quarta-feira, 14 de abril de 2010

Os Mossi

Os Mossi migraram do norte Gana para Burkina Faso por volta do século 11. Deslocaram os habitantes originais e começaram a formar complexos estados com grande força militar.




Origem lendária

Há cerca de 900 anos, de acordo com a lenda, orgulhosos cavaleiros Dagomba do sul vieram cavalgando para a gramínea região da nascente do Rio Volta. Eles gostaram deste baixo platô sul do Sahara, mas norte das florestas de chuva tropicais e estabeleceram-se para permanecer. Eles casaram com as mulheres locais, e seus filhos foram chamados Mossi.

Por centenas de anos, até o começo do século 20, os Mossi governaram as regiões norte, central, e leste do que é chamado agora oficialmente Burkina Faso ("Terra dos Homens Eretos").

A maneira de se governarem consistia, no início, numa mescla de anarquias rurais familiares e de monarquias complexas, que controlavam grandes grupos humanos. No século XVI conheceram um enorme esplendor e organizaram-se em estados e reinos a partir do reino de Gambada, capital do povo dagomba.



Senhores de um grande potencial militar, baseado numa excelente cavalaria, deram origem também aos poderosos reinos de Ouagadougou, Yatenga, Mamprussi e Gurma. Apesar desta dispersão aparente, todos reconheciam a autoridade espiritual e política do Moro Naba, que presidia a um conselho de 16 ministros.

Moro Naba

O Moro Naba era escolhido entre os herdeiros reais, mas a sua designação não era automática, pois tinha de ser eleito e ratificado pelos quatro dignitários principais, de que faziam parte o primeiro-ministro, o chefe da cavalaria, o chefe dos escravos do rei e o alcaide do palácio. Estes ministros não provinham da nobreza, mas de outros segmentos e representavam as diferentes categorias sociais.

Todos os ministros eram inamovíveis e as suas funções hereditárias, o que colocava uma barreira ao poder absoluto do monarca. O conselho reunia-se tanto de manhã como de tarde para despachar assuntos administrativos e conceder audiências. Ao entardecer, as pessoas dirigiam-se ao palácio para dirimir pleitos e receber justiça.

Sociedade

A sociedade era composta pela aristocracia, a de sangue e por ofício; pelos homens livres, que englobavam os agricultores, comerciantes, soldados e artesãos; e, finalmente, pelos escravos. Estes eram, na maioria, despojos de guerra e dividiam-se em categorias diferentes: os domésticos, usados nos trabalhos dos campos; os públicos, diretamente às ordens do rei; e os destinados à venda. Podiam ser libertos da sua condição, se se cumprissem certas condições, entre elas o alistamento no exército, onde apenas eram aceitos na infantaria.

Exército

O exército foi um dos mais poderosos de toda a África. A cavalaria era integrada pela nobreza e pelos homens livres, que, armados de lanças, constituíam um corpo permanente. Por seu turno, a infantaria era uma amálgama de gente modesta e de escravos, sendo mobilizada em caso de invasão do território.

Religião

Praticavam a religião animista, com um zelo extraordinário diante das arremetidas do islão. A sua forte oposição a esta religião foi uma autêntica muralha que impediu o avanço dos muçulmanos para sul. Porém, a partir do século XVIII e com maior consistência no XIX, muitos mossi aceitaram o islão e até mesmo o cristianismo.

Agricultura

A sua agricultura baseava-se sobretudo nos cereais, construindo os seus característicos kraal – povoados – disseminados no meio dos campos, onde viviam agrupados em famílias muito alargadas. O pátio central recolhia muitos feitiços, cuja missão era afastar os espíritos maus e garantir boas e abundantes colheitas.
As máscaras, em forma de estrela, representam o espírito da terra. Utilizam-se nas danças durante os ritos agrários.

Arte




As estatuetas, executadas de forma esquemática e abstracta, estão relacionadas com os ritos de fertilidade e os seus poderes permitem garantir uma descendência abundante para perpetuar a vida do grupo.

Reinos

Construíram poderosos reinos como os de Uagadugú, Yatenga, Mamprussi e Gurma.

Os Reinos Mossi mantiveram sua resistência frente ao Islão. Durante o século XVI atingiram seu máximo esplendor.

Os Reinos Mossi foram derrotados pelas forças francesas. Em 1898, a maior parte da região que corresponde hoje ao Burkina Faso foi conquistada pelos franceses.

Atualmente o povo Mossi habita toda a parte centro-meridional e oriental do Burkina Faso, estendendo-se por territórios fronteiriços do Gana, Togo e Benim. O seu número supera os quatro milhões de pessoas.

Fontes: Wikipédia / Audacia.org / Wikilingue / Portal São Francisco
Tradução e Edição: Valter Pitta

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