quinta-feira, 8 de abril de 2010

O islamismo no continente africano

Depois do Oriente Médio, do subcontinente indiano e do sudeste asiático, a África se constitui numa quarta região que, apesar de menos importante no passado muçulmano, vem adquirindo cada vez mais relevância no contexto do chamado mundo islâmico.




O número de muçulmanos na África é na atualidade estimado em mais de 300 milhões, cerca de 27% do total dos seguidores da religião criada pelo profeta Maomé.

A islamização no continente africano se difundiu muito mais pelo comércio e pela migração do que por conquista militar. A expansão do islã na África seguiu três direções: do noroeste do continente (região do Magreb), ela avançou pelo Saara e alcançou a África Ocidental. A segunda direção foi aquela que, partindo do baixo para o alto vale do Nilo, chegou ao nordeste da África (península da Somália e arredores). Por fim, comerciantes originários da porção sul-sudoeste da Península Arábica e imigrantes do subcontinente indiano, criaram assentamentos no litoral do Índico e, dali, difundiram a presença muçulmana para o interior.

O islamismo fez sua entrada no continente a partir da África do Norte, do Egito ao Marrocos, sendo uma das primeiras regiões a ser conquistadas pela expansão inicial árabe-islâmica (séculos VII e VIII).


Expansão do Islã na África por volta de 1300 d.C.

Dos séculos X a XVI, mercadores muçulmanos contribuíram para o surgimento de importantes reinos na África Ocidental, que floresceram graças ao comércio feito por caravanas que, atravessando o Saara, punham em contato o mundo mediterrâneo ao das estepes e savanas do Sudão Ocidental e África centro-ocidental. A conversão de certos monarcas africanos fez não só o islã avançar como criou uma florescente cultura. Assim, cidade de Tumbuktu (no atual Máli) era, no século XIV, um núcleo urbano conhecido pelo alto nível de suas escolas islâmicas, que atraíam muçulmanos de várias partes do mundo.

Na porção oriental do continente, comerciantes árabes conseguiram se fixar junto ao litoral do Índico, levando a gradual conversão de grupos africanos que viviam em áreas da atual Eritréia e do leste da Etiópia. Todavia, os reinos cristãos do alto vale do Nilo conseguiram bloquear por séculos o avanço muçulmano, como foi o caso dos grupos etíopes, ocupantes dos altos planaltos da Etiópia. Nos séculos seguintes, a cultura árabe-muçulmana influenciaria grupos bantos que estavam em processo de expansão para a África oriental e meridional.

Paralelamente, comerciantes árabes cruzaram o Oceano Índico e criaram, do Chifre da África ao atual Moçambique, um conjunto de importantes cidades-Estado e fortalezas, junto ao litoral e nas ilhas, cujo comércio de ouro se manteve até o início da presença portuguesa no século XVI. Às vésperas do início da colonização européia, o islã se constituía na principal presença "importada" no continente, presença esta que já estava fortemente integrada às sociedades africanas.

O islã na África após 1800

Uma nova fase da islamização no continente iniciou-se no século XVIII, fenômeno que coincidiu com o auge da época escravista. Embora a servidão já existisse em várias sociedades da África Ocidental, a captura de seres humanos acelerou, a ponto de surgirem, no litoral do Golfo da Guiné, novos "Estados", como o Daomé (atual Benin) e Ashanti (atual Gana), como resposta à crescente procura por escravos que eram enviados, em sua maioria, para servir como mão-de-obra nas plantations da América tropical.

As armas de fogo que os mercadores de escravos ganhavam em troca dos seres humanos apresados facilitavam novas capturas que contribuíram para dizimar populações inteiras. Ao mesmo tempo, esse perverso processo transformou os grupos caçadores e mercadores em uma nova elite. Parte dos escravos vendidos eram muçulmanos e foi através deles que surgiram os primeiros núcleos islâmicos nas Américas. Na África Oriental, os escravos capturados eram, em sua maioria, “direcionados” para o Oriente Médio.

