estudo sistemático em el-Azhar atraiu universitários de todo o mundo muçulmano, processo que antecedeu em um século o movimento universitário na Europa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O califa al-Haquim criou no Cairo uma instituição chamada Casa de Sabedoria (Dar al-Ilm), que abrigava o ensino da teologia xiita dos ismaelitas, da astronomia e da medicina. Haquim também doou sua coleção de manuscritos à Casa da Sabedoria “para que todo o mundo possa vir para ler, transcrever e se instruir”. (MANGUEL, 1997: 47) Ali ainda havia um observatório astronômico, onde trabalhou o maior dos astrônomos muçulmanos, o egípcio Abu’l Hasan ibn Yunus (†1009) (RONAN, 2001: 100-101).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCP3dDESKhI/AAAAAAAAFhs/v1RF0pEsw4s/s1600/Imagem+13.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5486500849478937106" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 286px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCP3dDESKhI/AAAAAAAAFhs/v1RF0pEsw4s/s400/Imagem+13.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Esfera de Ibn Yunus.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;E de todos os nomes que brilharam dentre os doutores do Islã nesse período, o mais conhecido é o de Al-Hazin. Matemático muçulmano nascido por volta de 965 em Basra, ele tornou-se famoso por ter escrito um importante tratado de ótica (Kitab al-Manazir). O primeiro a perceber a capacidade aumentativa do vidro parece ter sido Sêneca († 65 d. C.), observando objetos através de bolas de vidro cheias d’água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas foi Al-Hazin, em seu Livro de Ótica, quem deu um passo importante e definitivo ao trabalhar a ação dos “corpos lenticulares”. (FRADA) Seu problema básico fora encontrar a imagem de um ponto brilhante quando refletido fora de um círculo. Isso envolvia conseguir encontrar um ponto preciso (A) na circunferência de um círculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCP36U0UjyI/AAAAAAAAFh0/PRuvGcm_Y4E/s1600/Imagem+14.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5486501352460029730" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 195px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCP36U0UjyI/AAAAAAAAFh0/PRuvGcm_Y4E/s400/Imagem+14.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Estudo ótico de Al-Hazim.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Al-Hazin ainda observou a forma de meia-lua da imagem do Sol durante os eclipses na parede oposta a uma pequena cavidade feita nas folhas de janelas: é a primeira menção conhecida da câmara-escura, base da fotografia. Até o tempo de Kepler e da Vinci, todos os estudos europeus sobre a luz basearam-se na obra de al-Hazin (DURANT, s/d: 261).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, o efeito mais duradouro da expansão do Islã no Norte da África foi o quase completo desaparecimento do cristianismo. É bastante provável que os habitantes latinos das cidades tenham emigrado para a Sicília e Espanha. Todas as populações, especialmente os berberes, adotaram com tal entusiasmo o Islã que expandirem-no para o sul do Saara, como veremos a seguir. Assim, o Mediterrâneo deixou de ser uma rota pacífica e romana como o era no mundo antigo para se transformar em um mar de fronteira bélica de religiões e civilizações opostas. (PREVITÉ-ORTON, 1976: 337)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Civilizações ao sul do Saara: a Terra dos Maqzara e o reino de Tekrur&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCP4lpNnW6I/AAAAAAAAFh8/Q2QbGJC4G5Y/s1600/Imagem+15.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5486502096669203362" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCP4lpNnW6I/AAAAAAAAFh8/Q2QbGJC4G5Y/s400/Imagem+15.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Feira livre em Atar (cidade a oeste da Mauritânia).&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;No extremo oeste da África setentrional, entre os atuais países de Mali e da Mauritânia, ao longo do rio Níger até mais a oeste, na escarpa do Tagant, com limite ao sul nos rios Senegal e Bakoy, desenvolveram-se as primeiras civilizações negras conhecidas: os Maqzara, o reino de Tekrur, e os famosos Impérios de Gana (Wagadu), ou o “Império do Ouro”, como ficou sendo chamado, e o de Songai (ou de Gao). Essas culturas negras que giravam em torno do Baixo Senegal (nome de toda essa região) foram o resultado de um desenvolvimento autóctone bastante recuado (e de natureza pagão-animista), iniciado provavelmente na era cristã, aliado ao avanço berbere-islâmico em direção ao sul do Saara no século IX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa expansão berbere havia se dirigido tanto no leste ao sul do Egito, para obter o controle das minas de ouro do Sudão, quanto no oeste ao sul de Magreb, e aqui no Baixo Senegal a expansão basicamente tivera como motivação o desejo de dominar as rotas cada vez mais desenvolvidas dos tráficos de ouro, de sal e de escravos, este último um tráfico que nunca parou de crescer desde então até meados do século XIX (KI-ZERBO, s/d: 130). O tráfico de escravos – escravos que eram utilizados em sua maior parte no serviço doméstico ou como soldados – acontecia tanto no sentido do sul para o norte do Saara quanto o inverso (DAVIDSON, 1992: 146).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar das dificuldades naturais de se atravessar o deserto, muitas caravanas de muçulmanos cruzavam o Saara a oeste para comerciarem escravos, sal, cavalos e metais (ouro e cobre) com as populações negras. Os berberes também compravam dos negros marfim, peles de animais, plumas de avestruz e sementes de cola (com cafeína); em troca, traziam cobre, espadas decoradas de Damasco, louças e talheres finos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Partindo-se do Magreb (de Fez, mais a oeste, ou mesmo de Trípoli), os viajantes islâmicos utilizavam quatro rotas conhecidas através do deserto para chegar a quatro importantes pontos de comércio ao sul. Da esquerda para a direita:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1)&lt;/strong&gt; De Awdaghost e Tekrur (na Mauritânia atual) para Tindouf, até Marrakech, Fez e Túnis;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2)&lt;/strong&gt; De Tombuctu (no Mali) também para Fez e Túnis, mas passando por Taouden;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3)&lt;/strong&gt; De Gao (também no Mali) para Trípoli, passando por Ghadames;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4)&lt;/strong&gt; De Agadez, mais ao centro, no Níger, também para Trípoli, passando por Ghadames ou por Murzuk.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCP5mI0RvMI/AAAAAAAAFiE/AtgofIq7B8s/s1600/Imagem+16.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5486503204664491202" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 350px; CURSOR: hand; HEIGHT: 220px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCP5mI0RvMI/AAAAAAAAFiE/AtgofIq7B8s/s400/Imagem+16.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Mapa das rotas pré-coloniais da África Setentrional.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Graças a essas regulares rotas de comércio transaarianas estabelecidas pelos berberes islamizados é que se tem notícia escrita das civilizações negras ao sul do Saara. Um viajante e geógrafo muçulmano chamado al-Bakri (século XI) escreveu a principal fonte para essa região, um livro chamado Descrição da África (de 1087). Abu Ubayd al-Bakri, filólogo, poeta, geógrafo, historiador e erudito religioso, viveu em Qurtuba (Córdoba), Al Mariyya (Almeria) e Ishbiliya (Sevilha), onde morreu em 1094. Ele ficou conhecido por seus comentários a várias obras, principalmente o Sharth Kitav al amthal de Abu Ubayd al-Qasim ibn Sallam, e o Al 'Ali fi sharh al amáli, de al-Qali. A intenção desses comentários muito difundidos na Idade Média era esclarecer os casos em que o significado desejado por um conhecido autor não estava claro. Então o comentarista explicava as expressões pouco comuns e fazia as necessárias correções para os novos e futuros leitores. (Poetas andalusíes sevillanos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora al-Bakri, da mesma forma que Tácito em sua obra Germânia (no século I), nunca tenha ido pessoalmente à região que descreve em sua obra, ele conversou com viajantes e comerciantes, além de consultar obras de geógrafos muçulmanos, e pôde assim fazer um precioso registro de segunda mão sobre aquelas culturas negras. (KI-ZERBO, s/d: 131-141; Al-Bakri’s online guide to Ghana Empire)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCP6QzlNTzI/AAAAAAAAFiM/39TzZ_5mxm8/s1600/Imagem+17.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5486503937698516786" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 394px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCP6QzlNTzI/AAAAAAAAFiM/39TzZ_5mxm8/s400/Imagem+17.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Mapa das culturas negras de Tekrur, Awdaghost &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;e &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Gana;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; KI-ZERBO, Joseph. História da África Negra I. &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Lisboa: &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Publicações Europa-América, s/d, p. 137.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Assim, tomando como base esse depoimento muçulmano (e de outros, como veremos), sabemos que, já a partir do século IX, uma confederação de tribos berberes sob o comando de Tilutan (836-837) – os lemtunas, os mesufas e os djoddalas – conseguiram impor sua autoridade sobre vários grupos negros e negro-berberes instalados ao redor de um povoamento chamado Awdaghost, que ficava bem no centro da região do Baixo Senegal. Todas essas culturas próximas a Awdaghost tinham uma defesa natural que as protegiam de ataques, as escarpas do Tagant, que formam um grande semicírculo natural protetor naquela região.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro escritor islâmico, Al-Idrisi (Abu al-Idrisi, muçulmano de Ceuta, no Marrocos, educado em Córdoba, na Espanha) (RONAN, 2001: 113) nos informa que o nome desse reino era País de Qamnuriya (Mauritânia) ou Terra do Maqzara dos Negros (Ard Maqzarati es Soudan). Bem no centro da rota do sal, de Buré ao sul até Teghazza, esse reino teria tanto no sul quanto no norte um povoamento concentrado em um cinturão de cidades: ao sul, Awlil, Sila, Tekrur, Daw e Barissa; ao norte Qamnuriya e Nighira. No entanto, na época da chegada dos berberes islâmicos, as rotas com o sul (Senegal) teriam desaparecido, restando o contato e comércio com o norte islâmico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pouco à esquerda do reino de Maqzara, havia outro importante reino negro, na trilha da famosa “rota saariana do ouro” (que passava por Walata e Sidjilmasa até Fez): era o reino do Tekrur. No século IX, esse reino era governado por uma dinastia peule vinda de Hodh: eram os Dia Ogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCP7ZrkOdWI/AAAAAAAAFiU/aQfhCp0DSF8/s1600/Imagem+18.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5486505189677364578" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 250px; CURSOR: hand; HEIGHT: 167px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCP7ZrkOdWI/AAAAAAAAFiU/aQfhCp0DSF8/s400/Imagem+18.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Tipo de construção na área rural da Mauritânia.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O Tekrur, segundo Al-Idrisi, era um reino com um soberano independente, que possuía tropas e muitos escravos, e era muito famoso por seu senso de justiça. Com um comércio ativo, o reino de Tekrur importava lã, cobre e pérolas do Marrocos e exportava ouro e escravos para o norte berbere-muçulmano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A escravidão&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;O tráfico negreiro não foi uma invenção diabólica da Europa.&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Foi o Islã,&lt;/strong&gt; desde muito cedo em contato com a África Negra através dos países situados entre Níger e Darfur e de seus centros mercantis da África Oriental, o primeiro a praticar em grande escala o tráfico negreiro (...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O comércio de homens foi um fato geral e conhecido de todas as humanidades primitivas. O Islã, civilização escravista por excelência,&lt;/strong&gt; não inventou, tampouco, nem a escravidão nem o comércio de escravos (os grifos são nossos. BRAUDEL, 1989: 138).&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui faço um breve parêntese para a questão da escravidão negra. Muitos séculos antes da chegada dos brancos europeus à África, as tribos, reinos e impérios negros africanos praticavam largamente o escravismo, da mesma forma os berberes e demais etnias muçulmanas. Imaginar os portugueses, castelhanos e italianos lançando seus marinheiros em caçadas aos negros no coração das florestas africanas não resiste ao menor exame histórico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo contrário, os europeus seiscentistas tinham verdadeiro pavor de deixar o litoral ou mesmo desembarcar de seus navios e avançar para longe da costa e capturar escravos. Estes eram trazidos pelos próprios africanos, que tinham grandes mercados espalhados pelo interior do continente, abastecidos por guerras entre as tribos, ou mesmo puro seqüestro aleatório. Isso pode ser facilmente comprovado, por exemplo, com a descrição do império de Mali feita pelo cronista muçulmano Ibn Batuta (1307-1377), um dos maiores viajantes da Idade Média, e o depoimento de al-Hasan (1483-1554) sobre Tumbuctu, capital do império de Songai, documentos que exporemos mais adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ademais, havia tribos africanas que praticavam sacrifícios humanos, naturalmente de escravos. Às vezes, para interromper a chuva, mulheres negras (e escravas) eram crucificadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCP8kvRKn8I/AAAAAAAAFic/0AE7s3tukPw/s1600/Imagem+19.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5486506479161352130" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCP8kvRKn8I/AAAAAAAAFic/0AE7s3tukPw/s400/Imagem+19.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Antigo forte muçulmano de escravos, na Tanzânia.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Ao converter meia África, o Islamismo contribuiu muito para estimular ainda mais a escravidão, pois praticou-a desde cedo: antes mesmo de Maomé, já no século VI, mercadores árabes freqüentavam todos os portos da costa oriental da África, trocando cereais, carnes e peixes secos com tribos bantus por escravos. As populações negras não-muçulmanas também consideravam a escravidão um fato absolutamente normal (como veremos, normalmente os reis africanos tinham centenas de escravos como soldados – e em suas guardas pessoais).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCP9bkAGsCI/AAAAAAAAFik/ms9f2-Ho02c/s1600/Imagem+20.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5486507421029806114" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 328px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCP9bkAGsCI/AAAAAAAAFik/ms9f2-Ho02c/s400/Imagem+20.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Mercado de escravos no Yêmen (1236-1237); Manuscrito árabe &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;n. 5847, fol. 105, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Maqâma 34, Biblioteca nacional da França, &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Divisão &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;oriental do Departamento de Manuscritos.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo, nas minas de sal-gema de Targhaza (exatamente na rota do Tekrur em direção a Marrakech), milhares de negros morriam para prover uma caravana de camelos cada vez maior de ano a ano – por volta de 1200 eram entre cinco e seis mil camelos que transportavam esse sal para o sul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro conhecido exemplo é o rei de Mali, Mansa Mussa (1312-1332): negro e muçulmano, quando chegou ao Cairo em peregrinação a Meca em 1324, trouxe consigo quinhentos escravos, também negros, cada um com uma bola de ouro na mão (tratarei mais adiante de Mansa Mussa) (HEERS, 1983: 79; DE BONI, 2003: 317-333).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, a base alimentar do povo do reino do Tekrur era o milhete (um tipo de milho pequeno), peixe e leite (ROSENBERGER, 1998: 338-358). Vestiam lã (os mais poderosos) e algodão (a maior parte da população). Seu primeiro rei a converter-se ao Islamismo foi War Jabi Ndiaye. Com ele, todos os súditos também se converteram (Jabi Ndiaye morreu em 1040) (KI-ZERBO, s/d: 133).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Império de Gana (300-1075)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCP-SkNUdhI/AAAAAAAAFis/crAFTUmS1dU/s1600/Imagem+21.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5486508365978039826" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 350px; CURSOR: hand; HEIGHT: 323px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCP-SkNUdhI/AAAAAAAAFis/crAFTUmS1dU/s400/Imagem+21.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Império de Gana.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O reino de Gana é chamado assim por causa do título de seus soberanos. Era também chamado de Ugadu (país dos rebanhos). Nessa época, o clima era bastante úmido, o que favorecia a criação de gado e a agricultura. Por volta do século IX, viviam na região do Hodh e do Auker pastores de origem berbere e cultivadores negros sedentários que, com o passar do tempo, se mesclaram. Em 876, outro cronista muçulmano, Iacub, escreveu: “O rei de Gana é um grande rei. No seu território encontram-se minas de ouro e ele tem sob sua dominação um grande número de reinos” (citado por KI-ZERBO, s/d: 135).