terça-feira, 23 de março de 2010

Nilo: O berço da cultura

O Nilo corre por 6.671 km, desde a sua nascente, no interior da África, até o delta no Mar Mediterrâneo. Em suas margens já vivia, em 50.000 a.C, um povo admirável: os egípcios




As pessoas que viviam às margens do Nilo foram as primeiras a dispor de um calendário. Também escreveram antes de todos os outros povos, com uma escrita muito peculiar. Além disso, haviam desenvolvido um sistema unificado de algarismos, medidas e pesos. Como se não bastasse, ergueram obras arquitetônicas grandiosas, templos com verdadeiras florestas de colunas, câmaras mortuárias cheias de ouro e pirâmides esplêndidas: monumentos que ainda hoje nos deixam perplexos e nos quais os pesquisadores continuam fazendo descobertas extraordinárias.

Naquele tempo, em que tudo isso surgia junto ao Nilo, os europeus, por exemplo, ainda viviam em choupanas. Como isso era possível? O que esse rio dava aos homens?

Às margens do Nilo, estende-se uma faixa verde, com até 20 km de largura. Ali crescem algodão, trigo, arroz e milho. Esse pedaço de terra fértil oferecia as melhores condições para uma vida civilizada. E assim, há cerca de 6.500 anos, cada vez mais comunidades se assentavam no vale do Nilo. Vinham das mais diferentes tribos e clãs. Apesar disso, os desentendimentos entre elas eram raros. E por que haveria de tê-los? O deserto mantinha os inimigos distantes. Alimentos havia de sobra. Enquanto os povos europeus preocupavam-se a cada colheita, os egípcios consideravam celeiros cheios uma coisa natural. Nas cheias, o Nilo levava água e aluvião ricas em nutrientes para os campos.


Desde os tempos dos faraós as felucas deslizam pelo Nilo.
Graças às suas velas triangulares, os barcos
podem ser facilmente manobrados.

Quando, de julho a outubro, as lavouras estavam inundadas, os egípcios tinham tempo e lazer. Ao observarem as fases da Lua e o nível da água, eles desenvolveram o calendário. Podiam se dedicar ao artesanato artístico, esculpindo fabulosas figuras em marfim ou tecendo os mais finos panos. Mais tarde, centenas de milhares de camponeses tiveram de trabalhar para o faraó. Sem o trabalho deles, os gigantescos templos de Tebas e as pirâmides de Gizé jamais teriam sido construídos.

Vindos de pedreiras, os blocos eram transportados em balsas até o canteiro de obras. As distâncias, algumas vezes, superavam centenas de quilômetros. A madeira vinha até da distante Síria. As pedras preciosas eram trazidas da África central.

Naquela época, o Nilo era uma das maiores e mais importantes rotas comerciais do mundo. Mercadorias de todos os lugares subiam e desciam o rio, proporcionando riqueza e poder ao Egito. Os monumentos e os tesouros dos faraós ainda hoje falam de maneira impressionante daquele tempo.

.:: Revista Geo

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