domingo, 31 de janeiro de 2010

História do Sudão

Sudão é o maior país da África, com uma extensão de 2.505.815 quilômetros quadrados. Limita ao norte com o Egito, ao leste com o Mar Vermelho, Eritreia e Etiópia, ao sul com Quênia, Uganda e Zaire, e ao oeste com a República Centroafricana, Chade e Líbia.




No norte e oeste do país extendem-se grandes áreas desérticas que admitem muita pouca vida, e ao leste está o semi-deserto de Núbia. Nestas regiões apenas chove, e quando isso acontece são frequentes as inundações. Para o sul, o deserto vai deixando lugar à savana e depois à selva, nas fronteiras com Uganda e Zaire.




Na Antiguidade floresceram neste território duas civilizações: a Núbia e o Kush (ou Cush).


Templo de Abu Simbel.

Desde tempos remotos, a faixa norte tem feito parte da região da Núbia. Em 1570 a.C., data em que começou a XVIII Dinastia, a Núbia era uma província egípcia.


Exército de Cush.


Coroa real da Antiga Núbia.

Do século XI a.C. ao IV d.C., a Núbia (norte do Sudão) fez parte do reino de Cush, Império núbio egipcianizado que governou o próprio Egito de 713 a 671 a.C.


Pirâmides de Meroé.


Ruinas de Meroé.

O reino de Cush, surgido da cidade de Meroe, governou Sudão até o século IV d.C., quando caiu perante seu rival comercial da Etiópia, o estado cristão de Axum.


Os três Reinos cristãos do Sudão.

No século VI da era cristã missionários cristãos entraram na Núbia e converteram três importantes reinos da região; o mais poderoso deles foi o de Makuria, o qual teve fim no início do século XIV como conseqüência da invasão dos mamelucos egípcios. Esses reinos cristãos negros coexistiram por vários séculos com seus vizinhos muçulmanos no Egito, constituíndo-se bastiões contra o avanço do islamismo. Do século XIII ao XV, porém, nômades árabes emigraram do Egito para o Sudão, o que provocou o colapso dos reinos cristãos. Os árabes se instalaram e controlaram a região norte. O sul escapa ao controle muçulmano e sofre incursões de caçadores de escravos.

Por volta de 1500, uma confederação árabe e os funj puseram fim ao reino da Alwa, reino cristão mais meridional do Sudão. Daí em diante, a metade norte do Sudão abrigaria povos racialmente mesclados, na maioria muçulmanos e árabes. Os Funj, povo que não era nem árabe nem muçulmano, fundaram um sultanato em Sennar e governaram grande parte do centro do Sudão do início do século XVI ao início do século XIX.

Próximo ao século XVIII, a falta de entendimento entre as tribos funj debilitou o reinado. Em 1821-1823 os exércitos enviados por Mehemet Ali (ou Muhammad Ali), do Egipto, nessa época uma província do Império Otomano, ocuparam grande parte da região norte e desenvolveram o comércio de marfim e de escravos. O domínio turco-egípcio se manteve durante 60 anos. No começo do século XIX, o Khedíve Ismail Paxá, vice-rei do Egito, tentou alargar a influência do Egito para sul, incorporando o Sudão a um Estado que abrangeria toda a bacia do Nilo. Expedições egípcias conseguiram conquistar todo o Sudão em 1874.

Influência Britânica

A abertura do canal de Suez em 1869 e o posterior endividamento do Egito com as potências ocidentais favoreceu a crescente intrussão do Reino Unido nos assuntos africanos. Para estimular o financiamento europeu a seus planos ambiciosos, o vice-rei do Egito, Ismail Paxá, engajou cristãos europeus na destruição do extenso comércio de escravos que se desenvolveu no oeste e no sudoeste do Sudão.


Muhammad Ahmed.

Em 1874, o Khedíve Ismail ofereceu ao general e governador inglês Charles Gordon (1833-1885) o cargo de governador-geral do Sudão Egípcio. Sua administração antiescravagista não era popular. Em 1881, Mohamed Ahmed (ou Muhammad Ahmed) declarou-se Mahdi (o enviado de Alá para restaurar o Islã, de acordo com os ensinamentos islâmicos) e liderou uma revolta contra os egípcios destinada a reformar o Islã e a expulsar todos os estrangeiros do Sudão. Após massacrar uma guarnição militar, o Mahdi e seus seguidores lançaram-se à reconquista do país. Quatro anos depois, os rebeldes apoderaram-se de Khartum. Conseguiram dominar todo o Sudão e fundaram uma teocracia. O caos econômico e social invadiu o Sudão.


Batalha de Omdurman.

Os britânicos ocuparam o Egito, em 1882, e invadiram o Sudão, onde Gordon foi assassinado, em 1885. Os mahdistas resistiram às forças anglo-egípcias, até 1898, quando o sucessor de Mahdi foi derrotado por por Kitchener na batalha de Omdurman. Após o incidente de Fashoda (o ápice de uma série de combates entre franceses e britânicos em torno de colônias africanas), os governos britânico e egípcio firmaram um acordo para compartilhar a soberania do Sudão, criando um condomínio anglo-egípcio para todo o país (1899), sob governo britânico. Na zona meridional, o controle britânico era menor.