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gana renasce na descrição de Al-Bakri&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 970 o viajante muçulmano Ibn Hawkal viajou de Bagdá até a margem do rio Níger, e não hesitou em dizer do imperador de Gana: “É o mais rico do mundo por causa do ouro” (citado por KI-ZERBO, s/d: 133). Um século depois, outro cronista, Al-Bakri nos dá informações mais precisas, como disse, em sua obra Descrição da África (de 1087). É esse texto, essa fonte que a partir de agora abrimos espaço para descrever o reino de Gana. (Al-Bakri’s online guide to Ghana Empire)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O reino de Gana&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Al-Bakri nos conta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O reino de Gana está povoado pelos povos de Soninke, que chamam sua terra de Wagadugu ou Wagadu. O nome Gana é o título do rei que governa aquele império. O Estado de Soninke é forte, e seu rei controla 200.000 soldados, 40.000 dos quais arqueiros que protegem as rotas de comércio de Gana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poder do rei de Gana provém do monopólio da enorme quantidade de ouro produzida em seu reino. Esta riqueza permite aos de Soninke construir e manter enormes cidades, além de uma capital com uma população estimada entre 15.000 e 20.000 habitantes. Soninke também usa sua riqueza para desenvolver outras atividades econômicas, tais como a tecelagem, a ferraria e a produção agrícola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A capital de Gana&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A capital de Gana é chamada Kumbi Saleh. A cidade consiste na reunião de duas cidades que se unem em uma planície, a maior delas habitada por muçulmanos e com doze mesquitas (ver imagem 28). Kumbi Saleh possui também um grande número de juízes e de homens instruídos. Ao redor de ambas as cidades há poços de água doce e potável, e próximos a eles, terras cultivadas com vegetais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cidade habitada pelo rei está a seis milhas da outra cidade (muçulmana) e é chamada de Al-Ghana. A área entre as duas cidades é coberta com casas feitas de pedra e de madeira. O rei tem um palácio e choças de formato cônico, cercadas por paredes. Na cidade do rei, não muito longe da corte de justiça real, há uma mesquita. Os muçulmanos que vêem em missões ao rei podem rezar ali. Há ainda uma grande avenida, que cruza a cidade de leste a oeste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCP_P_A_qzI/AAAAAAAAFi0/NZ7f0yMhbOU/s1600/Imagem+22.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5486509421146123058" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 252px; CURSOR: hand; HEIGHT: 372px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCP_P_A_qzI/AAAAAAAAFi0/NZ7f0yMhbOU/s400/Imagem+22.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Figura eqüestre de terracota, Mali (séc. XIII-XV?)&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O rei de Gana&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rei adorna a si mesmo como se fosse uma mulher, usando colares ao redor do pescoço e braceletes em seus antebraços. Quando se senta diante do povo, fica sobre uma elevação decorada com ouro e se veste com um turbante de pano fino. A corte de apelação fica em um pavilhão abobadado, com dez cavalos estacionados e cobertos com um tecido bordado com ouro. Atrás do rei ficam dez pajens segurando escudos e espadas, ambas decoradas com ouro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À sua direita ficam os filhos dos vassalos do país do rei, vestindo esplêndidas roupas e com os cabelos trançados com ouro. O governador da cidade senta-se na terra diante do rei e os ministros ficam do mesmo modo, sentados ao redor. Na porta do pavilhão estão cães de excelente pedigree e que dificilmente saem do lugar de onde o rei está, pois estão ali para protegê-lo. Os cães usam ao redor de seus pescoços colares de ouro e de prata cheios de sinos com o mesmo metal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A audiência é anunciada pela batida em um longo cilindro oco que se chama daba. Quando os povos que professam a mesma religião se aproximam do rei, caem de joelhos e polvilham suas cabeças com pó, uma forma de mostrar respeito por ele. Quanto aos muçulmanos, eles cumprimentam-no somente batendo suas mãos. (Al-Bakri’s online guide to Ghana Empire).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCQAixQSoFI/AAAAAAAAFi8/zroKeLiALfc/s1600/Imagem+23.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5486510843381325906" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 250px; CURSOR: hand; HEIGHT: 376px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCQAixQSoFI/AAAAAAAAFi8/zroKeLiALfc/s400/Imagem+23.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Vila de Songo, no Mali, com uma pequena mesquita &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;ao centro; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Os tipos de “casas cônicas” descritas &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;por &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Al-Bakri em sua obra &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;ainda podem ser vistas no Mali,&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;como mostra a fotografia acima da Vila de Songo, no Mali.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A economia e a justiça em Gana&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rei cobra o imposto de um dinar de ouro para cada carga de asno com sal que entra em seu país, e dois dinares de ouro para cada carga de sal que sai. (dinar era uma moeda de ouro criada pelos califas muçulmanos; seu equivalente em peso era o mitkal - 4,722 gramas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os impostos são cobrados também pelo cobre e qualquer outra mercadoria que entra e sai do Império. O melhor ouro do país vem de Ghiaru, uma cidade distante da capital 18 dias de viagem. Todas as peças de ouro que são nativas e encontradas nas minas do Império pertencem ao soberano, embora ele deixe o povo ter um pouco de ouro em pó, isso certamente com o conhecimento de todos. Sem essa precaução, o ouro não só se tornaria abundante como praticamente perderia seu valor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando um homem é acusado de negar um crime, um chefe pega um barril fino de madeira ácida e amarga de provar e coloca nela um pouco de água. Depois disso, ele dá essa bebida ao réu para que a beba. Se o homem vomita, sua inocência é reconhecida e ele é felicitado. Se não vomita e a bebida permanece em seu estômago, a acusação é aceita e justificada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCQBv3EH7EI/AAAAAAAAFjE/QFypEgL-oAg/s1600/Imagem+24.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5486512167790832706" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 282px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCQBv3EH7EI/AAAAAAAAFjE/QFypEgL-oAg/s400/Imagem+24.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Mesquita de Bandiagra, Mali; Bandiagra: quatro mulheres &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;da etnia dos dogons, com seus trajes típicos, em frente &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;à mesquita, tendo à frente um sorridente homem com uma&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;coroa e vestido com um tecido cor de vinho. Todos estão&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; descalços. Observe o belo contraste entre as cores dos &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;personagens e o tom amarelo-tijolo do cenário.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A religião em Gana&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Al-Bakri nos conta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ao redor da cidade do rei há choupanas abobadadas e bosques onde vivem os feiticeiros, homens encarregados de seus cultos religiosos. Ali se encontram também os ídolos e os túmulos dos reis. Estes bosques são guardados: ninguém pode entrar ou descobrir seus recipientes. As prisões dos vivos também estão ali, e se alguém é aprisionado lá, nunca mais se ouve falar dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o rei morre, constroem uma enorme abóbada de madeira no lugar do enterro. Então trazem-no em uma cama levemente coberta e colocam-no dentro da abóbada. A seu lado colocam seus ornamentos, suas armas, e os recipientes que ele usava para comer e beber. A serpente é a guardiã do Estado e vive em uma caverna que lhe é devotada. Quando o rei morre, seus possíveis sucessores se reúnem em uma assembléia, e a serpente é trazida para picar um deles com seu focinho. Essa pessoa é então chamada para ser o novo rei.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A descrição de Al-Bakri é sucinta e clara. A população de Gana, rodeada de hortas, pepinos, palmeirais e figueiras, vivia assim em uma espécie de oásis protetor na fronteira sul do deserto. Como disse acima, a mesquita de Djenne tornava a região um importante centro islâmico, com um comércio bastante próspero. Al-Bakri nos diz a respeito: “A criação de carneiros e de bois é aí particularmente próspera. Por um simples mitkal (moeda de ouro equivalente ao dinar – 4,722 gramas) podem-se comprar pelo menos dez carneiros. Encontra-se muito mel, que vem do país dos Negros. As gentes vivem desafogadamente e possuem muitos bens” (citado em KI-ZERBO, s/d: 136).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O escritor muçulmano não se esquece da cozinha e a graça das moças da terra: “Encontramos também jovens com uma linda cara, tez clara, corpo esbelto, seios direitos, cintura fina, ombros largos, ancas abundantes, sexo estreito, etc” (citado em KI-ZERBO, s/d: 136).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora devamos ter uma prudência em relação aos textos dos cronistas muçulmanos, pois, como disse, alguns deles foram redigidos com base em narrativas orais e consulta a obras, não no local, a obra de Al-Bakri nos sugere um grau de islamização ainda bastante fraco das populações negras (André Miquel é ainda mais rigoroso: “No Ghâna, de resto directamente atingido pelo choque almorávida, tanto o povo como o rei ter-se-iam mantido pagãos, sòmente sendo tocados pelo Islame os intérpretes e certos funcionários...”. MIQUEL, 1971: 216).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto o rei, que ainda era escolhido com base em tradições animistas – a picada da deusa-serpente –, quanto uma parte do povo teriam ainda se mantidos pagãos (embora se deva observar que a cidade com maior densidade demográfica descrita por Al-Bakri era a muçulmana, com suas doze mesquitas). Segundo Ki-Zerbo, esse era o culto do deus-serpente do Uagadu (Uagadu-Bida), antepassado-totem dos Cissés: “Segundo a lenda, saía da toca no dia da entronização dos reis e recebia em sacrifício anualmente a mais bela rapariga da terra. Um dia, diz-se, Maghan, vendo a sua noiva, a jovem virgem Sai, entregue à serpente, matou o réptil. Mas o pitão era o deus da fecundidade. Teria sido o seu desaparecimento que desencadeara a desertificação do país” (KI-ZERBO, s/d: 138). Deve-se ainda atentar para o fato de o Império ter, segundo as estimativas dos especialistas, cerca de um milhão de habitantes (DAVIDSON, 1992: 147).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De resto, Al-Bakri parece ter delimitado bastante bem a separação entre as duas culturas religiosas naquele momento: um bom exemplo disso é a saudação das pessoas quando se aproximavam do rei. Os animistas jogavam terra em sua cabeça em sinal de respeito, os muçulmanos batiam palmas, notável e marcante diferença que mostra o ainda baixo grau de penetração islâmica junto ao rei e à corte de Gana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suma, sabemos da existência desse rico império negro e escravocrata graças aos viajantes islâmicos e à presença muçulmana na região, com seu grupo letrado, mas que ainda não se misturara efetivamente com a população autóctone, nem conseguira penetrar na casa real, ainda de forte tradição animista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para finalizar, como eram fisicamente os homens de Gana? Outro cronista islâmico que viveu duzentos anos depois de al-Bakri, o historiador al-Umari (1301-1349), nos informa que o povo era “alto, de compleição preta retinta e cabelos encrespados”. Um dos informantes de al-Umari lhe disse que “o ouro é extraído cavando-se buracos na profundidade que chegam à altura de um homem e são encontrados embutidos nas laterais dos buracos, ou às vezes no fundo deles” (DAVIDSON, 1992: 148).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os séculos IX e X viram o apogeu do império negro de Gana. No entanto, no século XI, com o avanço almorávida, aqueles territórios foram teatro de grandes convulsões, como veremos a seguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/06/expansao-arabe-na-africa-2-parte.html"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;2ª Parte --&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; &lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23280462944009230-8939146985164787360?l=civilizacoesafricanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/feeds/8939146985164787360/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/06/expansao-arabe-na-africa-1-parte.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/8939146985164787360'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/8939146985164787360'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/06/expansao-arabe-na-africa-1-parte.html' title='&lt;strong&gt;A expansão árabe na África&lt;/strong&gt;'/><author><name>Valter Pitta</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TB6681d_coI/AAAAAAAAFY8/KIKFPlkCX0I/S220/C%C3%B3pia+de+hgghgd.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPrmMC3wBI/AAAAAAAAFf8/2AogTHUuQmY/s72-c/A+civiliza%C3%A7%C3%A3o+%C3%A1rabe+esteve+marcada+pelo+processo+de+expans%C3%A3o+da+religi%C3%A3o+isl%C3%A2mica..jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23280462944009230.post-3728593841587202304</id><published>2010-06-24T19:09:00.021-03:00</published><updated>2010-06-24T22:29:23.871-03:00</updated><title type='text'>A expansão árabe na África</title><content type='html'>&lt;strong&gt;A gesta dos almorávidas (1056-1147)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPYMXoU5qI/AAAAAAAAFd8/fh02kNy4oUY/s1600/Imagem+25.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5486466478080583330" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 350px; CURSOR: hand; HEIGHT: 298px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPYMXoU5qI/AAAAAAAAFd8/fh02kNy4oUY/s400/Imagem+25.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O Império Almorávida em sua maior extensão (1110).&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Os almorávidas, cuja dinastia começou em 448 (20 de março de 1056), eram formados por várias tribos que se diziam descender de Himyar. As mais célebres são as de lamtuna (ou lemtuna), da qual o príncipe dos crentes Ali ibn Taxufin faz parte, e os chadala. Saídas do Yêmen nos tempos de Abu Bakr Siddiq, que as enviou para a Síria, elas passaram depois para o Egito e depois se transferiram para o Magreb, com Musa ibn Nusayr. Seguiram depois para Tariq até o Tanger, mas seu gosto pelo isolamento as empurraram para o interior e ali habitaram até a época que vamos tratar (Kamil fi-l-Tarij, de Ibn al-Athir. In: SÁNCHEZ-ALBORNOZ, 1986, tomo II: 108).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No século XI, do Saara Espanhol ao Marrocos, surgiu um poderoso movimento berbere islâmico que varreu a costa setentrional da África até chegar à Península Ibérica, conferindo um novo caráter e dramaticidade tanto às culturas da África do Norte quanto à Reconquista Ibérica cristã. Para entendê-lo, é preciso levar em conta que, durante muito tempo, os berberes, como vimos, foram reticentes com o Islã, mas depois de terem se convertido transformaram-se em uma das etnias africanas que abraçaram a fé do Corão com mais força.&lt;br /&gt;No entanto, no século X, o Islamismo ainda era praticado em muitas áreas orientais africanas de maneira bastante permissiva. Isso ocorria especialmente com muitas tribos de chefes berberes da costa atlântica da Mauritânia, como os sanhadjas. Por exemplo, eles cumpriam a obrigação da peregrinação a Meca somente como uma formalidade política. Assim, ao retornar de Meca e parar em Kairuan, Yaya ibn-Ibrahim, chefe dos djoddalas, foi se consultar com um sábio muçulmano de nome Abu Amiru (de Fez) e foi repreendido por este por sua ignorância em relação à fé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sábio, chocado com o baixo nível de conhecimento da Lei corânica dos djoddalas, decidiu procurar um teólogo para instigá-lo a ir até àquele povo berbere e guiá-lo à luz da verdade sagrada. Encontrou Abdallah ibn Yacine, um grande letrado da cidade de Sidjilmasa, que aceitou ir pregar entre os djoddalas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, os berberes o receberam muito mal. Não gostaram nem um pouco das práticas ascéticas de Yacine, queimaram sua casa e o expulsaram. Yacine então se retirou (cerca de 1030) com dois discípulos da etnia berbere dos lemtunas, Yaya ibn Omar e seu irmão Abu Bakr (não confundir com o califa do mesmo nome do século VII), para algum lugar desconhecido da costa atlântica. Foi então que começaram a receber adeptos. Quando chegaram ao milhar, Ibn Yacine batizou-os de Al-Morabetin (aqueles do ribat), palavra que deu origem a almorávida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ribat era uma espécie de convento militar muçulmano erguido nas fronteiras do dar al-islan (a “Casa do Islã”) e que acolhia voluntários piedosos que desejavam se retirar do mundo e que ali ficavam sob as ordens de um veterano (sheikh) para se purificar e sair em missões conforme o desejo do sheikh (DEMURGER, 2002: 43). Demurger define o ribat em uma obra dedicada às ordens militares cristãs porque muitos historiadores consideram o ribat o antecessor islâmico das ordens militares e o autor discute essa tese, da qual discorda).