No século XIX, o impacto colonial mudou profundamente o quadro existente até então. Colonialistas europeus - franceses e britânicos, além de belgas, italianos e portugueses – criaram e consolidaram impérios concorrentes que puseram fim aos "Estados" islâmicos independentes. Os ingleses, que até o século anterior haviam sido os principais organizadores do tráfico negreiro, passaram a impor o seu fim e, onde foi possível, aboliram a escravidão. A diminuição do comércio de escravos trouxe conseqüências negativas para as elites escravistas muçulmanas, desestruturando as estruturas estatais existentes.

A Grã Bretanha concentrou suas energias colonizadoras no projeto geopolítico de manter um domínio territorial contínuo, "do Cairo (Egito) até a cidade do Cabo (África do Sul)", eliminando eventuais "Estados" muçulmanos que estavam no caminho. Por outro lado, em algumas áreas da África Oriental, os britânicos promoveram a vinda de trabalhadores rurais muçulmanos originários das Índias britânicas para regiões das atuais Uganda e África do Sul.

A evolução do colonialismo nas regiões da África muçulmana, gerou uma situação paradoxal: ao mesmo tempo em que os muçulmanos perdiam poder político, o islamismo teve um crescimento sem precedentes. Tribos inteiras se converteram. Isso ocorreu no contexto das rápidas transformações socioeconômicas engendradas pela colonização.

A urbanização e o enfraquecimento das tradições familiares e sociais, bases fundamentais das culturas africanas, geraram um ambiente conturbado que beneficiou o islã, religião que combina o universalismo de sua mensagem com uma ideologia de clara oposição ao Ocidente imperialista. Aliás, é essa combinação que explica, em grande medida, a condição do islamismo ser, na atualidade, a religião com o maior ritmo de crescimento em todo o mundo.

.:: Clube Mundo


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► A expansão árabe na África

13 comentários:

  1. Bem nada mal...Mas é muita coisa para ler...
    As pessoas não gostam muito de ler de ler mas eu gostei...Só disse isso pq como eu muitas pessoas gostam de usar textos como apoio.Fica a dica!

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  2. Parabéns pelo blog, está me ajudando muito em minhas pesquisas para trabalhos na faculdade, salvei em Favoritos! Um abraço.

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  3. Deu para notar alguma consistência na sua coerente abordagem principalmente quando fizeste menção a segunda vaga da formação da filosofia que hoje caracteriza o continente berço.

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  4. Deu para notar alguma consistência na sua coerente abordagem principalmente quando fizeste menção a segunda vaga da formação da filosofia que hoje caracteriza o continente berço.

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  5. Deu para notar alguma consistência na sua coerente abordagem principalmente quando fizeste menção a segunda vaga da formação da filosofia que hoje caracteriza o continente berço.

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  6. Muitas pessoas não sabem porque não é divulgado que na verdade os imperios de gana e do mali foram fundados por reis hebreus israelitas e que depois muitos deles se converteram ao islã. E que os ''ashantis'' ao que tudo indica são um povo hebreu tambem e que os hebreus israelitas fundaram muitos imperios na africa antes das invasões muçulmanas e europeias que foram incentivadas pelos falsos ''judeus''. voce pode ter a confirmação lendo os livros: From babilonia to timbuktu,ancient black hebrews and arabs

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  7. E tambem a lingua dos bantus é misturada com o hebraico por exemplo uganda é uma palavra hebraica Zâmbia é o nome de um dos israelitas que é citado em 1 Esdras 9:34 livro pseudo apocrifo, Ruanda tambem é hebraico. https://www.youtube.com/watch?v=OvbimX7msJQ

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  8. Os tutsi do leste do continente africano são hebreus tambem os yoruba tambem e os Heboos(Ibos) Todos eles tem o dna E1B1A e subdivisões que é o dna identico ao dos lemba que são comprovadamente de Linhagem hebraica e que são tambem Bantus.

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