O descontentamento com o tratado do Egito se fez mais patente após a Segunda Guerra Mundial. Em 1946, os dois países iniciaram negociações para revisar os termos do tratado. O governo egípcio pediu aos britânicos que abandonassem o Sudão, enquanto que estes propuseram modificações no regime de governo. Foi promulgada uma Constituição em 1948, mas, em 1951, o rei Farouk do Egito proclamou-se rei do Sudão.

Independência do Sudão

Após sua queda, a Grã-Bretanha e o Egito firmaram, em 1953, um acordo, mediante o qual se garantia a independência do Sudão após um período de transição de três anos. Em 1953, nas eleições para o Parlamento sudanês, o Partido Unionista Nacional saiu vitorioso. Em 1954, o primeiro governo composto por sudaneses assumiu o poder e começou uma política de sudanização.

Esse programa agravou as diferenças geográficas, econômicas e sociais entre o norte e o sul; os habitantes do sul se sentiam excluídos do novo governo. A República do Sudão, independente, foi oficialmente declarada em 1º de janeiro de 1956. O sul sentiu-se decepcionado em suas demandas de secessão ou federação, afundando o país em uma cruel guerra civil que duraria 17 anos. Desde essa época o país permaneceu na luta entre norte e sul, com numerosos golpes de estado, grandes fomes e sudaneses deslocados de seus territórios.

Política do Sudão

O Sudão é uma república autoritária onde todo o poder está nas mãos do presidente Omar Hasan Ahmad al-Bashir; ele e o seu partido estão no poder desde o golpe militar de 30 de Junho de 1989.
Desde 2003 que a região de Darfur assiste ao extremínio da população negra, por parte da árabe; este é conhecido como o Conflito de Darfur.

Subdivisões do Sudão

O Sudão está atualmente dividido em 26 estados e 133 distritos. A tabela em baixo apresenta o nome de cada estado, assim como o seu respectivo nome em português, a área do território, o número de habitantes e a capital.

História das Subdivisões do Sudão

Durante o domínio britânico, o Sudão estava dividido em oito províncias (mudiriyat em árabe). As fronteiras destas não estavam muito bem definidas, mas, depois da Segunda Guerra Mundial, ficaram bem establecidas. As oito provícias eram: Nilo Azul, Darfur, Equatória, Kassala, Cartum, Cordofão, Norte, e Alto Nilo. Permaneceram desta forma até 1948, data em que Bahr al Ghazal se separou de Equatória.
A 1 de Julho de 1973 foram feitas várias divisões de provícias. O Darfur dividiu-se em Darfur do Sul e Darfur do Norte; a provícia do Cordofão separou-se em Cordofão do Sul e Cordofão do Norte. Al Jazirah e o Nilo Branco separaram-se do Nilo Azul; a provícia de Rio Nilo separou-se da província do Norte, e o Mar Vermelho separou-se de Kassala.
Mais tarde, em 1976, Lagos separou-se de Bahr al Ghazal, e Juncáli separou-se da província do Alto Nilo; Equatória dividiu-se em Equatória Ocidental e Equatória Oriental. Existam então dezoito províncias no Sudão. Em 1991, o Governo sudanês reorganizou as divisões administrativas do país, criando nove estados federais que correspondiam às províncias existentes entre 1948 e 1973. A 14 de Fevereiro de 1994, o Governo voltou a modificar os limites dos estados, criando vinte seis estados (wilayat em árabe). A marioria dos estados eram as provícias e sub-regiões que existiam antigamente. Em 2005, Bahr al Jabal mudou de nome, passando a ser Equatória Central.

Geografia do Sudão

Os desertos da Núbia e da Líbia e o clima árido predominam no norte, enquanto o sul está coberto por savanas e florestas tropicais. A bacia do rio Nilo, que atravessa o território do Sudão, é fonte de energia eléctrica e de irrigação para as plantações de algodão, principal produto de exportação, ao lado da goma-arábica. A maioria da população vive da agricultura de subsistência e da pecuária.

Cultura do Sudão




O Sudão é predominantemente muçulmano; aproximadamente 75% da população está ligada ao Islão, enquanto que entre 15-20% veneram deuses indígenas, e 5% da população é cristã (principalmente no sul do país).

Arte e Cultura do Sudão

Os continuos enfrentamentos bateram duramente nas escassas manifestações artísticas e culturais do país. Na capital do país podem-se apreciar diversas construções, além de poder visitar o Museu Nacional, que oferece interessantes peças do Sudão dos reinos Cush e Napata.

Economia do Sudão

Apesar de ser o maior país da África e ter cerca de 40 milhões de habitantes, o PIB do Sudão é de apenas US$ 25 bilhões.

Agricultura

A economia do Sudão é baseada na agricultura especialmente nas regiões mais úmidas do Sul do país ou na região centro e norte, nas áreas próximas ao Rio Nilo. O principal produto agrícola é o algodão.

Comércio Exterior

As Exportações sudanesas são de US$ 4,9 bilhões. Os principais parceiros comerciais sudaneses são a China (65%), Japão (13%) e a Arábia Saudita (3,7%).

.:: Portal São Francisco


Leia também!

► A Majestosa Civilização de Cush

► A Núbia Cristã caiu como fruto maduro

► Existe um Sudão da paz

4 comentários:

  1. perfeito
    fis todo meu trabalho depois de 300 sites só nesse

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  2. precisa mais explicação da historia do sudão ok mais esta bom

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  3. Por que a denominação dada pelos árabes para uma área tão espessa se manteve por tanto tempo a ponto de os escravos vindos dessa região serem chamados de sudaneses?

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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