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idéia de posto de vigília e mosteiro fortificado foi mais tarde valorizada pelo sufismo: os sufis levavam um modo de vida que buscava a união com Deus por meio do amor, do conhecimento baseado na experiência e ascese, que levaria a uma união estática com o Criador. Essa invocação tinha o objetivo de desviar a alma das distrações mundanas para libertá-la até o vôo da união com Deus. Uma das formas do dhikr era um ritual coletivo chamado hadra: os participantes repetiam constantemente o nome de Alá, cada vez mais rapidamente, até se chegar a um transe e perda da consciência do mundo sensível (COSTA, 2002: 73-74).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No tempo dos almorávidas não se têm notícias desse sentido preciso de guarnição religiosa. Nessa época, a palavra ribat significava “sua seita, seu corpo, suas forças, sua guerra santa”. O único autor que empregou a palavra precisa de rabita (fortaleza) foi Ibn Abi Zar, em sua obra Rawd al Qirtas (de 1326), portanto, duzentos anos depois do período de Yacine (KI-ZERBO, s/d: 143).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A missão dos almorávidas era impor a verdadeira fé pela força aos não-crentes. A partir de 1042, eles se lançaram em uma furiosa jihad a partir das regiões do Adrar e do Tagant, ambas hoje no coração do Saara Espanhol, contra os djoddalas e os lemtunas, tendo Yacine como chefe espiritual e Yaya como general. Negros do Tekrur logo se juntaram a eles, desejosos de se opor ao Império de Gana. Yaya foi expulso do exército, por não concordar com os saques e violações cometidos por seus soldados.&lt;br /&gt;Após um breve e novo retiro espiritual, ele conseguiu novas adesões de discípulos e se lançou novamente no deserto. Isso, somado à pregação religiosa de Yacine, fez com que as forças almorávidas ganhassem uma grande adesão de soldados (cerca de 30.000 homens armados de lanças, machados, maças, a pé, a cavalo e em camelos). Esse motivado exército religioso varreu todo o Sudão ocidental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPZGXW3gtI/AAAAAAAAFeE/lQNjOa6CGvU/s1600/Imagem+26.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5486467474439766738" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 285px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPZGXW3gtI/AAAAAAAAFeE/lQNjOa6CGvU/s400/Imagem+26.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Mesquita de Koutoubia, Marrakech (séc. XII)&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Yaya morreu em 1056 em uma batalha contra os djoddalas próxima a Atar. Yacine atacou o Marrocos (Maghreb el-Acsa) e morreu no ano seguinte, quando os almorávidas passaram a ser dirigidos pelo emir Abu Bakr. Este fundou em 1062 a cidade de Marrakech, apoderou-se de Fez, Tlemcen (capital dos zenatas) e alargou seu poder até Argel. Depois disso, Abu Bakr retornou para o sul e se instalou no Tagant, decidido a atacar e submeter o Império de Gana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os almorávidas na Península Ibérica&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas antes de tratar do declínio de Gana e de sua derrota para as forças almorávidas, abro um pequeno parêntese à conquista almorávida da Península Ibérica (1092-1094), devido à sua importância para o processo da Reconquista cristã. Nas palavras do conde D. Pedro de Portugal, filho bastardo do rei D. Dinis e famoso cronista do século XIV, os almorávidas eram “os melhores cavaleiros que os mouros tinham” (Crónica Geral de Espanha de 1344, 1990, vol. IV, cap. DLXVIII: 34).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses monges-soldados muçulmanos haviam declarado uma guerra santa contra “os muçulmanos depravados dos reinos ibéricos” (CAHEN, 1992: 295).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPZ2d1DlbI/AAAAAAAAFeM/bB5diXcKA88/s1600/Imagem+27.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5486468300810720690" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 328px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPZ2d1DlbI/AAAAAAAAFeM/bB5diXcKA88/s400/Imagem+27.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O movimento almorávida – do Saara Espanhol&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; à Península Ibérica &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;( 1042-1087); &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;KI-ZERBO, Joseph. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;História da África Negra I.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Lisboa: Publicações Europa-América, s/d, p. 144.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Mesmo antes da invasão almorávida na Península Ibérica, os governantes dos reinos de taifas, mais tolerantes com a convivência e a afinidade entre moçárabes e andaluzes, já não se interessavam pela guerra santa. A palavra taifa (que significa “partido, facção”) designa os principados que se constituíram na Hispânia sobre os restos do califado omíada de Córdoba (MIQUEL, 1971: 216).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo, o rei de Granada, ‘Abd Allãh Nãsir, conta em suas memórias que o hadjib Almançor (Muhammad ibn Abi ‘Amir) não conseguiu convencer os andaluzes a fazer a guerra, pois eles “...declararam-se incapazes de participar nas suas campanhas e alegaram (...) que não se achavam preparados para combater e, por outro lado, que a sua participação nas campanhas os impediria de cultivar a terra” (MATTOSO, 1985: 194).&lt;br /&gt;Outro bom exemplo da nova mentalidade dicotômica desses invasores berberes é a obra Ódio a cristãos e judeus do pensador cordovês Ibn Abdun (séc. XII):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Um muçulmano não deve fazer massagem em um judeu nem em um cristão, nem tirar suas sujeiras ou limpar suas latrinas, pois o judeu e o cristão são mais indicados para essas atividades, que são tarefas para gentes vis (…)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deve proibir-se às mulheres muçulmanas que entrem nas abomináveis igrejas, pois os clérigos são libertinos, fornicadores e sodomitas.&lt;br /&gt;(Tratado de Ibn Abdun. In: SÁNCHEZ-ALBORNOZ, tomo II: 219)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curiosamente, os almorávidas praticavam a cinofagia – morte de cães – uma prática e hábito culinário pré-islâmico presente em um hadith do profeta: “Os anjos não entram em uma casa onde há um cão”:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A Hadith consiste na tradição oral das tribos que habitavam a Arábia mais os ensinamentos de Maomé que não foram para o Livro, mas que foram se formando através dos anos. Esta tradição é que conta a história do Profeta, dos santos e dos outros profetas menores, entre estes Jesus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os mulçumanos acreditam também nos gênios, fadas, nos espíritos bons e maus, em práticas mágicas e outras coisas que, proibidas aos fiéis, podem ser usadas pelos descrentes (KHALIDI, 2001: 16-17).&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles também inovaram a sociedade dos nômades berberes e as das fronteiras do mundo negro, trazendo inovações táticas no modo de se fazer a guerra. Acrescentaram aos exércitos regulares três fileiras de arqueiros – precedendo a Europa cristã em quase dois séculos na superioridade da infantaria de arqueiros sobre a cavalaria. Além disso, numa revolução ideológica dos aspectos mentais do conflito, incluíram grupos com grandes tambores, com o intuito de aterrorizar os inimigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPcognLDpI/AAAAAAAAFec/DtjZRAMu-6Y/s1600/Imagem+28.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5486471359574511250" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 383px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPcognLDpI/AAAAAAAAFec/DtjZRAMu-6Y/s400/Imagem+28.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Exército muçulmano partindo para o ataque (1237) ; Iluminura &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;das&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; “Estações de Hariri” (1237), manuscrito da Biblioteca Nacional &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;de Paris. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Esta cena representa uma pequena paragem antes do ataque &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;decisivo, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;quando tocam as trombetas e rufam os tambores. Ela pode &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;estar se&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; referindo a uma das primeiras batalhas do Islão na &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Península&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ibérica. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;No entanto, os trajes dos guerreiros e os jaezes &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;das montadas&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;apontam&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; para uma origem oriental e para a época &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;em que&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; a iluminura &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;foi elaborada. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;In: MATTOSO, José (dir.). &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;História de Portugal. &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Antes &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;de Portugal.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Lisboa: Editorial Estampa, s/d, p. 399.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Este novo estilo de guerra, mais agressivo, era marcado basicamente pela fundamentação religiosa (MATTOSO, 1985: 194). Isto os distinguia dos outros islamitas andaluzes da Península, desprezados pelos berberes almorávidas. Assim, aconteceu a partir do século XI uma “internacionalização” do conflito na Península Ibérica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De um lado, cristãos peninsulares ligados ideologicamente ao restante da Europa, especialmente ao reino franco; de outro, muçulmanos ibéricos dos reinos de taifas auxiliados pelo conjunto de aliados da África do Norte, por sua vez intransigentes na ortodoxia. Nesse contexto deram-se as vitórias portuguesas do primeiro rei de Portugal, Afonso Henriques, na batalha de Ourique (1146), e na tomada da cidade de Lisboa (1147), com o auxílio de cruzados vindos do norte europeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A queda do Império de Gana (1203)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até esse avanço almorávida, o Império de Gana conseguira suportar os ataques estrangeiros, tanto de tribos inimigas quanto dos próprios berberes, graças ao seu exército composto de guerreiros soldados, cavaleiros e arqueiros – citados por Al-Bakri em sua obra, como vimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, apesar de uma forte resistência, eles foram derrotados pelos almorávidas e sua capital, Kumbi Saleh, foi tomada e saqueada, por volta de 1076. Com essa vitória, os almorávidas receberam um poderoso reforço, devido às conversões dos negros de Gana. Disso nos informa o cronista Al-Zuhuri: “As gentes do Gana tornaram-se muçulmanas em 1076 sob a influência dos lemtunas” (citado por KI-ZERBO, s/d: 147).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abu Bakr prosseguia em sua tentativa de unificar as tribos berberes e com elas atacar Gana. No entanto, morreu em uma escaramuça por causa de uma flecha envenenada (1087). Gana reconquistou sua independência, mas após a devastação e saque de sua capital, dez anos antes, o reino negro nunca mais conseguiu recuperar seu antigo poderio. Pelo contrário, as caravanas passaram a se desviar das rotas que privilegiavam o coração de Gana, e os comerciantes passaram a optar por Tombuctu, Gao e Djena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os muçulmanos ricos se refugiaram em Walata, especialmente depois do segundo saque da capital, Kumbi, em 1203, por parte do rei sosso Sumaoro Kanté. Paralelo a esse declínio comercial aprofundou-se o processo de islamização das etnias negras, embora sem nunca atingir todas as camadas da população – e, de resto, o islamismo negro era bastante mesclado com práticas animistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Império de Mali (1235-1500)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A queda do Império de Gana abriu um vácuo de poder. A grande questão era: quem tomaria agora o controle das rotas comerciais próximas das fontes auríferas? Os almorávidas fracassaram em sua tentativa de monopolizar o tráfico. O reino que parecia mais próximo de conseguir esse intento era o reino sosso dos Kantés, ao sul de Gana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1180, surgiu um guerreiro, Diarra Kanté, de um clã de ferreiros animistas adversários do Islão. Feiticeiro famoso e de prestígio, Kanté conseguiu tomar a cidade de Kumbi Saleh, mas sem ocupar as jazidas de ouro, controladas agora por uma tribo de camponeses, os malinqués (“homem de Mali”). Kanté, após dominar o Dyara, o Bakunu e o Bumbu, apoderou-se da região do Buré.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPdgezJKdI/AAAAAAAAFek/RXU14S7e7-I/s1600/Imagem+29.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5486472321160522194" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 286px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPdgezJKdI/AAAAAAAAFek/RXU14S7e7-I/s400/Imagem+29.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Mapa do Império de Mali (século XIV)&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Kanté foi um pequeno interregno entre dois impérios, Gana e Mali. Quanto ao segundo, não se conhecem as origens do reino de Mali (ou Mandinga). Diferentes etnias viviam naquela região. Seus chefes se diziam “caçadores-mágicos”, todos com ritos iniciatórios mais ou menos comuns. Esses clãs estavam unidos pelo chamado “parentesco de brincadeira”, isto é, um curioso direito e dever de fazer troça uns aos outros. O chefe gozava do monopólio das pepitas de ouro. A estrutura social baseava-se em uma grande família que dispunha de um campo comunitário (foroba) próximo à aldeia. Logo um dos herdeiros sosso tomou o título de mansa (ou maghan), isto é, imperador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paralelo a esse processo de integração por parte dos sosso acontecia a conversão ao Islamismo. Baramendana foi o primeiro rei a se converter, graças ao pai de Abu Bakr, em 1050. A tradição conta que Baramendana estava desesperado por causa de uma longa seca. Então se dirigiu a um devoto lemtuna que o levou a um monte para passar uma noite rezando. Pela manhã choveu, e o rei mandou destruir os ídolos animistas e se converteu ao Islamismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPeB0iMGaI/AAAAAAAAFes/2ByyvJNzTnU/s1600/Imagem+30.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5486472893930674594" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 333px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPeB0iMGaI/AAAAAAAAFes/2ByyvJNzTnU/s400/Imagem+30.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O Império de Mali com seus reinos “vassalos” &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(século XIV); &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;KI-ZERBO, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Joseph. H&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;istória da &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;África Negra I. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Lisboa: &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Publicações Europa-América, s/d, p. 165.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A partir de 1150 se conhece relativamente bem a cronologia dos reis de Mali. Hamana, Djigui Bilali (1175-1200), Mussa Keita, Naré Famaghan (1218-1230) e principalmente Sundjata (ou Mari Djata, o “Leão do Mali”), todos com estórias recheadas de lendas e mitos e transmitidas também pelos griot, os “transmissores de ouvido” de cada etnia que passam de geração para geração as tradições de sua cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na época de Sundjata, Mali era um reino essencialmente agrícola. Os malinqués desenvolveram a cultura do algodão, do amendoim e da papaia, além da criação de gado. Sundjata instituiu uma associação de trinta clãs (de artesãos, de guerreiros, de homens livres – que, no entanto, eram chamados de “escravos da coletividade”, os ton dyon). Com o crescimento do reino, a categoria dos escravos se multiplicou – recorde que sempre os reinos negros praticaram a escravidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o filho de Sundjata, Mansa Ulé (1255-1270) e seus sucessores – Abubakar I, Sakura, Abubakar II – até Mansa Mussa (ou Kandu Mussa, 1312-1332), o reino de Mali passou a ser conhecido no mundo ocidental. Em 1324, Mansa Mussa realizou uma peregrinação a Meca, passando pelo Egito e com a intenção de maravilhar os soberanos árabes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPfAWPyeFI/AAAAAAAAFe0/JXISfFOiWCg/s1600/Imagem+31.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5486473968132192338" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 371px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPfAWPyeFI/AAAAAAAAFe0/JXISfFOiWCg/s400/Imagem+31.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Figura sentada, Mali (século XIII); Observe as feições&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;alongadas&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; do rosto do personagem, aliás, de todo o corpo. &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Pode-se, assim, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;ter uma noção do tipo físico predominante então, &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;além &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;de uma contemplação de posturas e gestos corporais.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O Tarikh es Soudan! (1655), de autoria do mouro Es Saadi, nos informa que ele atravessou o deserto passando por Walata e pelo Tuat com 60.000 mil servidores (escravos), evidentemente um exagero – as cifras hoje estão por volta de 500. (HEERS, 1983: 79). Chegou ao Cairo com cerca de duas toneladas de ouro (!), em pó e em pepitas. O cronista Al-Omari (†1349) nos conta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Quando da minha primeira viagem ao Cairo, ouvi falar da vinda do sultão Mussa (...) E encontrei os habitantes do Cairo todos excitados a contarem as largas despesas que haviam visto fazer às suas gentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este homem espalhou pelo Cairo ondas de generosidade. Não deixou ninguém, oficial da coroa ou titular de qualquer função sultânica, sem receber dele uma quantia em ouro. Que nobre aspecto tinha este sultão! Que dignidade e que lealdade! (citado por KI-ZERBO, s/d: 171).&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mansa Mussa foi tão generoso que, ao sair do Cairo, foi obrigado a pedir um empréstimo a um riquíssimo mercador de Alexandria, para que pudesse manter sua largueza até chegar a Meca...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua peregrinação fez o Império de Mali ser conhecido por todo o mundo, e os mapas europeus passaram a citá-lo. Por exemplo, tanto o de Angelo Dulcert Portolano (1339), quanto o Atlas catalão de Abraão Cresques (1375), elaborado para o rei da França Carlos V (1338-1380), o Sábio, trazem nitidamente o nome da capital (Ciutat de Melli), além do rei de Mali, Mansa Mussa, sentado em seu trono e segurando uma pepita de ouro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPf2cLmmhI/AAAAAAAAFe8/RdzWP7o9mWM/s1600/Imagem+32.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5486474897438186002" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 350px; CURSOR: hand; HEIGHT: 117px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPf2cLmmhI/AAAAAAAAFe8/RdzWP7o9mWM/s400/Imagem+32.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Mapa do Norte da África (manuscrito catalão de 1375); &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Este mapa catalão do século XIV do Norte da África tem &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;quatro reis, três africanos: o rei Mansa Musa de Mali &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(sentado, com uma gema de ouro na mão direita), &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;o rei &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;de Organa, o rei da Núbia e o rei da Babilônia.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPgaPtcXRI/AAAAAAAAFfE/j2Jiw0a4DEM/s1600/Imagem+33.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5486475512565751058" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 208px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPgaPtcXRI/AAAAAAAAFfE/j2Jiw0a4DEM/s400/Imagem+33.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Detalhe do mapa do Norte da África (manuscrito catalão de 1375); &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Os dois números em vermelho marcam dois textos. São eles: &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;1. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;“Toda esta parte tem gentes que ocultam a boca; só se &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;vêem &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;seus olhos. Vivem em tendas e têm caravanas de camelos. &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Também possuem animais de cujas peles fazem excelentes escudos”. &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;2. “Este senhor negro é aquele muito melhor senhor dos negros &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;de Guiné. Este rei é o mais rico e o mais nobre senhor &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;de toda &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;esta &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;parte, com abundância de ouro na sua terra” (tradução literal).&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Observe que embaixo do globo de ouro que o imperador&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Mansa&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Musa &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;segura na mão direita está a representação &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;da cidade de Tumbuctu.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;DAVIDSON, Basil. “Os Impérios Africanos”, História em Revista&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; (1300-1400). &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A Era da Calamidade. Rio de Janeiro: Abril Livros / Time-Life, 1992, p. 149.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;De regresso para Mali, o imperador trouxe consigo um poeta-arquiteto, Abu Issak, mais conhecido como Es Saheli. Com ele, construiu a grande mesquita de Djinger-ber, em Tumbuctu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os sucessores de Mansa Mussa tiveram dificuldades de manter um território tão vasto. Depois de Maghan (1332-1336), até Mussa II (1374-1387), o reino de Mali viu Tumbuctu ser saqueada, além de sucessivos assassinatos palacianos que enfraqueceram o império. Lentamente a hegemonia passava para o reino de Gao, que anexava uma a uma as províncias do leste, além de tomar a cidade de Djena, metrópole comercial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final do século XV o Tekrur passou para os domínios do estado wolofo. Houve um curto período confuso entre a hegemonia do Mali e do Gao. Várias etnias foram arrastadas para o movimento dos peules do Bundu, conduzido por Tenguella I (chamado de “o Libertador”). O imperador do Mali tentou até uma aliança com D. João II de Portugal, mas nenhuma das missões portuguesas parece ter chegado a seu destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A religião em Mali&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como todos os reinos negros islamizados desse período, a religião em Mali era um misto de várias influências, especialmente as pagãs. Por exemplo, Mussa desconhecia a interdição do Corão de ter mais de quatro mulheres, e os malinqués comiam carnes proibidas pelo Islão. Sacerdotes com máscaras de aves praticavam ritos animistas na corte. Em contrapartida, as festas religiosas islâmicas eram celebradas com grande pompa. As crianças aprendiam o Alcorão, às vezes com duros castigos – eram postas a ferro, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O imperador e sua corte em Mali (descrição de Ibn Batuta)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPiMQhPAGI/AAAAAAAAFfM/a32E4-XaY6c/s1600/Imagem+34.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5486477471288066146" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 220px; CURSOR: hand; HEIGHT: 238px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPiMQhPAGI/AAAAAAAAFfM/a32E4-XaY6c/s400/Imagem+34.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ibn Batuta.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cronista muçulmano Ibn Batuta (1307-1377), um dos maiores viajantes da Idade Média, chegou a Mali quinze anos depois da morte de Mansa Musa, entre os anos 1352-1353. Em um belo texto medieval, esse notável cronista muçulmano nos informa o fausto da corte do imperador de Mali (o texto explicativo em parênteses é de Ricardo da Costa):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sultão tem uma cúpula elevada, cuja porta se encontra no interior de seu palácio e onde ele se senta com freqüência. Tem do lado das audiências três janelas em arco, de madeira, cobertas de placas de prata, e por baixo delas três outras guarnecidas de lâminas de ouro ou de prata dourada. Estas janelas têm cortinados de lã que são levantados no dia da audiência do sultão na cúpula (...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da porta do castelo saem trezentos escravos, uns com arcos na mão, outros com pequenas lanças e escudos. Uns estão sentados, outros de pé. À chegada do rei, três escravos precipitam-se para chamar o seu lugar-tenente. Chegam os comandantes, assim como o pregador, os sábios juristas, que se sentam à esquerda e à direita, diante dos homens de armas. À porta, de pé, o intérprete dougha em grande aparato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está soberbamente vestido, em seda fina. O seu turbante está ornado de franjas, que estas gentes sabem fazer admiravelmente. Tem um sabre a tiracolo, cuja bainha é de ouro. Nos pés botas e esporas (...) Tem na mão duas lanças curtas. Uma é de prata, a outra é de ouro. As pontas são de ferro. Os militares, o governador, os pajens ou eunucos e os mesufitas (mercadores berberes e sarakholés) estão sentados no exterior do lugar das audiências, numa longa rua, vasta e com árvores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada comandante tem diante de si os seus homens, com as suas lanças, os seus arcos, os seus tambores, as suas trompas, enfim, com os seus instrumentos de música feitos com caniços e cabaças, em que se bate com baquetas e que dão um som agradável (as trompas eram feitas de marfim das presas de elefantes). Cada um dos comandantes tem sua aljava às costas. Tem o seu arco à mão e anda a cavalo (...) No interior da sala de audiências e nas janelas vê-se um homem de pé. Quem desejar falar ao rei dirige-se primeiro ao dougha. Este fala ao dito personagem que está de pé e este último ao soberano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Instala-se então um grande estrado com três degraus debaixo de uma árvore. É o pempi. (segundo Al-Omari, o pempi era uma grande cadeira de ébano, parecida com um trono, com as medidas adequadas a uma personagem alta e gorda. De cada lado, uma defesa de elefante a cobri-lo, uma em frente da outra). É coberto de seda e guarnecido de almofadas. Por cima instala-se o guarda-sol, que parece uma cúpula de seda, no alto da qual se vê uma ave do tamanho de um gavião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rei sai por uma porta aberta num ângulo do castelo. Tem o seu arco à mão e a aljava às costas. Traz na cabeça um solidéu de ouro, fixado por uma pequena faixa também de ouro, cujas extremidades são pontiagudas como facas e com mais de um palmo de comprimento. Na maioria das vezes, traz uma túnica vermelha e felpuda, feita com tecidos de fabricação européia chamados mothanfas. Diante dele saem os cantores, tendo na mão um kanabir de ouro e de prata (O kanabir era uma calhandra, isto é, uma espécie de cotovia, sabiá-do-campo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atrás dele encontram-se cerca de trezentos escravos armados. O soberano caminha lentamente. Aproxima-se devagar e pára mesmo de vez em quando. Chegado ao pempi, deixa de caminhar e olha para os assistentes. Em seguida, sobe lentamente o estrado, como o pregador sobe ao púlpito. Uma vez sentado, tocam-se os tambores e fazem-se soar as trompas e as trombetas. (citado por KI-ZERBO, op. cit.: 176-177.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns dos pajens escravos do rei eram comprados no Cairo. Era expressamente proibido espirrar em sua presença. Os cortesãos vestiam-se de branco, com tecidos de algodão cultivado na própria terra. As jovens e mulheres escravas, em contrapartida, andavam completamente nuas, para escândalo de Ibn Batuta. Ele ainda estranhou a comida: “Dez dias depois de nossa chegada, comemos um mingau que eles preferem a qualquer outra comida. Na manhã seguinte, estávamos todos doentes”. (citado por DAVIDSON, op. cit.: 150)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A organização política e a vida econômica&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No século XVI, tempo de Mahmud Kati, historiador e conselheiro do Askia Mohammed, o império tinha cerca de quatrocentas cidades e vilas. O sistema de governo era descentralizado. Era dividido em províncias, administradas por um dyamani tigui (ou farba). As províncias eram subdivididas em conselhos (kafo) e aldeias (dugu).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A autoridade da aldeia poderia ser bicéfala: um chefe político, outro religioso. O farba recolhia impostos e requisitava tropas, caso necessário. Havia ainda reinos subordinados que reconheciam a hegemonia do imperador, enviando regularmente presentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos segredos do Império de Mali foi a maleabilidade de seu sistema político, única lógica possível em uma estrutura sem burocracia, além da tolerância religiosa. Povos tão variados como os tuaregues, os songais, os malinqués e os peules, reconheceram, durante mais de cem anos, a soberania do imperador de Mali. Há um elogio do cronista Ibn Batuta que expressa bem esse sentimento de confiança no funcionamento da estrutura do império:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não é necessário andar de caravana. A segurança é completa e geral em todo o país (...) O sultão não perdoa a ninguém que se torne culpado de injustiça (...) O viajante, tal como o homem sedentário, não tem a temer os malfeitores, nem os ladrões, nem os que vivem de pilhagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pretos não confiscam os bens dos homens brancos que venham a morrer nas suas terras, ainda mesmo que se trate de tesouros imensos. Depositam-nos, pelo contrário, em mãos de um homem de confiança dentre os brancos, até que se apresentem aqueles a quem revertam por direito e tomem conta deles.&lt;br /&gt;(citado por KI-ZERBO, op. cit.: 180).&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é um belo testemunho da grandeza do Mali, feito pelo maior viajante da época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Império Songai (de Gao)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPjjwxsY-I/AAAAAAAAFfU/lQGDcE7aabc/s1600/Imagem+35.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5486478974595654626" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 350px; CURSOR: hand; HEIGHT: 290px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPjjwxsY-I/AAAAAAAAFfU/lQGDcE7aabc/s400/Imagem+35.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Máxima extensão do Império de Songai (século XVI).&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Uma das características mais perenes das sociedades pré-industriais e iletradas (ou semiletradas) é a existência de mitos de origem relacionados à cultura e especialmente ao poder monárquico, além de suas manifestações sociais, todos mitos originários das tradições orais africanas (Controversial Origins). Além disso, os homens das sociedades pré-industriais também tinham uma forma bastante distinta de se relacionar com o mundo (a natureza) e com seus animais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caso do Império de Songai (ou de Gao) é um deles. Sua estória começa com o mito do feiticeiro Faran Makan Boté. Ele nasceu de um pai sorko e uma “mãe-fada ligada aos espíritos das águas”. Ao subir o rio, Makan Boté se aliou aos caçadores gows e pescadores sorkos, e passou a exercer as funções de grande sacerdote (kanta) junto a camponeses na região de Tillabery. Assim teriam nascido as energias mágicas do Songai. (KI-ZERBO, op. cit.: 181)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a lenda não pára aqui. Por volta do ano 500, príncipes berberes chegaram às margens da curva do rio Níger e libertaram os pescadores sorkos e camponeses gabibis do terror de um peixe-feiticeiro (seria um descendente de Makan Boté). O autor da façanha teria sido Za Aliamen, e a partir de então sua dinastia reinaria em Kukya até 1335 (no mapa acima, a região assinalada entre Tumbuctu e Gao). Por volta de 1009, Diá Kossoi, décimo-quinto rei da dinastia fundada por Za Aliamen, fixou sua capital em Gao. Ele foi o primeiro rei a se converter ao Islamismo. Já no século XI, Gao rivalizava com a cidade de Kumbi, capital de Mali.&lt;br /&gt;Esse surto de desenvolvimento despertou a cobiça dos malinqués: em 1325, Gao foi conquistada pelo Império de Mali, mas em 1337, dois irmãos e príncipes songaleses – Ali Kolen (ou Golon) e Suleiman Nar – conseguiram se desvencilhar da dominação mali, e Ali Kolen fundou a nova dinastia dos Sis (ou Sonnis).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suleiman Daman (ou Dandi), décimo-oitavo rei da dinastia Sonni, teria conquistado a cidade de Mesma, mas foi com Sonni Ali (1464-1493), ou Ali Ber (o Grande), ou ainda Dali (o Altíssimo), imperador songai e grande feiticeiro, é que o império se afirmou definitivamente. Sonni Ali conquistou Tumbuctu – então sob o domínio tuaregue –, realizando um verdadeiro massacre (1468), motivo pelo qual os escritores muçulmanos terem-no apresentado como um tirano sanguinário, um ímpio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali também conquistou Djenne (1473), após noventa e nove tentativas dos malinqués de se apoderar de volta da cidade, além do centro de Macina, um pouco mais ao norte. Abriu ainda um canal d’água a oeste do lago Faguibine (ver imagem 42) e ordenou a redação das atas oficiais do reino. Com sua morte, em 1492, seu filho Sonni Bakary assumiu a coroa, mas reinou somente um ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida, houve uma tomada do poder: o filho de Sonni renegou a fé islâmica e um lugar-tenente chamado Mohammed Torodo, assumiu o trono, com o nome de Askia Mohammed, com a ajuda dos ulemás, corpo de estudiosos. (HOURANI, op. cit.: 77)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como Mussa, Askia também realizou uma luxuosa peregrinação a Meca em 1496, com quinhentos cavaleiros e mil homens a pé. Esse mini-exército de escravos e homens livres levava consigo 300.000 peças de ouro, um terço distribuído em esmolas durante a viagem. No Hedjaz, Askia conseguiu do califa o título de “califa do Sudão”: Khalifatu biladi al-Tekrur.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do califa Mohammed até Askia Ishak I (1539-1549), o império adquiriu cada vez mais territórios, graças às guerras – e apesar das intrigas e assassinatos políticos palacianos. Por exemplo, no tempo de Askia Mohammed Bunkan (1531-1537), o imperador de Songai tinha uma grande corte com um harém, seus cortesãos recebiam roupas de fazenda e braceletes (mantendo a tradição medieval do soberano vestir, literalmente, seus convivas) e uma orquestra, com novos instrumentos (trombetas e tambores) acompanhava o príncipe em suas viagens. A guarda pessoal do soberano era composta de 1.700 homens. O império então se estendia por mais de dois mil quilômetros, de Teghazza ao país dos mossi (norte a sul), de Agades a Tekrur (leste a oeste).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPk0KZkcPI/AAAAAAAAFfc/ei_A_jEOPfY/s1600/Imagem+36.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5486480355863326962" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 350px; CURSOR: hand; HEIGHT: 259px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPk0KZkcPI/AAAAAAAAFfc/ei_A_jEOPfY/s400/Imagem+36.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Mapa do Império de Songai (Gao) e de seus vassalos (século XVI).&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Mais bem organizado e estruturado que o império de Mali, Songai estava fundado em torno da pessoa do imperador. No dia de sua entronização, ele recebia um selo, uma espada e um Corão, além de conservar dois atributos mágicos antigos: o tambor e o fogo sagrado (dinturi). A corte obedecia a um rígido protocolo: por exemplo, o cuspe do príncipe não podia cair no chão, sendo recolhido nas mangas de qualquer um dos setecentos homens vestidos de seda que o acompanhavam. Como em Mali, todos os que se aproximavam dele deveriam cobrir a cabeça de pó, com raras exceções (no caso do general do exército, este utilizava farinha).&lt;br /&gt;A formação do exército, dividido por sua vez em vários corpos, reestruturou a sociedade: isento de ir à guerra, o povo trabalhava na terra, na produção artesanal e no comércio. A “burocracia” era muito estratificada (citemos apenas alguns cargos): os altos funcionários (os koy, os fari), ministros e governadores das montanhas (tondi-fari), feiticeiras (que tinham a permissão de dirigirem-se ao imperador pelo nome), o governador da província (gurma-fari) que era o celeiro agrícola do império, o ministro da navegação fluvial (hi-hoy), o chefe dos cobradores de impostos (fari-mondyo), o sacerdote do culto aos antepassados (horé-farima), o inspetor das florestas (sao-farima), o chefe dos pescadores (ho-koy), e ministro encarregado dos homens brancos residentes no império (korey-farima). Todos eram nomeados e demitidos pelo imperador a seu bel-prazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A economia songai é hoje calculada com base no número de escravos disponíveis para o trabalho no campo. Por exemplo, uma terra com duzentos escravos deveria produzir cerca de 250 toneladas de arroz por ano (1.000 sunus). O historiador Ki-Zerbo descarta a possibilidade de comparação desse sistema escravocrata com o feudalismo europeu, embora defenda um princípio semelhante para o caso africano: a existência do sistema religioso-simbólico de dádiva e contra-dádiva atenuava a opressão escravocrata. Pois o que interessava ao senhor da terra era ter o maior número de famílias e aldeias de servos, não apenas a exploração econômica (KI-ZERBO, op. cit.: 187-188).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso certamente é um caráter análogo ao sistema sócio-econômico vigente cerca de quatrocentos anos antes na Europa medieval. Esse sistema, também chamado de dom e contra-dom, está bem expresso em um documento, escrito pelo historiador soninké de Tumbuctu, Mahmud Kati (Tarikh el-Fettach – a Crônica do Buscador – obra escrita em 1520). Nele, há um interessante e expressivo diálogo em que o imperador Askia Daud concede a liberdade a uma escrava. Ela, por sua vez, sentindo-se presa a ele, declara:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;É necessário que eu te traga um tributo para que, com ele, te lembres de mim. Será de duas barras de sabão no princípio de cada ano.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então o imperador respondeu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E eu também quero, para obter o perdão do Altíssimo e a Sua indulgência, mandar-te pagar um tributo, que receberás de mim no princípio de cada ano e que será constituído por uma barra inteira de sal e por um grande pano preto. Aceita-o, pelo amor de Deus. (citado por KI-ZERBO, op. cit.: 188)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPl9SSgG1I/AAAAAAAAFfk/1W6ixBrV1LQ/s1600/Imagem+37.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5486481612111616850" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 258px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPl9SSgG1I/AAAAAAAAFfk/1W6ixBrV1LQ/s400/Imagem+37.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Página de um manuscrito de Mahmud Kati (1485); &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Observe os comentários do próprio autor escritos nas margens.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O ouro e o sal serviam de moeda corrente em Songai, mas a principal moeda eram os cauris, conchas de moluscos utilizadas como moeda de troca até meados do século XIX – e isso do Sudão à China. De qualquer modo, os imperadores Askias procederam a uma unificação de pesos e medidas para evitar fraudes.&lt;br /&gt;As cidades do império eram bastante populosas, e parece que suas gentes se orgulhavam disso. Um trecho da mesma obra de Mahmud Kati ilustra muito bem esse sentimento de auto-estima:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tendo surgido uma contenda entre as gentes de Gao e as de Cano quanto a saber qual das duas cidades era a mais populosa, frementes de impaciência, jovens de Tombuctu e alguns habitantes de Gao intervieram e, pegando em papel, em tinta e em penas entraram na cidade de Gao e puseram-se a contar os grupos de casas, começando pela primeira habitação a oeste da cidade, e a inscrevê-las uma após a outra, “casa de fulano”, “casa de sicrano”, até chegarem às últimas construções da cidade, do lado leste. A operação levou três dias e contaram-se 7.626 casas, sem incluir as cubatas construídas de palha. (citado por KI-ZERBO, op. cit.: 189)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse certamente é um dos primeiros censos conhecidos em África, talvez mesmo um dos primeiros do fim da Idade Média européia. Com ele, os historiadores puderam calcular uma população citadina de cerca de 100.000 habitantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tumbuctu renasce na pena de Al-Hasan (1483-1554)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPmyu6VK2I/AAAAAAAAFfs/KCzFm2bBvVs/s1600/Imagem+38.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5486482530327931746" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 150px; CURSOR: hand; HEIGHT: 265px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPmyu6VK2I/AAAAAAAAFfs/KCzFm2bBvVs/s400/Imagem+38.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Mesquita songai de Tumbuctu (séc. XVI).&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Todas essas cidades eram grandes centros de estudos, especialmente dos textos religiosos e de Direito (notadamente a jurisprudência). Em sua obra Descrição da África (1526), o granadino Al Hasan, chamado de Leão, o Africano (al-Hasan ibn Muhammad al Wazzân az-Zayâtî, 1483-1554), nos dá preciosas e claras informações sobre a cidade de Tumbuctu (os comentários em parênteses são de Ricardo da Costa):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O reino recebeu recentemente esse nome, depois que uma cidade foi construída por um rei chamado Mansa Suleyman, no ano 610 da Hégira (1232), próxima doze milhas de uma filial do rio Níger (Mansa Suleiman reinou nos anos 1336-1359. Na verdade, a cidade de Tumbuctu foi provavelmente fundada no século XI pelos tuaregues, e antes foi capital do reino de Mali em 1324).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As casas de Tombuctu são choupanas feitas de pau-a-pique de argila, cobertas com telhados de palha. No centro da cidade há um templo construído de pedra e de almofariz por um arquiteto de nome Granata. (Ishak es Sahili el-Gharnati, trazido para Tumbuctu por Mansa Suleiman)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do templo, há um grande palácio também construído pelo mesmo arquiteto, onde o rei vive. As lojas dos artesãos, dos comerciantes, e, especialmente, as dos tecelões de pano de algodão, são muito numerosas. As telas são importadas da Europa para Tombuctu, carregadas por comerciantes da Barbária. (Por caravanas de camelos que passavam pelo deserto do Saara vindas da África do Norte)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mulheres da cidade mantêm o costume de vendar seus rostos, com exceção dos escravos, que vendem todos os gêneros alimentícios. Os habitantes são tão ricos, especialmente os estrangeiros que se estabeleceram no país, que o rei atual deu duas de suas filhas a dois irmãos, ambos homens de negócios, pois era ciente de suas riquezas. (O autor se refere a Omar ben Mohammed Naddi, que não era de fato o rei, mas um representante do rei de Songai)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muitos poços que contêm água doce em Tumbuctu. Além disso, quando o rio Níger está cheio, canais levam a água para a cidade. Grãos e animais são abundantes, de modo que o consumo de leite e de manteiga é considerável. Contudo, o fornecimento de sal é fraco, porque ele é levado daqui para Tegaza, que fica cerca de 500 milhas de Tumbuctu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu mesmo estava na cidade no momento em que uma carga de sal foi vendida por oito ducados. O rei tem um rico tesouro rico de moedas e pepitas de ouro. Uma dessas pepitas pesa 970 libras. (Como vimos, os escritores muçulmanos mencionam freqüentemente as fabulosas pepitas de ouro africanas, mas atualmente há a tendência de se considerar os tamanhos descritos por eles um exagero)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A corte real é magnífica e muito bem organizada. Quando o rei vai de uma cidade a outra com as gentes de sua corte, monta um camelo e os cavalos são conduzidos manualmente por servos (escravos). Se a luta é necessária, os servos montam os camelos e todos os soldados montam nas costas dos cavalos. Quando alguém desejar falar com o rei, deve ajoelhar-se diante dele e curvar-se ao chão; mas isto é exigido somente daqueles que nunca falaram nem com o rei, nem com seus embaixadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rei tem aproximadamente 3.000 cavaleiros e uma infinidade de soldados de infantaria, todos armados com arcos feitos de funcho selvagem, e com o qual disparam setas envenenadas. (Funcho é uma planta aromática e ramosa, de grande importância medicinal)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este rei faz a guerra somente contra os inimigos vizinhos e contra aqueles que não aceitam lhe pagar tributo. Quando obtêm uma vitória, ele vende todos os inimigos, inclusive as crianças, no mercado em Tumbuctu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pobres cavalos nascem pequenos neste país. Os comerciantes usam-nos para suas viagens e os cortesãos para mover-se na cidade. Os bons cavalos vêem da Barbária. Chegam em uma caravana e, dez ou doze dias mais tarde, são conduzidos ao soberano, que, caso goste, os examina e paga apropriadamente por eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rei é um inimigo declarado dos judeus. Ele não permitirá que nenhum deles viva na cidade. Caso ouça que um comerciante da Barbária anda ou faz negócio com eles, o rei confisca seus bens. Há numerosos juízes em Tumbuctu, professores e sacerdotes, todos bem nomeados pelo rei, que honra muito as letras. Muitos livros escritos à mão e importados da Barbária são vendidos. Há mais lucro nesse comércio do que em toda a mercadoria restante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao invés de dinheiro, são usadas pepitas puras de ouro como moeda de troca. Para compras pequenas, escudos de cauris trazidos da Pérsia; quatrocentos cauris igualam um ducado. Seis ducados e dois terços correspondem a uma onça romana de ouro. (Como vimos, os cauris eram conchas de moluscos utilizadas como moeda, desde o Sudão até a China; um ducado de ouro sudanês deveria pesar cerca de 15 gramas)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os povos do Tumbuctu são de natureza calma. Têm um costume quase regular de caminhar à noite pela cidade (com exceção daqueles que vendem ouro), entre dez e uma hora da madrugada, tocando instrumentos musicais e dançando. Os cidadãos têm muitos escravos a seu serviço, tanto homens quanto mulheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cidade corre muito perigo de incêndios. Quando eu estava lá em minha segunda viagem (provavelmente em 1512), metade da cidade queimou no espaço de cinco horas. Com medo de o vento violento levar o fogo para a outra metade da cidade e também queimá-la, os habitantes começaram a tirar seus pertences.Não há nenhum jardim ou pomar na área que cerca Tumbuctu. (Leo Africanus: Description of Timbuktu, from The Description of Africa [1526])&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A educação no Império de Songai&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como em todo o mundo urbano islâmico, a educação era muito incentivada pelos potentados locais. Tumbuctu e as demais cidades do Império de Songai tinham muitos professores e uma antiga tradição de centros de estudos. Em Tumbuctu, por exemplo, a universidade de Sankore, organizada em torno de três mesquitas (Jingaray Ber, Sidi Yahya e Sankore), abrigava já no século XII cerca de 25.000 estudantes, isso em uma população de cerca de 100.00 pessoas, como vimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPoLGIkx1I/AAAAAAAAFf0/jZaUoEMSikc/s1600/Imagem+39.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5486484048390178642" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 350px; CURSOR: hand; HEIGHT: 235px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPoLGIkx1I/AAAAAAAAFf0/jZaUoEMSikc/s400/Imagem+39.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Universidade de Sankore, construída por volta do século IX.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Doutores atravessavam o deserto para ministrar seus cursos ou assistir a alguma disciplina de um colega. O cádi (juiz) de Tumbuctu, Mahmud, inspirava reverência dos Askias e de seus ministros - suas funções eram distintas das do governador, pois não tinha deveres políticos ou financeiros, cabendo-lhe somente decidir conflitos e tomar decisões à luz do sistema islâmico de leis (HOURANI, op. cit.: 56)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas vezes o cádi censurava abertamente o imperador nos conselhos, quando se sentavam ao lado dos generais. Por exemplo, novamente segundo Mahmud Kati em sua obra Tarikh el-Fettach (1520) – e se acreditarmos na sinceridade de seu relato - ele teria dito pessoalmente ao Askia Mohammed, de quem era conselheiro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Esqueceste ou finges esquecer o dia em que me foste procurar em casa e me pegaste pelo pé e pelas roupas, dizendo-me “Venho colocar-me sob a tua proteção e confiar-te a minha pessoa para que me livres do fogo do Inferno”? Foi por esse motivo que pus fora os teus enviados. (citado por KI-ZERBO, op. cit.: 190)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se vê – e Ki-Zerbo destaca muito bem isso em sua obra – a soberba universitária tem longa tradição mundo afora, e aqui se misturava ao clericalismo vigente no século XVI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desse celeiro de estudiosos de Songai, o mais ilustre sem dúvida foi Ahmed Baba (c. 1556-1620). Nascido em Arauane (dez dias de marcha de Tumbuctu a Tuat), Baba teria escrito setecentas obras (!), dentre elas um dicionário dos sábios do rito malekita e um tratado sobre as populações do Sudão ocidental. Seus estudos abrangiam praticamente todo o campo dos estudos islâmicos da época: Língua Árabe, Retórica, Exegese corânica e Jurisprudência. Sua biblioteca tinha cerca de 1.600 obras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mahmud Kati escreveu com entusiasmo sobre esse ambiente cultural efervescente no Império de Songai, e com ele termino minha narrativa da expansão muçulmana na África e o surgimento dos impérios negros ao sul do Saara:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Naquele tempo, Tombuctu era sem igual entre as cidades do país dos Negros pela solidez das instituições, pelas liberdades políticas, pela pureza dos costumes, pela segurança das pessoas e dos bens, pela clemência e compaixão para com os pobres e os estrangeiros, pela cortesia em relação aos estudantes e aos homens de ciência e pela assistência prestada a estes últimos. (citado por KI-ZERBO, op. cit.: 191)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, até o século XVI, o Império de Songai, como o restante da África negra, conheceu um grande desenvolvimento e expansão. No entanto, a partir de então, os estados muçulmanos passariam a um expansionismo brutal (o primeiro deles o reino de Marrocos, muito interessado nas minas de sal do outro lado do deserto). Somado a isso, a Europa passou a conhecer a África e utilizá-la para seus fins igualmente expansionistas. “É o começo de uma aventura sombria”, afirma Ki-Zerbo. (KI-ZERBO, op. cit.: 251)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/06/expansao-arabe-na-africa-1-parte.html"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;--1ª Parte&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;.:: &lt;a href="http://www.ricardocosta.com/"&gt;Site do Ricardo da Costa&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23280462944009230-3728593841587202304?l=civilizacoesafricanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/feeds/3728593841587202304/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/06/expansao-arabe-na-africa-2-parte.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/3728593841587202304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/3728593841587202304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/06/expansao-arabe-na-africa-2-parte.html' title='&lt;strong&gt;A expansão árabe na África&lt;/strong&gt;'/><author><name>Valter Pitta</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TB6681d_coI/AAAAAAAAFY8/KIKFPlkCX0I/S220/C%C3%B3pia+de+hgghgd.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TCPYMXoU5qI/AAAAAAAAFd8/fh02kNy4oUY/s72-c/Imagem+25.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23280462944009230.post-4200727821370374272</id><published>2010-06-15T13:21:00.015-03:00</published><updated>2010-06-25T14:32:17.993-03:00</updated><title type='text'>Entre tribos selvagens</title><content type='html'>&lt;em&gt;Uma visita ao vale do Rio Omo, na Etiópia, um dos cantos mais isolados da África, onde as tribos guerreiam entre si como há milhares de anos&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TBeouV2IvsI/AAAAAAAAFUc/-ltMs9oDjJI/s1600/A+festa+dos+nyagatons+os+guerreiros+mais+poderosos+do+vale+do+Rio+Omo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5483036585438527170" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 242px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TBeouV2IvsI/AAAAAAAAFUc/-ltMs9oDjJI/s400/A+festa+dos+nyagatons+os+guerreiros+mais+poderosos+do+vale+do+Rio+Omo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A festa dos nyagatons os guerreiros mais poderosos do vale do Rio Omo.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Depois de vinte dias navegando pelo Rio Omo, os sentidos começam a se adaptar. Especialmente o olfato. Não existem os perfumes, os cheiros e a poluição da civilização, que deixam o nariz atordoado. Aqui é o sertão do vale do Rio Omo, na Etiópia, a 800 quilômetros de Adis-Abeba. As duas margens do rio são altas, mas pelo cheiro dá para saber o que acontece acima do barranco. O odor da madeira queimada significa que alguém está acampando, o de excremento de gado é sinal de que estão tocando o rebanho em direção ao rio. Todas essas informações são trazidas a distância pela brisa morna. Desta vez, o cheiro de gado chega bem antes do ruído das reses e da visão dos guerreiros nyagatons, na contraluz, imóveis debaixo do sol da tarde, no alto da margem. O calor é de quase 40 graus, e os guerreiros contemplam, em silêncio, o pequeno barco em que viajamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TBeqPzUB7AI/AAAAAAAAFUs/fDoPPo5Xiic/s1600/guerreiros+nyagatons.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5483038259795848194" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 195px; CURSOR: hand; HEIGHT: 242px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TBeqPzUB7AI/AAAAAAAAFUs/fDoPPo5Xiic/s400/guerreiros+nyagatons.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Guerreiros Nyagatons.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O comportamento-padrão dos nyagatons é intimidatório, seja pela atitude, pela maneira de falar ou pelo armamento que carregam (desse lado do rio todos usam o G3, um fuzil de assalto alemão, com maior poder de fogo do que o AK-47, mais comum na região), e eles estão em guerra, expulsando as outras tribos. No momento estão de olho na tribo dos mursis, que, para escapar às emboscadas constantes, se retiraram para as montanhas. A atitude agressiva muda quando percebem que nosso guia é também um nyagatom. As apresentações são feitas, e tudo fica combinado: quando voltarmos amanhã encontraremos uma multidão de guerreiros que deixarão as armas de lado para dançar com as mulheres da tribo. Alegres, festejarão a presença de estrangeiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TBeplkH0-vI/AAAAAAAAFUk/c52wgSfoWTg/s1600/viagem2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5483037534163630834" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 225px; CURSOR: hand; HEIGHT: 232px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TBeplkH0-vI/AAAAAAAAFUk/c52wgSfoWTg/s400/viagem2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O acesso por terra ao vale do Rio Omo é precário. O melhor caminho é pelo rio, mas só quando está cheio, logo após a estação das chuvas, que termina em setembro. Um único empreendedor, o holandês Hallewjin Schurman, montou acampamentos na região e leva para lá pequenos grupos de turistas em barcos motorizados. É uma viagem fascinante a um mundo perdido. Entre o acampamento e os nyagatons navegamos quatro horas contra a correnteza do Omo, que, cheio de curvas, desliza entre matas de figueiras e tamarindos, cerrados e desertos. Sempre em alta velocidade, e em ziguezague, evitamos os pedaços de madeira que o rio arrasta e os hipopótamos que, sem avisar, emergem à nossa frente. Crocodilos de todos os tamanhos, alguns leões e um par de leopardos nos contemplaram indiferentes. Encontrar os nyagatons é um momento mágico emoldurado por uma paisagem bela e selvagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Etiópia é o único país do continente africano que nunca foi colônia européia. Na década de 70, o último imperador, Haile Selassie, foi deposto por um violento golpe de Estado de orientação marxista, e a normalidade só voltou em 1995. Com suas verdes montanhas de picos impressionantes, seus vales cultivados e rios caudalosos, a Etiópia é uma espécie de caixa-d'água da África Oriental. O Nilo Azul, por exemplo, nasce nas montanhas etíopes. Apesar disso, o país é lembrado sobretudo pela fome tristemente famosa e pela guerra com a Eritréia, que terminou em 2000. O vale do Rio Omo, na fronteira com o Sudão e o Quênia, é uma área de mais de 4.000 quilômetros quadrados com intensa vida tribal e muito pouco visitada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TBeq33iquTI/AAAAAAAAFU0/Q8PYHkSbCVQ/s1600/Delta+do+rio+Omo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5483038948125751602" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 304px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TBeq33iquTI/AAAAAAAAFU0/Q8PYHkSbCVQ/s400/Delta+do+rio+Omo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Delta do rio Omo.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O rio, que nasce ao sudoeste de Adis-Abeba, capital da Etiópia, percorre quase 1.000 quilômetros, mas não chega ao mar. É o principal afluente do Lago Turkana, no Quênia. O Omo divide a vida no vale: ao leste, as tribos dos karos, dos hamares e dos mursis. Do outro lado, os nyagatons e os quegos. Todos vivem da criação de gado. Mesmo os dassanechs, mais ao sul, na entrada do Lago Turkana, apesar de cultivar o sorgo (o cereal é armazenado em pequenas bolas feitas com galhos secos no alto de torres precariamente construídas para evitar a umidade), também são criadores de gado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TBerWWDxXyI/AAAAAAAAFU8/4nDNm3UPQjw/s1600/Guerreiros+karos.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5483039471713738530" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 195px; CURSOR: hand; HEIGHT: 242px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TBerWWDxXyI/AAAAAAAAFU8/4nDNm3UPQjw/s400/Guerreiros+karos.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Guerreiros karos, que recentemente abandonaram &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;a vida nômade &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;e agora vivem em três aldeias. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Além do fuzil, cada homem &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;também leva&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; um banquinho para não sentar no chão.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TBer5NB12rI/AAAAAAAAFVE/0G0iL0txqvo/s1600/casal+karo+diante+de+sua+casa.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5483040070585146034" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 195px; CURSOR: hand; HEIGHT: 242px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TBer5NB12rI/AAAAAAAAFVE/0G0iL0txqvo/s400/casal+karo+diante+de+sua+casa.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Casal karo diante de sua casa.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O aumento da população e dos rebanhos tornou letal a disputa por território. A única maneira de expandir o próprio domínio é com a ajuda dos fuzis AK-47 que cada habitante do vale carrega displicentemente no ombro. Uma bala custa 25 centavos de real. Os hamares vivem nas montanhas e praticam uma economia de subsistência agropastoril. Organizam-se segundo um elaborado sistema de agrupamento social por idade. Passar de um grupo a outro envolve complicados rituais. A maturidade, dizem misteriosamente os mais velhos, só acontece quando o coração chega aos olhos. Os mursis são reconhecíveis pelos desenhos brancos que cobrem seu corpo e pelo pedaço circular de madeira que as mulheres usam no lábio inferior. A origem do adereço está nos tempos em que os mursis eram perseguidos para ser vendidos como escravos. Foi a maneira encontrada para tornar as mulheres menos atrativas. Hoje é um sinal de beleza. Os karos são pouco mais de 1.500 e abandonaram alguns anos atrás a vida nômade. Vivem essencialmente em três aldeias – Labuck, Duss e Korcho – e praticam um rígido controle de natalidade. Crianças nascidas fora do casamento são deixadas para morrer debaixo de um arbusto com a boca cheia de areia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TBesbJihPWI/AAAAAAAAFVM/DqPv3sM0d7I/s1600/mulheres+mursis.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5483040653764017506" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 195px; CURSOR: hand; HEIGHT: 242px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TBesbJihPWI/AAAAAAAAFVM/DqPv3sM0d7I/s400/mulheres+mursis.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Quando os mursis eram perseguidos por &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;caçadores&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; de &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;escravos, suas mulheres &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;tentaram &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;ficar &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;feias &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;com a &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;deformação do lábio. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Hoje, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;tribo acha bonito o ornamento.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TBetCWinKrI/AAAAAAAAFVU/Ndk9M2Mu6Fw/s1600/guarda+nyagatom+na+beira+do+Rio+Omo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5483041327268965042" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 195px; CURSOR: hand; HEIGHT: 242px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TBetCWinKrI/AAAAAAAAFVU/Ndk9M2Mu6Fw/s400/guarda+nyagatom+na+beira+do+Rio+Omo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Guarda nyagatom na beira do Rio Omo. O nome &lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;da&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; tribo significa "comedores de elefantes".&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Os quegos são os menos numerosos. Eram escravos dos karos, mas recentemente foram liberados pelos nyagatons, a tribo mais numerosa e feroz. A palavra nyagatom significa "comedores de elefantes", e eles se esforçam para demonstrar que são realmente destemidos. Caçam crocodilos em pé sobre uma canoa, armados apenas de um arpão, ou passam temporadas servindo como mercenários para os conflitos do vizinho Sudão (a fronteira está a menos de 100 quilômetros dali). A circuncisão masculina e a infibulação feminina, as punições por chicotadas, tudo continua sendo feito da mesma maneira através de gerações. As crianças aprendem desde cedo que não existe a palavra "ladrão". Roubar é permitido, mas quem é apanhado acaba chicoteado. &lt;br /&gt;A prática da escarificação e da pintura corporal atinge patamares sofisticadíssimos. Para eles, a escarificação é um atestado de bravura. Um guerreiro não pode ostentar nenhuma cicatriz até que tenha matado um inimigo. Para uma mulher, as cicatrizes são uma maneira de ficar atrativas para os homens. As escarificações são feitas com facas, pedras ou pregos. Depois a ferida é coberta com cinzas. Isso provoca uma pequena infecção, que, mais tarde, vai deixar a marca com relevo na superfície da pele. Com suas tradições preservadas, o vale do Rio Omo é um museu de história natural ao vivo e em três dimensões. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;.:: Revista Veja Online&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23280462944009230-4200727821370374272?l=civilizacoesafricanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/feeds/4200727821370374272/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/06/entre-tribos-selvagens.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/4200727821370374272'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/4200727821370374272'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/06/entre-tribos-selvagens.html' title='&lt;strong&gt;Entre tribos selvagens&lt;/strong&gt;'/><author><name>Valter Pitta</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TB6681d_coI/AAAAAAAAFY8/KIKFPlkCX0I/S220/C%C3%B3pia+de+hgghgd.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TBeouV2IvsI/AAAAAAAAFUc/-ltMs9oDjJI/s72-c/A+festa+dos+nyagatons+os+guerreiros+mais+poderosos+do+vale+do+Rio+Omo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23280462944009230.post-6822407326214758334</id><published>2010-06-15T13:15:00.004-03:00</published><updated>2010-06-15T13:21:23.388-03:00</updated><title type='text'>O Deserto de Afar</title><content type='html'>&lt;em&gt;O fascinante deserto de Afar é conhecido como o lugar mais quente do planeta.  &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TBenTc_bXeI/AAAAAAAAFUM/h3pIOVWoLdQ/s1600/afar.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 228px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TBenTc_bXeI/AAAAAAAAFUM/h3pIOVWoLdQ/s320/afar.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5483035023988448738" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O deserto Afar não tem nada que ver com outros desertos como o Saara, já que em vez de areia, está cheio de sal (porque antigamente foi um lago enorme). O fato de estar coberto de sal cria um cenário todo branco e fascinante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TBenyk6hFnI/AAAAAAAAFUU/wxKwv0IMfuo/s1600/afar-and-world.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 308px; height: 267px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TBenyk6hFnI/AAAAAAAAFUU/wxKwv0IMfuo/s400/afar-and-world.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5483035558691280498" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica no Nordeste de África  e estende-se a quatro países: Eritreia, Etiópia, Jibuti e Somália. &lt;br /&gt;Os seus habitantes mais importantes são os Danaquil (ou Afares), de origem etíope, e os Issas, de origem somali. Estão divididos em centenas de tribos.&lt;br /&gt;Os Afares e os Issas podem ser classificados em três grupos: pastores agricultores, que cultivam a terra junto das fontes de água e criam animais; pastores nómadas, que circulam com os rebanhos por terras onde haja erva; e os que optaram por viver nos centros urbanos.&lt;br /&gt;Os agricultores cultivam sorgo, milho, trigo, sésamo, favas, batata-doce, bananas, melão e algodão. Os pastores criam camelos, ovelhas, cabras, cavalos e burros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os Afares&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Afares são perto de dois milhões. Mais de metade vive no Leste da Etiópia. Cerca de 600 mil habitam no Sul da Eritreia; outros 600 mil ocupam todo o Jibuti, e uma minoria – cerca de 60 mil – moram na Somália. Este povo permanece nestes lugares há pelo menos 2800 anos. Eles foram os que sofreram mais com a independência da Eritreia em relação à Etiópia, e do Jibuti com respeito à Somália, porque esse facto dividiu famílias.&lt;br /&gt;A sociedade afar divide-se em duas classes: os «Asaemara» são a nobreza, a classe dominante, os políticos, e os «Adaemara» são o «povo».&lt;br /&gt;A maioria é nómada. Vivem da criação de gado: ovelhas, cabras, vacas e camelos. Alguns dedicam-se à extracção de sal.&lt;br /&gt;Um afar para ser notável deve cumprir dois requisitos: ser um guerreiro forte e vingador e ter gado. A vingança é uma prova de honra e a maior demonstração de valor viril. As mulheres afares desprezam os pretendentes que nunca mataram um homem. Elas desejam alguém que ostente um bracelete de ferro, sinal indicador de que matou dez inimigos. Por outro lado, um adulto que não tem gado é um homem de pouco valor: ninguém dá importância à sua palavra. A opinião tem mais força e dignidade consoante o tamanho do rebanho.&lt;br /&gt;Todos os acontecimentos importantes da vida social – nascimentos, iniciações, casamentos, alianças, mortes e sucessões – implicam doações, intercâmbios ou sacrifícios de gado.&lt;br /&gt;A iniciação dos rapazes é a circuncisão e a das raparigas é a excisão (mutilação sexual feminina).&lt;br /&gt;Os matrimónios são monogâmicos em geral. Os mais ricos podem ter mais mulheres. As jovens são dadas em matrimónio a partir dos dez anos. De preferência, os noivos são primos. Os pais do noivo pagam o dote da noiva.&lt;br /&gt;Os Afares constroem as casas com estacas de madeira, erva seca e folhas de árvores. Tem um formato oval. As camas são esteiras. Montar o acampamento é responsabilidade das mulheres. Quando viajam, todo o material é carregado pelos camelos. Uma cerca com espinhos rodeia o acampamento, para prevenir os ataques de animais selvagens ou dos inimigos.&lt;br /&gt;A carne, a manteiga e o leite são os principais alimentos dos Afares. O leite é um ingrediente importante na tradição da hospitalidade. Quando se dá leite quente a um hóspede, o anfitrião assegura-lhe total protecção e se, porventura, ele for assassinado, a sua morte é vingada como se fosse a de um membro do clã.&lt;br /&gt;Os Afares converteram-se ao Islão no século X, depois do contacto com os árabes. Todavia, mantém alguns traços das religiões naturais. Por exemplo, crêem que certas árvores têm poderes sagrados. Em certos ritos ungem os corpos com uma espécie de manteiga. Atribuem um grande poder aos restos mortais das pessoas e, todos os anos, celebram a festa dos mortos, chamada «Rabena». Muitos levam amuletos de coro ao pescoço que contêm ervas e versos do Alcorão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os Issas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quinze milhões de issas vivem espalhados por oito países no Nordeste de África. Nove milhões vivem na República da Somália, dois quais dois milhões são nómadas. Na Etiópia vivem entre três e cinco milhões.&lt;br /&gt;Habitam em tendas feitas de peles e couros presos em varas de madeiras curvas. O curral dos animais fica perto das casas. São as mulheres que montam o acampamento que congrega a família alargada. No caso de poligamia, cada mulher tem uma tenda. O número de divórcios é elevado. A custódia dos filhos é decidida segundo os sexos: os pais ficam com os filhos e as mães com as filhas.&lt;br /&gt;O primogénito da primeira esposa é quem herda a chefia. Em caso de guerra, o conselho dos chefes de família escolhe um líder para a ocasião.&lt;br /&gt;Quando viajam, levam as estacas, a pele, o couro e outras madeiras nas costas de camelos. Quando encontram um local para se instalar, agrupam-se e fazem ao redor da área uma cerca com arbustos torcidos e espinhos.&lt;br /&gt;São um dos grupos mais homogéneos de África: falam uma língua comum, professam o Islão como única fé e partilham a mesma herança cultural.&lt;br /&gt;Cada clã issa identifica-se através da ligação a um antepassado comum e por ocuparem sempre os mesmos terrenos. A existência de poços é que dita a escolha destas propriedades.&lt;br /&gt;As mulheres e as crianças pequenas cuidam das ovelhas e cabras, enquanto os homens e os rapazes mais crescidos apascentam os camelos e as vacas. Deles retiram o leite, o seu principal alimento. A carne é só para ocasiões especiais.&lt;br /&gt;As crianças aprendem a história e as tradições do povo através da poesia. Os Issa têm uma memória extraordinária e cantarolam contos folclóricos para se divertir nas longas caminhadas durante a noite.&lt;br /&gt;A seca, a fome e a guerra têm dispersado muitos para os países vizinhos e dividido os seus lares. Os que fugiram para o Iémen e a Etiópia enfrentam mais guerra, mais pobreza e mais rivalidade entre os clãs. A esperança de vida é de 46 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Outras tribos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Eritreia, além dos Afares, vivem uns 107 mil Bejas. Eles foram os primeiros pastores de África (2700 a. C.). São hospitaleiros e gentis com os outros clãs mas facilmente litigam com os estrangeiros. Seguem um «islamismo popular», que é uma mistura da fé islâmica com as suas crenças tradicionais. Contêm tribos menores, como os Ababde, Hedareb, Bisharin e os Hadendoa.&lt;br /&gt;No Centro deste país moram os Tigrinya e os Bilen; no Norte – e Nordeste da Etiópia –, os Tigre; no Sudoeste, os Saho, os Kunama e os Nara; e, no Noroeste, os Rashaida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;.:: Audacia.org / Minube&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23280462944009230-6822407326214758334?l=civilizacoesafricanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/feeds/6822407326214758334/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/06/o-deserto-de-afar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/6822407326214758334'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/6822407326214758334'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/06/o-deserto-de-afar.html' title='&lt;strong&gt;O Deserto de Afar&lt;/strong&gt;'/><author><name>Valter Pitta</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TB6681d_coI/AAAAAAAAFY8/KIKFPlkCX0I/S220/C%C3%B3pia+de+hgghgd.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TBenTc_bXeI/AAAAAAAAFUM/h3pIOVWoLdQ/s72-c/afar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23280462944009230.post-5852070731002893740</id><published>2010-06-15T12:58:00.003-03:00</published><updated>2010-06-15T13:14:57.149-03:00</updated><title type='text'>Apartheid: de origem histórica ao declínio do regime</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Origem histórica da segregação racial na África do Sul&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O termo apartheid significa "separação" ou "identidade separada". Serviu para designar o regime político da África do Sul que, durante décadas, impôs a dominação da minoria branca (ou aristocracia branca) sobre grupos pertencentes a outras etnias, compostos em sua maioria por negros.&lt;br /&gt;O apartheid não deve ser interpretado como simples "racismo", pois ele foi um sistema constitucional de segregação racial que abrangeu as esferas social, econômica e política da nação sul-africana estabelecendo critérios para diferenciar os grupos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A origem histórica do apartheid é bem antiga e remonta ao período da colonização da África do Sul. Os primeiros colonizadores bôeres (também denominados de afrikaner) compunham-se de grupos sociais europeus que vieram da Holanda, França e Alemanha e se estabeleceram no país nos séculos 17 e 18.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ideologia nacionalista&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses colonizadores dizimaram as populações autóctones (grupos tribais indígenas) e tomaram suas terras. Os líderes afrikaners manipularam e converteram um preceito religioso cristão, que a princípio estabelecia a segregação como uma forma de defender e preservar as populações tribais da influência dos brancos, em uma ideologia nacionalista que pregava a desigualdade e separação racial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os afrikaners se consideravam a verdadeira e autêntica nação (ou volk, que em alemão significa povo). A cor e as características raciais determinaram o domínio da população branca sobre os demais grupos sociais e a imposição de uma estrutura de classe baseada no trabalho escravo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Política racial&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas regiões dominadas por eles estabeleceu-se uma política racial que diferenciou os europeus (população branca) dos africanos (que incluía todos os nativos não-brancos, também conhecidos por bantus). Até mesmo aqueles grupos sociais compostos por imigrantes asiáticos, em particular indianos, sofreram com a política de discriminação racial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria engano supor que a expansão do domínio dos afrikaners sobre a população não-branca da África do Sul foi um processo livre de conflitos. Pelo contrário, houve muitas guerras com as populações tribais que ofereceram resistência aos brancos, entre elas as tribos xhosa, zulu e shoto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TBejcStzNXI/AAAAAAAAFT8/ej1nWGbn1UQ/s1600/Para+uso+de+pessoas+brancas,+diz+a+placa+da+%C3%A9poca+do+apartheid.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5483030777802470770" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 366px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TBejcStzNXI/AAAAAAAAFT8/ej1nWGbn1UQ/s400/Para+uso+de+pessoas+brancas,+diz+a+placa+da+%C3%A9poca+do+apartheid.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Para uso de pessoas brancas, diz a placa da época do apartheid.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;No início do século 20, a África do Sul atravessou um intenso processo de modernização que intensificou os conflitos entre brancos e não-brancos. Não obstante, a minoria branca soube explorar os conflitos intertribais que afloravam entre os diferentes grupos étnicos e isso de certo modo facilitou a avanço e domínio dos afrikaners.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Auge e declínio do regime do Apartheid sul-africano&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O apartheid foi estabelecido oficialmente na África do Sul em 1948 pelo Nationalist Party (Partido dos Nacionalistas) que ascendeu ao poder e bloqueou a política integracionista que vinha sendo praticada pelo governo central.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Nationalist Party representava os interesses das elites brancas, especificamente da minoria boere. Após 1948, o sistema de segregação racial atingiu o auge. Foram abolidos definitivamente alguns direitos políticos e sociais que ainda existiam em algumas províncias sul-africanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As diferenças raciais foram juridicamente codificadas de modo a classificar a população de acordo com o grupo social a que pertenciam. A segregação assumiu enorme extensão permeando todos os espaços e relações sociais. Os casamentos entre brancos e negros foram proibidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os negros não podiam ocupar o mesmo transporte coletivo usado pelos brancos, não podiam residir no mesmo bairro e nem realizar o mesmo trabalho, entre outras restrições. Os brancos passaram a controlar cerca de 87% do território do país, o que sobrava se compunha de territórios independentes, mas paupérrimos, deixados aos grupos sociais não-brancos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Declínio do apartheid&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O apartheid é o único caso histórico de um sistema onde a segregação racial assumiu uma dimensão institucional. Essa situação permite definir o governo sul-africano como uma ditadura da raça branca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na década de 1970, o governo da África do Sul tentou em vão encontrar fórmulas que pudessem assegurar certa legitimidade internacional. Porém, tanto a ONU (Organização das Nações Unidas) como a Organização da Unidade Africana, votaram inúmeras resoluções condenando o regime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No transcurso dos anos 70, a África do Sul presenciou inúmeras e violentas revoltas sociais promovidas pela maioria negra, mas duramente reprimidas pela elite branca. Sob o governo de linha dura, liderado por Peter. W. Botha (1985-1988), tentou-se eliminar os opositores brancos ao governo e as revoltas raciais foram duramente reprimidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TBelwk1T1WI/AAAAAAAAFUE/ntnC8Kj-eBY/s1600/mandela.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5483033325286446434" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 221px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TBelwk1T1WI/AAAAAAAAFUE/ntnC8Kj-eBY/s320/mandela.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;center&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Nelson Mandela.&lt;/span&gt;&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Porém, as revoltas sociais se intensificaram bem como as pressões internacionais. Em 1989, Frederic. W. de Klerk, assumiu a presidência. Em 1990, o novo presidente conduz o regime sul-africano a uma mudança que põe fim ao apartheid. Neste mesmo ano, o líder negro Nelson Mandela, que desde 1964 cumpria pena de prisão perpétua, é posto em liberdade. Nas primeiras eleições livres, ocorridas em 1993, Mandela é eleito presidente da África do Sul e governa de 1994 a 1999.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;.:: &lt;a href="http://educacao.uol.com.br"&gt;Uol Educação&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23280462944009230-5852070731002893740?l=civilizacoesafricanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/feeds/5852070731002893740/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/06/apartheid-de-origem-historica-ao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/5852070731002893740'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/5852070731002893740'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/06/apartheid-de-origem-historica-ao.html' title='&lt;strong&gt;Apartheid: de origem histórica ao declínio do regime&lt;/strong&gt;'/><author><name>Valter Pitta</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TB6681d_coI/AAAAAAAAFY8/KIKFPlkCX0I/S220/C%C3%B3pia+de+hgghgd.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TBejcStzNXI/AAAAAAAAFT8/ej1nWGbn1UQ/s72-c/Para+uso+de+pessoas+brancas,+diz+a+placa+da+%C3%A9poca+do+apartheid.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23280462944009230.post-3169700578069175835</id><published>2010-06-15T12:45:00.005-03:00</published><updated>2010-07-28T13:54:01.237-03:00</updated><title type='text'>História da África do Sul</title><content type='html'>A África do Sul é um país extenso, com grande diversidade de habitates e povos que, ao longo dos séculos, foram deixando as suas marcas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TBegNp4vEeI/AAAAAAAAFT0/05S013b7dzA/s1600/mapa_da_africa_do_sul.png"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 329px; height: 353px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TBegNp4vEeI/AAAAAAAAFT0/05S013b7dzA/s400/mapa_da_africa_do_sul.png" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5483027227789431266" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por essa razão a história da África do Sul - que, de acordo com o conhecimento mais recente, pode bem ser o “berço da humanidade” – está relativamente bem documentada e plena de acontecimentos com importância para todo o mundo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;·&lt;/strong&gt; vários sítios que foram considerados Patrimônio Mundial, entre os quais vários sítios com importância histórica, e &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;·&lt;/strong&gt; foi contemplada com 5 Prémios Nobel, principalmente nos anos que antecederam ou vieram imediatamente a seguir à queda do apartheid, sendo 3 Nobel da Paz: &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;o&lt;/strong&gt; o bispo anglicano Desmond Tutu, em 1984, pelos seus esforços pacíficos contra o regime do apartheid[1]; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;o&lt;/strong&gt; o último presidente do apartheid, Frederik de Klerk, em 1993[2], que o recebeu em conjunto com &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;o&lt;/strong&gt; Nelson Mandela, que foi o primeiro presidente do pós-apartheid e &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;·&lt;/strong&gt; dois Prémios Nobel de Literatura, o primeiro, em 1991, Nadine Gordimer e, em 2003, John Maxwell Coetzee. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pré-história&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os sítios com fósseis de hominídeos de Sterkfontein, Swartkrans, Kromdraai e arredores foram inscritos pela UNESCO em 1999 na lista das propriedades que são Património Mundial. Nesta região foram encontrados fósseis que permitem considerá-la como o “berço da humanidade”, entre os quais os mais importantes são "Mrs. Ples", um esqueleto quase completo de um Australopithecus africanus com 2,3 a 2,8 milhões de anos de idade e, mais recentemente, "Little Foot", outro exemplar, também considerado uma espécie de Australopithecus, mas este com mais de 3 milhões de anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas descobertas corroboraram a conclusão de Raymond Dart que, em 1924, deu ao "Crânio Infantil de Taung" (“Taung Child”, em inglês) o nome de Australopithecus africanus, que ele considerou ser uma espécie nova e, possivelmente o “elo perdido” da evolução entre os símios e os seres humanos.&lt;br /&gt;Foram ainda encontrados em Swartkrans restos de animais e instrumentos de pedra e osso, dos mais antigos que se conhecem, datados entre 1,7 e um milhão de anos, a maioria pertencente à espécie (Australopithecus) , o que significa vestígios do período Paleolítico. Swartkrans foi também o primeiro local em África onde se encontraram restos de espécies já extintas do género Homo, principalmente da espécie Homo ergaster que se pensa ser o antepassado mais próximo do Homo sapiens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outros vestígios de antigas culturas são as pinturas rupestres, das quais se têm encontrado bastantes na África Austral. No Drakensberg, existem cavernas e abrigos na rocha com a maior colecção de arte rupestre a sul do Sahara, que se pensa terem sido feitas pelos povos Khoisan, ao longo dum período de mais de 4000 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos séculos I a IV, a região começou a ser invadida pelos bantus (ver expansão bantu), que eram agricultores e já conheciam a metalurgia do ferro. A base da economia dos bantu era a agricultura, principalmente de cereais locais, como a mapira (sorgo) e a mexoeira; a olaria, tecelagem e metalurgia encontravam-se também desenvolvidas, mas naquela época a manufactura destinava-se a suprir as necessidades familiares e o comércio era efectuado por troca directa. Artefactos de ferro e cerâmica, assim como túmulos, são frequentes e permitem conhecer um pouco desta época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir do século V, provavelmente derivada do aumento demográfico e da produção e manufatura, usada na troca com outros povos, a organização social dos Bantu tornou-se mais complexa. Estas sociedades deixaram vestígos de cidades organizadas em classes, com palácios para a classe dirigente, amuralhados para os proteger e restos de casas mais simples, da classe trabalhadora. Um excelente exemplo destes vestígios é a Paisagem Cultural de Mapungubwe, na província do Limpopo, que foi considerada Património da Humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Descoberta e Colonização&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A África do Sul foi “descoberta” por Bartolomeu Dias que, em 1488, aportou à Ilha Robben, ao largo da atual Cidade do Cabo, na sua abortada viagem para a Índia. A ilha foi, durante muitos anos, utilizada por navegadores portugueses, ingleses e holandeses como posto de reabastecimento. Nessa época, a região era habitada por povos Khoisan, Xhosa, Zulu entre outros; em 1591 um grupo de Khoikhoi, cansados das práticas comerciais desleais dos europeus, atacou a Ilha Robben. Como não tinham nada que superasse as armas de fogo dos europeus, foram derrotados e deixados na ilha sem comida, nem água. Estes foram os primeiros prisioneiros da Ilha Robben.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Colonização Holandesa&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 6 de Abril de 1652, Jan Van Riebeeck, da Companhia Holandesa das Índias Orientais, promoveu a colonização da região e fundou a Cidade do Cabo no extremo sul do continente, no sopé da Montanha da Mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante os séculos XVII e XVIII, a Colônia do Cabo viu chegar e instalarem-se calvinistas, principalmente dos Países Baixos, mas também da Alemanha, França, Escócia e doutros lugares da Europa. Estes calvinistas não conseguiram "disciplinar" os khoisan para as suas atividades agrícolas e quase os exterminaram nas guerras da fronteira do Cabo, também conhecidas como Guerras dos Xhosa ou Guerras dos Cafres. Então, começaram a importar escravos da Indonésia, de Madagáscar e da Índia. Os descendentes destes escravos e dos colonos passaram a ser mais tarde conhecidos como "malaios do Cabo" ("Cape Coloureds" ou "Cape Malays"), chegando a constituir cerca de 50% da população da província do Cabo Ocidental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Colonização Britânica&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os ingleses ocuparam a Cidade do Cabo em 1795, durante a Guerra Anglo-Holandesa. Depois de breve período de domínio holandês entre 1803 e 1806, a cidade tornou-se capital da colónia britânica do Cabo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a abolição da escravatura em 1835, levantou-se uma disputa sobre a compensação que o governo britânico devia dar aos colonos pela libertação dos escravos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos destes colonos de ascendência não-inglesa começaram a explorar e colonizar o interior da África, num movimento que ficou conhecido como “The Great Trek” (a grande viagem), os que partiam nessas migrações passaram a ser conhecidos como “Voortrekkers” - os “Viajantes” -, e fundaram as suas próprias repúblicas, o “Estado Livre de Orange” (“Orange Free State”, actualmente uma das províncias da África do Sul) e o “Transvaal” (a “terra para além do rio Vaal”) que, em 1857 se auto-proclamou República Sul-Africana. A incursão Voortrekker para a zona costeira do Natal foi repelida pelos Zulus comandados por Dingane (irmão, herdeiro e, mais tarde, responsável pela morte de Shaka). O império Zulu foi mais tarde conquistado pelos britânicos na Guerra Anglo-Zulu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;As Guerras Boers&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A descoberta de diamantes em 1867 e de ouro, em 1886 aumentou a riqueza dos colonos, que continuavam a imigrar para a África do Sul e intensificou a sujeição dos nativos. Os boers (ou bôeres) resistiram aos britânicos na Primeira Guerra dos Bôeres (1880-81) e uma das razões foi o facto destes colonos usarem fardamento cáqui, que é da cor da terra, enquanto os britânicos usavam uniformes de cor vermelha, tornando-os alvos mais fáceis para os atiradores boers.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Segunda Guerra dos Bôeres teve a oposição do Partido Liberal no parlamento britânico, que a considerava, não só desnecessária, mas também um desperdício de fundos, mas as enormes reservas de ouro e diamantes presentes nas Repúblicas Boers levaram os “Tories” a avançar com a guerra. A tentativa dos boers de conseguirem apoio dos alemães do Sudoeste Africano deram aos britânicos mais uma razão para controlar as Repúblicas Boers. Os britânicos mudaram de táctica, depois do fracasso do “Jameson Raid”, lançado contra o Transvaal a partir da vizinha Rodésia por forças irregulares alinhadas com o rico comerciante de diamantes e Primeiro Ministro da Colónia do Cabo Cecil Rhodes. A Segunda Guerra Boer deu-se entre 1899-1902, quando as tropas britânicas já não usavam os seus uniformes vermelhos. Os boers resistiram com tácticas de guerrilha, usando o seu conhecimento superior da terra, mas os britânicos venceram-nos pela força do número e pela possibilidade de organizar mais facilmente os abastecimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os britânicos encarceraram grandes números de civis bôeres, junto com os seus trabalhadores negros, sem alimentação suficiente, nem cuidados médicos e queimaram as quintas e as colheitas, num esforço para estancar a guerrilha boer. Os guerrilheiros voltaram-se então contra as povoações dos nativos, antagonizando-os e forçando os boers a lutar com eles, para além dos britânicos. Muitos afrikaners, chamados pejorativamente “colaboracionistas” ("joiners") ou “derrotistas” ("hensoppers", em afrikaans, ou “hands-uppers”, em inglês) pelos outros afrikaners (os "bittereinders", em afrikaans, ou “bitter-enders”, em inglês, ou seja, “os que preferem o fim amargo”), pensaram que era altura de enctrar num acordo com os britânicos. Após prosseguirem com a resistência por mais um ano, os “bittereinders” finalmente perceberam que a nação boer seria completamente destruída se eles persistissem e assinaram um tratado de paz com os britânicos em Pretória, a 31 de Maio de 1902, o Tratado de Vereeniging.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dominação Britânica&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Tratado de Vereeniging especificava que o governo britânico era soberano das repúblicas boers e assumia a dívida de guerra de três milhões de libras dos governos afrikaners. Os súditos holandeses ficavam com um estatuto legal especial, uma vez que o Africâner|afrikaans ainda não era reconhecido como língua distinta. Outra provisão do tratado era que os negros não teriam o direito de voto, exceto na Colónia do Cabo. A administração britânica ainda tentou a "anglicização" dos boers através da educação obrigatória em inglês, mas o plano apenas resultou em ressentimento por parte dos boers e foi abandonado quando os Liberais tomaram o poder na Grã-Bretanha, em 1906. Foi por volta desta altura que o afrikaans foi reconhecido como uma língua distinta do holandês, embora não a tenha substituído como língua oficial até 1926.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A União Sul-Africana e o Apartheid&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de quatro anos de negociações, a União Sul-Africana foi criada a 31 de Maio de 1910, incluindo a Colónia do Cabo, a Colónia de Natal, a "Colónia do Rio Orange" (a república boer do "Estado Livre de Orange" tinha sido assim renomeada quando da sua tomada pelos britânicos durante a Segunda Guerra Boer), e o Transvaal, exatamente 8 anos depois do fim da Segunda Guerra Boer, com o estatuto de Domínio do Império Britânico. Este foi o primeiro passo para a independência da África do Sul que, no entanto, só teve lugar 51 anos mais tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora o sistema colonial fosse essencialmente um regime racista, foi nesta fase que se começaram a forjar as bases legais para o regime do apartheid. Por exemplo, na própria constituição da União, embora fosse considerada uma república unitária, com um único governo, apenas no Cabo os não-brancos que fossem proprietários tinham direito ao voto, porque os “estados-membros”, que passavam a ser considerados Províncias, mantinham alguma autonomia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das primeiras leis adoptadas foi o "Regulamento do Trabalho Indígena" ("The Native Labour Regulation Act", em inglês) de 1911, segundo a qual era considerado um crime - apenas para os "africanos", ou seja, os "não-brancos", a quebra dum contrato de trabalho. Ainda no mesmo ano, foi promulgada a "Lei da Igreja Reformista Holandesa" ("The Dutch Reformed Church Act"), que proíbia os negros de se tornarem membros de pleno direito daquela igreja.&lt;br /&gt;Mais importante ainda foi a "Lei da Terra" ("Natives Land Act") de 1913, que dividiu a África do Sul em áreas onde só negros ou brancos podiam ter a posse da terra: os negros, que constituíam dois terços da população, ficaram com direito a 7,5 % da terra, enquanto os brancos, que eram apenas um quinto da população, ficaram com direito a 92,5 % da terra; os mestiços ("coloured") não tinham direito à posse da terra. Esta lei determinava igualmente que os "africanos" só poderiam viver fora das suas terras quando empregados dos brancos. Passou também a ser ilegal a prática usual de ter rendeiros negros nas plantações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira vez em que se encontra registada a palavra "apartheid" foi em 1917, num discurso de Jan Smuts, que se tornou Primeiro Ministro em 1919 (o primeiro tinha sido Louis Botha).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes dois políticos tinham fundado o Partido Sul-Africano, em 1910, que governou a União até serem derrotados por Barry Hertzog do Partido Nacional, em 1924. Em 1934 os dois partidos uniram-se para formar o Partido Unido, tentando a reconciliação entre os afrikaners e os brancos de origem inglesa. Este partido governou a União Sul-Africana até 1948, mas a partir de 1939, sob a direcção de Jan Smuts, uma vez que Hertzog, que era de origem alemã, entrou em contradição com aqueles que defendiam a participação da África do Sul na Segunda Guerra Mundial ao lado dos britânicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Partido Nacional, no entanto, tinha sido mantido à revelia do Partido Unido por afrikaners de linha dura, recuperou o poder em 1948, sob a liderança de Daniel François Malan e manteve-o até 1994, quando foi derrotado pelo ANC.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi neste período que o apartheid se desenvolveu mais, com novas leis, como a "Lei da Proibição dos Casamentos Mistos", de 1991. Pouco tempo depois, os negros, que só podiam viver nas cidades como empregados, tinham de mostrar um "passe" sob risco de serem presos, só podiam entrar em determinadas lojas e as próprias casas-de-banho público eram para raças separadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fonte:&lt;/strong&gt; Wikipédia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;u&gt;&lt;strong&gt;Leia também!&lt;/u&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/06/apartheid-de-origem-historica-ao.html"&gt;► Apartheid: de origem histórica&lt;br /&gt; ao declínio do regime&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/05/arte-e-cultura-da-africa-do-sul.html"&gt;► Arte e cultura da África do Sul&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23280462944009230-3169700578069175835?l=civilizacoesafricanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/feeds/3169700578069175835/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/06/historia-da-africa-do-sul.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/3169700578069175835'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/3169700578069175835'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/06/historia-da-africa-do-sul.html' title='&lt;strong&gt;História da África do Sul&lt;/strong&gt;'/><author><name>Valter Pitta</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TB6681d_coI/AAAAAAAAFY8/KIKFPlkCX0I/S220/C%C3%B3pia+de+hgghgd.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TBegNp4vEeI/AAAAAAAAFT0/05S013b7dzA/s72-c/mapa_da_africa_do_sul.png' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23280462944009230.post-7926861494976888081</id><published>2010-06-15T12:36:00.004-03:00</published><updated>2010-06-15T12:44:54.123-03:00</updated><title type='text'>Dobrando o Cabo da Boa Esperança</title><content type='html'>&lt;em&gt;Considerada a esquina do mundo, a península é passeio imperdível na África do Sul&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TBefQFFkOoI/AAAAAAAAFTs/jmSz_TINAIA/s1600/cabo-boa-esperanca.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 255px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TBefQFFkOoI/AAAAAAAAFTs/jmSz_TINAIA/s400/cabo-boa-esperanca.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5483026169939114626" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Cabo da Boa Esperança é conhecido por representar o extremo sul do continente africano e por ser o ponto de encontro entre os oceanos Atlântico e Índico. Na realidade, ele não é nenhuma dessas duas coisas. Mas isso não diminui nem um pouco a sua magia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O encanto começa já no trajeto de 60 quilômetros entre a Cidade do Cabo e o cabo propriamente dito. Para começar, a mão da estrada é pela esquerda como na Inglaterra, e o motorista senta-se do lado direito. No percurso sinuoso da Chapman's (estrada), belas casas de veraneio e mirantes excelentes para se fazer um piquenique. Lá embaixo, no fundo da encosta, as praias mais lindas da África do Sul. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ter a melhor vista do Cabo da Boa Esperança suba a montanha Cape Point de bondinho ou de escada. Lá no alto o vento é tão forte que é preciso se concentrar para não deixar as fotos tremidas. De lá, é possível ainda caminhar por uma trilha e chegar até a ponta da península.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Verdadeira aula de história &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rica história da Cidade do Cabo é também a causa de sua eclética cultura. A região, descoberta por portugueses, recebeu holandeses que ali construíram a cidade que, mais tarde, foi ocupada ingleses. O resultado dessa mistura foi a transformação de toda a área em um caldeirão de línguas e costumes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se hoje o cabo é da Boa Esperança, saiba que não foi sempre assim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1488, o famoso navegador português Bartolomeu Dias foi o primeiro a transpor a península, castigada por muitos ventos e ondas fortes. Depois de enfrentar quase 15 dias de tempestade na região, Dias batizou-a de Cabo das Tormentas. Mas o rei português Dom João II, rebatizou o pontal como Cabo da Boa Esperança, já que, uma vez ultrapassado, ele levava à rota das Índias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só para matar sua curiosidade, saiba que bem pertinho dali fica o Cabo das Agulhas, local que é, de fato, o ponto mais ao sul da África do Sul e o verdadeiro encontro dos oceanos Atlântico e Índico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;.:: &lt;a href="http://grupoviagem.uol.com.br"&gt;Grupo Viagem&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23280462944009230-7926861494976888081?l=civilizacoesafricanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/feeds/7926861494976888081/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://civilizacoesafricanas.blogspot.com/2010/06/dobrando-o-cabo-da-boa-esperanca.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/7926861494976888081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23280462944009230/posts/default/7926861494976888081'/><link rel='alternate' 
